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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Vaticano anuncia que João Paulo 2o e João 23 serão santificados


CIDADE DO VATICANO - O papa João Paulo 2o será santificado, anunciou o Vaticano nesta sexta-feira, dizendo que o papa Francisco aprovou um segundo milagre atribuído ao pontífice polonês que liderou a Igreja Católica Romana de 1978 a 2005.
O Vaticano afirmou ainda que o papa João 23, que pontificou de 1958 a 1963 e convocou o Concílio Vaticano 2º, que modernizou a Igreja, também será santificado.
Datas para as cerimônias de canonização não foram imediatamente anunciadas, mas o Vaticano afirmou que devem acontecer até o fim do ano.
João Paulo 2º já era visto como responsável por interceder junto a Deus pela cura da freira francesa Marie Simon-Pierre Normand, vítima do mal de Parkinson. Esse milagre havia garantido sua beatificação em 2011.
Pelas regras do Vaticano, a canonização exige dois milagres comprovados pelas autoridades eclesiásticas.
O segundo deles foi a cura inexplicável de uma costarriquenha que rezou por João Paulo 2º no dia de sua beatificação. Detalhes deste milagre devem ser anunciados nesta sexta-feira na Costa Rica.
No caso de João 23, que era conhecido como "o papa bom", Francisco o dispensou das regras que exigem um segundo milagre após a beatificação, segundo o porta-voz pontifício Federico Lombardi. O italiano já havia sido beatificado em 2000.



De Philip Pullella, REUTERS BRASIL

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Mudança de papa provoca modificações na Jornada Mundial da Juventude


Rio de Janeiro - A mudança de papa obrigará os organizadores da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que será realizada em julho no Rio de Janeiro, a fazer modificações na agenda do pontífice para adaptá-la à "sensibilidade" de Francisco, disseram fontes oficiais nesta terça-feira.

"Já tínhamos um programa, fechado entre outubro e novembro do ano passado, mas houve uma mudança em um pequeno detalhe: mudou o papa", afirmou o organizador das viagens dos pontífices, Alberto Gasbarri, que hoje começou uma visita ao Rio de Janeiro.


De agência EFE

domingo, 17 de março de 2013

Papa diz que deseja uma "Igreja pobre e para os pobres"


CIDADE DO VATICANO - O papa Francisco, dando sua maior indicação até agora de que quer uma Igreja católica mais austera, disse no sábado que gostaria que a Igreja fosse pobre e que sua missão deve ser focada em servir os pobres.
O papa, falando na maior parte de improviso e sorrindo muito, fez o comentário em uma audiência com jornalistas, explicando porque escolheu o nome de São Francisco de Assis, o santo que é um símbolo de austeridade, paz e pobreza.
Ele se referiu a Francisco como "o homem que nos dá esse espírito de paz, um homem pobre", e acrescentou: "como eu gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres".
Desde a sua eleição na quarta-feira como o primeiro papa não europeu em quase 1.300 anos, Francisco deu sinais de uma grande mudança de estilo com relação a seu antecessor, Bento, e expôs um caminho moral nítido para os cerca de 1,2 bilhão de fiéis da Igreja que está sendo atingida por escândalos, intrigas e rixas.
Ele agradeceu aos milhares de jornalistas que cobriram sua eleição, convidando-os a "sempre entender melhor a verdadeira natureza da Igreja, e mesmo sua jornada no mundo, com suas virtudes e com seus pecados".
Ele pediu aos jornalistas que buscassem a "verdade, a bondade e a beleza" no mundo e na Igreja.
Francisco estabeleceu um tom moral forte e deu sinais claros de que vai levar novas normas para o papado atingido por crises, favorecendo a humildade e a simplicidade sobre a pompa e a grandeza.
Ele relembrou como na noite de quarta-feira, à medida que recebia mais e mais votos no conclave, o cardeal sentado ao seu lado, o brasileiro Claudio Hummes, confortou-o "porque a situação se tornou perigosa". 

De Philip Pullella, agência REUTERS BRASIL

sábado, 16 de março de 2013

Cardeal brasileiro inspirou nome do papa Francisco

O primeiro papa latino-americano, Jorge Mario Bergoglio, também foi o primeiro dar uma audiência à imprensa, dias após sua eleição.

Durante o encontro no Vaticano, o papa disse que escolheu o nome Francisco - de São Francisco de Assis - inspirado pelo cardeal brasileiro Cláudio Hummes e porque quer "uma igreja pobre e para os pobres".
“O arcebispo (emérito) de São Paulo, que foi prefeito da Congregação para o Clero, Cláudio Hummes, um grande amigo” foi um companheiro do ainda cardeal Bergoglio durante o conclave, revelou o papa.
“Quando se aproximava do 'perigo' (da eleição), ele me confortava”, contou o pontífice, entre risos da plateia de mais de 1.500 jornalistas.
Quando Bergoglio recebeu os 77 votos necessários para ser eleito papa, houve mais uma intervenção de dom Cláudio Hummes: “Ele (Hummes) então me abraçou e me beijou. E disse: Não se esqueça dos pobres”, afirmou o papa.
“Enquanto o escrutínio prosseguia, enquanto os votos eram contados, veio em meu coração o nome de Francisco de Assis”, revelou, acrescentando que São Francisco seria "um homem pobre", que impulsionou o "espírito de paz".
"Gostaria de uma igreja pobre e para os pobres", afirmou o papa.
Segundo a imprensa italiana, Hummes foi um dos cardeais que ajudaram a costurar a eleição de Francisco.
O cardeal emérito de São Paulo também esteve ao lado do papa durante sua primeira aparição no balcão da Basílica de São Pedro e o acompanhou em sua primeira prece após a eleição.

Evento disputado

A fila para entrar no auditório Paulo 6 em que a audiência foi realizada deu uma volta no quarteirão anexo ao Vaticano. Os jornalistas chegaram cedo para a audiência.
O papa, porém, não respondeu perguntas. Começou o compromisso de modo solene, lendo um discurso no qual falava do papel da imprensa de “comunicar a verdade” assim como a igreja “comunica Cristo”.
Logo abandonou o discurso escrito e passou a falar espontaneamente, chegando a fazer algumas piadas com os jornalistas.
“Vocês trabalharam, hein”, disse, arrancando risos da plateia.
Ao final do evento, que durou meia hora, o papa recebeu os cumprimentos de membros da equipe de imprensa do Vaticano e de alguns convidados.
Ele foi aplaudido quando se deslocou para cumprimentar um senhor cego, antes que ele fosse até o papa. Ao final, ainda acariciou o cão que o acompanhava.
O primeiro papa argentino também ganhou um presente de um dos convidados - uma cuia de mate, típica do cone sul.
Ao final, deu a benção em espanhol. Não se sabe se foi um ato falho do novo bispo de Roma, que a partir de agora terá como idioma principal o italiano, ou se foi uma deferência especial à América Latina, onde vivem quase metade dos católicos do mundo.

De Maurício Moraes, agência BBC BRASIL


sexta-feira, 15 de março de 2013

O que eles (argentinos) têm que nós não temos?


Os argentinos têm cinco prêmios Nobel. Os brasileiros, nenhum. Os argentinos têm dois Oscars. Nós, nenhum. Os argentinos têm vários deuses no futebol. Nós também. Sou muito mais Messi que Neymar. Os argentinos têm uma mulher na Presidência. Nós também. Sou mais Dilma que Cristina. Argentinos e brasileiros amam um churrasco ou uma parrillada. A carne deles é muito melhor, mais saborosa e mais macia. Agora, perdemos não só na carne, mas no espírito. Os argentinos têm um papa.

