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domingo, 13 de dezembro de 2015

Presidente sírio se mostra aberto a negociar a paz, mas não com terroristas


O presidente da Síria, Bashar al Assad, afirmou que seu governo está disposto a negociar uma solução política para a guerra que afeta seu país, mas não com organizações terroristas, e que não cogita deixar a Síria sob nenhuma circunstância.

Em entrevista exclusiva à Agência Efe, o líder sírio deixou aberta a via do diálogo, quando se aproxima um momento crítico dentro dos esforços internacionais encaminhados a pôr fim a um conflito bélico que entrará em breve em seu quinto ano e que causou várias centenas de milhares de mortes.

Reforçado no plano militar pela recente ajuda russa, Assad lembrou sua exigência de que, primeiro, é preciso acabar com a rebelião armada e, depois, dialogar "com uma oposição real, nacional e patriótica, que tenha suas raízes na Síria e que só se relacione com os sírios, não com qualquer outro Estado ou regime no mundo".

O presidente sírio cobrou que as potências ocidentais se concentrem em parar "o fluxo de terroristas" que chega a Síria e Iraque, "especialmente através da Turquia", assim como o "volume de dinheiro saudita e catariano" que, segundo ele, financia as atividades dos extremistas de ideologia sunita radical...

De José Antonio Vera e José Manuel Sanz. Damasco, EFE BRASIL

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Ataque aéreo mata 17 militantes do Estado Islâmico no Iraque



BADGÁ - Um ataque aéreo da coalizão perto da cidade fronteiriça iraquiana de Al al-Qaim matou pelo menos 17 militantes do Estado Islâmico, disse uma fonte de um hospital nesta quinta-feira.

O canal árabe Al-Arabiya al-Hadath disse, citando "fontes anônimas", que o líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, estava na região, mas a informação não foi confirmada.

A fonte no hospital de Al-Qaim disse que 29 militantes foram feridos no ataque a posições do Estado Islâmico nas áreas de Al-Rumana e Husaiba, e que alguns feridos foram levados para a Síria pela fronteira para tratamento...

De Saif Hameed, REUTERS

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Iraque reclama de omissão do Brasil na luta contra facção terrorista


Diplomatas e autoridades iraquianos reclamam que o Brasil tem sido omisso na luta contra o Estado Islâmico (EI). O país não colabora com ajuda humanitária, treinamento ou armas. (...)

Ao ouvirem falar de Brasil, todos os militares curdos entrevistados pela Folha mencionaram as armas que o país forneceu a Saddam.

"Não sabemos qual é a posição do Brasil em relação ao EI; é um absurdo um país com ambições globais não se posicionar sobre um tema como este", disse um diplomata iraquiano que pediu anonimato.

"A Alemanha nos ajuda com armas, treinamento e auxílio humanitário; os EUA também. E o Brasil? Não faz nada diante de meninas de 12 anos sendo estupradas e jornalistas decapitados?"...

De Patrícia Campos Mello, FOLHA DE S. PAULO

domingo, 9 de novembro de 2014

Obama classifica envio de novos soldados ao Iraque como "nova fase"


WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que sua decisão de dobrar o número de militares dos EUA no Iraque marcou uma nova fase na campanha contra o Estado Islâmico e não foi uma indicação de que sua estratégia na região falhou.

Obama, em uma entrevista ao "Face the Nation", da CBS, transmitido no domingo, afirmou que a primeira fase foi a obtenção de um governo iraquiano que fosse inclusivo e crível.

Ele disse que o envio de 1.500 soldados norte-americanos adicionais também significou uma mudança de uma estratégia defensiva para ofensiva. A decisão foi anunciada na sexta-feira.

"Os ataques aéreos têm sido muito eficazes na degradação de recursos do Estado Islâmico e retardando o avanço que eles estavam fazendo", disse Obama, segundo uma transcrição da CBS.

"Agora, o que nós precisamos é de tropas terrestres, tropas terrestres iraquianas, que possam começar a empurrá-los para trás."

Ataques aéreos dos EUA no sábado destruíram um comboio do Estado Islâmico perto da cidade iraquiana de Mosul, mas autoridades dos EUA disseram que não estava claro se o comandante do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi, estava em qualquer um dos 10 veículos alvejados.

A decisão de enviar mais tropas ocorre cinco meses após o Estado Islâmico tomar grande parte do norte do Iraque. O grupo militante também apreendeu territórios na Síria, onde os EUA estão conduzindo ataques aéreos contra os militantes.

