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domingo, 26 de outubro de 2014

FHC vota e defende Brasil "mais confiante e simples"


Entre selfies com os eleitores, buzinaço, aplausos e gritos de apoio, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso votou por volta das 11 horas deste domingo no colégio Nossa Senhora de Sion, no bairro de Higienópolis, em São Paulo. Ele estava acompanhado do deputado federal eleito Floriano Pesaro e do ex-ministro da Justiça José Gregori.

FHC disse estar otimista com as chances de vitória de Aécio Neves, apesar dos ataques promovidos pela camoanha petista. Segundo ele, Aécio continua firme na disputa pela Presidência, por um Brasil "mais confiante e mais simples". "Fui ao Largo da Batata e senti o mesmo ânimo que vi no Diretas Já", disse o ex-presidente. "Não dá mais para continuar governando na base do toma lá dá cá."

De Andressa Lelli, VEJA

segunda-feira, 24 de junho de 2013

FHC diz que ‘falta rumo’ na política econômica do Brasil

SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso discutiu a situação econômica atual do Brasil no programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, e afirmou que o cenário não é positivo para o País. Entre os aspectos destacados por FHC, a desaceleração da China, a recuperação dos EUA e "a falta de rumo" na política nacional têm afetado a economia brasileira.

Segundo o sociólogo e política, ainda temos uma abundância de dólares no mundo, causada por medidas de relaxamento monetário de bancos centrais estrangeiros, como o Federal Reserve Bank, dos EUA, no entanto esse fluxo não foi canalizado para investimentos no País, por causa de "uma política restritiva, com medo de fazer concessões".
Essa fase de abundância, no entanto, está chegando ao fim com a recuperação da economia dos EUA. Entre os efeitos apontados por FHC sobre este possível fim de abundância, está a desvalorização do real, que "arrebenta muitas empresas e pessoas". Para ele, as medidas do governo para conter esse movimento com atuação do Banco Central no mercado não são suficientes.
"A estabilidade da moeda é fundamental nesse mundo. E houve aqui uma certa hesitação política. O Banco Central custou a atuar, dá a impressão de que tudo é controlado e os capitais ficaram receosos", disse.
Ele também citou que a desaceleração da China pode ter impacto nos preços nas commodities, afetando o Brasil. "Os ventos internacionais não estão a favor do País".
Para Fernando Henrique, contudo, não foi só o contexto que mudou, as políticas nacionais também foram equivocadas. "Nós ficamos muito afastados das correntes de renovação", que incluem a revolução tecnológica. "Nós estamos um pouco acanhados nesse processo".
"Falta rumo. Falta operacionalidade, falta gestão, falta competência. Houve uma invasão do Estado no governo por interesses políticos, que, com isso, vem outros interesses, que não são só políticos". Para ele, sobra dinheiro, mas falta direção em como investi-lo.
Segundo FHC, há uma ideia de que o governo pode fazer o PIB crescer quando quiser, contudo "não adianta gastar no que não vai funcionar".

De Lucas Hirata, agência ESTADO

segunda-feira, 17 de junho de 2013

FHC: “Os governantes do país precisam entender o porquê desses acontecimentos nas ruas”

Os governantes e as lideranças do país precisam atuar entendendo o porquê desses acontecimentos nas ruas. Desqualificá-los como ação de baderneiros é grave erro. Dizer que são violentos nada resolve. Justificar a repressão é inútil: não encontra apoio no sentimento da sociedade. As razões se encontram na carestia, na má qualidade dos serviços públicos, na corrupção, no desencanto da juventude frente ao futuro.


De Fernando Henrique Cardoso, blog

quarta-feira, 5 de junho de 2013

FHC e Aécio foram aprovados no teste do Maracanã. Lula e Dilma sumiram de novo

Uma foto publicada nesta terça-feira na coluna do Ancelmo Gois mostra Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves aguardando o começo do jogo de domingo no Maracanã. Ambos dispensaram esquemas de segurança e cuidados especiais para assistir à partida que terminou em empate. Tanto na chegada quanto na saída, torcedores anônimos saudaram efusivamente o ex-presidente da República e o presidente do PSDB, que não viram nem ouviram uma única manifestação de hostilidade. Tudo somado, FHC e Aécio foram aprovados com distinção num teste de popularidade muito mais confiável, rigoroso e transparente do que pesquisas encomendadas a comerciantes de estatísticas.
Com a vaia que engoliu na abertura do Pan-2007 ainda ecoando na memória, Lula preferiu passar o domingo contando vantagem no Peru. A inflação em alta e o pibinho em baixa recomendaram a Dilma Rousseff que ficasse em Brasília, pensando nas promessas que faria no dia seguinte em Natal e tentando botar na cabeça que o Rio Grande do Norte não é o Rio Grande do Sul. O padrinho e a afilhada se gabam de meia em meia hora de terem parido a Copa de 2014. Mas nenhum deles tem coragem de dar as caras no templo do futebol. Para gente que só cria coragem diante de plateias amestradas, o teste do Maracanã é muito perigoso.

De Augusto Nunes, coluna, revista VEJA

terça-feira, 21 de maio de 2013

'Não vou aparecer na hora da campanha', diz FHC sobre 2014


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse que não pretende "aparecer" na provável campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República, em 2014. O tucano afirmou que a próxima disputa presidencial não deve ser pautada por um embate entre os legados de seu governo (1995-2002) e das gestões do PT.
"Eu não vou aparecer na hora da campanha. Não adianta nada o apoio de A, de B, ou de C... Na hora da campanha, é uma conversa do candidato com o País. Não pode ser uma disputa Lula versus FHC", disse o ex-presidente durante um debate realizado pela agência Reuters, em São Paulo...

