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domingo, 17 de julho de 2016

Seis anos depois de deixar o poder, petista convive com o descrédito político, o sumiço dos amigos e os inquéritos da Lava Jato


Às 7h50 da última quarta-feira, um segurança do ex-presidente Lula chegou ao Aeroporto Oscar Laranjeira, em Caruaru, no agreste de Pernambuco. Diligente, comunicou que um Gulfstream G200, avião executivo de luxo e alta performance, estava a caminho da cidade. Minutos depois, dois representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o vice-prefeito Jorge Gomes (PSB) estacionaram seus carros no local. Estavam apreensivos, porque não havia militantes para oferecer uma recepção calorosa a Lula. “Eles vão chegar. Pode ficar tranquilo”, disse um dos líderes do MST ao segurança, tentando amenizar a tensão. Uma hora mais tarde, só oito pessoas aguardavam o ex-presidente. “Vamos partir para o plano B. Acho melhor receber o Lula no hotel. Manda o pessoal para lá”, ordenou o guarda-costas. Em seguida, ele trancou a porta de entrada do saguão do aeroporto, que é público, para evitar que alguém fotografasse o deserto que aguardava Lula, aquele que já foi um dos políticos mais populares do mundo. “O cara”, como disse o presidente americano Barack Obama, numa ocasião em que se encontraram.

... Em seu último ano de mandato, Lula beneficiava-se do crescimento econômico, que atingiu 7,5% em 2010. Nem o céu parecia lhe servir de limite. “Se a gente continuar mais dez anos do jeito que está, daqui a pouco chega a Caruaru e pensa que está em Paris, em Madri, de tão chique.”

Caruaru continua Caruaru. Figura entre as doze piores cidades para viver no Brasil. E Lula deixou de ser Lula. Lidera no quesito rejeição entre os nomes cotados para disputar a Presidência em 2018... Enquanto estava no hotel, um militante rompeu o cerco de seguranças e tirou uma foto com Lula, mas a equipe do ex-presidente o obrigou a apagá-la. A imagem mostrava uma garrafa de uísque ao fundo. Não pegaria bem nas redes sociais, foi a justificativa apresentada.

Depois do evento, Lula saiu pela garagem, num carro com os vidros fechados, e percorreu um trajeto de apenas 400 metros até o trio elétrico que o esperava para um novo discurso. “Ele parece estar meio distante do povo, com um olhar desconfiado”, observou a funcionária pública Conceissão Pessoa. Em cima do trio elétrico Pantera Fashion, Lula discursou para 2.000 pessoas. Cinco ônibus, com capacidade para cinquenta passageiros, foram fretados por 1.000 reais cada um, pagos em dinheiro vivo, para postar a claque diante da estrela petista. A programação da semana passada, por exemplo, previa uma passagem pela cidade do Crato, no Ceará, onde ele receberia o título de doutor honoris causa da Universidade Regional do Cariri. A segurança fora informada de que estava sendo organizado um protesto de alunos contra a concessão da honraria. A visita foi cancelada.

De Thiago Bronzatto, de Caruaru, e Daniel Pereira, VEJA

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Ataque suicida mata 27 combatentes xiitas perto de Bagdá


BAGDÁ (Reuters) - Um agressor suicida matou ao menos 27 combatentes xiitas nos arredores da cidade iraquiana de Jurf al-Sakhar nesta segunda-feira, após as forças de segurança terem expulsado militantes do Estado Islâmico da área no fim de semana, informaram fontes do Exército e da polícia.

O suicida, dirigindo um veículo militar provavelmente roubado de tropas do governo derrotadas e lotado com explosivos, também feriu outros 60 combatentes xiitas, que tinham ajudado as forças do governo a retomar a cidade ao sul da capital Bagdá.

O controle de Jurf al-Sakhar é fundamental para as forças de segurança iraquianas, que finalmente conseguiram expulsar os insurgentes sunitas após meses de combates.

Com o comando da cidade, as forças iraquianas podem impedir os insurgentes sunitas de se aproximaram ainda mais da capital e cortar ligações do grupo com seus redutos na província de Anbar.

O Estado Islâmico ameaça marchar para Bagdá, onde estão posicionadas forças especiais iraquianas e milhares de combatentes xiitas para defender a capital em caso de ataque.


