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domingo, 25 de junho de 2017

Festival que nasceu morto chega aos 70 em boa forma (Sara Silva)


Apesar da revolução da internet, o cinema continua a influenciar outra mídias

Poucos eventos possuem importância internacional a ponto de atrair a atenção e estimular o imaginário da aldeia global. No mês passado foi a vez da cerimônia anual do Oscar em Hollywood, em Los Angeles, sempre produzindo fotos, fofocas, protestos, polêmicas em torno de filmes e personalidades do cinema. No mês de maio será a vez do Festival de Cannes, na França, que comemora seus 70 anos, também servindo para alimentar e amplificar o mundo da sétima arte.

O festival francês, porém, nasceu morto.

A idéia de realizar um festival de cinema na França apareceu antes da Segunda Guerra, quando intelectuais e artistas mostraram-se indignados com a censura no Festival de Veneza de 1937, na Itália dominada por Benito Mussoline, evento inaugurado por nada mais nada menos do que Joseph Goebbels, o ministro da propaganda do nazismo.

Um projeto foi apresentado ao então ministro da Educação e Belas Artes da França, uma cidade foi selecionada entre diversas interessadas, o próprio inventor do cinema Luis Lumiére foi convidado em junho de 1939 e aceitou ser o presidente do Festival, previsto para acontecer em novembro do mesmo ano.

Os EUA e a Inglaterra apoiaram a iniciativa daquele que deveria ser um festival de cinema do « mundo livre ». O cartaz foi criado por um famoso pintor francês, Jean-Gabriel Domergue. Um dos maiores estúdios de cinema, a MGM, fretou um navio para desembarcar em Cannes com estrelas de filmes como “O Magico de Óz”.

Mas no dia 1° de setembro de 1939, dia de abertura do festival, as tropas nazistas invadiram a Polônia. E a festa foi anulada antes de começar.

Somente depois da II Guerra Mundial, em 1946, um dos organizadores da primeira edição anulada, Philippe Erlanger, conseguiu realizar em Cannes a primeira edição do festival.

Outro festival seria cancelado em 1968, mesmo depois de começado, em meio às revoltas estudantis que marcaram aquele ano, o que faz com que o aniversário de 70 anos seja comemorado neste 2017.

Apenas uma Guerra Mundial e os protestos de 1968 conseguiram adiar ou anular uma edição do mais badalado festival de cinema do planeta. O sucesso do evento tem sido tanto que a partir dele nasceram diversas outras mostras paralelas como a Quinzena dos Realizadores, a Semana da Crítica e o Mercado do Cinema. O cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho, que realizou o filme Aquarius, será o presidente do júri na Semana da Crítica.

A edição deste ano do Festival de Cannes acontece entre 17 e 28 de maio e tem como presidente o cineasta espanhol Pedro Almodóvar, que já teve cinco filmes selecionados na história do evento.

Em meio à uma das maiores revoluções tecnológicas da história, cada edição do Festival de Cannes é um teste para a indústria do cinema. O Século XX ficou marcado como o Século do Cinema. Nenhum outro formato de mídia foi tão global e influenciou tanto a vida do homem naquela era. Nações passaram a ser identificadas pelas características ou estilo de seus cineastas, o cinema italiano, o sueco, o francês… o cinema novo no Brasil, o cinema soviético…

Pode ser que este Século XXI fique marcado como o século da pulverização da mídia. Mas ainda não apareceu nada que ameace ou que supere o formato cinema. E muito muito menos em conteúdo. O cinema reúne todas as artes, da literatura à fotograria, do teatro à música, da cenografia à dança,

Alguns países não viveram a idade do cinema, outros viveram pouco.

Anos atrás a Califórnia foi notícia por causa do impacto na economia local de uma greve de roteiristas, algo impensável nos outros países do globo. Na França o cinema é uma verdadeira religião, com diversos palácios dedicados a esta arte, como o Fórum das Images e a Cinemateca Francesa, além de diversos festivais.

