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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Mudança de papa provoca modificações na Jornada Mundial da Juventude


Rio de Janeiro - A mudança de papa obrigará os organizadores da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que será realizada em julho no Rio de Janeiro, a fazer modificações na agenda do pontífice para adaptá-la à "sensibilidade" de Francisco, disseram fontes oficiais nesta terça-feira.

"Já tínhamos um programa, fechado entre outubro e novembro do ano passado, mas houve uma mudança em um pequeno detalhe: mudou o papa", afirmou o organizador das viagens dos pontífices, Alberto Gasbarri, que hoje começou uma visita ao Rio de Janeiro.


De agência EFE

domingo, 17 de março de 2013

Papa diz que deseja uma "Igreja pobre e para os pobres"


CIDADE DO VATICANO - O papa Francisco, dando sua maior indicação até agora de que quer uma Igreja católica mais austera, disse no sábado que gostaria que a Igreja fosse pobre e que sua missão deve ser focada em servir os pobres.
O papa, falando na maior parte de improviso e sorrindo muito, fez o comentário em uma audiência com jornalistas, explicando porque escolheu o nome de São Francisco de Assis, o santo que é um símbolo de austeridade, paz e pobreza.
Ele se referiu a Francisco como "o homem que nos dá esse espírito de paz, um homem pobre", e acrescentou: "como eu gostaria de uma Igreja pobre e para os pobres".
Desde a sua eleição na quarta-feira como o primeiro papa não europeu em quase 1.300 anos, Francisco deu sinais de uma grande mudança de estilo com relação a seu antecessor, Bento, e expôs um caminho moral nítido para os cerca de 1,2 bilhão de fiéis da Igreja que está sendo atingida por escândalos, intrigas e rixas.
Ele agradeceu aos milhares de jornalistas que cobriram sua eleição, convidando-os a "sempre entender melhor a verdadeira natureza da Igreja, e mesmo sua jornada no mundo, com suas virtudes e com seus pecados".
Ele pediu aos jornalistas que buscassem a "verdade, a bondade e a beleza" no mundo e na Igreja.
Francisco estabeleceu um tom moral forte e deu sinais claros de que vai levar novas normas para o papado atingido por crises, favorecendo a humildade e a simplicidade sobre a pompa e a grandeza.
Ele relembrou como na noite de quarta-feira, à medida que recebia mais e mais votos no conclave, o cardeal sentado ao seu lado, o brasileiro Claudio Hummes, confortou-o "porque a situação se tornou perigosa". 

De Philip Pullella, agência REUTERS BRASIL

sábado, 16 de março de 2013

Cardeal brasileiro inspirou nome do papa Francisco

O primeiro papa latino-americano, Jorge Mario Bergoglio, também foi o primeiro dar uma audiência à imprensa, dias após sua eleição.

Durante o encontro no Vaticano, o papa disse que escolheu o nome Francisco - de São Francisco de Assis - inspirado pelo cardeal brasileiro Cláudio Hummes e porque quer "uma igreja pobre e para os pobres".
“O arcebispo (emérito) de São Paulo, que foi prefeito da Congregação para o Clero, Cláudio Hummes, um grande amigo” foi um companheiro do ainda cardeal Bergoglio durante o conclave, revelou o papa.
“Quando se aproximava do 'perigo' (da eleição), ele me confortava”, contou o pontífice, entre risos da plateia de mais de 1.500 jornalistas.
Quando Bergoglio recebeu os 77 votos necessários para ser eleito papa, houve mais uma intervenção de dom Cláudio Hummes: “Ele (Hummes) então me abraçou e me beijou. E disse: Não se esqueça dos pobres”, afirmou o papa.
“Enquanto o escrutínio prosseguia, enquanto os votos eram contados, veio em meu coração o nome de Francisco de Assis”, revelou, acrescentando que São Francisco seria "um homem pobre", que impulsionou o "espírito de paz".
"Gostaria de uma igreja pobre e para os pobres", afirmou o papa.
Segundo a imprensa italiana, Hummes foi um dos cardeais que ajudaram a costurar a eleição de Francisco.
O cardeal emérito de São Paulo também esteve ao lado do papa durante sua primeira aparição no balcão da Basílica de São Pedro e o acompanhou em sua primeira prece após a eleição.