Por ser jesuíta e andar sem batina de metrô e ônibus, por se recusar a receber carro e casa mesmo sendo arcebispo, por trabalhar com carentes, por não discursar em favor da Cúria e não estar associado às contas suspeitas do Banco do Vaticano, sou mais Jorge Mario Bergoglio que Odilo Scherer. O que mais me conquistou no primeiropapa Francisco, de cara? O sorriso e a concisão ao saudar os fiéis, pedindo a eles sua bênção. Poucas palavras, nenhuma carranca – e o sorriso que ilumina os olhos.

A ascendência conta na personalidade. Bergoglio é um argentino-italiano, enquanto Odilo é um alemão-brasileiro. Na estampa, na postura. Sem entrar no mérito individual, para enfrentar os dilemas da Igreja Católica, os escândalos sexuais e financeiros e a perda de fiéis, falo apenas de uma questão prosaica: simpatia. Não é pop ter um papa que lê Borges e Dostoiévski e aprendeu a cozinhar com a mãe?

Dom Odilo perdeu também por ser favorito. Como os craques dos gramados, sofreu uma marcação cerrada desde antes do conclave, especialmente dos italianos, que queriam seu conterrâneo no trono, o cardeal Angelo Scola. Os carrinhos por trás no arcebispo de São Paulo deixaram o arcebispo de Buenos Aires livre na cara do gol. Era o homem certo na hora certa. Faz sentido que o primeiro papa de fora da Europa em 1.272 anos tenha sobrenome italiano, ame ópera e seja torcedor apaixonado de futebol – mais exatamente, do clube portenho San Lorenzo, fundado por um padre.

Há uma descrição popular bem conhecida da alma de nossos hermanos. Os argentinos são italianos que falam espanhol, mas pensam que são ingleses. Essa última parte da descrição está cada vez mais fora de moda, especialmente depois do recente plebiscito de cartas marcadas nas Malvinas. No arquipélago, um protetorado britânico com menos de 2 mil habitantes, a população continua entrincheirada nos pubs e no “fish and chips”, contra a reivindicação de soberania territorial da Argentina. Melhor dizer então que os argentinos pensam que são europeus. Até na decadência.

Hoje, nosso vizinho está acossado por uma economia em frangalhos, pelo desemprego em alta, pela inflação que provocou uma medida eleitoreira desastrada – o congelamento de preços – e pelo populismo de Cristina Kirchner, a presidente que sonha sair do poder apenas quando puder ser embalsamada. Vivemos agora com a Argentina tempos difíceis, que vão além da rivalidade folclórica e cultural. A Vale acaba de suspender o maior investimento privado da história da Argentina, de quase US$ 6 bilhões, por riscos políticos e econômicos.

Por tudo isso, a declaração espirituosa do novo pontífice – “Foram quase até o fim do mundo para buscar um papa” – se reveste de vários significados. Ele critica o governo Kirchner. A Argentina é bem mais fim do mundo que o Brasil. O papa Francisco virá ao Rio de Janeiro para a Jornada da Juventude e deverá ser sucesso de crítica e bilheteria, por seu temperamento afável. Bergoglio passou rapidamente de argentino a “latino-americano”, para o Brasil também poder comemorar. Assim, a gente esquece que nossos vizinhos dão de cinco a zero em prêmios Nobel (dois da Paz, dois de Medicina e um de Química) e dois a zero em Oscar (O segredo dos seus olhos, de Juan José Campanella, em 2010, e A história oficial, de Luiz Puenzo, em 1985). O cinema argentino é mais sofisticado, mais diversificado e tem melhores diálogos que o brasileiro. Escapa de nosso costumeiro trinômio violência, favela e comédia.

No futebol, a disputa é entre Messi e Neymar. O moleque de 21 anos precisa comer muito arroz com feijão para chegar à consistência do argentino. Messi só pensa na bola e na equipe. Aí dá o show da semana passada na goleada do Barcelona contra o Milan. Neymar precisa baixar a bola. Entrou na roda-viva de festas, boates, casas de shows, publicidade, brinquinhos de diamante, penteados, franjinhas e cabelos coloridos. Na mesma noite, trocou o smoking no Teatro Municipal do Rio de Janeiro por uma fantasia de Kiko, personagem do seriado Chaves, numa festa em São Paulo, onde ficou até as 4 horas da madrugada com a atriz Bruna Marquezine. Discutiu com fotógrafos. Seis horas depois, foi treinar no Santos. Imagina na Copa.