O brasileiro Carlos Saldanha, nascido no Rio de Janeiro, conquistou seu espaço na indústria do cinema, conseguindo realizar alguns dos filmes de animação de maior sucesso nos últimos tempos, entre os quais A Idade do Gelo e Rio. Ele teve a sorte de conseguir estudar animação em New York. Se estivesse morando no Rio de Janeiro, talvez tivesse que vender latas de cerveja nas ruas nos dias de carnaval. Como em outros setores da economia, a indústria do cinema é concentrada em alguns poucos locais.

Mas apesar da revolução da internet, o cinema continua a alimentar e influenciar outras mídias, pois ainda não inventaram um meio capaz de concentrar tanto conteúdo em forma de arte quanto um… filme.

Sara Silva, jornalista, DM OPINIÃO

domingo, 17 de julho de 2016

Apesar de assumir a autoria do massacre em Nice, é preciso cautela: o EI costuma se gabar de crimes que não cometeu


O Estado Islâmico assumiu a autoria do atentado em Nice, o segundo pior atentado terrorista na história da França, que deixou ao menos 84 mortos e 202 feridos na noite de quinta-feira (14). Por meio de um comunicado, a agência de notícias Amaq, uma espécie de imprensa oficial do EI, disse que o tunisiano Mohamed Lahouaiej Bouhlel, de 31 anos, identificado pelas autoridades francesas como a pessoa ao volante do caminhão, era "um soldado do Estado Islâmico e lançou o ataque para atender aos chamados para atacar os cidadãos dos países que fazem parte da coalizão internacional que combate o Estado Islâmico".

Também no sábado, o Grupo de Inteligência SITE, que monitora comunicações jihadistas, disse que o Estado islâmico tinha oficialmente reivindicado a responsabilidade em um boletim de notícias em sua estação oficial de rádio, Al Bayan, e fez uma ameaça aos países que integram a coalizão internacional que ataca o EI na Síria e no Iraque: "fiquem alertas, países cruzados, vocês não estão seguros".
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Mas o Estado Islâmico tem, de fato, alguma ligação com o atentado em Nice? O comunicado do Estado Islâmico foi recebido com cautela pelos especialistas em terrorismo.Apesar do ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, ter dito neste sábado (16) que o autor do ataque em Nice "parecia ter se radicalizado muito rapidamente", os serviço de Inteligência francês ainda não deu provas de como ele se radicalizou. O perfil de Bouhlel não casa com o de jihadistas usuais, a não ser pelo desequilibrio psicológico evidente. Além disso, os espécialistas em jihadismo afirmam que o Estado Islâmico, muitas vezes, assume a responsabilidade pela violência levada a cabo em seu nome mesmo quando não havia nenhuma indicação de que a rede terrorista teve qualquer papel direto no planejamento ou execução dos ataques. Ao contrário da al-Qaeda, o Estado Islâmico apoia e incentiva que indivíduos sozinhos cometam assassinatos indiscriminados dos cidadãos de países que considera inimigos.
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O encolhimento territorial (do Estado Islâmico) parece ser inversamente proporcional à capacidade do grupo em causar estrago com relativa pouca infraestrutura em diferentes países. Isso porque o Estado Islâmico é o principal patrocinador deste novo tipo de terrorismo, que usa extremistas isolados ou em grupos pequenos para cometer atrocidades contra pequenos alvos com grande concentração de pessoas. Chamados de “lobos solitários”, privilegiam ataques contra alvos civis como cafés e supermercados, comandados por grupos de no máximo cinco terroristas. São ações mais fáceis de concretizar, que aterrorizam a população, geram publicidade e são difíceis de detectar.
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No caso de Nice, parece ainda mais estranho que o grupo tenha, de fato, algum envolvimento. Autoridades francesas já disseram que Mohamed Lahouaiej Bouhlel não estava no radar dos serviços de inteligência. e não figurava na chamada Lista S, do Diretório Geral de Segurança Interna da França, de pessoas que teriam ligação com radicais islâmicos ou estariam em processo de se radicalizar e, por isso, são monitoradas. Também não parece ter seguido a cartilha usual dos lobos solitários, de jurar fidelidade antes, durante ou depois de atacar. As investigações, até o momento, mostram que Bouhlel também não tinha o perfil usual dos jihadistas. Bouhlel gostava de bebidas alcoólicas, haxixe e usava bermudas com frequência - costumes no mínimo atípicos para um jihadista. Não tinha contatos com radicais islâmicos conhecidos, nem viajou para países do Oriente Médio considerados celeiros de terroristas, como Síria e Iraque.
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A estratégia para manter o povo em terror permanente, e para tirar dividendos de qualquer ataque cometido mundo afora, tem sido eficaz. Como escreveu Charlie Winter, que pesquisa violência e conflitos transculturais na Universidade da Georgia: "Não importa se a cobertura é negativa. Para o EI, desde que seja nos termos dos propagandistas e transmita uma suposta força e onipresença do grupo, qualquer aparição na mídia é uma boa aparição".

