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quarta-feira, 6 de março de 2013
Ensino médio brasileiro era ruim. E está pior
O ensino médio reúne atualmente alguns dos piores indicadores da educação brasileira. É nessa etapa da educação básica que se concentram as maiores taxas de abandono escolar e também as notas mais baixas no Ideb, índice que mede a qualidade de nossas escolas. E o pior: a situação não está melhorando, como comprova relatório divulgado nesta quarta-feira pela ONG Todos Pela Educação. Os dados, compilados a partir de resultados de 2011 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e da Prova Brasil, revelam que apenas 10,3% dos alunos brasileiros terminam o ensino médio sabendo o que deveriam em matemática – ou seja, quase 90% dos alunos não aprendem o esperado. É um retrocesso em relação à medição anterior, realiza em 2009, quando 11% dos estudantes do 3º ano sabiam o esperado na disciplina. Em 2003, esse índice era de 12,8%. Os resultados ficaram abaixo da meta estabelecida pela ONG para o ano de 2011 e colocam em xeque o objetivo traçado para 2022, ano do bicentenário da Independência: ao menos 70% dos estudantes com conhecimentos adequados a seu estágio escolar.
Em língua portuguesa, não houve retrocesso em relação 2009. Contudo, praticamente não houve avanços, e a cifra ficou longe da meta. Em 2009, 28,9% dos estudantes demonstraram dominar os conteúdos esperados. Em 2011, o número chegou a 29,2%.
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Mais de 3 mil alunos cearenses que não concluíram o Ensino Médio já foram autorizados a entrar na universidade
A permissão foi concedida pelo Conselho Estadual de Educação nos últimos dois anos 3,2 mil estudantes cearenses que ainda não tinham completado o ensino médio foram autorizados pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) a ingressarem em um curso superior.
O balanço é relativo aos últimos dois anos e comprova a mudança de postura da autoridade educacional em relação a pessoas que demonstram capacidade de entrar em uma faculdade, apesar de muito jovens. Em todo os casos, os alunos passaram no Enem e em testes feitos na escola de origem.
O caso mais recente foi o do estudante de Sobral (a 230 Km de Fortaleza), que foi autorizado pelo CEE a cursar Medicina na UFC. Um dos exames de Tiago Sampaio, 15 anos de idade, foi realizado na escola para saber se ele estaria apto a receber a conclusão do ensino médio.
Mesmo com todo esse avanço, porém, alguns alunos que conseguem o feito de passar no Enem antes de concluir o ensino médio ainda enfrentam resquícios de um modelo mais conservador de educação. É o exemplo do estudante Henrique Matias (Foto: Divulgação), de 16 anos de idade, no município de Aracati, a 148 Km de Fortaleza). Ele foi aprovado nas duas provas de Enem seguidas que fez no último biênio. Contudo, segundo a mãe dele, Alessandra Matias, a escola particular na qual Henrique estuda não quer realizar o exame, apesar da autorização do Conselho Estadual.
Mãe de estudante não consegue falar com o colégio
"Eu ligo para a diretora do Instituto São José, mas eles nem atendem às ligações. Antes disso, eles me disseram que isso era uma bobagem e que o certo era cursar todo o ensino médio. O pior é que amanhã (terça-feira,22) será o último dia para se inscrever", conta a mãe, que sugeriu a pauta através da ferramenta VC repórter. Henrique passou para Ciência e Tecnologia na Universidade Federal Rural do Semi-Árido do Rio Grande do Norte (Ufersa).
"Isso é um desacato ao Conselho de Educação. Estou com toda a documentação em mãos. Tenho apoio, inclusive, da secretaria de educação do município, formada por pessoas que foram professores lá nessa mesma escola", lamenta a mãe.
Escola tem que acatar decisão do Conselho
O presidente do Conselho Estadual de Educação, professor Edgar Linhares, afirmou que vai entrar em contato pessoalmente com a direção do colégio para que seja cumprida a autorização do Conselho. "Ao longo dos últimos dois anos, 3,2 mil pessoas foram atendidas em casos semelhantes. Ou tinham apenas o primeiro ou o segundo ano do ensino médio. Outros não tinham terminado o terceiro ano ainda. Nesse ponto, a lei é muito saiba. De acordo com a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), artigo 24, independentemente de estudos anteriores, qualquer pessoa pode solicitar à escola que defina, mediante exame, o nível em que ela se encontra", explicou o professor Edgar.
A diretora do Instituto São José, conhecida como Dona Núbia, foi procurada pela reportagem, mas funcionários da escola disseram que ela estava sem poder atender às ligações por conta do retorno das aulas na manhã desta segunda-feira (21).
De IloSantiago Jr., Última Hora, Regional, Jornal DIÁRIO DO NORDESTE
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