De política, jornal O ESTADO DE SÃO PAULO

sábado, 20 de abril de 2013

"Não vi pressão do Serra para ser candidato a presidente”, diz FHC


O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) não tem interesse em ser candidato a presidente da República no ano que vem, ou pelo menos não tem manifestado essa intenção a lideranças tucanas, disse nesta sexta-feira o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.



“Eu não vi da parte do Serra nenhuma pressão para ser candidato a presidente”, disse Fernando Henrique, que apoia abertamente a candidatura do senador mineiro Aécio Neves. Para o ex-presidente, Serra tem consciência de que não é o momento para entrar na disputa no ano que vem.
“Acho que o Serra tem realismo político suficiente para sentir o momento. Reitero: o Serra é uma pessoa muito preparada, talvez não tenha ninguém melhor preparada do que ele, mas na questão eleitoral é um pouco diferente disso”, disse, ao lado de Aécio, ao sair de um hotel em Belo Horizonte, onde participou de um evento do sindicato dos postos de combustíveis de Minas Gerais.
Fernando Henrique diz que não tem se encontrado com o ex-governador paulista e que não há motivos para tentar demovê-lo da ideia de que, segundo vem sendo especulado, ele estaria considerando deixar o PSDB para tentar uma candidatura em 2014. “Não tenho que demovê-lo porque ele nunca me disse que ia se mover.”
Ao falar da provável tentativa de reeleição da presidente Dilma Rousseff, o tucano disse que, apesar da popularidade do governo da petista, há outros elementos em jogo. “Apesar de que o governo possa ter popularidade, isso é uma coisa; outra coisa é ‘será que dá para aguentar mais quatro anos, oito anos?’ Não dá mais, chegou, tem que mudar”.


De Marcos de Moura e Souza, jornal VALOR ECONÔMICO

sábado, 23 de março de 2013

Fernando Henrique Cardoso: "Há um sentimento mudancista"


Aos 81 anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é uma das cabeças mais privilegiadas do país. As características que o tornaram um dos principais intérpretes do Brasil contemporâneo continuam intactas: arsenal teórico de cientista social, experiência de político e governante, invejável rede de contatos mundo afora e inesgotável curiosidade para perscrutar o que pode vir por aí. FHC foi o escolhido para estrear a série de entrevistas que ÉPOCA começa a fazer, a partir desta semana, com líderes brasileiros. Antenado nos movimentos da política, da economia e da sociedade, no Brasil e no mundo, FHC, ao falar da eleição presidencial, diz que “um sentimento mudancista” começa a ganhar corpo no país, a despeito dos índices de aprovação recordes da presidente Dilma Rousseff. Em meio a críticas à gestão econômica do governo – por tentar reviver o modelo nacional-desenvolvimentista do passado –, FHC afirma que o desafio da oposição nas eleições será dar a esse sentimento um conteúdo e uma mensagem capaz de atingir os eleitores.


ÉPOCA – Como o senhor vê o cenário atual, com Eduardo Campos,
Marina Silva e Aécio Neves praticamente já colocados como candidatos, além da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição?
Fernando Henrique Cardoso –
 Estão se desenhando aí quatro candidatos. Provavelmente, segundo turno. Sempre houve segundo turno depois que saí. É provável que haja de novo. Como vai ser, sabe Deus! Falta muito tempo. Porque isso foi precipitado, não entendo. Nunca vi o governo precipitar a eleição.
ÉPOCA – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou Dilma para abafar, no PT, as expectativas de que ele pudesse ser candidato?
FHC –
 Ele não precisaria. Fez porque gosta de campanha.
ÉPOCA – Por que ninguém tem um projeto alternativo?
FHC –
 Projeto é uma ideia complicada. O que está aí está se esgotando. Começam a despontar críticas. Há um sentimento mudancista, mas ainda sem dar conteúdo à mudança. Não sei se no povo. Mas entre as pessoas que leem jornal, sim. Inclusive empresários. Para vencer a eleição, tem de chegar embaixo.


ÉPOCA – O povo sente que o desemprego está em baixa, e a renda aumentou. Não há sensação de crise.
FHC –
 Nem sei se é necessário crise. De vez em quando, as pessoas querem aerar. Querem mudar. Meio irracionalmente. Quando tem uma basezinha que não é irracional, o problema se agudiza. Como você vence a eleição? Numa situação em que o eleitorado é fluido e os partidos não seguram nada, depende do desempenho. Depende da mensagem. Na política, não adianta só ter ideia. Tem de fulanizar. Não adianta sentar aqui três meses com um clube de sábios e escrever um projeto. Tem de tocar nas pessoas. E a pessoa tem de ser capaz, ela mesma, de inspirar isso. Precisa ter alguém que expresse esse sentimento e diga: “Vou fazer isso, me sigam”.
ÉPOCA – Como foi Fernando Henrique num momento e Lula noutro?
FHC –
 Exatamente. Dilma não precisou. Agora precisa. Não só porque começa a haver cansaço. É porque o mundo está indo muito depressa.
ÉPOCA – O senhor acha que Aécio pode cumprir esse papel?
FHC –
 Se não achasse, não o teria apoiado.
ÉPOCA – E o Eduardo Campos?
FHC –
 A pior coisa que pode acontecer no país é não haver alternativa. Ainda que seja contra minha escolha, é preciso haver a possibilidade de mudar. Quanto mais pessoas digam alguma coisa, melhor. Independentemente de ser bom ou mau para meu partido, é melhor para o Brasil. Não sei o que Eduardo fará. Está pintando que será candidato. Se for, acho bom para o país. Porque ele e a Marina dizem coisas. Quem será capaz de galvanizar, veremos. No ponto de partida, Aécio tem uma base maior. Tem apoio em Minas e tem uma estrutura partidária mais ampla que o Eduardo. Veremos o que acontece.
ÉPOCA – O PSDB paulista ficará com Aécio? E José Serra?
FHC – 
De tudo que ouço do Serra, ele diz que não tem essa pretensão. Nem mesmo de ser presidente do partido. Tenho de acreditar no que ele me diz. O candidato do PSDB será apoiado pelo PSDB de São Paulo. Não tem muita alternativa.
ÉPOCA – O senhor não teme que Serra saia do partido?
FHC –
 É especulação. Ele nunca me disse isso.
ÉPOCA – Qual será a mensagem de Aécio?
FHC – 
Não posso falar por ele. Ele é que dará a mensagem.

Aécio transmite uma coisa importante, a contemporaneidade. É jovem. Isso você não fala. Você é.
ÉPOCA – Que mensagem hoje seria inspiradora neste momento mudancista?
FHC –
 Perguntaram-me uma vez qual seria um bom slogan para o PSDB. Não dá para falar como o Obama: “Yes, we can”. Tem de ser: “Yes, we care”. Nós prestamos atenção a você. Não é que farei mais hospitais. Meu hospital terá cuidado com você. É preciso insistir que o governo olhará para toda essa gente que está melhorando de vida. Isso não é palavra. Tem de ter também imagem e gesto.
ÉPOCA – O governo Lula expandiu os programas sociais de seu
governo. Por que o senhor não fez essa expansão?
FHC –
 Não tínhamos recursos. E atacamos tudo: reforma agrária, educação, saúde. As grandes mudanças estruturais estavam lá.
ÉPOCA – Mas o Bolsa Família virou marca do governo seguinte.
FHC –
 Sim. Mas aí tem o jogo político. E talvez um pouco de timidez de usar a política social como base da política eleitoral.
ÉPOCA – O senhor se arrepende dessa timidez?
FHC –
 Não posso dizer que me arrependo. É meu jeito. Dizem que sou vaidoso, arrogante e não sei o quê. Tudo conversa... Na verdade, sempre tive muito acentuado o sentido do que é público, do que é privado, do que é partido.
ÉPOCA – O senhor não reconhece que, além de uma questão eleitoral, havia também um impulso para responder ao anseio social?
FHC – 
Lula simboliza isso. Ele vem de baixo, é um líder operário. Sem dúvida. Não estou tirando o mérito dele. A César o que é de César. Desde que eu também tenha meu cesarzinho (risos).
ÉPOCA – O que há de errado na economia do país?
FHC –
 Todo mundo reiterou que, no governo Lula, houve continuidade na política econômica. Até a crise de 2008, sim. Com a crise, a política anticíclica adotada foi correta. Aí o governo pressentiu que havia uma espécie de licença para fazer o que quisesse. E isso se agravou nos anos Dilma, com a volta da ideia de que você pode fechar mais a economia, apoiar certas empresas, promover uma política industrial apoiando certas áreas. Voltamos a uma visão nacional-estatista. A política fiscal foi abandonada, como se fosse uma persistência do que eles chamavam de neoliberalismo. Essa incompreensão do que acontecia no mundo já ocorrera antes. Nos anos 1990, quando se tratava de ajustar a economia para lidar com a globalização, eles entendiam que era uma questão de ideologia, o tal neoliberalismo. Não foi só o PT, mas quase todo mundo, por uma posição mais antiquada que propriamente ideológica. Confundiram uma mudança do sistema produtivo, com novas tecnologias e novos métodos de transporte, com ideologia. Meu governo ajustou a economia brasileira à situação do globo. Agora, também está havendo um equívoco de percepção. Quando houve a crise de 2008, eles disseram: “Então vamos voltar. A crise nos dá o direito de fazer o que nós queríamos ter feito antes”.
ÉPOCA – Voltar para onde?
FHC –
 Para um Brasil anterior a 1990. Estamos agora na realidade do Ernesto Geisel (presidente brasileiro entre 1974 e 1979). No momento em que o mundo vai sair da crise, o Brasil está voltando nas suas concepções quanto ao desenvolvimento da economia. Isso me preocupa. Novamente, os Estados Unidos sairão na frente, sobretudo com a revolução energética que estão fazendo.
ÉPOCA – Neste momento, Dilma está voltando atrás em algumas políticas e começou com algumas privatizações.
FHC –
 Pela força das circunstâncias. Ela é capaz de entender o erro. Vê o número e se assusta. Mas aí, quando vai consertar, tem de fazer coisas que não são da alma dela. Então, tem uma inconsistência. Ela não fala que é privatização, nem fala que é concessão. Fala que é PPP (Parceria Público-Privada). Ela até recuperou uma ideia da Idade Média, o lucro justo. Entendo essa reação, o capitalismo é irritante. Qualquer pessoa sente raiva disso aí. Mas essa é a lógica do sistema – tem de acumular mais, senão não cresce. O capitalismo não é justo. Quem tem de ser justo não é o mercado, é o Estado. Se você é neoliberal, deixa por conta do mercado e comete injustiças. Se você não é, usa o Estado para tentar evitar que o capitalista arrase tudo.
ÉPOCA – Por que o brasileiro é tão relutante em reformar o Estado?
FHC –
 O livro do Raymundo Faoro Os donos do poder diz que isso vem de longe. Claro que Faoro exagera. Fala que tudo é o Estado, a corporação, o privilégio, desde Portugal. Não é bem assim. Há uma luta permanente entre mais e menos Estado. E ganha sempre o lado do mais Estado. De certa maneira, meu período foi quase um ponto fora da curva. A gente estava modernizando o Estado e aceitando algumas regras do mercado. Agora, o Estado ficou mais resistente. Quanto mais você vai para lugares de menor desenvolvimento no Brasil, mais tem Estado. Mas as pessoas não percebem algo também verdadeiro: quando o Estado intervém demais, aumenta a concentração. A concentração de renda, provavelmente, cresceu muito recentemente.
