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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Belo Monte queima madeira legal e aquece mercado ilegal


Deslizando pelas águas do rio Xingu, no Pará, entre praias de areia branca e árvores de quatro andares, o contraste é intenso quando o barco se aproxima de uma ilha envolta em fumaça. O chão, coberto por uma fina camada de pó branco, ainda está quente. Não há uma árvore em pé. Só se vê toras transformadas em carvão e pilhas de galhos secos. O vento atiça as brasas ainda acesas. No centro da ilha, cercado pelas marcas do fogo, encontramos um jacaré morto.

O incêndio não foi acidental, logo chegam funcionários uniformizados munidos de combustível e tochas. Eles espalham as chamas sobre as pilhas de vegetação seca. No uniforme cor-de-laranja, lê-se: Consórcio Construtor Belo Monte. São contratados para limpar a área que vai virar o lago da hidrelétrica. A usina tem autorização para desmatar até 43 mil hectares, parte deles dentro de Áreas de Proteção Permanente.
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A reportagem visitou também ilhas onde o desmatamento estava acontecendo. Macacos gritavam de cima de árvores que eram serradas. Alguns só pulavam no momento da queda. “O macaco é mais esperto, ele pula e não se machuca. O bicho preguiça não.” diz um trabalhador que pede para não ser identificado. “Não vou mentir, sempre morre. A preguiça não tem a agilidade do macaco. Muitas vezes a gente pega o bicho quebrado, com a mão quebrada, perna quebrada. Ou morto mesmo”. A usina é obrigada manter uma equipe que retira os animais durante o desmatamento. Mas, em uma das ilhas visitadas, as árvores foram derrubadas por mais de uma hora sem a presença da equipe que faz o resgate.
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Além de queimar árvores, a usina de Belo Monte também desperdiça madeira ao abandonar as toras a céu aberto. A reportagem visitou três depósitos de Belo Monte cheios de madeira estragada. Em um deles, o tempo de abandono era tão longo que trepadeiras forravam as pilhas de troncos. Em breve, elas devem desaparecer por completo em meio ao mato.

No Reassentamento Urbano Laranjeiras, conjunto residencial construído na periferia de Altamira para abrigar os ribeirinhos removidos, os troncos já estavam trincados por dentro. Entre eles, toras de castanheiras, árvore protegida por lei e que a usina não poderia derrubar fora da área de alagamento. A espécie foi identificada por Lindomar Andrade, coordenador de fiscalização da secretaria do meio ambiente: “Essas árvores foram tiradas daqui e ficaram debaixo de sol e chuva. Estragou tudo”...

De Ana Aranha, REPORTER BRASIL

sábado, 20 de dezembro de 2014

Belo Monte: 'garota-propaganda' leva um ano para ganhar casa



"A Elissandra já ganhou a sua casa. Uma casa forte e fresquinha", diz a exultante narradora do anúncio da Norte Energia, consórcio vencedor do leilão para construir a polêmica hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, Pará, ao custo de R$ 28,8 bilhões.

As imagens mostram Elissandra Oliveira caminhando sorridente pelos cômodos da nova residência e se balançando em uma rede.

"Em breve, a Norte Energia vai fazer sua mudança. Uma mudança de vida", continua a narradora do comercial.

O anúncio gravado em novembro de 2013 foi ao ar em janeiro. Apenas depois de um ano e muita persistência, Elissandra foi transferida para uma casa no bairro São Joaquim, um dos reassentamentos que estão sendo erguidos pelo consórcio na cidade de Altamira para receber a população da área que ficará permanentemente alagada pela barragem de Belo Monte.

Altamira é onde vive a grande maioria dos atingidos. O alagamento definitivo - que deve atingir ao menos 25 mil pessoas na área urbana da cidade, segundo as estimativas mais conservadoras - está previsto para ocorrer com um ano de atraso, no segundo semestre de 2015.

Quando gravou o comercial, Elissandra ainda morava em uma palafita na orla do rio Xingu, abaixo do calçadão onde ficam os restaurantes mais caros de Altamira. Mesmo depois do anúncio ir ao ar, o consórcio tentou convencê-la a aceitar uma indenização de R$ 10 mil pela perda de sua casa.
 
De Mariana Schreiber, BBC

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Eletrobras diz que não assumiu nenhum custo adicional para Belo Monte



RIO - O diretor financeiro e de relações com investidores da Eletrobras, Armando Casado, afirmou há pouco que a companhia não assumiu, a princípio, nenhum custo adicional para a hidrelétrica de Belo Monte, em construção no rio Xingu (PA).
“Qualquer risco vai ser discutido no âmbito do conselho da Norte Energia [consórcio responsável pela usina, em que a Eletrobras tem participação de 49,98%]. Vai ser um processo negociado”, disse o executivo, ressaltando que não teve nenhuma informação a respeito de possível custo adicional da obra.
Nesta semana, o Valor informou que o Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) tenta negociar um aditivo, de R$ 1 bilhão, ao contrato que assinou com o consórcio Norte Energia, no valor de R$ 13,8 bilhões.
Indenização
Durante teleconferência com analistas, Casado afirmou que a companhia prevê definir até setembro a quantia que será reivindicada à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de indenização pelo valor residual dos ativos de transmissão cuja concessão é anterior a 2000.
“Estamos refinando os dados em conjunto com as empresas para prestar essa reivindicação”, disse o executivo.
Segundo Casado, a Lei 12.783 (da prorrogação das concessões) determina que a Aneel tem até 31 de dezembro deste ano para homologar os valores residuais.


De Rodrigo Polito, portal VALOR