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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Presidente do Congresso venezuelano suspende salários de opositores


CARACAS - O presidente da Assembleia Nacional da Veneuzela, Diosdado Cabello, disse nesta sexta-feira, 26, que suspenderá o pagamento de salários dos deputados de oposição que não reconhecem o presidente Nicolás Maduro. A medida será tomada, também, em conselhos legislativos e câmaras municipais de todo o país.


Cabello começou a retaliar os opositores dois dias após a eleição. No dia 14, Maduro venceu o opositor Henrique Capriles por pouco menos de 2 pontos porcentuais de diferença. A oposição não reconhece a vitória e exige uma auditoria completa dos votos feita pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE). O órgão prometeu atender ao pedido, mas ainda não iniciou o processo.
O presidente da Assembleia, vice-presidente do partido Psuv, principal do chavismo, cortou o direito à palavra dos opositores nas sessões parlamentares. Além disso, Cabello destituiu das funções todos os deputados opositores que presidiam comissões na Casa.
A nova medida contra a oposição foi anunciada durante uma viagem do presidente da AN ao Estado de Anzoátegui. "É lógico e coerente. Como vou pagar a um fantasma? Se não trabalham, não podem cobrar, e não trabalham porque não reconhecem Maduro", afirmou.
O parlamentar William Dávila, do partido de oposição Ação Democrática, pediu a Parlamentos do mundo que prestem solidariedade aos deputados venezuelanos "perseguidos" pelo chavismo. Dávila acredita que os atos do presidente da AN são o começo de um processo para "acabar por completo com a autonomia do Poder Legislativo" da Venezuela.
Horas antes do anúncio de Cabello, Capriles havia anunciado que pediria à Justiça a impugnação do processo eleitoral. Em entrevista à emissora de TV Globovisión, o candidato derrotado disse que já reuniu provas para pedir a anulação do pleito.
O opositor admitiu, no entanto, que vê poucas chances de um pedido de impugnação ser aprovado pelo Tribunal Superior de Justiça (TSJ), visto como uma instância aparelhada pelo chavismo. "Não é uma luta 'de hoje para amanhã'", afirmou.
Ameaça. O governo venezuelano voltou a acusar os Estados Unidos de interferência na política venezuelana e articulação de um golpe. O chanceler Elías Jaua disse que a Venezuela reagirá "com reciprocidade" a quaisquer sanções aplicadas pelos americanos. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, já disse que o país prefere esperar uma auditoria eleitoral para reconhecer o presidente.
Maduro, por sua vez, continou ontem a anunciar medidas contra "sabotagens" que, segundo ele, seriam as causas dos repetidos apagões elétricos no país. O presidente já anunciou uma intervenção militar para investigar e impedir os atos dos supostos sabotadores.
"Vamos fazer reformas legais para transformar as penas para sabotagem nas penas mais severas que se possa impor (aos condenados)", afirmou.
Na quinta-feira, um jovem americano foi preso em Caracas sob a acusação de conspirar contra o governo e instigar tumultos após a eleição. O porta-voz do Departamento de Estado americano, Patrick Ventrell, negou que o detido, Timothy Hallet Tracy, tenha qualquer relação com o governo dos Estados Unidos. Ventrell também disse que Washington ainda espera "mais informações" sobre o caso.

De EFE e REUTERS, jornal O ESTADO DE SÃO PAULO

sexta-feira, 22 de março de 2013

Chavistas e opositores entram em confronto no centro de Caracas



CARACAS - Duas pessoas ficaram feridas nesta quinta-feira quando jovens opositores venezuelanos enfrentaram com pedras e paus os partidários do ex-presidente Hugo Chávez no centro de Caracas, a menos de um mês das eleições gerais de 14 de abril, convocadas após a morte do mandatário.

A polícia venezuelana, que confirmou os feridos, disparou gás lacrimogêneo para dispersar os grupos.

Centenas de estudantes tentavam chegar ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) para exigir "eleições limpas", mas foram interceptados por partidários do governo, segundo uma testemunha da Reuters.

"Estamos aqui fazendo uma luta pacífica e eles sempre atacam. Posso aguentar pedras, todas que forem necessárias", disse à Reuters Carlos Vargas, estudante de 19 anos ferido no olho direito pelo impacto de uma pedra.

"Não somos contra ninguém e nada, a única coisa que pedimos é democracia ... estamos exigindo eleições justas", acrescentou.

O país petrolífero escolherá seu próximo presidente entre o herdeiro político de Chávez, o presidente interino Nicolás Maduro, e o opositor Henrique Capriles.

Segundo duas pesquisas divulgadas nesta semana, Maduro tem uma vantagem superior a 14 pontos sobre seu opositor.

De Deisy Buitrago, agência REUTRES BRASIL