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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Poupar e educar: as armas de San Francisco contra a seca
Em San Francisco, na Califórnia, os restaurantes deixaram de servir água aos clientes automaticamente, e agora só recebe um copo quem o pede ao garçom. Nos subúrbios da cidade, moradores começam a trocar seus gramados por plantas nativas que dispensem irrigação ou até por grama artificial.
As duas mudanças de comportamento são os efeitos mais visíveis em San Francisco da grave seca que há três anos atinge o mais populoso Estado americano.
Entre os san-franciscanos, porém, a falta de chuvas parece preocupar bem menos do que entre os paulistanos. Afinal, com o reservatório que abastece a cidade com 56% de sua capacidade, San Francisco lida com a seca numa posição muito mais confortável que São Paulo, onde o sistema Cantareira opera na reserva técnica desde maio de 2014.
O relativo conforto foi conquistado à custa de um esforço após graves estiagens nas décadas de 1980 e 1990, quando San Francisco enfrentou racionamentos e teve de remodelar a gestão de suas águas. Os episódios alertaram autoridades e moradores sobre a importância de poupar o recurso e puseram o tema na agenda das escolas da cidade...
De João Fellet, BBC
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sábado, 22 de junho de 2013
Nordeste: Pacote contra seca tarda a chegar aos 10 milhões de afetados
Anunciado há dois meses pela presidente Dilma Rousseff, o
último pacote de medidas contra a seca, estimado em R$ 9 bilhões, demora a
chegar ao semiárido.
A entrega de milho atrasou, cisternas estão abandonadas ou
apresentam problemas, a oferta de carros-pipa não teve o aumento prometido e
apenas 30% dos recursos para perfuração de poços foram liberados.
Diante da maior seca dos últimos 50 anos, que afeta dez milhões de pessoas em 1.418 municípios do norte de Minas Gerais e do Nordeste, foram as poucas chuvas que aliviaram a situação. As precipitações fizeram crescer vegetação rasteira que alimentou os rebanhos, mas foram insuficientes para que houvesse colheita.
Para alimentar os animais, o governo havia prometido enviar 340
mil toneladas de milho em abril e maio.
Nesses dois meses, só 151 mil toneladas (44% do total) foram
repassadas, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Outras 138
mil toneladas foram enviadas em junho.
Em dez cidades do interior do Ceará que a Folha visitou há duas
semanas, produtores rurais diziam que o milho ainda não havia chegado.
Na Bahia, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura também
relatou atraso, sobretudo por falhas no transporte e distribuição, sob
responsabilidade dos Estados. E, quando o milho chega, há menos do que o
previsto.
"Minha cota seria de 20 sacos de milho, mas falaram que só vou
ter dez", disse o produtor Francisco Pinheiro, 34, de Milhã (311 km de
Fortaleza). Ele e seu pai disseram ter vendido gado a preços baixos porque não
tinham alimento para os animais.
CHUVAS
A previsão é que haja ainda menos chuva no semiárido no segundo
semestre deste ano. Por isso, a chuva registrada até agora foi importante para
encher cisternas.
O governo prometeu entregar 130 mil cisternas até julho e mais
110 mil até dezembro. Há, contudo, problemas nas cisternas de plástico que estão
sendo entregues.
Em Canindé (118 km de Fortaleza), a reportagem localizou um
depósito com cerca de 200 cisternas expostas ao calor. E moradores, que foram
orientados a cavar buracos para as cisternas, esperam pela instalação há mais de
três meses. "Gastei R$ 200 para cavar e até hoje a cisterna não veio", diz o
agricultor Joaquim da Silva, 73.
Sem chuva, as cisternas dependerão de carros-pipa contratados
pelo Exército para distribuir água.
Em abril, havia 4.746 carros-pipa em 777 cidades. Dilma
prometeu ampliar a operação em 30%, para 6.170 carros-pipa. Dois meses depois, o
Exército tem 5.220 carros-pipa contratados em 808 cidades --aumento de 10%.
A maior fatia do pacote (35%, ou R$ 3,1 bilhões) era uma
estimativa de quanto o Planalto deixaria de arrecadar até 2016, ao renegociar a
dívida de 700 mil produtores. Foram atendidos 39 mil produtores, com dívidas de
R$ 510 milhões, apenas 16% do previsto...
