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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Chachinas em São Paulo deixam 10 mortos


Atiradores mataram ao menos dez homens e deixaram outros três feridos em duas chacinas ocorridas entre a noite de terça-feira, 4, e a madrugada desta quarta-feira, 5, na capital paulista. Os casos foram no Jaçanã, na zona norte, e no Campo Limpo, na zona sul, em menos de uma hora entre um e outro.

No Jaçanã, segundo o relato à Polícia Civil de uma das vítimas que sobreviveram, dois homens em uma motocicleta atiraram em direção ao grupo de pessoas que estava em um bar na altura do número 23 da Rua Antônio Sérgio de Matos. Os criminosos fugiram. Seis morreram no local, e um ferido foi socorrido, mas não resistiu e morreu em um hospital. Outros dois feridos estão internados.

As seis vítimas que morreram no local são Sidnei Rodrigues Cordeiro, de 38 anos; Valdir Pereira de Souza, de 46; Adriano dos Anjos Silva, de 39; Wellington Claudino de Souza, de 35; Gilmar Vieira da Silva, de 39; e Fernando, cujos sobrenomes e idade não foram informados. Apenas um deles tem passagem pela polícia por tráfico e porte de drogas...

De Alexandre Hisayasu, Bibiana Borba e Paulo Beraldo, ESTADÃO

domingo, 17 de julho de 2016

Apesar de assumir a autoria do massacre em Nice, é preciso cautela: o EI costuma se gabar de crimes que não cometeu


O Estado Islâmico assumiu a autoria do atentado em Nice, o segundo pior atentado terrorista na história da França, que deixou ao menos 84 mortos e 202 feridos na noite de quinta-feira (14). Por meio de um comunicado, a agência de notícias Amaq, uma espécie de imprensa oficial do EI, disse que o tunisiano Mohamed Lahouaiej Bouhlel, de 31 anos, identificado pelas autoridades francesas como a pessoa ao volante do caminhão, era "um soldado do Estado Islâmico e lançou o ataque para atender aos chamados para atacar os cidadãos dos países que fazem parte da coalizão internacional que combate o Estado Islâmico".

Também no sábado, o Grupo de Inteligência SITE, que monitora comunicações jihadistas, disse que o Estado islâmico tinha oficialmente reivindicado a responsabilidade em um boletim de notícias em sua estação oficial de rádio, Al Bayan, e fez uma ameaça aos países que integram a coalizão internacional que ataca o EI na Síria e no Iraque: "fiquem alertas, países cruzados, vocês não estão seguros".
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Mas o Estado Islâmico tem, de fato, alguma ligação com o atentado em Nice? O comunicado do Estado Islâmico foi recebido com cautela pelos especialistas em terrorismo.Apesar do ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, ter dito neste sábado (16) que o autor do ataque em Nice "parecia ter se radicalizado muito rapidamente", os serviço de Inteligência francês ainda não deu provas de como ele se radicalizou. O perfil de Bouhlel não casa com o de jihadistas usuais, a não ser pelo desequilibrio psicológico evidente. Além disso, os espécialistas em jihadismo afirmam que o Estado Islâmico, muitas vezes, assume a responsabilidade pela violência levada a cabo em seu nome mesmo quando não havia nenhuma indicação de que a rede terrorista teve qualquer papel direto no planejamento ou execução dos ataques. Ao contrário da al-Qaeda, o Estado Islâmico apoia e incentiva que indivíduos sozinhos cometam assassinatos indiscriminados dos cidadãos de países que considera inimigos.
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O encolhimento territorial (do Estado Islâmico) parece ser inversamente proporcional à capacidade do grupo em causar estrago com relativa pouca infraestrutura em diferentes países. Isso porque o Estado Islâmico é o principal patrocinador deste novo tipo de terrorismo, que usa extremistas isolados ou em grupos pequenos para cometer atrocidades contra pequenos alvos com grande concentração de pessoas. Chamados de “lobos solitários”, privilegiam ataques contra alvos civis como cafés e supermercados, comandados por grupos de no máximo cinco terroristas. São ações mais fáceis de concretizar, que aterrorizam a população, geram publicidade e são difíceis de detectar.
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No caso de Nice, parece ainda mais estranho que o grupo tenha, de fato, algum envolvimento. Autoridades francesas já disseram que Mohamed Lahouaiej Bouhlel não estava no radar dos serviços de inteligência. e não figurava na chamada Lista S, do Diretório Geral de Segurança Interna da França, de pessoas que teriam ligação com radicais islâmicos ou estariam em processo de se radicalizar e, por isso, são monitoradas. Também não parece ter seguido a cartilha usual dos lobos solitários, de jurar fidelidade antes, durante ou depois de atacar. As investigações, até o momento, mostram que Bouhlel também não tinha o perfil usual dos jihadistas. Bouhlel gostava de bebidas alcoólicas, haxixe e usava bermudas com frequência - costumes no mínimo atípicos para um jihadista. Não tinha contatos com radicais islâmicos conhecidos, nem viajou para países do Oriente Médio considerados celeiros de terroristas, como Síria e Iraque.
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A estratégia para manter o povo em terror permanente, e para tirar dividendos de qualquer ataque cometido mundo afora, tem sido eficaz. Como escreveu Charlie Winter, que pesquisa violência e conflitos transculturais na Universidade da Georgia: "Não importa se a cobertura é negativa. Para o EI, desde que seja nos termos dos propagandistas e transmita uma suposta força e onipresença do grupo, qualquer aparição na mídia é uma boa aparição".