De Ruth de Aquino, revista ÉPOCA

quinta-feira, 14 de março de 2013

Entrou em ação a cadeia de difamação


Mal foi anunciado o nome do novo papa, começou a circular mundo afora a acusação de que Jorge Mario Bergoglio, agora papa Francisco, teria denunciando dois jesuítas, subordinados seus, para a ditadura. Já escrevi um post  post a respeito. Quem espalha a história é o jornalista Horacio Verbitsky, que pertenceu ao grupo terrorista Montoneros. Ele próprio admite que deu alguns tiros, “mas sem matar ninguém”. Claro, claro! Um outro jornalista argentino o acusa de ter desviado para Cuba os US$ 60 milhões que renderem o sequestro de dois bilionários argentinos. Considerando a sua história e a de Bergoglio, é muito mais verossímil que ele tenha se metido na sujeira do sequestro — terrorista confesso — do que o agora papa se envolvido com as forças da repressão. Quando procuramos os detalhes, ficamos sabendo que o dito “jornalista respeitável” não tem uma só prova, um só indício. O ódio àquele que foi escolhido para conduzir a Igreja Católica certamente deriva de sua postura considerada “conservadora” também em política. O até ontem arcebispo de Buenos Aires repudia uma Igreja transformada em partido político.
Também começaram a circular os ataques ao papa Francisco por conta de sua censura ao casamento gay e à adoção de crianças por pares homossexuais. Aqui e ali, coma ares de indignação, quase de escândalo, lembrava-se ainda que o novo papa se opõe ao aborto, a pesquisas com embriões humanos e defende as regras de relacionamento amoroso e concepção da… Igreja Católica! Meu deus! Para onde caminha este mundo louco, não é mesmo? Com que então os cardeais escolheram para conduzir a Igreja Católica alguém que defende os fundamentos da… Igreja Católica!? Fico cá me perguntando por que, afinal, esses benfeitores da humanidade, tão convencidos de que o Vaticano é um covil de reacionários, não vão testar as suas teses progressistas em países que tiveram a ventura de não passar pela “ditadura católica” — como os muçulmanos, por exemplo. Teerã… É! Penso em Teerã, capital do Irã, cujo presidente, Mahamoud Ahmadinejad, é tão amigo dos “companheiros” brasileiros… Teerã me parece um bom lugar para essa militância, livre do, como é mesmo?, “peso do mundo judaico-cristão”…. Só tomem cuidado com os guindastes. Quando virem algumas pessoas penduradas, elas não estão trabalhando…
“Ah, o Reinaldo acha que a gente não tem o direito de se expressar aqui mesmo; quer mandar a gente para o Irã…” Uma ova! Eu acho que vocês têm o direito de pedir o que lhe der na telha, mas têm também o dever de permitir que a Igreja seja Igreja — uma entidade que, embora aspire a valores universais, fala aos seus e não exerce poder de estado. Adere a ela quem quer. “Mas não tenho o direito de ser gay e ser católico”? Não se tem notícia de que a Igreja tenha expulsado de um de seus templos quem quer que seja. Também é uma mentira escandalosa que a religião promova a perseguição a este ou àquele. A instituição tem, no entanto, a sua concepção do que seja a família natural — e acho difícil que isso mude algum dia. Mas é evidente que reconhece a existência da homossexualidade e da vida em comum de parceiros homossexuais como realidade de fato. Só não aceita que tenha o mesmo status da “família natural”. Aí grita alguém: “Por quê? É inferior?” Não! É outra coisa, que a instituição não aceita como parâmetro.
Qual é o problema? Apesar da oposição da Igreja Católica da Argentina ao casamento gay e à possibilidade de adoção, a lei foi aprovada, não foi? O que me pergunto é por que não basta aos militantes da causa vencer. Por que, afinal de contas, exigem que a Igreja Católica comungue de seus mesmos valores? Fico muito impressionado que a escolha de um papa e a indicação do presidente de uma comissão do Congresso brasileiro tenham de necessariamente ser filtrados por essa pauta. Parece que a Igreja Católica, especialmente nas reportagens de TV, não tem mais nenhum desafio pela frente. Parece que aquela que é a maior instituição educacional do mundo, a maior instituição de benemerência do mundo, a maior rede de atendimento médico do mundo — só para citar alguns dos aspectos, digamos, mundanos da Igreja — agora se define por sua opinião sobre o… casamento gay! Tenham paciência!