Evento disputado

A fila para entrar no auditório Paulo 6 em que a audiência foi realizada deu uma volta no quarteirão anexo ao Vaticano. Os jornalistas chegaram cedo para a audiência.
O papa, porém, não respondeu perguntas. Começou o compromisso de modo solene, lendo um discurso no qual falava do papel da imprensa de “comunicar a verdade” assim como a igreja “comunica Cristo”.
Logo abandonou o discurso escrito e passou a falar espontaneamente, chegando a fazer algumas piadas com os jornalistas.
“Vocês trabalharam, hein”, disse, arrancando risos da plateia.
Ao final do evento, que durou meia hora, o papa recebeu os cumprimentos de membros da equipe de imprensa do Vaticano e de alguns convidados.
Ele foi aplaudido quando se deslocou para cumprimentar um senhor cego, antes que ele fosse até o papa. Ao final, ainda acariciou o cão que o acompanhava.
O primeiro papa argentino também ganhou um presente de um dos convidados - uma cuia de mate, típica do cone sul.
Ao final, deu a benção em espanhol. Não se sabe se foi um ato falho do novo bispo de Roma, que a partir de agora terá como idioma principal o italiano, ou se foi uma deferência especial à América Latina, onde vivem quase metade dos católicos do mundo.

De Maurício Moraes, agência BBC BRASIL


quinta-feira, 14 de março de 2013

Entrou em ação a cadeia de difamação


Mal foi anunciado o nome do novo papa, começou a circular mundo afora a acusação de que Jorge Mario Bergoglio, agora papa Francisco, teria denunciando dois jesuítas, subordinados seus, para a ditadura. Já escrevi um post  post a respeito. Quem espalha a história é o jornalista Horacio Verbitsky, que pertenceu ao grupo terrorista Montoneros. Ele próprio admite que deu alguns tiros, “mas sem matar ninguém”. Claro, claro! Um outro jornalista argentino o acusa de ter desviado para Cuba os US$ 60 milhões que renderem o sequestro de dois bilionários argentinos. Considerando a sua história e a de Bergoglio, é muito mais verossímil que ele tenha se metido na sujeira do sequestro — terrorista confesso — do que o agora papa se envolvido com as forças da repressão. Quando procuramos os detalhes, ficamos sabendo que o dito “jornalista respeitável” não tem uma só prova, um só indício. O ódio àquele que foi escolhido para conduzir a Igreja Católica certamente deriva de sua postura considerada “conservadora” também em política. O até ontem arcebispo de Buenos Aires repudia uma Igreja transformada em partido político.
Também começaram a circular os ataques ao papa Francisco por conta de sua censura ao casamento gay e à adoção de crianças por pares homossexuais. Aqui e ali, coma ares de indignação, quase de escândalo, lembrava-se ainda que o novo papa se opõe ao aborto, a pesquisas com embriões humanos e defende as regras de relacionamento amoroso e concepção da… Igreja Católica! Meu deus! Para onde caminha este mundo louco, não é mesmo? Com que então os cardeais escolheram para conduzir a Igreja Católica alguém que defende os fundamentos da… Igreja Católica!? Fico cá me perguntando por que, afinal, esses benfeitores da humanidade, tão convencidos de que o Vaticano é um covil de reacionários, não vão testar as suas teses progressistas em países que tiveram a ventura de não passar pela “ditadura católica” — como os muçulmanos, por exemplo. Teerã… É! Penso em Teerã, capital do Irã, cujo presidente, Mahamoud Ahmadinejad, é tão amigo dos “companheiros” brasileiros… Teerã me parece um bom lugar para essa militância, livre do, como é mesmo?, “peso do mundo judaico-cristão”…. Só tomem cuidado com os guindastes. Quando virem algumas pessoas penduradas, elas não estão trabalhando…
“Ah, o Reinaldo acha que a gente não tem o direito de se expressar aqui mesmo; quer mandar a gente para o Irã…” Uma ova! Eu acho que vocês têm o direito de pedir o que lhe der na telha, mas têm também o dever de permitir que a Igreja seja Igreja — uma entidade que, embora aspire a valores universais, fala aos seus e não exerce poder de estado. Adere a ela quem quer. “Mas não tenho o direito de ser gay e ser católico”? Não se tem notícia de que a Igreja tenha expulsado de um de seus templos quem quer que seja. Também é uma mentira escandalosa que a religião promova a perseguição a este ou àquele. A instituição tem, no entanto, a sua concepção do que seja a família natural — e acho difícil que isso mude algum dia. Mas é evidente que reconhece a existência da homossexualidade e da vida em comum de parceiros homossexuais como realidade de fato. Só não aceita que tenha o mesmo status da “família natural”. Aí grita alguém: “Por quê? É inferior?” Não! É outra coisa, que a instituição não aceita como parâmetro.
Qual é o problema? Apesar da oposição da Igreja Católica da Argentina ao casamento gay e à possibilidade de adoção, a lei foi aprovada, não foi? O que me pergunto é por que não basta aos militantes da causa vencer. Por que, afinal de contas, exigem que a Igreja Católica comungue de seus mesmos valores? Fico muito impressionado que a escolha de um papa e a indicação do presidente de uma comissão do Congresso brasileiro tenham de necessariamente ser filtrados por essa pauta. Parece que a Igreja Católica, especialmente nas reportagens de TV, não tem mais nenhum desafio pela frente. Parece que aquela que é a maior instituição educacional do mundo, a maior instituição de benemerência do mundo, a maior rede de atendimento médico do mundo — só para citar alguns dos aspectos, digamos, mundanos da Igreja — agora se define por sua opinião sobre o… casamento gay! Tenham paciência!