De Doina Chiacu, REUTERS BRASIL

quarta-feira, 20 de março de 2013

Como dois espiões ajudaram a causar a guerra no Iraque

O principal argumento que levou os Estados Unidos e a Grã-Bretanha a invadir o Iraque há dez anos, o de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa, foi baseado em informações falsas divulgadas por dois espiões iraquianos.

É o que revela uma investigação conduzida pelo programa de televisão Panorama, exibido nesta semana pela BBC na Grã-Bretanha.
Mesmo antes da ação militar no Iraque, várias fontes confiáveis de serviços secretos ocidentais diziam que Saddam não tinha as supostas armas de destruição em massa.
No dia 24 de setembro de 2002, o governo do primeiro-ministro Tony Blair apresentou um dossiê sobre a suposta ameaça das armas de Saddam. "O programa de armas de destruição em massa do Iraque não foi encerrado", disse Blair. "Ele permanece ativo."
No entanto, o dossiê - preparado para o público doméstico e com um prefácio pessoal de Tony Blair assegurando "não haver dúvidas" de que Saddam Hussein continuava a produzir armas de destruição em massa - omitiu questionamentos feitos por agências de inteligência como o MI6 (serviço secreto britânico voltado para o exterior).
Frases e adjetivos como "esporádico e inconsistente" ou "permanece limitado" foram cortados do texto original, o que conferiu ao documento um grau de certeza que ele não deveria ter.

'Ouro de tolo'

Boa parte da informação-chave usada pela Casa Branca e por Downing Street (sede do governo britânico) foi baseada em invenções e mentiras.
No Panorama, o general Mike Jackson, então chefe do Exército britânico, diz que "o que parecia ser ouro em termos de inteligência acabou se revelando ouro de tolo, porque parecia, mas não era".
Frederick Butler, que chefiou o primeiro inquérito parlamentar sobre o dossiê após a guerra, diz que Blair e os organismos de inteligência britânicos "enganaram a si mesmos".
Butler e o general Jackson concordam que Blair não mentiu. Segundo eles, o primeiro-ministro realmente acreditava que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa.
Seja como for, boa parte da base das acusações contra Saddam no dossiê - que "justificou" uma guerra violenta que devastou um país e deixou mais de uma centena de milhares de mortos - derivara de informações falsas passadas por um desertor iraquiano, o espião Rafid Ahmed Alwan Al-Janabi.
Suas invenções e mentiras contribuíram para consolidar uma das maiores falhas de inteligência de que se tem memória.
Janabi ficou conhecido como Curveball (bola com efeito), codinome dado a ele pelos serviços secretos americanos - e que acabaria se mostrando bastante apropriado.
Dúvidas
Janabi chamou a atenção do serviço de inteligência alemão, o BND, ao se apresentar como engenheiro químico quando chegou a um centro de refugiados iraquianos na Alemanha, em 1999, pedindo asilo político.
Ele disse ter visto laboratórios biológicos móveis montados em caminhões para evitar sua detecção.
Os alemães tinham dúvidas sobre as informações passadas por Janabi e alertaram os serviços secretos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha sobre isso.
O MI6 também tinha dúvidas, expressas em um telegrama secreto à CIA: "Elementos do comportamento [dele] nos desafiam por serem típicos de indivíduos que normalmente avaliaríamos como mentirosos, [mas estamos] inclinados a acreditar que uma parte significativa [do que dizia Curveball] é verdade."
O serviço de inteligência britânico decidiu aceitar as informações de Curveball, como fizeram os americanos - só bem mais tarde é que o ex-espião iraquiano viria a admitir que as informações eram fabricadas.
E, para azar dos serviços americano e britânicos, apareceram, na mesma época, informações de outro espião que pareciam confirmar as informações passadas por Curveball.
Tratava-se de um ex-oficial de inteligência iraquiano chamado Muhammad Maj Harith, que disse ter sido sua a ideia de desenvolver laboratórios biológicos móveis. Ele chegou a dizer que encomendou sete caminhões Renault para tal propósito.
Harith tinha desertado para a Jordânia, onde se entregou aos americanos. Aparentemente, ele inventou sua história porque queria um novo lar. Suas informações também viriam a ser descartadas como falsas.
O MI6 também havia acreditava ter uma confirmação da história de Curveball quando outra fonte, de codinome Rio Vermelho, revelou ter estado em contato com uma fonte secundária que disse ter visto fermentadores em caminhões.
Mas essa fonte jamais afirmou que esses fermentadores tinham a ver com a produção de armas biológicas. Depois da guerra, concluiu-se que Rio Vermelho também não era confiável como fonte.