ÉPOCA – Mas há duas maneiras de o Estado intervir. No desenvolvimentismo, ele subsidia empresas e cria estatais. A partir dos anos 1990, o Estado passou a tratar mais de saúde, educação e políticas sociais. Essa mudança é inexorável ou voltaremos ao passado?
FHC –
 Acho que não. Sabe por quê? No meio dessa mudança, está a democracia. Com a Constituição de 1988, foi desenhado um futuro social-democrata. Nenhum governo pode olhar apenas para a economia. O que tentou resolver só a economia foi o Fernando Collor – e não deu certo. Os governos têm de olhar para os dois lados. Tem de olhar para educação, saúde, reforma agrária. Há uma massa demandante, que tem voto. No fundo, qual a base ideológica do governo Dilma? É o desenvolvimentismo. É crescer o PIB. O meio ambiente atrapalha. A regulação atrapalha. É um pouco a volta do capitalismo selvagem. Ela parece não perceber que o crescimento do PIB não depende só do governo, mas tem ciclos. Infelizmente, tocou a ela um ciclo mau. Como tocou a mim também. Ao Lula, tocou um ciclo bom.
ÉPOCA – Como será esse embate entre essas forças contraditórias?
FHC –
 A linha de força aponta na direção de que esses elementos de corporativismo perderão força. Levaremos mais tempo para fazer o que poderíamos fazer mais depressa. Mas temos caminhos. Temos uma sociedade forte. Somos mais ricos em termos relativos e mais fortes que nossos irmãos aqui da região. Temos um sistema empresarial vigoroso. A ideologia não prevalece sobre a realidade. Ela atrapalha.
ÉPOCA – O governo Dilma elegeu como prioridade, até para efeito de propaganda, a erradicação da miséria. Mas não é uma vergonha um país como o Brasil ainda ter tantos analfabetos?
FHC –
 O Brasil vem numa conquista progressiva da redução da miséria. Segundo o (economista)Ricardo Paes de Barros, a virada começou em 1999. Foi resultado da estabilização, em alguma medida da melhoria da educação e de outras políticas. Claro que um pouco disso também é jogo de palavras. Tem muita miséria ainda. Sobretudo, o emprego oferecido é de baixa qualidade. Com a ascensão da China, não houve o cuidado necessário com o desenvolvimento tecnológico e a indústria. Ela passou de 28% do PIB, nos anos 1980, para 20% no meu governo. Agora caiu para 12%. Isso é uma coisa preocupante, pela qualidade do emprego que a manufatura gera, apesar de extração de petróleo, da produção de soja também dependerem de saber.
ÉPOCA – Por que nossa classe política resiste a entender que o valor da economia moderna não está, necessariamente, no produto em si, mas no conhecimento que o gera? Parece que tudo se resolve com mais dinheiro, mais emprego, mais fábrica, mais máquina...
FHC –
 Tem razão. Pega a indústria do petróleo. Do jeito que estava indo, não ia mal não. Estava criando, também, base tecnológica. A Petrobras tem geólogos, cria gente preparada, exporta tecnologia. A grande revolução agrícola brasileira dependeu de quatro fatores: Embrapa, tecnologia, empresários e mudanças no sistema de financiamento. Estas últimas fui eu que fiz. Foi uma luta danada, para separar a agricultura da dívida do Banco do Brasil. A base foi a capacidade tecnológica da Embrapa para aproveitar solos antes não usados, desenvolver sementes e técnicas de plantio. A ideia de economia primária ou secundária é antiga. Em lugar de se preocupar com os 12% da indústria no PIB, devíamos nos preocupar com o resto. Qual o coeficiente tecnológico da indústria? Essa é a chave da questão. E isso leva à educação de novo. O governo percebeu isso. Criou o programa Ciência sem Fronteiras. Mas, entre perceber e fazer, há uma distância. Há a mania de grandiosidade. Tínhamos nos Estados Unidos, no ano passado, 8.500 bolsistas. O governo disse que vamos passar para 100 mil em quatro anos. Claro que não conseguiremos. Isso é mania de grandeza.
ÉPOCA – Estamos perdendo a oportunidade do pré-sal?
FHC –
 Para que mudar a lei? Estava funcionando. Para obter mais recursos? Por que o pré-sal é mais fácil de obter? Era só mudar o que a lei permitia quanto à participação. Foi mudada a legislação com o propósito de aumentar o controle do governo sobre tudo. Mudaram para se apropriar politicamente. O Bolsa Escola virou Bolsa Família. Dizem que o PSDB não tem programa. Mas não é isso. O programa do PSDB foi apropriado. Quem não tem programa mais é o PT, porque o programa que eles tinham, de socialismo no século XXI, ética na política, acabou. É de espantar que o Congresso jamais tenha discutido o pré-sal. Quando fiz a quebra do monopólio, houve um debate imenso. Agora, tudo foi feito a frio.
ÉPOCA – Por quê?
FHC – 
Primeiro, porque a expansão da economia e das políticas sociais anestesiou muita coisa. Segundo, porque o governo Lula tomou, implicitamente, a decisão de não mexer com o Congresso. Ele não precisava do Congresso para praticamente nada. Não fez nenhuma mudança constitucional. Nunca entendi uma coisa: para que uma base de sustentação tão grande? Para não fazer nada? Eu precisava da base porque precisava de três quintos do Congresso para as reformas. O governo Lula só precisava de 51%. Não precisava de mensalão. Foi um erro de cálculo.

E, claro, também havia vontade de domínio, de hegemonia.
ÉPOCA – Mas, politicamente, os petistas foram espertos.
FHC –
 Fazendo o advogado do diabo, respondo que não sei se foram espertos apenas politicamente.


ÉPOCA – Há alguns anos, o Brasil tinha condições de assumir algum tipo de protagonismo na economia verde. Por que não aproveitamos a oportunidade?
FHC – 
Não entendemos o que significava essa questão do aquecimento global e da ecologia. O Lula inventou o diesel de etanol. Quando veio o pré-sal, esqueceram tudo. O Lula fingiu que o país tinha conquistado autonomia, botou a mão no petróleo, imitou o Getúlio. Não existe autossuficiência até hoje. Preocupa-me essa facilidade de ver um futuro grandioso e abandonar tudo. Não é assim. Tem de ter método, mais constância.
ÉPOCA – Falta uma estratégia para nós?
FHC –
 Não temos nenhuma. Apostamos, mesmo na política externa, em alvos que não eram os principais. O governo disse: “Vamos ter uma cadeira no Conselho de Segurança”. Só que não haveria mudança. Vamos fazer diplomacia Sul-Sul? Tudo bem. Mas e o resto? E a América Latina? Perdemos espaço no mundo. A gente tem de pensar como será o mundo daqui a 20 anos. Os americanos fazem isso a toda hora, e os chineses devem fazer igual. Levam a sério e fazem escolhas.
ÉPOCA – Qual deveria ser a estratégia do Brasil?
FHC – 
É difícil imaginar, assim, de repente. Num mundo globalizado, dificilmente você poderá ter a posição de autarquia, de fazer tudo, como nosso passado. Nossa economia ainda é fechada. Vamos abrir mais? E o que vamos preservar? Será que não dava para repensar nossa estratégia pelo menos na América do Sul? Vamos abrir e não ter medo da competição?
ÉPOCA – O Mercosul foi uma roubada?
FHC –
 Tornou-se isso, mas não era inicialmente. Não avançou. Também não ousamos. Quando veio a Alca, ficamos todos com medo. Eu inclusive, porque o Brasil não sabia o que queria. Quando os americanos desistiram, fingimos que não queríamos. Mas eles é que não queriam mais. Fizeram acordos bilaterais com todo mundo, menos com a gente. Hoje, não temos nada.
ÉPOCA – É uma questão de definir claramente: teremos menos indústria e mais agronegócio?
FHC –
 Nosso problema, não só na indústria, é passar da quantidade para a qualidade. O grande X da questão é a educação. É o “software”. Porque o “software” é mais difícil que o “hardware”. Dominamos o “hardware”, mas não o “software”. O X da questão é como ser mais competitivo, ter mais qualidade. É preciso melhorar a produção. Tem de investir mais na educação, na ciência, na tecnologia. O mundo moderno é do conhecimento e da inovação. Nunca entendi por que nós nunca discutimos, a sério, o que se ensina no Brasil. E quanto tempo se leva para ensinar. Ou para aprender. Uma aula antes levava 50 minutos. A criança agora se concentra em sete. Quando vai para a aula, ela não aguenta. Está errada a criança ou está errado o modo de ensinar?
ÉPOCA – A equação americana mistura um ambiente favorável a negócios, conhecimento e capital. Nosso problema já foi o capital. Agora está em criar o ambiente favorável a negócios e conhecimento...
FHC – 
E entender que esse ambiente precisa de regras. Agora estão mudando a regra dos portos. Mudam do dia para a noite com medida provisória. Não deve ser esse o processo de mudança. O Estado tem de regular. Mas não pode mudar a regra do jogo a toda hora. Isso gera instabilidade. Não temos uma cultura de longo prazo. Tem um aperto qualquer, o governo fica nervoso, a presidente fica aflita e muda as regras.
ÉPOCA – O senhor disse que o segredo da prosperidade americana está nas universidades. Quão distantes estamos desse modelo?
FHC –
 Muito. Aqui, você tem ilhas não corporativas. E instituições como a Fapesp e, até certo ponto, o CNPq. Mas é uma confusão. O tempo todo, a universidade brigava comigo porque não tenho mentalidade corporativa. Vetei a criação de universidades onde não era necessário, apenas para dar emprego. Dei mais atenção ao ensino fundamental. Não adianta criar mais do mesmo. Tem de melhorar. Em várias partes, houve mudanças boas no sistema educacional primário e secundário. Mas os sindicatos são contra. Aqui em São Paulo, foi criado um modelo em que, dependendo do desempenho dos alunos, a escola, no conjunto, ganha mais. O sindicato é contra, porque não quer distinguir pelo mérito.
ÉPOCA – Como implantar a meritocracia?
FHC – 
Só brigando muito. É até curioso: o PT nasceu contra o corporativismo. Lula dizia que a verdadeira anistia do trabalhador era acabar com a CLT. Mas criou uma tremenda burocracia sustentada pelo governo. É fascinante ver como, em vez de mudar a cultura dominante, ele foi absorvido por ela. No clientelismo, no corporativismo, no jogo da política.
ÉPOCA – O senhor disse que o PT se apropriou do discurso e das políticas do PSDB. Como o PSDB deve se colocar daqui para diante?
FHC – 
Vamos fazer melhor. É da quantidade para a qualidade. Tem de assegurar, para essa gente que está subindo, mais.
ÉPOCA – Como se faz para essa mensagem chegar ao eleitor?
FHC –
 Pergunte aos políticos. Estou aposentado.
ÉPOCA – Que diferenças o senhor vê entre seu modo de lidar com a política quando presidente e o do PT?
FHC – 
Eu tinha um propósito: fazer reformas. Meu objetivo era esse. Você tem de fazer escolhas. Fiz a escolha, fiquei com o PFL. Não era suficiente. Forcei o PMDB a entrar. Mas escolhi quem do PMDB eu iria nomear. No segundo mandato, quando você perde força, tem de entrar mais nas negociações com os partidos.
ÉPOCA – O senhor questionou por que o PT queria uma base tão grande. Não havia uma paranoia de que o governo fosse derrubado?
FHC – 
A paranoia vem com o desejo de hegemonia. Para eles, as elites vão derrubar, a imprensa vai derrubar. O tempo todo eles estão tomando o Palácio de Inverno. É patético. 