“Reinaldo está querendo dizer que milhões de pessoas não têm importância…” Não! Estou afirmando que a pauta da Igreja Católica é outra, ora essa! Eu sei que é chato ser um tanto óbvio, mas a medida da instituição, apesar de todos os seus desvios — porque feita por homens imperfeitos — é o exemplo deixado por Jesus Cristo e as verdades reveladas (assim creem os católicos) nos Evangelhos. É uma perda de tempo, um desperdício de energia e, no fundo, uma estupidez cobrar que ela renuncie a seus fundamentos.
A Igreja não abrirá mão do que considera a “família natural”; não cederá aos apelos em favor da descriminação do aborto; não acatará a destruição de embriões humanos em nome da pesquisa científica; não dará seu endosso à dissolução do casamento; não cederá, ATENÇÃO PARA ISTO!, ao pragmatismo do capitalismo, do liberalismo (e é um liberal que escreve) etc. Não fará nada disso porque o seu diálogo com o mundo moderno consiste em amparar quem sofre no… mundo moderno, mas não em ceder a seus apelos. A Igreja Católica pode beijar os pés dos que considera “pecadores”, mas não aceitará jamais o seu pecado. E essa talvez seja a dimensão mais incompreendida da instituição.
Quando se diz que a igreja ama o pecador, mas não o pecado, não se está fazendo mero jogo de palavras. Todo homem, mesmo o mais vil, é digno de piedade, mas isso não quer dizer que possamos concordar com seus malfeitos.
Nessas horas, sempre me vem à mente o exemplo notável do advogado católico Sobral Pinto. Anticomunista ferrenho, foi advogado, não obstante, de Luiz Carlos Prestes e Harry Berger (Arthur Ewert era seu nome real), que lideraram o levante comunista de 1935. Presos, foram barbaramente torturados pelo regime getulista. Entrou para a história a estratégia de Sobral, que evocou para defendê-los a Lei de Proteção aos Animais. Sim, ele abominava o comunismo, mas isso não o fazia abominar as PESSOAS comunistas. Submetidas que estavam a um tratamento desumano, inaceitável, injusto, Sobral fez o seu trabalho de advogado e viveu na prática o mandamento de sua religião. Bem, todos sabemos o que os comunistas fizeram com os cristãos quando e onde chegaram ao poder, não é mesmo? Será que Prestes, ele mesmo, teria salvado a cabeça de Sobral Pinto? Acho que não… Findo o Estado Novo, subiu ao palanque do Getúlio que havia liderado o regime que o torturara e que mandara para a Alemanha nazista a sua mulher, Olga Benário, que era judia e estava grávida. Como Prestes conseguiu fazer aquilo? Alguns, acreditem!, chegam a admirá-lo por isso. Fez porque ele tinha uma causa que considerava mais importante: a luta contra o imperialismo. Ora, se essa luta o fazia dar as mãos a um mostro, ela também poderia fazê-lo mandar para o paredão um anjo, não é?
“Por que essa viagem, Reinaldo?” Não é viagem nenhuma, não! Só estou deixando claro que os fundamentos do catolicismo não estão e não podem estar sujeitos a certas contingências. A Igreja pode e deve ser mais célere em buscar meios que facilitem a divulgação de sua “mensagem”, da “Palavra”, mas não contem com a possibilidade de que ela se transforme numa ONG, cujo rumo seja ditado pela “minoria democrática”, esse conceito tão singular criado pela militância influente, à qual a imprensa adere gostosamente. Uma igreja é feita por seus fiéis. Nesse sentido, deve-se abrir para o povo. Mas uma religião, prestem atenção!, conduz em vez de ser conduzida. Quem tem de se submeter à maioria democrática é o estado laico — e, ainda assim, é preciso que o  faça segundo critérios muito claros, ou o mundo regride para o estado da natureza, para a luta de todos contra todos. A Igreja não é uma democracia. E faz, para lembrar a missa, o convite para “Ceia do Senhor”.  É, insisto, um convite: “Felizes os convidados…”
Na Igreja do papa Francisco, como na de Bento XVI, de João Paulo II e de outros tantos, há lugar pra todo mundo, para todos nós, com todas as nossas particularidades e imperfeições. Mas, vejam que coisa!, nem todas as ideias e as visões de mundo são aceitas também como verdades dessa Igreja.
E me ocorre agora uma questão interessante: nem todas as ideias e visões de mundo devem ser aceitas nas associações GLBTs, por exemplo. Tenho a certeza de que nem mesmo gays eventualmente contrários ao casamento gay, e eles existem, seriam considerados bem-vindos, não é? O mesmo vale para o mundo da ciência. Cientistas que se opõem à pesquisa com embriões humanos levam na testa a pecha de obscurantistas. Conheço casos. Entendo. No fim das contas, os pequenos papas de suas respectivas seitas acham inaceitável que possa existir um papa da Igreja Católica. E saem gritando “cortem-lhe a cabeça!” em nome da tolerância.

