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sábado, 20 de dezembro de 2014

Empreiteiras do caso Petrobras demitem e tentam vender ativos



Foi por meio de uma mensagem de celular que o metalúrgico Marcos soube que tinha perdido seu emprego. Até novembro ele era um dos 1.000 trabalhadores em uma obra da Petrobras em Charqueadas, no Rio Grande do Sul. Em outra empreitada, em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, ocorreu algo semelhante com um grupo de 6.000 funcionários que atuavam em mais uma obra da estatal. Eles foram dispensados após a suspensão unilateral do contrato de trabalho quando restavam apenas 18% para o término da fábrica de fertilizantes que construíam. Nos dois casos, além de as obras terem sido contratadas pela mesma petroleira, as empresas responsáveis por tocá-las estão envolvidas em um dos maiores escândalos de corrupção dos últimos anos desbaratado pela Operação Lava Jato. A primeira construtora citada é a Iesa, a outra, a Galvão Engenharia.

Nos últimos meses, as empreiteiras brasileiras investigadas no esquema ilícito começaram a encontrar dificuldades financeiras e trabalhistas. Conforme as investigações, elas pagavam propinas a políticos e a dirigentes da estatal para conseguirem obras milionárias da Petrobras. Parte desses pagamentos era disfarçado como doação de campanha eleitoral. Neste ano, as empreiteiras despejaram cerca de 200 milhões de reais para partidos e candidatos que disputaram as eleições para o Legislativo e o Executivo...

De Afonso Benites, EL PAÍS

sexta-feira, 22 de março de 2013

Empreiteiras pagaram quase metade das viagens de Lula ao exterior



Quase metade das viagens internacionais feitas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após deixar o governo foi bancada por grandes empreiteiras com interesses nos países que ele visitou.
Todos eles ficam na América Latina e na África, de acordo com documentos oficiais obtidos pela Folha. As duas regiões foram prioridades da política externa do petista em seus dois mandatos.
A assessoria do ex-presidente diz que ele trabalha para promover "interesses da nação" e não das empresas que bancam suas atividades.
Mas políticos e empresários familiarizados com as andanças de Lula disseram à Folha que ele ajudou a alavancar interesses de gigantes como Camargo Corrêa, OAS e Odebrecht nesses lugares.
Um telegrama diplomático de novembro do ano passado, enviado ao Itamaraty pela embaixada do Brasil em Moçambique após uma visita de Lula, diz que ele ajudou empresas brasileiras a vencer resistências locais ao "associar seu prestígio" a elas.
Desde 2011, Lula visitou 30 países, dos quais 20 ficam na África e América Latina. As empreiteiras pagaram 13 dessas viagens. Na última terça-feira, Lula iniciou novo giro africano, começando pela Nigéria, e patrocinado por Odebrecht, OAS e Camargo.
O Instituto Lula não informa os valores que recebe das empresas. Estimativas do mercado sugerem que uma palestra no exterior pode render a Lula R$ 300 mil, sem contar gastos com hospedagem, comida e transporte.
Os nomes dos financiadores das viagens de Lula aparecem nos telegramas diplomáticos obtidos pela Folha.
As empresas negam ter pago as viagens de Lula para que ele defendesse seus interesses.
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De Fernando Mello e Flávia Foreque, jornal FOLHA DE SÃO PAULO