De Michael Georgy, REUTERS BRASIL

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Obama diz que eliminar Estado Islâmico não será fácil


CHARLOTTE Estados Unidos (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu nesta terça-feira perseguir os membros do Estado Islâmico que mataram o jornalista norte-americano James Foley, e disse que eliminar o grupo militante no Iraque e na Síria não será fácil.
"Os Estados Unidos não se esquecem, nosso alcance é longo, somos pacientes, a justiça será feita", disse Obama a veteranos reunidos em uma convenção da Legião Americana, em Charlotte, na Carolina do Norte.
Obama, que ordenou a realização de ataques aéreos contra o grupo militante no Iraque e pode expandir as ações para a Síria, disse que fará o que for necessário para encontrar aqueles que atacam norte-americanos.
"Remover um câncer como o ISIL não será fácil e não será rápido", disse Obama, referindo-se à sigla em inglês que os Estados Unidos usam para o Estado Islâmico.

De Mark Felsenthal e Steve Holland, REUTERS BRASIL

terça-feira, 7 de maio de 2013

Augusto Nunes: "Nem todos os escritores (e jornalistas) sem avarias no cérebro são militantes do PT"


O passeio na Feira de Frankfurt ajuda a entender por que tantos escritores preferem não enxergar a indigência verbal de Dilma

O comentarista Flavico pinçou um trecho do artigo de Mario Vargas Llosa sobre a morte lenta do chavismo: “É triste ver o nível intelectual desse governo, cujo chefe de Estado assobia, ruge ou insulta porque não sabe falar.” E acrescentou uma boa pergunta: a que país Vargas Llosa se refere mesmo? A interrogação é muito pertinente. A Venezuela parece cada vez mais aqui.


Por sempre ver as coisas como as coisas são, o grande romancista peruano precisou de dois ou três discursos de Nicolás Maduro para constatar que o herdeiro de Hugo Chávez não sabe falar. Caso se expressasse em português do Brasil, o ganhador do Nobel de Literatura não precisaria de mais que dois minutos ou três parágrafos de um improviso em dilmês para espantar-se com a indigência verbal de Dilma Rousseff.
Nem todos os escritores (e jornalistas) sem avarias no cérebro são militantes do PT. Por que tantos deles fingem ignorar a assombrosa miséria retórica do neurônio solitário? Por que fazem de conta que entendem o que está dizendo a superexercutiva que não diz coisa com coisa? O que há com esses intelectuais que contemplam com mansidão bovina, entre uma e outra salva de palmas, a discurseira que reitera a celebração da ignorância?
O que há é o de sempre. Há o medo de melindrar a “esquerda” e entrar na alça de mira das milícias do PT. Há o temor de cair em desgraça com Lula, o pai dos pobres, ou irritar Dilma Rousseff, a mãe dos miseráveis, e ser estigmatizado como inimigo da pátria. Há, sobretudo, o pavor de ficar fora da turma contemplada com bênçãos, favores e, sobretudo, verbas federais.
Em troca da inclusão de um livro na lista dos recomendados pelo MEC, garantia de muitos milhões em direitos autorais, o mais indignado dos rebeldes de antigamente entrega a mãe e oferece a avó como brinde. Outros fecham negócio a preços de ocasião. Por exemplo, uma vaga no grupo formado por mais de 70 escritores que, em outubro, vai representar o Brasil na Feira de Frankfurt.
A multidão ficará pelo menos quatro dias por lá, comendo, bebendo, dormindo em excelentes hotéis e vendendo seu peixe — tudo pago com o dinheiro que o governo subtrai dos pagadores de impostos. Um passeio desses na Alemanha ─ e de graça ─ costuma valer mais que a cumplicidade silenciosa. A maioria dos viajantes saberá retribuir a demonstração de apreço pelos literatos da terra com gentilezas adicionais.
Entre elas se inclui a esperta forma de miopia que faz enxergar um monumento à inteligência num cérebro baldio, incapaz de produzir uma única ideia que preste, uma só frase com começo, meio e fim. Ou dizer   qualquer coisa que possa mitigar a constatação perturbadora: nunca houve na história do Brasil uma figura tão irremediavelmente despreparada para exercer a presidência da República.


De Augusto Nunes, coluna, revista VEJA