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quinta-feira, 21 de março de 2013

Brahma encerra operações na Venezuela


SÃO PAULO - A Brahma Venezuela, empresa brasileira que iniciou as atividades em 1995, informou que em 18 de março iniciou o processo para a interrupção das operações no país, diz matéria do jornal “El Mundo”, de Caracas.

A empresa indicou em carta que se encontra em uma situação inviável e não tem outra alternativa senão fechar a subsidiária.
“Chegamos  aqui depois de uma queda prolongada e sustentável das vendas de nossos produtos, que nos impediu, nos últimos anos, de realizar os investimentos necessários em nossa fábrica de Barquisimeto. A isto se junta o consistente crescimento de custos operacionais e um ambiente extremamente complexo para a indústria cervejeira”, diz a empresa no texto, segundo o “El Mundo.”
A Brahma Venezuela garantiu que “cumprirá todas as exigências que as leis venezuelanas estabelecem, especialmente e em primeiro lugar as que se referem os direitos trabalhistas dos funcionários.”
Posição oficial
A cervejaria confirmou o encerramento das atividades na Venezuela através de nota e não explicou as razões que motivaram a decisão nem o número de funcionários que serão demitidos.
Em 2010, a Ambev firmou uma aliança estratégica com a Cervercería Regional e, como resultado, detém uma participação minoritária da empresa.
Através dessa associação continuará presente na Venezuela por meio da comercialização dos seus produtos feita pela Cervercería Regional.
A cervejaria chegou à Venezuela em 1994, quando a Brahma adquiriu a Cervecera Nacional. Esta operação marcou o início da expansão internacional de Cervejaria Brahma. Cinco anos depois, em 1999, a Brahma se fundiu à concorrente Cervejaria Antartica, criando a Ambev, que detém cerca de 70% do mercado brasileiro de cervejas.



De Tatiane Bortolozi, jornal VALOR ECONÔMICO

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Bento XVI considera que Igreja aposta seu futuro na América Latina


Cidade do Vaticano - Bento XVI, que encerra amanhã seu pontificado, sempre coincidiu com João Paulo II sobre a América Latina, onde vivem metade dos quase 1,2 bilhões de católicos do mundo, ao considerá-la o território da esperança, mas também onde a Igreja aposta parte de seu futuro.

Durante a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano (Celam) na cidade de Aparecida em 2007, o papa considerou "urgente" uma nova evangelização do território para enfrentar a diminuição do número de católicos, o avanço do "secularismo hedonista" e a penetração das seitas.

A conferência de Aparecida iniciou essa nova evangelização 500 anos depois da chegada do cristianismo no continente, que ainda sofre com situações de imigração e a desigualdade social.

Por isso, no final de 2012, Bento XVI reuniu no Vaticano uma centena de pessoas, entre cardeais, arcebispos e personalidades para analisar a situação do continente americano no congresso "Ecclesia in America".

O papa pediu maior solidariedade entre as nações americanas e denunciou o avanço do secularismo e das seitas.

Além disso, afirmou que era "urgente" a educação e a promoção de uma cultura em favor da vida "devido à difusão de uma mentalidade que atenta contra a dignidade da pessoa e não favorece a instituição matrimonial e familiar".

"Como não se preocupar com as dolorosas situações de imigração, desamparo e violência, especialmente as causadas pelo crime organizado, o narcotráfico, a corrupção e o tráfico de armas?", perguntou Bento XVI naquela ocasião.

O pontífice também expressou sua preocupação com as "dilacerantes desigualdades e os bolsões de pobreza provocados por medidas econômicas, políticas e sociais questionáveis".
O papa pediu a todos os americanos que proclamassem Cristo em todos os cantos do continente, "levando-o com liberdade e entusiasmo aos corações de todos os seus habitantes".

Bento XVI defendeu uma catequese "adequada" e uma "formação doutrinária constante e direta", fiel à Palavra de Deus e ao Magistério da Igreja.

Em um continente onde a Igreja Católica vem perdendo o número de fiéis devido à penetração das seitas evangélicas, o papa pediu aos católicos que "aprofundassem e assumissem" o estilo de vida próprio dos discípulos de Jesus: simplicidade, alegria e uma fé sólida, "alimentada pela oração e os sacramentos".

Segundo a imprensa local, a "fuga" dos católicos para as seitas e o "sucesso" das mesmas se deve à crise do catolicismo e à decadência moral da sociedade.

A pobreza é a fonte onde estas seitas buscam seus fiéis. Grande parte da população das nações latino-americanas vive em situação de grande pobreza e esses grupos, segundo os observadores, se apresentam ajudando às pessoas em suas necessidades imediatas.

O Brasil, segundo os observadores, é o país latino-americano com maior penetração das seitas, mas não o único, já que também há forte presença no México - especialmente nos estados de Chiapas, Oaxaca e Guerrero - e em países centro-americanos como a Guatemala.

Em Aparecida, Bento XVI garantiu que a Evangelização da América "não representou em nenhum momento uma alienação das culturas pré-colombianas, nem foi imposta por uma cultura estranha" e expressou sua preocupação pelo ressurgimento de governos autoritários no continente, o que gerou críticas de alguns setores na região.

O papa garantiu que "o Deus desconhecido que seus antepassados buscavam, sem saber, em suas ricas tradições era Cristo".

Diante da polêmica suscitada, Bento XVI disse, já no Vaticano, que o cristianismo abriu caminho na América Latina "dialogando" com as culturas pré-colombianas e que a "gloriosa" evangelização não pode esquecer "os sofrimentos e injustiças causados pelos colonizadores aos povos indígenas".

O papa afirmou também que o Evangelho nestes cinco séculos de presença no continente americano se transformou em um elemento de identidade dos povos latino-americanos e que hoje essa identidade católica é a "resposta mais adequada" para fazer frente à globalização.


De agência EFE