Terno feito à mão

Mas nem todas as provas e evidências estavam erradas. Informações de duas fontes altamente qualificadas próximas a Saddam Hussein estavam corretas. Ambas disseram que o Iraque não tinha qualquer arma de destruição em massa ativa.
A primeira fonte, da CIA, era o ministro das Relações Exteriores do Iraque, Naji Sabri.
Ex-membro da CIA, Bill Murray - então chefe da agência em Paris - negociou com ele por meio de um intermediário, um jornalista árabe, a quem deu cerca de US$ 200 mil (cerca de R$ 400 mil) em dinheiro vivo como pagamento.
Murray disse que Sabri "parecia ser uma pessoa confiável - alguém com quem realmente deveríamos estar falando" e montou uma lista de perguntas para o ministro, com armas de destruição em massa no topo.
O intermediário se reuniu com Naji Sabri em Nova York, em setembro de 2002, quando o ministro estava prestes a prestar esclarecimentos à ONU - seis meses antes do início da guerra, e apenas uma semana antes de o dossiê britânico ser concluído.
O intermediário comprou um terno feito à mão para o ministro iraquiano, que este acabou usando nas Nações Unidas, um gesto que Murray interpretou como sinal de que Naji Sabri estava colaborando.
Murray diz que a informação era de que Saddam Hussein "tinha algumas armas químicas abandonadas no início dos anos 90, que havia dado a diversas tribos leais a ele".
"Ele teve a intenção de ter armas de destruição em massa - químicas, biológicas e nucleares - mas naquele momento praticamente não tinha nada", afirma o ex-agente da CIA.
A agência americana, por outro lado, insiste que o relato de Sabri indicava que o ex-presidente iraquiano tinha programas para desenvolver essas armas porque mencionava que "o Iraque estava atualmente produzindo e estocando armas químicas" e, "como último recurso, tinha plataformas móveis para lançamento de mísseis armados com armas químicas".
Murray contesta essa avaliação.
'Sem explicação'
A segunda fonte altamente qualificada que passou informações corretas foi o chefe de inteligência do Iraque, Tahir Jalil Habbush Al-Tikriti - o "valete de ouro" no baralho dos "mais procurados" pelos Estados Unidos, como eram classificados os membros procurados do governo de Saddam Hussein.
Um importante funcionário do MI6 o encontrou na Jordânia em janeiro de 2003 - dois meses antes da guerra.
Pensava-se que Habbush queria negociar um acordo para evitar a invasão iminente. Ele também disse que Saddam Hussein não tinha um programa ativo de armas de destruição em massa.
Surpreendentemente, Frederick Butler - que diz que os britânicos têm "todo o direito" de se sentir enganados pelo seu então primeiro-ministro - só tomou conhecimento da informação de Habbush depois que seu relatório foi publicado.
"Não posso explicar isso", diz Butler. "Foi algo que perdemos em nossa análise. Quando perguntamos sobre isso, fomos informados que não era um fato muito significativo, porque o MI6 encarava aquela informação como algo plantado por Saddam."
Butler diz que também não sabia de nada sobre os relatos de Naji Sabri.
Já Bill Murray faz questão de frisar que não ficou satisfeito com a forma como a informação destas duas fontes altamente qualificadas foram utilizadas.
"Acho que provavelmente produzimos a melhor informação gerada no período pré-guerra, que se provaram - no longo prazo - precisas. Mas essa informação foi descartada."


De Peter Taylor, agência BBC BRASIL




terça-feira, 19 de março de 2013

Iraque tem onda de violência com 50 mortos no aniversário da invasão



Bagdá, 19 mar (EFE).- A violência tomou o Iraque nesta terça-feira com a morte de cerca de 50 pessoas em uma sequência de atentados, a maioria contra zonas xiitas de Bagdá, véspera do décimo aniversário da invasão americana do país.

O Iraque amanheceu nesta manhã em meio a uma onda de atentados e ataques que, segundo fontes policiais consultadas pela Agência Efe, deixaram 50 mortos e 172 feridos.


De agência EFE