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domingo, 13 de dezembro de 2015

Racismo ostentação? Como operam os grupos que incitam ódio na internet


A investigação do Ministério Público de São Paulo sobre os ataques racistas à jornalista Maria Júlia Coutinho acabou revelando uma dinâmica até então desconhecida sobre como operam grupos por trás de crimes de ódio na internet.

À BBC Brasil, o promotor Christiano Jorge Santos, que conduz as investigações desde o início, disse que o principal trunfo da "Operação Tempo Fechado" foi identificar quem são e como se comportam os membros de grupos secretos que articulam comentários racistas ou homofóbicos no Facebook.

"A novidade é a confirmação que de que há grupos organizados. Não se trata de uma ação espontânea, que ganha volume em cadeia. São organizações criminosas com distribuição nacional, literalmente do Rio Grande do Sul ao Amazonas."

Até agora, 25 mandados de busca e apreensão foram realizados em oito Estados - Amazonas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. A operação envolveu mais de 20 promotores de justiça ligados a grupos de combate ao crime organizado do MP, além de dezenas de policiais...

De Ricardo Senra, BBC BRASIL

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Funcionários da Mercedes encerram greve no ABC; Volks continua



Terminou por volta das 5h30 desta quinta-feira (8) a paralisação de 24 horas dos funcionários da fábrica de caminhões e ônibus da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP). A greve foi um ato em solidariedade aos 160 trabalhadores demitidos pela empresa em dezembro, após o fim do período de suspensão de contrato, o chamado layoff.

De acordo com o sindicato, a paralisação teve adesão superior a 90%, paralisando a produção. Uma nova assembleia está prevista para hoje.

Além dos demitidos, cerca de 100 colaboradores aderiram a um PDV, plano de demissão voluntária. Outra medida tomada pela montadora foi de prorrogar a suspensão do contrato de outros 750 funcionários até 30 de abril. Eles terão todos os custos assumidos pela empresa.

O sindicato diz ainda que, havia acordado com a Mercedes, em novembro, que a montadora prorrogaria o layoff de todos os 1.015 trabalhadores por mais cinco meses, até abril. Porém, 244 deles ficaram de fora. A entidade afirmou que parte dos funcionários aderiram ao PDV, porém, não sabe quantificar...

De auto esporte, G1

Os metalúrgicos sofrem com a economia e se afastam do PT



Antes de quebrar financeiramente e de se ver diante de uma dívida milionária, Odair da Rocha era um ex-sindicalista em ascensão. Saíra de São Paulo casado com Raquel rumo a Santo André, no ABC paulista, onde se instalou na década de 1980. A vida de metalúrgico começou ali do lado, em São Bernardo do Campo, como ferramenteiro. Ele produzia moldes de peças usadas na fabricação de carros, geladeiras ou fogões. Passou pela Karmann Ghia, depois pela Semer. Acabou na Brastemp. Nas três empresas por onde passou, Rocha progrediu. Na Brastemp, tornou-se chefe. Em 1999, fase em que a indústria começava a terceirizar seus serviços, soube que a ferramentaria onde trabalhava seria vendida. Viu ali uma oportunidade de negócios. Reuniu suas economias e, com dois amigos, investiu R$ 150 mil na compra da empresa onde batera ponto por 20 anos. Patrão, passou a supervisionar 55 funcionários, que moldavam peças. Primeiro para a própria Brastemp, depois para outros fabricantes de eletrodomésticos. Com a produção em alta, ano a ano, seu negócio dava sinais de progresso. “Até que veio a invasão chinesa”, diz ele, hoje com 59 anos.

A importação das peças asiáticas tornou-se mais atraente para as empresas que compravam de Rocha. A ferramentaria passou a declinar, e o setor de peças como um todo também. Na transição do governo Lula para Dilma Rousseff, Rocha não resistiu. Sua ferramentaria quebrou. Os funcionários foram dispensados, os carros vendidos, a sociedade desfeita. Sobrou-lhe uma conta de milhões de reais a pagar, e ele não tem o dinheiro. “Foi o momento mais triste da minha vida”, diz. “Nunca usei cheque especial. De repente, me vi devendo um valor que nem se eu vendesse tudo teria como pagar.” Falido, Rocha voltou a ser empregado, na ferramentaria de um amigo. Ela também está à beira do precipício, e ele acabou demitido no começo do ano. A casa espaçosa em Santo André é o único patrimônio que lhe restou. Rocha e Raquel, de 58 anos, vivem hoje da aposentadoria.

O setor de peças tem um poder de resistência às intempéries da economia menor que as montadoras de carros. Em momentos de crise como 2008, ajustes de produção, demissões e incentivos do governo (como a redução de impostos para a compra de carros) atenuaram os danos econômicos para as montadoras. Nenhuma delas quebrou. O mercado melhorou, e a venda de carros bateu recorde em 2012. Foram 3,8 milhões de unidades vendidas no Brasil. Em 2014, uma nova crise se alastrou na indústria automotiva, respingou nas vendas, na produção e nos trabalhadores. “No fim de junho, chegamos ao fundo do poço nas vendas”, afirma Luiz Moan, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)...

De Vinicius Gorczeski, ÉPOCA

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ministro do Trabalho cobra explicações da Volks sobre demissões


O ministro do Trabalho, Manoel Dias, ligou na tarde desta terça-feira ao presidente da Volkswagen, Thomas Schmall, para pedir esclarecimentos sobre as 800 demissões anunciadas na Unidade de Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP). Funcionários da Volkswagen no ABC Paulista decidiram em assembleia iniciar uma paralisação contra as demissões.

O ministério informou que atuará como mediador entre patrão e empregado "para encontrar uma saída que evite a penalização do lado mais fraco, no caso, o trabalhador". Segundo Dias, há disposição dos dois lados para continuar as conversas. Ele afirmou que continuará trabalhado na mediação e considera ser possível um "bom termo".

A montadora confirmou as demissões e justificou a medida como essencial para "estabelecer condições para um futuro sólido e sustentável para a Unidade Anchieta, tendo como base o cenário de mercado e os desafios de competitividade"...

De economia, VEJA