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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Na seca, salários de prefeitos e vereadores crescem até 272%




SÃO PAULO — Moradores chegam de jegue e carrinho de mão carregados de vasilhames a um antigo chafariz no município de Alagoa Grande, interior da Paraíba, em busca de água. Na cidade, o abastecimento na zona urbana está sendo feito por rodízio e, em comunidades rurais, a água chega somente por carros-pipa doados pelo governo estadual. A mais de 500 km de distância, em Carira, Sergipe, além de a estiagem não dar trégua, a prefeitura está sob intervenção da Justiça para garantir o pagamento do salário dos funcionários. Apesar de arrasados pela seca, municípios como esses em todo o sertão nordestino reajustaram em até 272%, nos últimos meses, os salários de prefeitos e vereadores que tomarão posse em 1º de janeiro. Em alguns casos, a remuneração será maior do que subsídios de prefeitos em capitais

É o que vai acontecer na cidade sergipana, que pagará ao próximo prefeito, Diogo Machado (PSD), R$ 24 mil por mês, após aumento de 71% aprovado em agosto. Na Paraíba, o município de Pombal fixou em R$ 20 mil o salário da prefeita reeleita, Polyana Feitosa (PT), para o próximo ano, reajuste de 67%. Com 20 mil e 32 mil habitantes, respectivamente, Carira e Pombal pagarão a seus administradores mais do que capitais como Salvador (R$ 18 mil), Florianópolis (R$ 19 mil) e Palmas (R$ 17 mil).

Os altos salários destoam em meio à pobreza dessas cidades. Em Pombal, a prefeitura recorreu em novembro à ajuda do governo estadual para pagar carros-pipa para comunidades rurais prejudicadas pela seca. O custo de cada veículo, a ser quitado integralmente pelo estado, é de R$ 5 mil por mês. Dois meses antes, o salário da prefeita foi reajustado em R$ 8 mil. Em Carira, o reajuste de R$ 10 mil para o prefeito está sendo contestado pelo Ministério Público, que também quer cancelar o aumento de 100% que os vereadores deram aos próprios salários — de R$ 3 mil para R$ 6 mil. A promotoria alega que a prefeitura está quebrada financeiramente, desrespeitando parâmetros da Lei de Responsabilidade Fiscal e sob intervenção da Justiça para garantir o pagamento em dia dos servidores.

— Creio que não seja a única cidade do país nessa situação. Esses aumentos são desproporcionais e imorais diante da situação de pobreza da população. E, no caso específico, o aumento é ilegal, porque a cidade está descumprindo o limite da LRF para despesas com pessoal — disse o promotor Adson Alberto Cardoso.

Na paraibana Alagoa Grande, enquanto os moradores recorrem ao chafariz para ter água e a reforma do único hospital ficou para ser concluída na próxima gestão, os vereadores aprovaram em setembro salário de R$ 18 mil para o prefeito eleito, Bôda (PR) — aumento de 80%. Na cidade de 28 mil habitantes, os parlamentares reajustaram o próprio salário em 62%, de R$ 3.700 a R$ 6.000. No Piauí, vereadores de Aroeiras do Itaim terão aumento de 79%.

O maior reajuste identificado pelo GLOBO em regiões atingidas pela estiagem foi em Arneiroz, com 7.650 habitantes, no Ceará. Lá, vereadores aprovaram, após a eleição, aumento de 272% para o prefeito reeleito, Monteiro Filho (PMDB), que receberá em 2013 R$ 11.900. Na mesma época, a prefeitura, alegando falta de recursos, suspendeu o pagamento de bolsa-auxílio de cerca de R$ 250 para estudantes.
Por lei, vereadores e prefeitos somente podem reajustar os próprios vencimentos de uma legislatura para a outra. Na gestão em vigor, são permitidas correções inflacionárias. O estímulo aos reajustes veio de cima. Em 2010, os deputados federais aumentaram os próprios salários em 61% (R$ 26 mil) e provocaram efeito cascata nos estados e municípios. Segundo a Constituição, a adequação dos subsídios de prefeitos e vereadores aos parâmetros da Câmara dos Deputados é opcional. No entanto, na prática, a maioria age como se fosse obrigatória. O presidente da Associação Brasileira das Câmaras Municipais, Rogério Rodrigues da Silva, estima que “99,9%” dos municípios tenham feito os reajustes:

— Você já viu alguém recusar aumento de salário? Subsídios de prefeitos e vereadores não podem ser responsabilizados por mazelas do país.

Para vereadores, o valor máximo do salário tem de ser de 20% a 75% do que ganha um deputado estadual, conforme o tamanho da cidade. No caso de prefeitos, o teto salarial é a remuneração dos ministros do Supremo (R$ 26 mil).

A pressão popular conseguiu impedir em algumas cidades o aumento salarial. Com uma manifestação na porta da Câmara de Umuarama (PR), os vereadores rejeitaram em setembro passado o reajuste que elevaria a R$ 7 mil o subsídio dos parlamentares e a R$ 18 mil o do prefeito. Em Goiânia, a tentativa de aumento foi parar nas redes sociais e a população impediu que os salários aumentassem para R$ 26 mil no caso do prefeito e R$ 15 mil para os parlamentares. Nos dois casos, o reajuste até 2016 será pelo índice da inflação.

Em Sousa, na Paraíba, o prefeito Fabio Tyrone (PTB), que não disputou a reeleição, vetou o reajuste dado de 50% para o cargo (de R$ 10 mil para R$ 15 mil) e de 100% para os secretários estaduais (de R$ 3 mil para R$ 6 mil):

— Tenho muito respeito pelo Legislativo, mas não concordo que salários sejam duplicados de uma hora para outra. Sou favorável a ter a correção da inflação.

Em 2013, 5.072 novos vereadores chegarão às Câmaras municipais. O Congresso aprovou em 2010 aumento de 10% do número de vereadores no país.

De  Silvia Amorim, País, Jornal O GLOBO

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Nordestino! Ou a seca ou o BNB lhes matará neste verão torrencial


Produtor poderá renegociar quitação de dívidas rurais


A queixa maior é com a execução dos contratos com os agentes financeiros, apesar do contexto da seca



Quixeramobim. Pequenos e médios agropecuaristas deste município do Sertão Central, onde está concentrada a maior bacia leiteira do Estado, estão reclamando o imediato cumprimento de uma medida emergencial que adia a cobrança de dívidas junto aos órgãos financiadores do Governo Federal. Conforme representantes da categoria, o Banco do Nordeste (BNB) desta cidade está executando as dívidas no período da pior seca das ultimas três décadas no Nordeste. Porém eles apontam que as cobranças foram adiadas por meio de decreto federal. Eles se referem à Lei 12.716, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em 21 de setembro passado.
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De Regional, Última hora, DIÁRIO DO NORDESTE, CE