De Rodrigo Turrer, ÉPOCA

sábado, 14 de novembro de 2015

Um atentado anunciado


Desde os atentados de janeiro deste ano, a França vive em alerta máximo. "Desbaratamos atentados diariamente", dizia em meados do ano o ministro do Interior Bernard Cazaneuve. O último deles data de 29 de outubro. As autoridades prenderam um jovem de Toulon de 25 anos que preparava um atentado terrorista. Os atentados desta sexta-feira não puderam ser evitados e ocorrem justamente no primeiro dia em que a França restaurava as fronteiras internas da União Europeia para reforçar a segurança da Cúpula do Clima a ser realizada em Paris de 30 de novembro a 11 de dezembro.

A França é o país ocidental mais ameaçado pelos jihadistas. Em guerra contra os radicais em várias frentes, os atentados contra o Charlie Hebdo e o supermercado Hiper Cacher, que custaram a vida de 17 pessoas, foram um dramático chamado de alerta. Desde então, o país livrou-se por pouco de oito atentados, pelo menos dois deles programados para causar verdadeiras matanças. Quase 2.000 cidadãos franceses viajaram para a Síria ou o Iraque – muitos via Barcelona ou Madri – e 500 já empunham as armas.

Os aspirantes ao combate aumentaram 212% só este ano. E o dado mais preocupante: entre 200 e 300 retornaram da Síria e do Iraque. O medo de um novo grande atentado estava no ar. O procurador da República François Molins chegou a falar da iminência de um 11 de setembro à francesa...

De internacional, Gabriela Cañas, EL PAÍS

França declara estado de emergência após ataques mais violentos desde 2ª Guerra


Poucas horas após o mais violento ataque da história francesa desde a Segunda Guerra Mundial, imagens da madrugada deste sábado mostravam uma Paris quase deserta – algo bastante sintomático para aquela que é uma das mais boêmias metrópoles do mundo.

Relatos dão conta de que as poucas pessoas que tentaram sair às ruas foram orientadas pelos mais de 1.500 soldados que tomaram a cidade a se recolherem – mesmo pedido da prefeitura parisiense e da polícia desde o início dos ataques que deixaram mais de 120 mortos e um rastro de feridos na noite desta sexta-feira.

A França amanhece em estado nacional de emergência pela primeira vez desde 2005 – o decreto permite às autoridades a fechar espaços públicos, impor toque de recolher e restrições à circulação de veículos e pessoas.

Embora suas fronteiras tenham sido fechadas, serviços de trem, como o prestado pela Eurostar entre Paris e Londres, devem ser mantidos. Pelo Twitter, a empresa confirmou que as viagens continuarão, mas ofereceu aos passageiros a possibilidade de remarcar seus tickets.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, os aeroportos ficarão abertos e operando. Já escolas e universidades da região de Paris amanheceriam fechadas, diziam as agências de notícias...

De terrorismo, BBC BRASIL


sexta-feira, 19 de junho de 2015

França fecha fronteira e esquenta crise na UE


Ventimiglia, uma pequena cidade italiana situada na fronteira com a França, está sendo palco de mais um episódio da crise migratória que tem deixado a Europa sem reação.

Neste domingo (14), cerca de 100 imigrantes protestaram no município contra a decisão das autoridades francesas de fechar a divisa para pedestres com a Itália, violando um dos pilares da União Europeia, que é a livre circulação entre seus Estados-membros.