De Reinaldo Azevedo, revista VEJA

Argentino Bergoglio é o novo papa, sob o nome de Francisco



CIDADE DO VATICANO - O cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito de forma surpreendente, na quarta-feira, para comandar a Igreja Católica Apostólica Romana em uma época de crise. Primeiro papa não-europeu em quase 1.300 anos, Bergoglio assumiu o nome de Francisco 1o.
O novo papa, de 76 anos, apareceu na sacada central da basílica de São Pedro cerca de uma hora depois do surgimento da fumaça branca na pequena chaminé da capela Sistina, que sinalizou aos cerca de 1,2 bilhão de católicos do mundo que os cardeais já haviam escolhido seu novo líder, após pouco mais de 24 horas de conclave.
"Rezem por mim", disse Francisco 1o, já vestido no traje branco de pontífice.
O anúncio do novo papa foi feito pelo cardeal francês Jean-Louis Tauran, que saiu à sacada da basílica e proferiu a fórmula protocolar em latim: "Annuntio vobis gaudium magnum. Habemus Papam" ("Eu vos anuncio uma grande alegria. Temos um papa").
Francisco 1o é o 266o papa em 2.000 anos de Igreja, e o primeiro latino-americano. Embora seja um conservador, é visto como um reformista, e não era citado em nenhuma lista de favoritos.
Em 2010, ele se manifestou enfaticamente contra o casamento homossexual, que ele descreveu como "uma tentativa de destruir o plano de Deus".
Como substituto de Bento 16, que renunciou repentinamente em fevereiro, ele também contrariou uma das principais suposições anteriores ao conclave --a de que o novo papa seria relativamente jovem.
Bergoglio será o primeiro papa não-europeu desde o sírio Gregório 3o, que pontificou no século 8, e o terceiro não-italiano consecutivo --seus antecessores foram o polonês João Paulo 2o e o alemão Bento 16.  


De Philip Pullella e Barry Moody, agência REUTERS BRASIL

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Bento XVI considera que Igreja aposta seu futuro na América Latina


Cidade do Vaticano - Bento XVI, que encerra amanhã seu pontificado, sempre coincidiu com João Paulo II sobre a América Latina, onde vivem metade dos quase 1,2 bilhões de católicos do mundo, ao considerá-la o território da esperança, mas também onde a Igreja aposta parte de seu futuro.

