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domingo, 13 de janeiro de 2013

Profetas da chuva têm previsões para inverno no município de Quixadá



Neste final de semana, a cidade de Quixadá será sede do XVII Encontro dos Profetas da Chuva. De 11 a 13 de janeiro, estudiosos acadêmicos, políticos, estudantes e profetas da chuva do Sertão Central reúnem-se na Associação de Ouvinos e Caprinos do Ceará (Acocece) para conhecerem as previsões do inverno cearense de 2013.
A programação começa hoje (11) com a sexta edição do festival Encanta Quixadá. A apresentação de violeiros e trovadores vem reunindo, desde o ano de 2007, as antigas e novas gerações de cantadores da moda nordestina. No sábado (12) acontece a abertura oficial do evento, quando os 35 profetas convidados vão expor suas previsões. Durante a noite, a partir das 19h, uma novidade desta edição: o Seminário “Convivência no Semiárido: técnicas de armazenamento de água e hábitos do sertão”.
Na ocasião, vão estar presentes pesquisadores e educadores da área que vão discutir sobre as melhores condições de se manter uma vida em regiões de semiárido. O Encontro encerra no domingo (13) com um café da manhã e bate-papo com os participantes, além da apresentação do Reisado Boi Coração, da localidade de Boi D´Água (Quixadá). (...)

De Municípios, Jornal O ESTADO


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Marina Silva: Dona Culpa

Quando começam as chuvas, todos sabemos que haverá enchentes nas grandes cidades, desbarrancamento e moradias soterradas nos morros. A culpa, segundo os agentes públicos, é do excesso de chuvas e da insistência dos moradores em permanecer no local.


Mais um ano de seca no sertão nordestino. Estados e municípios disputam desesperados os recursos para barragens, carros-pipa, poços, atendimento de emergência. A culpa? Das pessoas que moram em lugar errado e da natureza, que mandou toda a água para outra região.

Já estamos nos acostumando com essa lógica. Nos anos de crescimento e bonança, os que estão no poder arvoram-se a dar lições ao mundo; nos anos das vacas magras, o problema é a crise na Europa, a guerra cambial, a falta de ousadia dos empresários... Para os que estão na oposição, o sucesso é resultado de alguma decisão anterior ao governo atual, enquanto o fracasso vem dos erros cometidos por esse.

Atualmente, voltamos à "interrupção no fornecimento" de energia (há que se buscar novos nomes para o velho apagão) que, como sabemos, nos últimos anos teve vários culpados: faltou chuva nos reservatórios, um raio desligou a transmissão, o calor fez todo mundo ligar o ventilador.

Mas o ministro tem um jargão na ponta da língua que sintetiza o condomínio dos culpados: "problemas ambientais'. Leia-se índios e ecologistas, que atrasam a construção de usinas. Uns não têm força para demarcar e proteger suas terras, outros não conseguem impedir a desfiguração do Código Florestal, mas o ministro diz que, juntos, têm o poder de apagar a luz do país.

Cá entre nós, desconfio que o planejamento energético brasileiro é atrasado e não prevê a diversificação e distribuição necessária para superar os limites de nossa matriz energética.

Digo "desconfio" porque quase ninguém conhece os planos desse setor, herança e continuação das estruturas centralizadas, anteriores à democratização do país. Os poucos que têm acesso parecem muito competentes, mas não podem vencer um exército de índios.

A culpa do apagão e de todos os desastres anuais previsíveis e anunciados não pode ser dos políticos e gestores públicos. Afinal, quem escolhe os diretores de órgãos públicos e agências? 

Quem coloca afilhados políticos em cargos técnicos? Quem faz acordos para entregar ministérios com "porteira fechada" aos partidos políticos? Quem nomeia os que, pouco tempo depois, serão flagrados em atos ilícitos e práticas de corrupção?

Não, certamente a culpa não pode ser dos que planejam, coordenam e executam as políticas públicas nas cidades, nos Estados e no país.

Convoquem o povo, os índios, os ecologistas, a chuva. Alguém terá que se casar com dona Culpa.


De Marina Silva, Jornal FOLHA DE SÃO PAULO