Há dias que o grupo tenta cruzar a passagem e chegar à França, mas tem sido constantemente impedido pela polícia do país. Aos coros de "Direitos humanos!" e "Abram a fronteira!", os imigrantes são acompanhados pela Cruz Vermelha e por alguns jovens da região, que levam medicamentos, comida e roupas.

"É indigno deixar seres humanos assim, e acho que todos nós podemos contribuir para ajudá-los", diz a voluntária Irene. Durante as noites, o grupo se abriga nas rochas da ponte San Ludovico, onde fica a divisa entre os dois países.

As pessoas bloqueadas em Ventimiglia são provenientes sobretudo de Eritreia, Somália, Costa do Marfim e Sudão e desejam seguir para Alemanha, Áustria, Suécia e França, onde vivem seus parentes ou numerosas comunidades de suas nacionalidades.

"Paris está tratando os imigrantes como correspondências devolvidas para o remetente, é vergonhoso", afirma um comunicado de deputados do partido italiano Movimento 5 Estrelas (M5S). Nos próximos dias 25 e 26 de junho, o Conselho Europeu, órgão que reúne os chefes de Estado e governo das 28 nações da União Europeia, discutirá a resposta do bloco para a crise migratória.

Com a crescente oposição à proposta da Itália de redistribuir os imigrantes ilegais que chegam no país, o primeiro-ministro Matteo Renzi prometeu elevar o tom nos debates. "A nossa voz se fará ouvir. Se o Conselho Europeu acolher a solidariedade, ótimo. Do contrário, temos um plano B", disse.

De Itália, ANSA

sábado, 10 de janeiro de 2015

Miriam Leitão: Em gelo fino



A humanidade está andando sobre gelo fino. É daqueles momentos em que se sabe que podemos acertar muito ou errar demais. Os terroristas muçulmanos na França, com seu ato abominável, produziram uma natural onda de repúdio, mas o que repudiamos? Não há chance para a paz quando se acha que todo o mal se concentra em um único grupo, mas a modernização do Islã é fundamental.

A morte dos irmãos Cherif e Said Kouachi e do terrorista Amedy Coulibaly foram consequência do cerco policial. Não resolve o problema, mas seria intolerável saber que eles estavam soltos. “Não acabaram as ameaças”, avisou o presidente François Hollande. Os nervos continuarão à flor da pele e nesse clima muita confusão pode ser feita. Hollande apontou o caminho certo: a união em torno de valores e as manifestações para deixar claro que o país não está com medo. Amanhã a França viverá um grande dia. Chefes de Estado e cidadãos franceses vão para as ruas. Hollande usou a palavra “liberdade” junto da palavra “pluralismo” como valores expressos pela Europa. É de fato o espírito da Europa.

O temor é o do aumento da xenofobia, do preconceito contra imigrantes e do ódio ao islamismo. É esse o gelo fino do momento. Qualquer passo em falso e seremos tragados. Não ver a dimensão da ameaça e achar que foi a ação de lobos solitários, ou de um emblemático grupo extremista, é correr riscos demais; fazer uma caça aos muçulmanos na Europa só aumentará o caminho do ódio étnico e religioso, origem de tanta tragédia na História.

Não basta lembrar o óbvio: que a religião não é representada pelos extremistas, e que a maioria dos líderes religiosos muçulmanos interpreta os textos religiosos de forma pacífica. O problema é que os que pertencem a outras religiões ou não professam fé alguma estão ficando com a impressão de que o ideário islâmico tem dado espaço para interpretações fanáticas e radicais.

Veja-se, por exemplo, o caso de como as mulheres são tratadas mesmo em governos que não são vistos como ameaça. Quantos líderes religiosos muçulmanos se mobilizaram para defender direitos mais elementares das mulheres dentro de vários países onde a religião se mistura ao governo? Não é tolerável a opressão imposta às mulheres em muitos países em nome do Islã, mas os moderados e modernos da religião nunca se revoltaram contra isso.

Esta é a hora em que o mundo vai discutir intensamente todos os aspectos do problema. Este brainstorm mundial será fundamental. A palavra em inglês é perfeita: uma tempestade mental. Estamos vivendo isso agora, com todos os pensadores, especialistas, políticos, líderes religiosos, jornalistas, chargistas sempre compelidos a pensar, ponderar, opinar.

Já há uma reação na Europa que fortalece quem pensa que só a força resolverá. A força é necessária, claro, como se viu ontem. Mas o que torna efetiva as atividades de repressão é a atuação dos governos em rede, porque o crime também age em rede, e a reafirmação dos valores civilizatórios.

É hora de revisitar, para não repetir, todos os erros da política externa americana, mas não é hora de relativizar os fatos. O crime bárbaro contra a liberdade de expressão, o assassinato de inocentes, a guerra supostamente santa de radicais que atinge indiscriminadamente pessoas e valores humanos são inaceitáveis. Como disse aqui, não existe transigência. Não cabem o “mas” e o “se” quando o ato é dessa enormidade. A batalha pela confirmação de valores civilizatórios tem que ser o centro. Não se deve perder jamais a noção de por quem dobram os sinos de Notre Dame. Eles dobram por todos nós.

De Miriam Leitão, O GLOBO

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Zona do euro encolhe no 1º tri e região tem recessão mais longa



BRUXELAS - A economia da zona do euro contraiu pelo sexto trimestre seguido no início deste ano, marcando a recessão mais longa da região desde o início da série histórica em 1995.
A queda da produção em todo o bloco, da França à Finlândia, fez com que a economia do bloco de 17 países encolhesse 0,2 por cento no período entre janeiro e março, informou a agência de estatísticas da UE, Eurostat.
O resultado foi ligeiramente pior do que a contração de 0,1 por cento estimada por economistas consultados pela Reuters e destacou o impacto devastador da crise de dívida e bancária da zona do euro, que levou a um desemprego recorde de 19 milhões de pessoas.
Embora a Alemanha tenha conseguido crescer 0,1 por cento no primeiro trimestre, a recessão do bloco é agora mais longa do que os cinco trimestres de contração que se seguiu à crise financeira global de 2008/2009 e afeta o otimismo de uma recuperação rápida.


De Robin Emmott, agência REUTERS

sábado, 6 de abril de 2013

Na França, famílias abatem do IR até metade de gastos com domésticas


O governo francês oferece um incentivo de peso para famílias que desejam empregar trabalhadores domésticos: um abatimento no Imposto de Renda (IR) que cobre a metade dos salários e encargos sociais pagos anualmente.

Até mesmo as pessoas físicas isentas do imposto de renda (IR) podem ter benefícios com a contratação de um trabalhador doméstico. Elas recebem um crédito fiscal por meio de um cheque enviado pelo Tesouro, também correspondente à metade das quantias pagas.

É o que garante o chamado "Cheque Emprego Serviço Universal" (CESU), sistema criado pelo governo para estimular a redução do trabalho doméstico informal e também permitir a criação de empregos no país.

Na prática, é o governo francês que financia parte da contratação de faxineiras, babás, jardineiros, auxiliares que prestam serviços a pessoas idosas e até mesmo profissionais que dão apoio escolar a domicílio, entre várias outras atividades.

O teto do gasto anual com salários e encargos contemplado com abatimento do IR ou crédito fiscal é de 12 mil euros (R$ 31,2 mil) por ano - o empregador pode ter uma restituição da metade dessa soma.
Mas o total em salários e encargos trabalhistas pagos pode atingir até 20 mil euros por ano (redução fiscal de 10 mil euros anuais) no caso de o empregador ter filhos ou idosos com mais de 65 anos na casa ou ainda pessoas com deficiência.
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De agência BBC BRASIL

quarta-feira, 20 de março de 2013

Vídeo que mostra modelos da Louis Vuitton como prostitutas causa polêmica



Paris - Um vídeo assinado por James Lima para a revista britânica "Love Magazine" causou polêmica na França ao mostrar como se fossem prostitutas, nas ruas de Paris, várias das modelos que apresentaram a última coleção da Louis Vuitton.

