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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Eletrobras atrai interesse após proposta de desestatização e ações disparam



O processo de desestatização da Eletrobras, que deve estar concluído até o final do primeiro semestre do ano que vem, ainda não tem uma modelagem, mas já desperta interesse de empresas e animou investidores, com as ações da estatal disparando mais de 40 por cento.

Os ganhos que a União venha a ter neste processo, que poderiam ajudar no fechamento das contas públicas, dependeriam da posterior venda de hidrelétricas da Eletrobras que hoje operam no regime de cotas, gerando energia a preços baixos.

Em troca da descotização, que permitiria a venda de energia a preço de mercado, o governo poderia fixar um bônus de outorga que seria pago pela companhia com o valor obtido com uma emissão de ações da Eletrobras, o que reduziria a participação da União na estatal...

De Leonardo Goy, Luciano Costa e Rodrigo Viga Gaier, Agência Reuters

domingo, 15 de março de 2015

'Risco-país' cresce no Brasil a patamares de 2009



O agravamento das crises política e econômica tem reforçado preocupações no mercado que não se limitam ao âmbito doméstico. Investidores internacionais têm redobrado a cautela em relação ao Brasil, precificando um risco cada vez maior sobre os investimentos feitos no país. Em relação aos países latino-americanos que compõem a Aliança do Pacífico (Colômbia, Chile, México e Peru) houve, desde 2012, um desalinhamento entre o chamado "risco-país" da média desses países e do Brasil.

O risco mensurado pelos 'credit default swaps' (CDS), papéis que funcionam como uma espécie de seguro contra o calote de uma dívida de um país, o índice do Brasil atingiu, na sexta-feira, 301 pontos, o maior valor desde abril de 2009, auge da crise internacional - o patamar ideal é próximo de zero. Enquanto isso, a média dos países da Aliança do Pacífico terminou a semana em 136 pontos. "A diferença começou a aparecer ao longo de 2012, com a guinada na política econômica interna na direção do intervencionismo", afirmou Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria. "Cabe lembrar que esses países [da Aliança do Pacífico] têm mantido uma política econômica mais ortodoxa, colhendo os benefícios disso", acrescentou...

De Luis Lima, VEJA

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Minha Casa, Minha Vida vira pesadelo para investidores europeus


MADRI e BELO HORIZONTE - Concebido para realizar o sonho de milhões de brasileiros, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) tornou-se um pesadelo para muitos investidores europeus. A violenta retração do mercado imobiliário em países como Espanha, Itália, Portugal e até Inglaterra, consequência da crise econômica que o continente atravessa, provocou um movimento de migração de construtoras, incorporadoras e fundos de investimento para o Brasil.

Lançado num momento de forte depressão econômica na Europa, o Minha Casa, Minha Vida, com cifras grandiosas para construir milhões de moradias populares num curto espaço de tempo, parecia bastante sedutor para essas companhias, que cruzaram o Atlântico em busca de alta rentabilidade, o que compensaria a ociosidade da demanda europeia.

Os empresários europeus atuaram basicamente em duas frentes: constituindo subsidiárias no País ou associando-se a empresas locais. Ao se instalarem em terras brasileiras, porém, a realidade para muitos deles foi bem distinta da que motivou a vinda para o Brasil. A principal reclamação é que a burocracia para a aprovação de projetos resultou em atrasos para a assinatura dos contratos, execução das obras e recuperação do capital investido, tornando muitos empreendimentos inviáveis, segundo os empresários.

‘Nunca mais’. "Eu não quero participar do Minha Casa, Minha Vida nunca mais", sentenciou Sílvio Bezerra, presidente da Ecocil, a maior construtora e incorporadora do Rio Grande do Norte. A decisão de não investir mais no programa foi tomada em conjunto com o sócio inglês, o fundo de investimentos Salamanca Capital, que detém atualmente 65% da companhia. A gestão da companhia é compartilhada com os empresários brasileiros, que a fundaram há 64 anos.

A empresa tem um único projeto no Minha Casa, Minha Vida, para consumidores com renda de seis a 10 salários mínimos em Natal, que demorou um ano e meio para ter a análise de risco aprovada, de acordo com o executivo. "A Caixa pediu até identidade e CPF do dono da empresa na Inglaterra", relatou Bezerra.

Segundo ele, em função desse atraso, dos R$ 12 milhões investidos com capital próprio, a Caixa só reembolsou R$ 1,5 milhão até agora. Esse atraso, de acordo com Marcelo Freitas, diretor financeiro da empresa, jogou por terra a análise de risco feita na tomada de decisão dos investidores, quando a projeção de investimentos com recursos próprios seria de menos de 5%.

"É um banho de água fria muito grande. Os investidores estrangeiros têm um nível de sofisticação incrível e cálculos bem precisos que não comportam esse tipo de situação", afirmou o executivo.


De Karla Mendes, Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO