domingo, 24 de setembro de 2017

Rocinha em ataque


A Rocinha, onde moram oficialmente 70.000 pessoas, vive em estado de exceção desde o último domingo, quando um bando de criminosos invadiu a favela em uma disputa interna entre líderes da facção Amigos dos Amigos que domina o tráfico de drogas na região. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, o traficante Nem da Rocinha, preso desde 2011 e cumprindo pena numa cadeia federal de segurança máxima, teria ordenado a retomada do território do seu sucessor e ex-segurança, hoje desafeto, Rogério 157. O bando de Rogério 157 revidou e foram horas de confronto armado sem que as autoridades intervissem ou prevenissem o embate, apesar de terem reconhecido que detinham informações de inteligência sobre a iminência de uma invasão devido ao racha interno da facção. Encontraram-se quatro mortos, dois deles carbonizados.

A Polícia Militar começou suas operações na segunda e, desde então, repetem-se os tiroteios entre agentes e traficantes, o comércio de algumas áreas fechou, o transporte de ônibus foi interrompido, as vias de acesso foram várias vezes interditadas e muitos moradores estão em pânico. “Eu só quero paz, não me importa quem ganhe ou perca esta batalha”, dizia uma empregada doméstica, idosa e ofegante ao ter que subir a pé até sua casa, no alto do morro, ante a ausência de vans. Nesta sexta-feira, cinco dias depois do inícios dos confrontos, o Exército foi chamado e 950 militares, que surpreendiam pela sua juventude, cercaram a comunidade. Os moradores, no meio da espetacular operação, eram telespectadores atônitos da sua própria tragédia retransmitida ao vivo nas TVs acesas das barbearias, botequins e pontos de mototaxistas. As últimas informações da cúpula da Secretaria de Segurança Pública do Rio apontam que a invasão supostamente ordenada por Nem foi frustrada e que Rogério 157 resiste –“acuado”– no interior da mata da floresta da Tijuca que circunda a favela...

De El País, Brasil

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