A associação francesa de defesa dos direitos das mulheres Osez le Féminisme criticou o vídeo, por entender que oferece uma visão glamourosa da prostituição.


De agência EFE

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Rebeldes do Mali contra-atacam e ameaçam a França


BAMAKO/PARIS, 14 Jan (Reuters) - Rebeldes islâmicos ligados à Al Qaeda lançaram nesta segunda-feira uma contraofensiva após três dias de bombardeios aéreos franceses contra suas posições no deserto, prometendo arrastar a França para uma guerra longa e brutal.
A França intensificou seus bombardeios no domingo, usando modernos aviões Rafale e helicópteros Gazelle para atacar campos de treinamento no coração da vasta área dominada desde abril por rebeldes no norte do Mali. Ao mesmo tempo, Paris mobilizou centenas de soldados em Bamako, a capital.
O governo francês está determinado a acabar com o domínio islâmico no norte da sua ex-colônia, devido aos temores de que essa região se torne uma base de lançamento para ataques contra o Ocidente e para uma coordenação com a Al Qaeda no Iêmen, Somália e norte da África.
Lançando uma contraofensiva bem distante dos recentes combates, a sudoeste, os rebeldes travaram na segunda-feira intensos confrontos contra forças governamentais na localidade de Diabaly, segundo moradores e fontes militares malinesas.
"Os islamitas estão enfrentando o Exército dentro da cidade", disse um morador. "Eles começaram a se infiltrar na cidade ontem à noite, cruzando o rio em pequenos grupos."
Um porta-voz do grupo islâmico Mujwa, uma das principais facções da aliança rebelde, prometeu que os cidadãos franceses vão pagar pelos bombardeios de domingo na localidade de Gao, reduto dos rebeldes. Dezenas de militantes morreram quando foguetes atingiram um depósito de combustíveis e um posto alfandegário que serve de quartel-general para os rebeldes.
"Eles deveriam atacar por terra se forem homens. Vamos lhes dar as boas-vindas de braços abertos", disse o militante Oumar Ould Hamaha à rádio Europe 1. "A França já abriu os portões do inferno para todos os franceses. Ela caiu numa armadilha que é mais perigosa que o Iraque, o Afeganistão ou a Somália."
A França disse que sua repentina intervenção militar iniciada na sexta-feira, após apelo do governo malinês, impediu que os rebeldes tomassem a capital, Bamako. Paris acrescentou que os bombardeios devem ser mantidos nos próximos dias. 

O presidente da França, François Hollande, disse que o objetivo do seu governo é apenas dar apoio a uma missão militar do bloco regional Ecowas para recuperar o norte do Mali, conforme prevê uma resolução de dezembro do Conselho de Segurança da ONU.
Sob pressão de Paris, vários governos da África Ocidental disseram que pretendem mobilizar forças na região nos próximos dias.
A França convocou para segunda-feira uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir a questão do Mali.

Por Bate Felix e Alexandria Sage,Reportagem adicional de Adama Diarra, Tiemoko Diallo e Rainer Schwenzfeier, em Bamako; e Catherine Bremer e John Irish em Paris, Portal REUTERS BRASIL

domingo, 13 de janeiro de 2013

Mali: Exército francês realiza incursões no norte do país

Ataques aéreos do exército francês durante a Mali para "liquidar" grupos braçoislamitas ed nas palavras do ministro da Defesa Jean-Yves Le Drian, são agora o norte. De acordo com fontes citadas pelas agências on-site para a imprensa, aviões franceses bombardearam, domingo 12 de janeiro, alvos fora da Konna zona, que abriga grandes confrontos com armas pesadas. Comunidades Lere, perto da Mauritânia e, especialmente, Gao, a maior cidade no norte do país, foram alvo.


Entrevistado no programa Grande Encontro domingo, o Sr. Le Drian anunciou que "há ataques continuamente. Há agora, não foi esta noite, haverá amanhã " ,mesmo que os grupos armados avançadas não é "totalmente impedidos" . forças militares franceses foram surpreendidos ao confrontar grupos islâmicos "bem equipados, bem armados e bem treinados", com "equipamentos modernos sofisticada ", de acordo com os serviços do Eliseu.
 