Durante a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano (Celam) na cidade de Aparecida em 2007, o papa considerou "urgente" uma nova evangelização do território para enfrentar a diminuição do número de católicos, o avanço do "secularismo hedonista" e a penetração das seitas.

A conferência de Aparecida iniciou essa nova evangelização 500 anos depois da chegada do cristianismo no continente, que ainda sofre com situações de imigração e a desigualdade social.

Por isso, no final de 2012, Bento XVI reuniu no Vaticano uma centena de pessoas, entre cardeais, arcebispos e personalidades para analisar a situação do continente americano no congresso "Ecclesia in America".

O papa pediu maior solidariedade entre as nações americanas e denunciou o avanço do secularismo e das seitas.

Além disso, afirmou que era "urgente" a educação e a promoção de uma cultura em favor da vida "devido à difusão de uma mentalidade que atenta contra a dignidade da pessoa e não favorece a instituição matrimonial e familiar".

"Como não se preocupar com as dolorosas situações de imigração, desamparo e violência, especialmente as causadas pelo crime organizado, o narcotráfico, a corrupção e o tráfico de armas?", perguntou Bento XVI naquela ocasião.

O pontífice também expressou sua preocupação com as "dilacerantes desigualdades e os bolsões de pobreza provocados por medidas econômicas, políticas e sociais questionáveis".
O papa pediu a todos os americanos que proclamassem Cristo em todos os cantos do continente, "levando-o com liberdade e entusiasmo aos corações de todos os seus habitantes".

Bento XVI defendeu uma catequese "adequada" e uma "formação doutrinária constante e direta", fiel à Palavra de Deus e ao Magistério da Igreja.

Em um continente onde a Igreja Católica vem perdendo o número de fiéis devido à penetração das seitas evangélicas, o papa pediu aos católicos que "aprofundassem e assumissem" o estilo de vida próprio dos discípulos de Jesus: simplicidade, alegria e uma fé sólida, "alimentada pela oração e os sacramentos".

Segundo a imprensa local, a "fuga" dos católicos para as seitas e o "sucesso" das mesmas se deve à crise do catolicismo e à decadência moral da sociedade.

A pobreza é a fonte onde estas seitas buscam seus fiéis. Grande parte da população das nações latino-americanas vive em situação de grande pobreza e esses grupos, segundo os observadores, se apresentam ajudando às pessoas em suas necessidades imediatas.

O Brasil, segundo os observadores, é o país latino-americano com maior penetração das seitas, mas não o único, já que também há forte presença no México - especialmente nos estados de Chiapas, Oaxaca e Guerrero - e em países centro-americanos como a Guatemala.

Em Aparecida, Bento XVI garantiu que a Evangelização da América "não representou em nenhum momento uma alienação das culturas pré-colombianas, nem foi imposta por uma cultura estranha" e expressou sua preocupação pelo ressurgimento de governos autoritários no continente, o que gerou críticas de alguns setores na região.

O papa garantiu que "o Deus desconhecido que seus antepassados buscavam, sem saber, em suas ricas tradições era Cristo".

Diante da polêmica suscitada, Bento XVI disse, já no Vaticano, que o cristianismo abriu caminho na América Latina "dialogando" com as culturas pré-colombianas e que a "gloriosa" evangelização não pode esquecer "os sofrimentos e injustiças causados pelos colonizadores aos povos indígenas".

O papa afirmou também que o Evangelho nestes cinco séculos de presença no continente americano se transformou em um elemento de identidade dos povos latino-americanos e que hoje essa identidade católica é a "resposta mais adequada" para fazer frente à globalização.


De agência EFE

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Vaticano terá Ficha Limpa em próximo conclave

"Precisamos de um Papa forte, jovem e santo que não passe a vida sentado no trono", declarou Bento

LIMBO - Estupefato com as revelações de que a Igreja Católica é administrada por seres humanos, o futuro ex-Papa Bento XVI anunciou que abrirá os arquivos da Santa Sé e divulgará todos os documentos parcialmente vazados pelo Vatileaks. "Estamos negociando com José Simão e com o jornal Meia Hora, do Rio de Janeiro", revelou Bento em um confessionário, observando, porém, que não autorizará sequer a divulgação de uma simples bula papal pela Rede Record.

