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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Transnordestina sela acordo, mas ferrovia só ficará pronta em 2016


Às vésperas de leiloar mais dez mil quilômetros de ferrovias, o governo cedeu à pressão do empresário Benjamin Steinbruch e aceitou mexer no contrato de concessão e no acordo de acionistas da Transnordestina, aumentando o valor da obra e fixando novos prazos para a entrega do empreendimento. A CSN, de propriedade de Steinbruch, controla a Transnordestina Logística (TLSA), responsável pelo projeto.




De Jornal VALOR ECONÔMICO

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Dilma tenta recuperar prestígio e driblar a paralisia das obras do PAC


Com périplo de Dilma ao Nordeste, PT tenta conter avanço político de Campos

Diagnóstico da direção da sigla de que é preciso recuperar o espaço político que agora está sob forte influência do governador de Pernambuco coincide com viagens da presidente e de Lula à região.

 

A presidente Dilma Rousseff desembarca nesta sexta-feira, 18, no Piauí diante da constatação do PT de que a recuperação do prestígio político da sigla no Nordeste, região sob forte influência do governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB), é crucial para o projeto de reeleição em 2014. Até o início de março, Dilma deve visitar ao menos seis Estados da região.

A avaliação dos petistas é que o partido precisa melhorar a articulação política com governadores e prefeitos na região, principalmente após o resultado das eleições de 2012, da qual o PSB saiu fortalecido. Além disso, o Planalto precisa driblar o desgaste político gerado pela paralisação nos canteiros de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) na região.
O giro de Dilma pelo Nordeste inclui ainda Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. A região também está na mira do ex-presidente Lula (leia texto abaixo). O Nordeste tem sido tradicionalmente um reduto eleitoral do PT. Nas últimas três eleições presidenciais (2002, 2006 e 2010), deu ampla margem de vitória para os candidatos do partido - Lula e Dilma. Em 2010, a petista teve 10,7 milhões de votos a mais na região que José Serra (PSDB).
A direção do PT acredita que poderia ter se saído melhor na disputa pelas prefeituras do Nordeste na eleição do ano passado - avalia também ter patinado em algumas costuras políticas. O PT perdeu duas capitais importantes, Recife e Fortaleza, e não emplacou seu candidato em Salvador. Venceu apenas em João Pessoa, com Luciano Cartaxo. Além do prestígio de Campos e do PSB na região, o PT teme efeitos da retomada de poder da oposição de redutos emblemáticos, como a volta do DEM a Salvador, com Antonio Carlos Magalhães Neto.
Em 2008, 24% das prefeituras obtidas pelo PT estavam no Nordeste. Em 2012, o porcentual subiu para 30%, mas o partido perdeu espaço político nas capitais.
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Obras atrasadas. A chegada da presidente nesta sexta no Piauí foi calculada para evitar mal-estar, já que há várias obras federais em atraso. Nas seis horas de visita a São Julião e Teresina, ela permanecerá longe do traçado da ferrovia Transnordestina, um dos maiores gargalos da política de infraestrutura do governo. Dos 1.280 quilômetros da ferrovia, 387 quilômetros estão no Piauí. Há dois anos, Dilma afirmou que pretendia entregar a ferrovia até 2013.

A construção do trecho de Eliseu Martins da ferrovia, no sertão piauiense, a Salgueiro, no semiárido pernambucano, estava prevista inicialmente para ser entregue em 2010. Pelos cálculos de técnicos do governo, só 20% dos trilhos foram colocados. "A situação das obras do PAC no Piauí estão na normalidade da média no Brasil", diz Mirocles Veras, coordenador do programa no Estado.
Nesta sexta, Dilma pretendia inaugurar pelo menos o Sistema Adutor de Piaus, nos municípios de São Julião e Pio IX, no sul do Estado, previsto para ser entregue no primeiro semestre do ano passado. O Planalto chegou a receber a informação de que as adutoras estavam quase prontas. O Ministério da Integração Nacional, no entanto, não conseguiu terminar a obra. A assessoria de comunicação do Planalto manteve o deslocamento de Dilma a São Julião, mas anunciou que será apenas uma "visita" à obra, que, pela última previsão, será entregue em março ou abril.

De Julia Duailibi e Leonencio Nossa, Amanda Rossi, colaboradora, Portal ESTADÃO

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Impasse atrasa ainda mais obra da Transnordestina

Controlada pela CSN, concessionária quer R$ 8,2 bilhões, quase o dobro da estimativa inicial; ferrovia só deve ficar pronta em 2015


Prevista para funcionar a partir de 30 de dezembro de 2014, penúltimo dia da gestão da presidente Dilma Rousseff, a ferrovia Transnordestina não será inaugurada antes de 2015. A obra, iniciada em 2006, entrou em ritmo ainda mais lento neste segundo semestre, a partir do acirramento de um impasse financeiro já antigo entre o governo federal e a concessionária Transnordestina Logística S/A (TLSA).
Na assinatura do protocolo de intenções em 2005, foi anunciado que a ferrovia custaria R$ 4,5 bilhões. As obras começaram em julho do ano seguinte. Em 2008, já havia um novo preço firmado em contrato: R$ 5,4 bilhões. A TLSA vem alegando que esse valor, em razão de contratempos surgidos no decorrer da obra, está subdimensionado.
A concessionária quer agora R$ 8,2 bilhões. Sem esse aporte financeiro adicional, a TLSA argumenta que não haverá meios de entregar a Transnordestina completa a tempo de ser inaugurada por Dilma. A ferrovia é uma das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A solicitação da TLSA, controlada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), não é bem vista pelo governo. A concessionária quer que o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), que já banca 50% dos recursos (R$ 2,7 bilhões), aumente a participação. (...)

De Sergio Torres, Salgueiro (PE), Economia, Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO