SÃO PAULO - Ao mesmo tempo em que vê a
economia brasileira crescendo menos, o Banco Central piorou seus
cenários de inflação para este e o próximo ano, citando também riscos
trazidos pelo dólar mais elevado e reforçando os sinais de que manterá o
ciclo de aperto monetário iniciado em abril.
Para este ano, a autoridade monetária prevê o Produto Interno
Bruto (PIB) brasileiro crescerá 2,7 por cento, ante 3,1 por cento
previstos até então, mesmo desempenho visto em 2011, primeiro ano de
governo da presidente Dilma Rousseff. No ano passado, o PIB cresceu
apenas 0,9 por cento.
A previsão do BC para este ano ainda é melhor do que a colhida na pesquisa Focus, que aponta expansão de 2,46 por cento.
O BC argumenta que os indicadores de atividades já vistos no
segundo trimestre sugerem continuidade da recuperação, como a retomada
da indústria e a continuidade da expansão do consumo das famílias.
A perspectiva de inflação, no entanto, piorou na visão do BC.
Segundo o relatório, o IPCA ficará em 6,0 por cento neste ano pelo
cenário de referência, ante previsão anterior de 5,7 por cento, e em 5,4
por cento em 2014, ligeiramente acima da estimativa anterior, de 5,3
por cento.
O indicador voltará a estourar o teto da meta do governo no
segundo trimestre deste ano no acumulado em 12 meses, chegando a 6,8 por
cento, recuando a 6,2 por cento no terceiro trimestre e a 6 por cento
no quarto trimestre. A meta de inflação é de 4,5 por cento, com
tolerância de 2 pontos percentuais.
O BC destacou que a maior volatilidade e "tendência de
apreciação" do dólar são riscos considerados, apesar de defender que na
última década o repasse da depreciação cambial para a inflação diminuiu.
"Além disso, esse repasse tende a ser suavizado pelo ciclo de
ajuste da política monetária ora em curso", trouxe o relatório,
acrescentando que a inflação em 12 meses ainda apresenta tendência de
elevação e que o balanço de riscos para o cenário prospectivo é
desfavorável.
O dólar, até a véspera, acumulava alta de 2 por cento ante o
real no mês, mas chegou a subir mais de 5 por cento no mês em seu pior
momento, quando ultrapassou o patamar de 2,25 reais, sob a expectativa
de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, possa reduzir
seu programa de estímulos e, consequentemente, diminuir a liquidez
internacional.
O BC iniciou novo ciclo de aperto monetário em abril passado,
quando tirou a Selic da mínima histórica de 7,25 por cento ao ano para
7,50 por cento, mas acelerou o passo em maio e já elevou a taxa básica
de juros ao atual patamar de 8 por cento.
Os agentes econômicos acreditam que a autoridade monetária vai
continuar o movimento e já há quem acredite que, em julho, o Comitê de
Política Monetária (Copom) vai aumentar a Selic em 0,75 por cento, como
mostra a maioria das apostas no mercado futuro de juros.
O IPCA de maio, em 12 meses, estava exatamente no teto da meta do governo.
De Patricia Duarte, agência REUTERS BRASIL
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