De Guilherme Evelin, João Gabriel de Lima e Helio Gurovitz, revista ÉPOCA (foto: Jairo Goldsçus)



quarta-feira, 6 de março de 2013

Cid Gomes diz que Lula "errou" ao antecipar debate eleitoral


O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), afirmou nesta quarta-feira que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "errou" ao promover a antecipação do debate eleitoral de 2014 e disse que ex-presidentes devem ficar em casa "estudando" ou correndo o mundo para divulgar o Brasil.
Ele atribuiu ao ex-presidente o debate sobre a possível candidatura do governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, e ataques ao PSDB e disse que a antecipação de 2014 atrapalha o governo da presidente Dilma Rousseff.
"Acho errado no momento em que Lula antecipa o debate eleitoral em um tema que é de governo, para um grupo que é de governo", disse Cid, após evento no Palácio do Planalto.
"Quem está na oposição deve tomar a iniciativa do debate eleitoral. O governo precisa governar", disse Cid, que mais uma vez se manifestou pela continuidade do apoio de seu partido à reeleição de Dilma e contrário a uma candidatura própria de Campos.
Desde que o Planalto começou a trabalhar com a possibilidade de Eduardo Campos deixar a base aliada para concorrer ao Planalto em 2014, Dilma se aproximou de Cid Gomes. No evento desta quarta, em discurso, ela elogiou programas do governo do Ceará e disse que o seu governo "copia" iniciativas de sucesso do Estado.
"Dilma não precisa mais disso (de que Lula se antecipe para torná-la conhecida no Brasil), ela já é conhecida. E é mais popular que o Lula", afirmou.
Perguntado por jornalistas sobre as movimentações do também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) que tem criticado o governo do PT, Cid sugeriu que ele ficasse "em casa estudando", fazendo comentários "inteligentes" e "viajasse o mundo para promover o Brasil".
"Lula deveria fazer a mesma coisa, ficar estudando e andar mundo afora para divulgar o Brasil", disse.
De Ana Flor, agência REUTERS BRASIL

Análise: Foi com FHC, e não com Lula, que o Brasil começou a se aproximar da Venezuela


Diferentemente do que alardeiam petistas e tucanos, por motivos opostos, a aproximação do Brasil com a Venezuela de Hugo Chávez começou nos governos FHC, a quem Chávez chamava de "mi maestro", e apenas foi aprofundada nos anos Lula.

Eleito, Chávez, ex-coronel golpista, ao dar as costas aos EUA e virar à América do Sul, despertou a cobiça de empresas brasileiras pelo enorme potencial venezuelano.

O governo de FHC foi o canal. Seu embaixador em Caracas, Rui Nogueira (depois secretário-geral do Itamaraty até a semana passada), o operador. A embaixada virou ponto político e econômico nevrálgico. Tudo pelo pragmatismo.

Desembarcar em Caracas, já no primeiro ano de Chávez, era se deparar com inúmeras placas com nomes de executivos da Petrobras, da Embraer, do BNDES e, claro, das grandes empreiteiras, como Odebrecht e Camargo Corrêa.

Dependente do petróleo, a Venezuela carecia de uma planta industrial, era uma terra de infindáveis negócios a ser desbravada. Tinha dinheiro e não produzia nada.

Os encontros de Chávez e FHC se multiplicaram. Eram regados a drinques, piadas, histórias. Duravam horas.

Só nas eleições de 2002, Chávez se afastou de FHC e deu de ombros à prudência diplomática ao apoiar ostensivamente o candidato da oposição, Lula, com quem tinha mais afinidade ideológica.

Essa posição rendeu uma troca pública de desaforos entre Chávez e o candidato do PSDB, José Serra. Só aí os tucanos "descobriram" o viés autoritário do projeto chavista, que veio a se intitular "socialismo do século 21".

Os anos Lula foram de muita intimidade e negócios, com destaque para o projeto de uma refinaria conjunta no Brasil e a construção de uma ponte sobre o rio Orinoco.

A proximidade causou estremecimentos entre Brasília e Washington, como quando os EUA não autorizaram a Embraer a vender aviões Super Tucano --com tecnologia norte-americana-- à Venezuela. Chávez então foi às compras militares na Rússia.

Os dois países também criaram, em 2008, um mecanismo de consultas e de programas comuns que envolve reuniões presidenciais trimestrais. Dilma manteve a prática. O Brasil também foi decisivo para garantir, sob polêmica, a Venezuela no Mercosul.

Apesar das relações estreitas, Lula e Chávez também disputavam liderança e estilo na América do Sul, entre o "lulismo" e o "chavismo". Aparentemente, venceu o primeiro. Os seguidores de Chávez e de seu projeto bolivariano são Equador e Bolívia. Os demais preferem a negociação e a boa convivência com os EUA, ainda a maior potência --e o maior mercado-- mundial.


De Eliane Cantanhêde, jonal FOLHA DE SÃO PAULO

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

FHC acredita Eduardo Campos será candidato à Presidência da República em 2014


O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse nessa segunda-feira (26) em Belo Horizonte, em entrevista exclusiva ao Estado de Minas/Diario, que o PSDB se inclina, neste momento, a indicar a candidatura do senador Aécio Neves à Presidência da República. Segundo FHC, qualquer que seja o candidato, precisará, desde já, percorrer o Brasil e assumir uma posição clara. Sem bater o martelo, entretanto, o ex-presidente afirma que antes de falar em nomes o partido precisará afinar o discurso e apresentar uma proposta para o país. FHC criticou a presidente Dilma Rousseff (PT), ao considerar que o PT antecipou o lançamento de sua candidatura à reeleição.
“Não sei por que o governo precipitou o lançamento formal e já está usando aquele símbolo. Até ficou feio na foto que vi, me pareceu uma coisa meio soviética, o lado pior do sovietismo, de um personalismo muito forte”, afirmou, acrescentando em seguida que tudo o que Dilma fizer daqui para frente será percebido como eleitoreiro, o que levará também os demais candidatos a precipitarem as suas candidaturas. FHC participou da abertura do ciclo de debates Minas Pensa o Brasil, organizado pelo diretório estadual do PSDB. Em sua palestra, o ex-presidente falou sobre desafios, ameaças e oportunidades do século 21.

De política, jornal DIÁRIO DE PERNAMBUCO

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Lula inaugura Presidência adjunta, diz FHC

Tucano criticou governo na condução da campanha antecipada para as eleições de 2014

RIO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta sexta-feira, 22, que Lula estreou "uma espécie de Presidência adjunta" durante os dias em que, segundo ele, o PT usa o governo para promover campanha antecipada de reeleição de 2014. FHC esteve ao lado do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan num ciclo de palestras, no Rio.

"Para o bem do Brasil, é preciso que as pessoas respeitem as regras e entendam que não devem tratar o adversário como inimigo. Infelizmente, a tática de toda a vida do PT tem sido o oposto a isso", afirmou Fernando Henrique a jornalistas após discursar no encerramento de um dia de seminários, no Rio.

O primeiro a criticar o que chamou de visão maniqueísta na comparação entre os governos do PT e do PSDB foi Malan, em discurso de agradecimento pela homenagem, prestada pelo Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças. Ele citou como exemplo contrário a transição política de 2002 e início de 2003.

Fernando Henrique, por sua vez, disse que Lula "está inaugurando uma espécie de Presidência adjunta". E rechaçou preocupações com as comparações feitas pelo PT entre os dois governos, classificando a postura do PT como "questão de psicanálise".

"A relação do PT comigo é de psicanálise. Tem que tirar o pai da frente! Eles sabem que quem fez a estabilização fomos nós. Não sou psicanalista. Não opino, mas não caio na conversa", afirmou FH.

O evento em homenagem a Malan reuniu a nata do pensamento econômico liberal e muitos ex-colaboradores do governo do PSDB, como Edmar Bacha, Pérsio Arida e Gustavo Franco.

Economistas famosos internacionalmente, como o ex-secretário do Tesouro dos EUA Larry Summers e o presidente do Banco Central de Israel, Stanley Fischer, também participaram do seminário.

De Vinicius Neder, Agência ESTADO DE SÃO PAULO

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

FHC rebate críticas do PT: “coisa de criança”


Em vídeo, ex-presidente responde cartilha elaborada por petistas, que critica governo tucano e celebra os dez anos da chegada de Lula ao Planalto

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) chamou de "picuinha" as críticas que o PT está novamente fazendo ao seu antigo governo – desta vez por meio de uma cartilha que compara os últimos dez anos de Lula e Dilma Rousseff à frente da Presidência com a gestão tucana, que comandou o país entre 1995 e 2002. 
"A gente deve comemorar a vitória do Brasil e não ficar o tempo todo olhando para trás. Isso é coisa de criança, parece picuinha", afirmou FHC, em um vídeo de 48 segundos postado no site Observador Político e na conta do YouTube do seu instituto.
Nesta quarta-feira, o PT vai promover em São Paulo um evento para comemorar os 10 anos do partido no comando da Presidência. A cerimônia deve contar com a presença do ex-presidente Lula e da presidente Dilma. Durante o evento, será distribuída uma cartilha de 27 páginas que compara dados econômicos e sociais do período tucano com a os últimos dez anos da gestão do PT. O texto, recheado de clichês e jargões de esquerda contra o neoliberalismo, exalta o governo do PT, mas exagera antigas estatísticas de pobreza e ignora que a política econômica dos petistas foi praticamente idêntica ao dos tucanos.
FHC ironizou o conteúdo. "Coisa engraçada é o modo de o PT comemorar. Em vez de ficar satisfeito com o que fez, fica falando o que o outro não fez. Ainda bem que já estou maduro o suficiente para dizer  'deixa pra lá, eles são assim mesmo’. O que eu vou fazer? Queria que eles fossem espontâneos, mais felizes com o que eles estão fazendo, mas cada um tem seu jeito. Então deixa para lá”, disse FHC.
O ex-presidente também fez críticas ao gerenciamento de estatais como a Petrobras e Eletrobras nos últimos anos da administração petista.
"Eles pensam que o Brasil começou agora. Não começou. No meu governo, eu mudei o rumo do Brasil, que estava muito desorganizado", lembrou FHC. "Mas eu sei reconhecer o que o passado fez de bom para o Brasil. E cada vez que o PT acerta, meu Deus, é bom para o Brasil. Mau é quando ele erra, quando atrapalha a Petrobras, atrapalha a Eletrobras, aí complica. Complica não é para mim, complica para o Brasil", afirmou.

De Revista VEJA

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O maestro da oposição


Escondido por correligionários nas últimas três eleições ao Palácio do Planalto, Fernando Henrique Cardoso costuma comparar os ex-presidentes da República, como ele, a vasos chineses: valiosos e bonitos, mas ninguém sabe ao certo qual utilidade lhes dar e onde os guardar. Agora, tanto ele como o PSDB encontraram uma função à altura de quem comandou os destinos do Brasil por oito anos e colocou o País no trilho da estabilidade econômica. FHC retomou a condição de protagonista do jogo político e mostra que pode ser muito útil para o projeto eleitoral da oposição. Atuando como um maestro, articula com dirigentes tucanos, soluciona pendências com outros partidos e convoca antigos auxiliares para colaborar com a criação de um extenso programa de governo. A interlocutores, tem dito que os tucanos não podem repetir o antigo erro de centrar esforços apenas na tentativa de desconstruir o PT. Para alcançar a vitória nas urnas, será necessário, segundo o ex-presidente, oferecer um novo horizonte aos eleitores e apresentar propostas de mudanças administrativas mais condizentes com o momento atual.  As articulações capitaneadas por ele servirão para pavimentar a candidatura à Presidência da República em 2014 do senador mineiro Aécio Neves, hoje o principal nome da sigla para a disputa. Mas, enquanto a candidatura não é oficializada, o objetivo é reorganizar a legenda e seus aliados para que cheguem fortalecidos à próxima eleição.
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As reuniões ocorrerão no Instituto Teotônio Vilela, entidade de estudos e formação ligada ao PSDB. A ideia é transformar o órgão, presidido pelo ex-senador Tasso Jereissati, numa espécie de polo aglutinador das diretrizes desta “nova oposição”. “As conversas e convites ainda estão num estágio incipiente. Devem ganhar corpo a partir do começo deste ano”, comenta Marcus Pestana, deputado federal e presidente do PSDB mineiro. “Integrantes de diversas áreas do governo FHC serão chamados a participar, além de especialistas de Estados e capitais administrados pelo partido e integrantes da oposição”, complementa. Os planos dos tucanos para a área de relações exteriores devem ter como pensadores os diplomatas Luiz Felipe Lampreia e Sérgio Amaral, integrantes da gestão tucana à frente da Presidência da República. Na equipe responsável pelas ideias para a saúde, a presença do médico Eugênio Vilaça é outra aposta. Aliados dizem que o ex-presidente insiste na reformulação das propostas do partido para o País como condição básica para a retomada do Executivo federal na próxima eleição.

Outro plano de FHC, com vistas a 2014, consiste em selar a eleição de Aécio Neves, em maio, para a presidência nacional do PSDB. Além de praticamente sacramentar o nome do senador mineiro na corrida por 2014, o movimento faz parte de uma estratégia baseada nos partidos parlamentaristas europeus em que o líder da oposição é, na maioria das vezes, o indicado pela legenda para exercer o cargo máximo em uma possível vitória. Para dirigentes da sigla, a tática é também uma tentativa de fazer com que Aécio ganhe mais projeção nos noticiários e faça o contraponto à presidenta Dilma Rousseff, candidata natural à reeleição. Tornar o senador mineiro o principal nome da oposição é justamente uma das razões de os tucanos adiantarem a sua indicação para concorrer à Presidência da República. Para trabalhar a imagem do pré-candidato, Fernando Henrique Cardoso e outros aliados correm contra o tempo a fim de definir o responsável por comandar a comunicação da campanha. Também pretendem contratar um instituto de opinião para abastecê-los de pesquisas. Em recentes reuniões, o ex-presidente afirmou que o partido não pode desperdiçar a oportunidade de propagar o nome e as ideias de Aécio nas 120 inserções comerciais e no programa de dez minutos de tevê a que terão direito até o lançamento da pré-candidatura oficial.

Depois que for ungido a presidente nacional do PSDB, o senador mineiro colocará em prática outras estratégias definidas com FHC de olho em 2014. Entre elas, a de realizar um périplo pelas principais capitais do País durante este ano. A caravana tem como um dos objetivos dar projeção nacional ao seu nome, pouco conhecido fora da região Sudeste. Durante as visitas, Aécio Neves pretende denunciar os atrasos de obras de infraestrutura do País e apresentar seus projetos para diferentes áreas, atraindo a atenção de jornais e rádios locais. Aproveitará também os palanques para arregimentar diferentes setores da sociedade ao PSDB e costurar acordos com diretórios de partidos da base aliada que estão estremecidos com o governo federal na esfera municipal ou estadual. Na avaliação de integrantes da legenda, a oposição só terá condições de voltar ao Palácio do Planalto se atrair partidos que hoje estão aliados à gestão petista. Agora, para conquistá-los a candidatura tucana precisa virar o próximo ano em patamares competitivos. Para isso, eles confiam na efetividade da articulação e na velha forma política de Fernando Henrique Cardoso. (...)


De Pedro Marcondes de Moura, Revista ISTO É