De Aguirre Talento, Nelson Barros Neto, jornal FOLHA DE SÃO PAULO
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Ceará: Racionamento de água motiva críticas ao givernador e a presidente Dilma
Deputados estaduais voltaram a cobrar ações mais consistentes para minimizar os efeitos da seca no Ceará
A notícia de que 25 cidades no Interior do Ceará estão vivendo com racionamento de água em razão do colapso hídrico, provocado pela estiagem prolongada, segundo destacou em sua manchete o Diário do Nordeste da última terça-feira, reacendeu o debate sobre a seca, na Assembleia Legislativa. Para a maioria dos parlamentares ouvidos, a situação é resultado da falta de planejamento dos órgãos estaduais, uma vez que foram avisados previamente de que as chuvas seriam irregulares este ano.
O racionamento no Interior do Ceará foi informado na segunda-feira pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). A matéria mostrou que, com índices pluviométricos 37,7% abaixo da média e com mais de 70 açudes cearenses em alerta (nível abaixo de 30%), o presidente da Cogerh, Yuri de Oliveira, anunciou que cidades como Beberibe, Canindé, Crateús e Tauá estão passando por racionamento.
Para o presidente da Comissão Especial da Seca da Assembleia Legislativa, deputado João Jaime (PSDB), essa situação é resultado da falta de planejamento e de investimentos em obras que resolvessem, de fato, o problema da falta de água. Segundo ele, a maioria das ações que estão sendo desenvolvidas pelo Governo do Estado não tem resultado imediato, como as cisternas de enxurradas. "Como as pessoas vão conseguir acumular água nas cisternas se não vai chover mais?", indaga.
De acordo com o tucano, os R$ 180 milhões enviados pelo Governo Federal e os R$ 20 milhões de contrapartida do Estado para a construção desses equipamentos deveriam ser investidos em adutoras para levar água dos açudes para as cidades. "O erro do Governo do Estado foi aceitar o que o Federal disse. Já que estava dando contrapartida, deveria ter brigado para que esse dinheiro fosse destinado para a construção de adutoras emergenciais", defende.
O parlamentar cearense lembrou ainda que, além de as cisternas de enxurradas não surtirem efeito imediato para o problema da falta de água, o dinheiro para a construção desses equipamentos está sendo desviado pelas organizações não governamentais (ONGs) responsáveis pela execução da obra. Segundo João Jaime, na conta de apenas uma dessas organizações foram encontrados R$ 5 milhões. "Valor que eu desafio qualquer prefeitura de pequeno porte ter atualmente em caixa"...
De política, jornal DIÁRIO DO NORDESTE
A notícia de que 25 cidades no Interior do Ceará estão vivendo com racionamento de água em razão do colapso hídrico, provocado pela estiagem prolongada, segundo destacou em sua manchete o Diário do Nordeste da última terça-feira, reacendeu o debate sobre a seca, na Assembleia Legislativa. Para a maioria dos parlamentares ouvidos, a situação é resultado da falta de planejamento dos órgãos estaduais, uma vez que foram avisados previamente de que as chuvas seriam irregulares este ano.
O racionamento no Interior do Ceará foi informado na segunda-feira pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). A matéria mostrou que, com índices pluviométricos 37,7% abaixo da média e com mais de 70 açudes cearenses em alerta (nível abaixo de 30%), o presidente da Cogerh, Yuri de Oliveira, anunciou que cidades como Beberibe, Canindé, Crateús e Tauá estão passando por racionamento.
Para o presidente da Comissão Especial da Seca da Assembleia Legislativa, deputado João Jaime (PSDB), essa situação é resultado da falta de planejamento e de investimentos em obras que resolvessem, de fato, o problema da falta de água. Segundo ele, a maioria das ações que estão sendo desenvolvidas pelo Governo do Estado não tem resultado imediato, como as cisternas de enxurradas. "Como as pessoas vão conseguir acumular água nas cisternas se não vai chover mais?", indaga.
De acordo com o tucano, os R$ 180 milhões enviados pelo Governo Federal e os R$ 20 milhões de contrapartida do Estado para a construção desses equipamentos deveriam ser investidos em adutoras para levar água dos açudes para as cidades. "O erro do Governo do Estado foi aceitar o que o Federal disse. Já que estava dando contrapartida, deveria ter brigado para que esse dinheiro fosse destinado para a construção de adutoras emergenciais", defende.
O parlamentar cearense lembrou ainda que, além de as cisternas de enxurradas não surtirem efeito imediato para o problema da falta de água, o dinheiro para a construção desses equipamentos está sendo desviado pelas organizações não governamentais (ONGs) responsáveis pela execução da obra. Segundo João Jaime, na conta de apenas uma dessas organizações foram encontrados R$ 5 milhões. "Valor que eu desafio qualquer prefeitura de pequeno porte ter atualmente em caixa"...
De política, jornal DIÁRIO DO NORDESTE
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Tucanos reclamam da água e uso das ONGs
Para o deputado João Jaime, liberar dinheiro para ONGs é investir em novo escândalo como os dos banheiros
Água poluída e desvio de finalidade com o dinheiro público. Estas foram algumas denúncias apresentadas pelos tucanos João Jaime e Fernando Hugo na manhã de ontem, no plenário da Assembleia Legislativa, quanto aos programas de combate à seca. De acordo com eles, material danoso à saúde da população está sendo distribuído pelos carros-pipa e o Governo está gastando mal o dinheiro quando quer investir em cisternas no valor de R$ 225 milhões, recursos que serão aplicados por ONGs.
Fernando Hugo, por exemplo, afirmou que recebeu um relatório na sexta-feira passada, assinado por Manoel Fonseca, da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) e afirmou que "nunca a qualidade de água foi desse jeito. A água que estão servindo é água de péssima qualidade", lembrou ele, que visitou municípios no fim de semana. "A quantidade de ameboides e bactérias, bem como material de metais pesados é enorme. Isso porque os ´pipeiros´ não têm a estrutura necessária que o Ministério da Saúde assegura", reclamou.
Manoel Fonseca teria feito uma exigência, solicitando aquisição de estações de tratamento móvel para que em cada grande reservatório se coloque tais instalações que não custam muito ao Estado e pode evitar um mal maior à população. "Eu espero que Dilma faça essa exigência ser cumprida".
...
De jornal DIÁRIO DO NORDESTE
Água poluída e desvio de finalidade com o dinheiro público. Estas foram algumas denúncias apresentadas pelos tucanos João Jaime e Fernando Hugo na manhã de ontem, no plenário da Assembleia Legislativa, quanto aos programas de combate à seca. De acordo com eles, material danoso à saúde da população está sendo distribuído pelos carros-pipa e o Governo está gastando mal o dinheiro quando quer investir em cisternas no valor de R$ 225 milhões, recursos que serão aplicados por ONGs.
Fernando Hugo, por exemplo, afirmou que recebeu um relatório na sexta-feira passada, assinado por Manoel Fonseca, da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) e afirmou que "nunca a qualidade de água foi desse jeito. A água que estão servindo é água de péssima qualidade", lembrou ele, que visitou municípios no fim de semana. "A quantidade de ameboides e bactérias, bem como material de metais pesados é enorme. Isso porque os ´pipeiros´ não têm a estrutura necessária que o Ministério da Saúde assegura", reclamou.
Manoel Fonseca teria feito uma exigência, solicitando aquisição de estações de tratamento móvel para que em cada grande reservatório se coloque tais instalações que não custam muito ao Estado e pode evitar um mal maior à população. "Eu espero que Dilma faça essa exigência ser cumprida".
...
De jornal DIÁRIO DO NORDESTE
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Seca no Nordeste expõe tensão entre Dilma Rousseff e Eduardo Campos
Brasília e Fortaleza — A pior
seca dos últimos 50 anos no Nordeste transformou-se em mais um
ingrediente na disputa política entre o governo federal e o governador
de Pernambuco, Eduardo Campos, provável candidato do PSB à Presidência
em 2014. Na capital cearense, a presidente Dilma Rousseff anunciou uma
série de medidas, liberou R$ 9 bilhões para crédito aos agricultores
afetados pela estiagem e lembrou, diante de todos os governadores da
região, que as ações tomadas pelo PT durante os últimos 10 anos
amenizaram o impacto da falta de chuvas. “Conseguimos impedir que as
populações aqui enfrentassem todas as perversas consequências que sempre
vimos sendo retratadas na literatura, na prosa e no verso dos
sanfoneiros”, disse Dilma.
A presidente afirmou que, apesar dos graves problemas de produção, não foram vistos saques, e as pessoas não passam fome de maneira aguda que as obrigue a buscar alternativas para preservar a própria sobrevivência. “Podemos dizer que atingimos nosso objetivo de preservar a população, mas os desafios de enfrentar as consequências na esfera produtiva persistem”, declarou.
