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domingo, 25 de junho de 2017

A roubalheira tem origem em passado remoto


O mundo é desonesto. Nenhum dos 176 países cobertos na lista de corrupção percebida da Transparency International recebe a nota máxima. Na última edição, apenas 22 registraram escore igual ou maior do que 7,0 em 10,0. O Chile é o campeão da América Latina, figurando em 24º lugar com 6,6. O Brasil situa-se próximo do meio da distribuição, exatamente ao lado da China, com 4,0. Por incrível que pareça, há mais de 90 países com corrupção percebida maior do que a nossa.

Seguindo a obra clássica de Raymundo Faoro, a corrupção no Brasil resulta de um processo histórico em que, nos primórdios da colonização, instituições foram formadas para perpetuar as regalias e o poder de uma burocracia administrativamente inoperante, mas muito resistente, no âmbito de um “capitalismo politicamente orientado” que abriu um fosso entre o Estado patrimonialista e a nação – especialmente após 1930.

Basta uma leitura descompromissada dos periódicos recentes para verificar que a descrição de Os Donos do Poder se non è vera, è ben trovata. Sobram indícios de que a prioridade do aparelho estatal é advogar em causa própria, frequentemente a partir de um discurso de defesa do que deveria ser o justo. Vide a diferença brutal existente entre a renda de funcionários do setor público e do setor privado para a mesma atividade – sem mencionar o fosso de produtividade existente entre os dois grupos e os privilégios não pecuniários do primeiro.

Uma questão pertinente é saber como caímos neste buraco. Que condições históricas propiciaram o florescimento de burocracias parasitas como a que tomou conta do Brasil? Além disso, dá para sonhar com um futuro melhor, menos desonesto, em que o mérito e competição em condições igualitárias sejam premiados? Os pesquisadores Eric Uslaner e Bo Rothstein escarafuncharam os dados existentes e encontraram alguns padrões interessantes para iluminar o problema. O trabalho recente intitulado The Historical Roots of Corruption: State Building, Economic Inequality and Mass Education foi publicado na edição de janeiro de 2016 da revista Comparative Politics.

Os autores detectaram a existência de uma relação inversamente proporcional entre os níveis históricos de educação no final do Século XIX e a corrupção percebida atualmente em uma amostra de 78 países para os quais há informações. Os lugares atualmente menos corruptos eram relativamente bem educados em um passado distante, não necessariamente mais ricos. Há várias razões para acreditar no vínculo entre essas variáveis. Primeiro, a educação fortalece os laços sociais entre grupos distintos, consolidando noções de cidadania e de lealdade em relação ao Estado que, por sua vez, são favoráveis à honestidade...

De Celso Toledo, EXAME.COM

terça-feira, 4 de junho de 2013

Omissão do Itamaraty diante da Aliança do Pacífico

O governo brasileiro  se omite diante da criação da Aliança do Pacífico, novo bloco comercial e estratégico formada por Chile, Peru, Colômbia e México. Qual será o impacto que esse novo bloco comercial terá sobre o desenvolvimento do Mercosul; e, do ponto de vista geoestratégico como afetará o sonho de integração latino-americana? O assunto merece ser debatido em audiência pública, na Comissão de Relações Exteriores do Senado, para ouvir o chanceler Antonio Patriota.
A sugestão foi acatada pela Comissão que deverá ouvir também o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Empresários brasileiros também reclamam da falta de dinamismo do governo, quando se trata de buscar acordos para o comércio internacional. Se o governo brasileiro trata o assunto com displicência, outros países se movimentam com mais interesse. Tanto que França, Japão, Portugal, Espanha, Austrália e Nova Zelândia enviaram representantes à reunião de cúpula da Aliança do Pacífico, realizada há dias em Cali, na Colômbia.
Ao mesmo tempo, Estados Unidos e Canadá acompanham de perto o surgimento do novo bloco econômico. A Aliança também chama a atenção de vizinhos próximos, como o Uruguai, que desfruta da condição de estado observador, a mesma situação do Equador, países que participam também de outros blocos de integração latino-americana, como o Mercosul e a Unasur.

De Pedro Simon, jornal DO BRASIL

domingo, 23 de dezembro de 2012

Chile decreta alerta vermelho por atividade do vulcão Copahue



O Escritório Nacional de Emergências do Chile decretou alerta vermelho neste domingo devido ao aumento da atividade sísmica do vulcão Copahue, no sul do país. O vulcão emite colunas de fumaça e cinza desde sábado e prejudica cidades do lado argentino da fronteira.

Apesar do alerta máximo, o governo chileno descartou retirar as pessoas dos vilarejos, mas o Ministério de Mineração já preparou o plano de saída caso seja necessário. O governo não descarta derramamento de lava e deslizamento de terra provocados pela erupção.

A situação de emergência foi decretada após equipamentos de monitoramento detectarem uma atividade sísmica contínua e áreas incandescentes na cratera, no que pode ser um derramamento de lava pelas encostas do vulcão.

A coluna de gases formada chegou a 1.500 m de altura e é deslocada pelos ventos para sudeste, chegando a localidades vizinhas na Província de Neuquén, na Argentina. Do lado argentino, no entanto, o alerta ainda se mantém no nível amarelo.

No ano passado, a Argentina foi prejudicada por dois meses devido ao lançamento de cinzas do vulcão Puyehue, que fica na região chilena de Los Lagos. Do outro lado da fronteira, a cidade de Bariloche foi coberta por cinzas e o tráfego aéreo foi prejudicado em todo o Cone Sul, incluindo o sul do Brasil.

De Mundo, Jornal FOLHA DE SÃO PAULO

sábado, 8 de dezembro de 2012

Cinzas vulcânicas do Chile escurecem a economia de Bariloche

VOLCANO
Mergulhadores da Marinha inspecionam o rio Limay, em São Carlos de Bariloche, que foi coberto por cinzas vulcânicas em junho.
Numa manhã cristalina de verão nesta estação de esqui na Patagônia, um parapentista solitário voava sobre a orla plácida de um lago. "Quando o vento sopra na direção certa, tudo é perfeito aqui", diz o ex-prefeito Marcelo Cascón.
Essa perfeição se desfez quando o vento virou repentinamente e trouxe com ele uma nuvem de cinzas do vulcão chileno Puyehue, 88,5 quilômetros ao oeste daqui. Alguns pedestres desta cidade turística cobriram a boca com máscaras cirúrgicas ou cachecol. Uma película fina e granulada logo se acumulou nas vitrines e nos para-brisas.
As erupções vulcânicas, que já duram seis meses, devastaram esta cidade de 130.000 habitantes e as comunidades argentinas próximas, economicamente dependentes de esquiadores no inverno e dos pescadores e praticantes de trilhas durante o verão. Os aeroportos regionais foram paralisados. As reservas nos hotéis estão em forte queda e os restaurantes vivem vazios. Milhares de moradores já se mudaram em busca de oportunidades melhores.
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De Matt Moffett, San Carlos de Bariloche, Argentina, THE WALL STREET JOURNAL