De Rodrigo Turrer, ÉPOCA

domingo, 11 de janeiro de 2015

Líderes mundiais reúnem-se em Paris para marcha em homenagem às vítimas de ataques



PARIS - Dezenas de líderes mundiais, inclusive estadistas muçulmanos, deram os braços liderando centenas de milhares de franceses neste domingo em uma marcha sem precedentes sob forte segurança para homenagear as vítimas de ataques de militantes islâmicos ocorridos há poucos dias.

O presidente François Hollande e líderes de Alemanha, Itália, Israel, Turquia, Grã-Bretanha e Palestina, entre outros, caminharam na Praça da República à frente de bandeiras francesas e de outros países.

Cartazes presos em uma estátua na praça dizia: "Pourquoi?" (Por quê?) e pequenos grupos cantavam "La Marseillaise".

Cerca de 2,2 mil policiais e soldados patrulhavam as ruas de Paris para proteger os manifestantes de eventuais ataques, com atiradores de elite da polícia sobre os telhados e detetives à paisana misturando-se à multidão. Esgotos da cidade foram revistados antes do evento e estações de trem em todo o percurso deverão ser fechadas.

A marcha silenciosa -- que poderá ser a maior vista na Paris moderna -- reflete o choque em relação ao pior ataque islâmico contra uma cidade europeia em nove anos. Para a França, levantou questões relacionadas à liberdade de expressão, de religião e sobre segurança, e para além das fronteiras francesas expôs a vulnerabilidade dos Estados a ataques urbanos.

Dois dos atiradores declararam ligação com a Al-Qaeda do Iêmen e um terceiro ao movimento Estado Islâmico.

"Paris é hoje a capital do mundo. O país inteiro irá se levantar e mostrar seu melhor lado", disse Hollande em comunicado.

Dezessete pessoas, incluindo jornalistas e policiais, perderam a vida em três dias de violência, que começaram com um ataque a tiros no jornal satírico Charlie Hebdo na quarta-feira e terminou com a tomada de reféns em um supermercado judaico na sexta-feira. Os três homens armados também foram mortos.

À noite, um cartaz iluminado no Arco do Triunfo dizia: "Paris est Charlie" (Paris é Charlie).
Diversas construções de Londres incluindo a Tower Bridge deverão ser iluminadas com as cores vermelha, branca e azul da bandeira francesa em demonstração de apoio ao evento em Paris.

Cinquenta e sete pessoas foram mortas em um ataque ao sistema de transporte de Londres em 2005.
Horas antes da marcha, um vídeo foi divulgado com um homem parecido com o atirador morto no supermercado judaico. Ele alegou ter ligação com o grupo insurgente Estado Islâmico e pediu que os muçulmanos franceses sigam seu exemplo...

De redação, REUTERS

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Os metalúrgicos sofrem com a economia e se afastam do PT



Antes de quebrar financeiramente e de se ver diante de uma dívida milionária, Odair da Rocha era um ex-sindicalista em ascensão. Saíra de São Paulo casado com Raquel rumo a Santo André, no ABC paulista, onde se instalou na década de 1980. A vida de metalúrgico começou ali do lado, em São Bernardo do Campo, como ferramenteiro. Ele produzia moldes de peças usadas na fabricação de carros, geladeiras ou fogões. Passou pela Karmann Ghia, depois pela Semer. Acabou na Brastemp. Nas três empresas por onde passou, Rocha progrediu. Na Brastemp, tornou-se chefe. Em 1999, fase em que a indústria começava a terceirizar seus serviços, soube que a ferramentaria onde trabalhava seria vendida. Viu ali uma oportunidade de negócios. Reuniu suas economias e, com dois amigos, investiu R$ 150 mil na compra da empresa onde batera ponto por 20 anos. Patrão, passou a supervisionar 55 funcionários, que moldavam peças. Primeiro para a própria Brastemp, depois para outros fabricantes de eletrodomésticos. Com a produção em alta, ano a ano, seu negócio dava sinais de progresso. “Até que veio a invasão chinesa”, diz ele, hoje com 59 anos.

A importação das peças asiáticas tornou-se mais atraente para as empresas que compravam de Rocha. A ferramentaria passou a declinar, e o setor de peças como um todo também. Na transição do governo Lula para Dilma Rousseff, Rocha não resistiu. Sua ferramentaria quebrou. Os funcionários foram dispensados, os carros vendidos, a sociedade desfeita. Sobrou-lhe uma conta de milhões de reais a pagar, e ele não tem o dinheiro. “Foi o momento mais triste da minha vida”, diz. “Nunca usei cheque especial. De repente, me vi devendo um valor que nem se eu vendesse tudo teria como pagar.” Falido, Rocha voltou a ser empregado, na ferramentaria de um amigo. Ela também está à beira do precipício, e ele acabou demitido no começo do ano. A casa espaçosa em Santo André é o único patrimônio que lhe restou. Rocha e Raquel, de 58 anos, vivem hoje da aposentadoria.

O setor de peças tem um poder de resistência às intempéries da economia menor que as montadoras de carros. Em momentos de crise como 2008, ajustes de produção, demissões e incentivos do governo (como a redução de impostos para a compra de carros) atenuaram os danos econômicos para as montadoras. Nenhuma delas quebrou. O mercado melhorou, e a venda de carros bateu recorde em 2012. Foram 3,8 milhões de unidades vendidas no Brasil. Em 2014, uma nova crise se alastrou na indústria automotiva, respingou nas vendas, na produção e nos trabalhadores. “No fim de junho, chegamos ao fundo do poço nas vendas”, afirma Luiz Moan, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)...

De Vinicius Gorczeski, ÉPOCA

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Grã-Bretanha vai compensar as vítimas de tortura na era colonial no Quênia


LONDRES - A Grã-Bretanha expressou pesar nesta quinta-feira pelos abusos cometidos por suas forças coloniais contra os quenianos durante a Revolta dos Mau-Mau, movimento pró-independência do Quênia na década de 1950, e anunciou um pacote de compensação para mais de 5.200 sobreviventes idosos, no valor total de 20 milhões de libras esterlinas (31 milhões de dólares).
O acordo foi resolvido fora de um tribunal, depois que três idosos quenianos vítimas de tortura conquistaram na Justiça, em outubro, o direito de processar o governo britânico. A decisão do governo poderá encorajar cidadãos de outras ex-colônias a reivindicar compensações por queixas que remontam aos dias do Império Britânico...

De Estelle Shirbon, agência REUTERS BRASIL