O pacote do governo federal é extenso. Além dos R$ 9 bilhões, serão contratados carros-pipas (o número pula de 4,4 mil para 6,1 mil este ano, e entregues mais 130 mil cisternas até julho, que se somarão às 270 mil já instaladas. Outras 750 mil serão entregues até a Copa do Mundo de 2014. Dilma também autorizou a prorragação dos débitos de todos os produtores de municípios em estado de emergência com dívidas contraídas de 2012 a 2014 por mais 10 anos, com o pagamento da primeira parcela em 2016.
Principal crítico ao governo federal entre todos os presentes, Eduardo Campos não ficou muito convencido com as medidas anunciadas pela presidente. “As propostas continuam as mesmas, o que avançou mesmo foi a seca. É preciso olhar com atenção ao produtor, ao habitante do semiárido. É preciso olhar como vamos recompor essa economia devastada com a maior seca dos últimos 50 anos”, comentou Campos após o evento.
Durante o discurso de Dilma, não foram permitidos apartes, embora ela tenha sido bastante dura quanto à importância de uma parceria mais efetiva entre os governos federal e estaduais. Lembrou que, no Nordeste, é fundamental a construção de mais silos para armazenar grãos e que o planejamento para essa estocagem seja feito no período da entressafra, e não da safra, por ser mais barato.
Dilma também lembrou a importância de escoar a produção. Nesse momento, o alvo das palavras era claramente Eduardo Campos. A presidente afirmou que é fundamental uma parceria entre portos públicos e privados para a exportação da produção. Na semana passada, durante audiência no Senado para debater a Medida Provisória dos Portos, o governador socialista pediu um tratamento diferenciado para a unidade de Suape, em Pernambuco. A MP prevê que todas as instalações do país passarão a ser administradas pela União. “Temos que saber que há problemas de logística. Não é possível a gente supor que a safra de grãos do período tenha condições de ser escoada toda por via rodoviária, sem melhorias no transporte de cabotagens e marítimo.”
Segundo a presidente, um levantamento feito com os portos públicos mostra que eles são capazes de estocar 10 mil toneladas de grãos. Com a ajuda dos portos privados, a capacidade sobe para 70 mil. “Precisamos de parceria com os governadores para resolvermos juntos os problemas de logística”, cobrou a presidente, em recado a Campos.
Discurso
Antes da reunião, os governadores da região se encontraram para afinar o discurso de reivindicações. Unidos pelas condições difíceis do Nordeste, mas distantes por conta das pretensões presidenciais de 2014, Eduardo Campos e o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), encontraram-se em um primeiro momento a portas fechadas, antes da chegada dos demais administradores estaduais. Outro governador eleito pelo PSB, Wilson Martins, do Piauí, endossou as críticas ao governo federal, embora com menos contundência do que Eduardo Campos.
Segundo Martins, desde a última reunião do Conselho da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), realizada em Salvador no ano passado, recursos vêm sendo liberados e obras estão em execução. Ainda assim, na opinião de Martins, o governo precisa ser mais ágil. “Houve avanços em relação a investimentos na captação de água no Nordeste e o PAC Seca tem andado, embora seja em um ritmo aquém da necessidade da população e das exigências do povo”, afirmou.
Como resposta, Dilma anunciou a desburocratização no repasse de recursos. Pelas novas regras, 30% das verbas serão liberadas logo após a licitação das obras. Além disso, a documentação para garantir o montante só será cobrada antes da liberação da última parcela, para evitar que a burocracia emperre o processo.
No fim da tarde, a presidente participou, ao lado de Cid Gomes, da inauguração de uma escola técnica estadual. Na ocasião, reforçou o desejo de que os royalties do petróleo sejam integralmente destinados à educação.
De Paulo de Tarso Lyra, Rosália Rangel, Glauce Gouveia, jornal DIÁRIO DE PERNAMBUCO
A presidente afirmou que, apesar dos graves problemas de produção, não foram vistos saques, e as pessoas não passam fome de maneira aguda que as obrigue a buscar alternativas para preservar a própria sobrevivência. “Podemos dizer que atingimos nosso objetivo de preservar a população, mas os desafios de enfrentar as consequências na esfera produtiva persistem”, declarou.
O pacote do governo federal é extenso. Além dos R$ 9 bilhões, serão contratados carros-pipas (o número pula de 4,4 mil para 6,1 mil este ano, e entregues mais 130 mil cisternas até julho, que se somarão às 270 mil já instaladas. Outras 750 mil serão entregues até a Copa do Mundo de 2014. Dilma também autorizou a prorragação dos débitos de todos os produtores de municípios em estado de emergência com dívidas contraídas de 2012 a 2014 por mais 10 anos, com o pagamento da primeira parcela em 2016.