“Reinaldo está querendo dizer que milhões de pessoas não têm importância…” Não! Estou afirmando que a pauta da Igreja Católica é outra, ora essa! Eu sei que é chato ser um tanto óbvio, mas a medida da instituição, apesar de todos os seus desvios — porque feita por homens imperfeitos — é o exemplo deixado por Jesus Cristo e as verdades reveladas (assim creem os católicos) nos Evangelhos. É uma perda de tempo, um desperdício de energia e, no fundo, uma estupidez cobrar que ela renuncie a seus fundamentos.
A Igreja não abrirá mão do que considera a “família natural”; não cederá aos apelos em favor da descriminação do aborto; não acatará a destruição de embriões humanos em nome da pesquisa científica; não dará seu endosso à dissolução do casamento; não cederá, ATENÇÃO PARA ISTO!, ao pragmatismo do capitalismo, do liberalismo (e é um liberal que escreve) etc. Não fará nada disso porque o seu diálogo com o mundo moderno consiste em amparar quem sofre no… mundo moderno, mas não em ceder a seus apelos. A Igreja Católica pode beijar os pés dos que considera “pecadores”, mas não aceitará jamais o seu pecado. E essa talvez seja a dimensão mais incompreendida da instituição.
Quando se diz que a igreja ama o pecador, mas não o pecado, não se está fazendo mero jogo de palavras. Todo homem, mesmo o mais vil, é digno de piedade, mas isso não quer dizer que possamos concordar com seus malfeitos.
Nessas horas, sempre me vem à mente o exemplo notável do advogado católico Sobral Pinto. Anticomunista ferrenho, foi advogado, não obstante, de Luiz Carlos Prestes e Harry Berger (Arthur Ewert era seu nome real), que lideraram o levante comunista de 1935. Presos, foram barbaramente torturados pelo regime getulista. Entrou para a história a estratégia de Sobral, que evocou para defendê-los a Lei de Proteção aos Animais. Sim, ele abominava o comunismo, mas isso não o fazia abominar as PESSOAS comunistas. Submetidas que estavam a um tratamento desumano, inaceitável, injusto, Sobral fez o seu trabalho de advogado e viveu na prática o mandamento de sua religião. Bem, todos sabemos o que os comunistas fizeram com os cristãos quando e onde chegaram ao poder, não é mesmo? Será que Prestes, ele mesmo, teria salvado a cabeça de Sobral Pinto? Acho que não… Findo o Estado Novo, subiu ao palanque do Getúlio que havia liderado o regime que o torturara e que mandara para a Alemanha nazista a sua mulher, Olga Benário, que era judia e estava grávida. Como Prestes conseguiu fazer aquilo? Alguns, acreditem!, chegam a admirá-lo por isso. Fez porque ele tinha uma causa que considerava mais importante: a luta contra o imperialismo. Ora, se essa luta o fazia dar as mãos a um mostro, ela também poderia fazê-lo mandar para o paredão um anjo, não é?
“Por que essa viagem, Reinaldo?” Não é viagem nenhuma, não! Só estou deixando claro que os fundamentos do catolicismo não estão e não podem estar sujeitos a certas contingências. A Igreja pode e deve ser mais célere em buscar meios que facilitem a divulgação de sua “mensagem”, da “Palavra”, mas não contem com a possibilidade de que ela se transforme numa ONG, cujo rumo seja ditado pela “minoria democrática”, esse conceito tão singular criado pela militância influente, à qual a imprensa adere gostosamente. Uma igreja é feita por seus fiéis. Nesse sentido, deve-se abrir para o povo. Mas uma religião, prestem atenção!, conduz em vez de ser conduzida. Quem tem de se submeter à maioria democrática é o estado laico — e, ainda assim, é preciso que o  faça segundo critérios muito claros, ou o mundo regride para o estado da natureza, para a luta de todos contra todos. A Igreja não é uma democracia. E faz, para lembrar a missa, o convite para “Ceia do Senhor”.  É, insisto, um convite: “Felizes os convidados…”
Na Igreja do papa Francisco, como na de Bento XVI, de João Paulo II e de outros tantos, há lugar pra todo mundo, para todos nós, com todas as nossas particularidades e imperfeições. Mas, vejam que coisa!, nem todas as ideias e as visões de mundo são aceitas também como verdades dessa Igreja.
E me ocorre agora uma questão interessante: nem todas as ideias e visões de mundo devem ser aceitas nas associações GLBTs, por exemplo. Tenho a certeza de que nem mesmo gays eventualmente contrários ao casamento gay, e eles existem, seriam considerados bem-vindos, não é? O mesmo vale para o mundo da ciência. Cientistas que se opõem à pesquisa com embriões humanos levam na testa a pecha de obscurantistas. Conheço casos. Entendo. No fim das contas, os pequenos papas de suas respectivas seitas acham inaceitável que possa existir um papa da Igreja Católica. E saem gritando “cortem-lhe a cabeça!” em nome da tolerância.