Rumores sugerem a existência de um conjunto de malfeitos infinitamente mais nefando do que o já trazido à luz pelo jornal La Reppublica, que nesta quinta-feira publicou denúncias sobre corrupção e redes de meretrício dentro do Vaticano. "Isso é café pequeno”, revelou uma fonte próxima às investigações, “membros da guarda suíça disseram que José Dirceu, em pessoa, fazia visitas mensais a cardeais e sacerdotes".

Em nome da transparência religiosa, dezenas de parlamentares do PSDB partiram em romaria para o Vaticano, acompanhados de Yoani Sánchez. "Vamos fazer uma petição online para que a eleição seja através do voto aberto", informou Otávio Leite.

Agindo nas sombras e alheio ao espetáculo público da oposição, Michel Temer articula a indicação de José Sarney e Renan Calheiros para, respectivamente, os cargos de camerlengo-vitalício e supervisor geral dos tesouros do Vaticano. Se eleito, a primeira medida de Calheiros será transferir os afrescos da Capela Sistina para o teto da Associação de Aleitamento Materno Renildo Calheiros, entidade social administrada por sua esposa Renane Calheiros na cidade de Murici, Alagoas. 



De The Herald, revista PIAUÍ

Bento 16 realiza hoje sua última audiência geral como papa


O papa Bento 16 realiza na manhã desta quarta-feira, no Vaticano, a última audiência geral de seu pontificado. O evento, para o qual são esperadas cerca de 200 mil pessoas, ocorrerá na praça de São Pedro, e não na sala Paulo 6º, como de costume.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que foram distribuídos 50 mil ingressos para o encontro. Segundo ele, Bento 16 deverá fazer um passeio rápido com o papamóvel pela praça de São Pedro ao final da celebração.

Lombardi ressaltou, ainda, que a cerimônia conhecida como beija-mão ocorrerá depois da audiência geral, na Sala Clementina, mas apenas para algumas autoridades, como o presidentes da Eslováquia, Ivan Gasparovic, e o ministro-presidente da região da Baviera, Horst Seehofer.

Às 11 horas locais de quinta-feira (7h em Brasília), o pontífice fará uma saudação aos cardeais. A previsão é que ele deixe às 17h (13h de Brasília) o Palácio Apostólico (residência oficial dos papas) de helicóptero em direção a Castel Gandolfo --residência de verão dos papas, onde viverá nos próximos dois meses.


De mundo, jornal FOLHA DE SÃO PAULO

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Serra transfere domicílio eleitoral para o Vaticano

Serra mandou rodar um Novo Testamento

Horas depois da renúncia do papa Bento 16, José Serra pediu a transferência do seu domicílio eleitoral para o Vaticano. "O PSDB precisa estar mais perto da fé, contra o aborto, contra a ditadura gay que ameaça a família brasileira", disse o tucano, beijando uma santa, enquanto partia em romaria para Aparecida. "O Carnaval é uma festa pagã, mas nós estamos precisando de mais espiritualidade, menos Ivete Sangalo e mais Missa do Galo", acrescentou o tucano, sendo logo alertado por um assessor que a Missa do Galo ocorre no Natal: "Ué? Mudou???", ele reagiu.

Apesar dos fortes rumores, Serra negou que vá ser candidato ao trono do Papa. "Minha missão é fortalecer a fé da juventude tucana. Mas, claro, se houver um clamor internacional por minha modesta candidatura, não terei como declinar", comungou. Em seguida, prometeu quebrar as patentes do Código da Vinci.

Centenas de parlamentares do PMDB interromperam o recesso carnavalesco e partiram em romaria para o Vaticano, num avião da FAB.


De The Herald, revista PIAUÍ