Principal crítico ao governo federal entre todos os presentes, Eduardo Campos não ficou muito convencido com as medidas anunciadas pela presidente. “As propostas continuam as mesmas, o que avançou mesmo foi a seca. É preciso olhar com atenção ao produtor, ao habitante do semiárido. É preciso olhar como vamos recompor essa economia devastada com a maior seca dos últimos 50 anos”, comentou Campos após o evento.
Durante o discurso de Dilma, não foram permitidos apartes, embora ela tenha sido bastante dura quanto à importância de uma parceria mais efetiva entre os governos federal e estaduais. Lembrou que, no Nordeste, é fundamental a construção de mais silos para armazenar grãos e que o planejamento para essa estocagem seja feito no período da entressafra, e não da safra, por ser mais barato.
Dilma também lembrou a importância de escoar a produção. Nesse momento, o alvo das palavras era claramente Eduardo Campos. A presidente afirmou que é fundamental uma parceria entre portos públicos e privados para a exportação da produção. Na semana passada, durante audiência no Senado para debater a Medida Provisória dos Portos, o governador socialista pediu um tratamento diferenciado para a unidade de Suape, em Pernambuco. A MP prevê que todas as instalações do país passarão a ser administradas pela União. “Temos que saber que há problemas de logística. Não é possível a gente supor que a safra de grãos do período tenha condições de ser escoada toda por via rodoviária, sem melhorias no transporte de cabotagens e marítimo.”
Segundo a presidente, um levantamento feito com os portos públicos mostra que eles são capazes de estocar 10 mil toneladas de grãos. Com a ajuda dos portos privados, a capacidade sobe para 70 mil. “Precisamos de parceria com os governadores para resolvermos juntos os problemas de logística”, cobrou a presidente, em recado a Campos.
Discurso
Antes da reunião, os governadores da região se encontraram para afinar o discurso de reivindicações. Unidos pelas condições difíceis do Nordeste, mas distantes por conta das pretensões presidenciais de 2014, Eduardo Campos e o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), encontraram-se em um primeiro momento a portas fechadas, antes da chegada dos demais administradores estaduais. Outro governador eleito pelo PSB, Wilson Martins, do Piauí, endossou as críticas ao governo federal, embora com menos contundência do que Eduardo Campos.
Segundo Martins, desde a última reunião do Conselho da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), realizada em Salvador no ano passado, recursos vêm sendo liberados e obras estão em execução. Ainda assim, na opinião de Martins, o governo precisa ser mais ágil. “Houve avanços em relação a investimentos na captação de água no Nordeste e o PAC Seca tem andado, embora seja em um ritmo aquém da necessidade da população e das exigências do povo”, afirmou.
Como resposta, Dilma anunciou a desburocratização no repasse de recursos. Pelas novas regras, 30% das verbas serão liberadas logo após a licitação das obras. Além disso, a documentação para garantir o montante só será cobrada antes da liberação da última parcela, para evitar que a burocracia emperre o processo.
No fim da tarde, a presidente participou, ao lado de Cid Gomes, da inauguração de uma escola técnica estadual. Na ocasião, reforçou o desejo de que os royalties do petróleo sejam integralmente destinados à educação.
De Paulo de Tarso Lyra, Rosália Rangel, Glauce Gouveia, jornal DIÁRIO DE PERNAMBUCO
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Marina Silva: Dona Culpa
Quando começam as chuvas, todos sabemos que haverá enchentes nas grandes cidades, desbarrancamento e moradias soterradas nos morros. A culpa, segundo os agentes públicos, é do excesso de chuvas e da insistência dos moradores em permanecer no local.
Mais um ano de seca no sertão nordestino. Estados e municípios disputam desesperados os recursos para barragens, carros-pipa, poços, atendimento de emergência. A culpa? Das pessoas que moram em lugar errado e da natureza, que mandou toda a água para outra região.
Já estamos nos acostumando com essa lógica. Nos anos de crescimento e bonança, os que estão no poder arvoram-se a dar lições ao mundo; nos anos das vacas magras, o problema é a crise na Europa, a guerra cambial, a falta de ousadia dos empresários... Para os que estão na oposição, o sucesso é resultado de alguma decisão anterior ao governo atual, enquanto o fracasso vem dos erros cometidos por esse.