De Reinaldo Azevedo, revista VEJA

"Mão de Deus" escolheu papa argentino, diz Maradona



ROMA - A mesma "mão de Deus" que ajudou a Argentina na Copa do Mundo de 1986 escolheu o novo papa argentino, disse o ex-jogador Diego Maradona, autor do famoso gol com a mão marcado pela Argentina contra a Inglaterra, que ainda é motivo de polêmica em todo mundo.
Em uma carta ao jornal Il Messaggero, de Roma, na quarta-feira, a partir de sua residência em Dubai, Maradona, de 52 anos, descreveu-se como um católico devoto e disse que ficou alegre com a eleição de seu compatriota cardeal Jorge Bergoglio como papa Francisco.
"Estou realmente muito feliz e tenho certeza que meu entusiasmo é compartilhado por todo o povo argentino", escreveu Maradona.
"Todo mundo na Argentina pode lembrar 'a mão de Deus' no jogo com a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986. Agora, no meu país, a 'mão de Deus', nos trouxe um papa argentino."
Em um duelo as quartas de final do Mundial de 1986, Maradona eliminou a Inglaterra com dois gols, um numa jogada individual brilhante desde seu próprio campo de defesa, e o outro com um toque de mão que o árbitro confundiu com uma cabeçada.
Maradona disse depois da partida que o gol foi marcado "um pouco com a cabeça de Maradona, um pouco com a mão de Deus".
A declaração ainda causa irritação na Inglaterra, onde o jornal The Sun, o mais vendido do país, mostrou o papa argentino Francisco levantando o braço numa bênção com a manchete: "Mão de Deus".
De Barry Moody, agência REUTERS BRASIL

"De brasileirum est mais gostosum", diz novo papa

D. Odilo rezou uma missa para celebrar o segundo lugar na votação
VATICANO - Em sua primeira declaração na Praça São Pedro, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, nomeado papa Francisco 1º, assegurou aos fiéis: "Ganharem de brasileirum est muitum mais gostosum". Foi ovacionado. Em segundos, milhares de torcedores do Boca Juniors emocionados tomaram a praça e iniciaram cantorias eclesiásticas pela canonização imediata de Maradona.

Com um sorriso piedoso no canto da boca, Bergoglio fez o sinal da cruz e anunciou suas primeiras medidas. "Galvão Bueno será perdoado dos seus pecados. Terá que rezar apenas 200 Pai Nosso e 350 Ave Maria em latim. Pelé deverá beijar meus pés e reconhecer que Maradona é o melhor".

Minutos após ver seu favoritismo cair por terra com o anúncio de um papa argentino, D. Odilo Scherer enviou sinais de fumaça branca para José Serra. "Aprendi muito neste conclave e saio fortalecido da disputa. Eu vos ofereço minha consultoria. Nas eleições presidenciais de 2014, la garantia soy yo", disse, beijando uma santa de joelhos.

Antes de se despedir do público, Francisco 1º negou que substituirá o uso de hóstias por alfajores.

De The Herald, revista PIAUÍ