Atualmente, voltamos à "interrupção no fornecimento" de energia (há que se buscar novos nomes para o velho apagão) que, como sabemos, nos últimos anos teve vários culpados: faltou chuva nos reservatórios, um raio desligou a transmissão, o calor fez todo mundo ligar o ventilador.
Mas o ministro tem um jargão na ponta da língua que sintetiza o condomínio dos culpados: "problemas ambientais'. Leia-se índios e ecologistas, que atrasam a construção de usinas. Uns não têm força para demarcar e proteger suas terras, outros não conseguem impedir a desfiguração do Código Florestal, mas o ministro diz que, juntos, têm o poder de apagar a luz do país.
Cá entre nós, desconfio que o planejamento energético brasileiro é atrasado e não prevê a diversificação e distribuição necessária para superar os limites de nossa matriz energética.
Digo "desconfio" porque quase ninguém conhece os planos desse setor, herança e continuação das estruturas centralizadas, anteriores à democratização do país. Os poucos que têm acesso parecem muito competentes, mas não podem vencer um exército de índios.
A culpa do apagão e de todos os desastres anuais previsíveis e anunciados não pode ser dos políticos e gestores públicos. Afinal, quem escolhe os diretores de órgãos públicos e agências?
Quem coloca afilhados políticos em cargos técnicos? Quem faz acordos para entregar ministérios com "porteira fechada" aos partidos políticos? Quem nomeia os que, pouco tempo depois, serão flagrados em atos ilícitos e práticas de corrupção?
Não, certamente a culpa não pode ser dos que planejam, coordenam e executam as políticas públicas nas cidades, nos Estados e no país.
Convoquem o povo, os índios, os ecologistas, a chuva. Alguém terá que se casar com dona Culpa.
De Marina Silva, Jornal FOLHA DE SÃO PAULO
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Nível de reservatórios de hidrelétricas do NE cai 0,9%
O nível dos reservatórios das hidrelétricas do Nordeste, região que mais vem sofrendo com a falta de chuvas, caiu de 30,20% na terça-feira (9) para 29,91% ontem, segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema).
No Sul, os reservatórios subiram para 45,33%, de 43,30% na terça-feira. Nas regiões Sudeste/Centro-Oeste, reunidas em um único subsistema, a taxa permaneceu estável, de 28,32% na terça-feira para 28,31% ontem. No Norte o nível também pouco mudou, de 39,88% para 39,99%.
A queda no nível dos reservatórios continua abaixo da média histórica, o que vem modificando a matriz elétrica do país.
Ontem, a geração hídrica respondia por 64,17% da geração, contra 73,68% em igual dia de 2012, uma queda de 12,9%, enquanto a energia térmica convencional passou de uma geração de 4,78% em 9/1/2012 para 17,78% ontem, aumento de 271,9%.
De Denise Luna, FOLHA Online
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Contrariando a presidente Dilma Rousseff estamos muito próximo do risco de racionamento
Reservatórios do Nordeste caem abaixo do nível crítico e acendem sinal de alerta
Nível das represas das hidrelétricas está em 32,2%, enquanto o limite é de 34%; no Sudeste, nível está só 0,8 ponto acima da curva de risco
SÃO PAULO - Os reservatórios do Nordeste terminaram o ano de 2012 abaixo do limite de segurança para o abastecimento do mercado - um mecanismo criado pelo governo federal após o racionamento de 2001 para alertar sobre o nível das represas. De acordo com relatórios do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a capacidade de armazenamento das usinas da região fechou o mês de dezembro em 32,2%. O limite mínimo estabelecido era de 34%.
No sistema Sudeste/Centro-Oeste, a situação não é muito diferente. As hidrelétricas encerraram o ano com uma reserva média de água de 28,8% - apenas 0,8 ponto porcentual acima da curva de aversão ao risco. O nível de armazenamento é semelhante ao de 2000 (28,52%), antes de o governo federal ser obrigado a decretar o racionamento de 2001.
Apesar da condição preocupante, os reservatórios devem começar o ano acima do nível de segurança. Isso porque o ONS recalculou as curvas de aversão ao risco para 2013. Na prática, porém, a situação das usinas continuará bastante delicada. O alívio será apenas no papel.
Ao contrário do que a presidente Dilma Rousseff afirmou na semana passada, de que é ridículo falar de risco de racionamento, se não chover o País poderá ter dificuldades de abastecimento. Isso porque o ONS já lançou mão de todos os recursos disponíveis para poupar água nos reservatórios. (...)
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