"As intervenções ainda estão em andamento e vamos continuar a impedir a progressão para o sul, isto é, em parte, porque não, completamente, e permitir que as forças de então as forças do Mali e Africano, a misma chamado - c isto é a combinação de vários batalhões de países africanos vão trazer o seu apoio - para retomar o seu avanço para a integridade do território de um país amigo " ,explicou o ministro.


De AFP, Jornal LE MONDE

sábado, 12 de janeiro de 2013

Militares franceses falham em regaste de refém na Somália


O ministro de Defesa francês, Jean-Yves Le Drian, confirmou o fracasso da missão para resgatar um militar fracês mantido refém por um grupo islamita na Somália desde 2009. Agente do serviço de inteligência da França, Denis Allex foi capturado pelo grupo Al-Shabab. Le Drian afirmou que 'tudo indica' que o refém foi morto pelos sequestradores durante a operação. Também confirmou a morte de um soldado que participava da tentativa do resgate. Um outro militar está desaparecido. 
A missão ocorreu na cidade Bula Marir, a 120 quilômetros da capital Mogadíscio. Um oficial do governo somali afirmou que o ataque ocorreu durante a noite com o apoio de helicópteros. A ação também matou dezessete terroristas e dois civis.
O grupo Al-Shabab, ligado à Al-Qaeda, negou as informações do governo e afirma que Allex se encontrava “em um lugar seguro e longe do local onde ocorreu o ataque”. Os sequestradores farão um anúncio em breve sobre o destino do refém e prometem “consequências amargas” para a França. Além disso o grupo também afirma que capturou um soldado francês, o que Le Drian não confirma. Allex serviu de mensageiro de seus captores em duas oportunidades. Em 2010, foi filmado em um vídeo pedindo que a França retirasse o apoio ao governo somali e, em outubro de 2012, disse em uma gravação que o presidente François Hollande negociasse sua libertação.
No anúncio deste sábado, o governo disse que planejou e executou a operação de resgate tendo em vista as “condições desumanas em que se encontrava o refém e a intransigência dos captores terroristas”. Segundo a rede BBC, a operação está relacionada ao apoio militar que o governo francês está prestando, desde sexta-feira, ao governo de Mali para combater insurgentes islamistas nesse país. Há outros oito reféns franceses mantidos por grupos terroristas no norte da África.

De agência Reutersm, Revista VEJA

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Em entrevista a jornal francês, Dilma sai em defesa de Lula

Em entrevista a jornal francês, Dilma sai em defesa de Lula


Para ela, Marcos Valério não é o primeiro a 'manchar o imenso respeito que o povo do Brasil tem pelo (ex-)presidente'



A presidente Dilma Rousseff disse em entrevista ao jornal francês Le Monde publicada nesta quinta-feira, 13, que não aceitará a corrupção no seu governo e que as acusações de que seu predecessor Luiz Inácio Lula da Silva teria participado do esquema do mensalão são lamentáveis. "Eu não vou tolerar a corrupção, e meu governo também não", declarou Dilma, acrescentando que todos aqueles que utilizam dinheiro público devem prestar contas. "Caso contrário, a corrupção se espalha."
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De Clarissa Mangueira, Política, AGÊNCIA ESTADO

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dilma pede respeito e diz que denúncias de Valério são 'lamentáveis'


Em solidariedade, presidente da França afirma que Lula é uma 'referência'



PARIS - A presidente Dilma Rousseff comentou nesta terça-feira, 11, em Paris, as denúncias feitas pelo publicitário Marcos Valério e reveladas pelo Estado sobre os vínculos entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o escândalo do mensalão. Em uma coletiva ao lado do chefe de Estado da França, François Hollande, Dilma taxou de "lamentável" o que definiu como tentativa de "destitui-lo da imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem". Em solidariedade, o francês disse que Lula "é uma referência".

Dilma se manifestou sobre o tema quando foi indagada por jornalistas brasileiros ao término do encontro bilateral com Hollande. Em tom severo, a presidente pediu para responder antes do francês e reiterou sua "admiração, respeito e amizade pelo presidente Lula". "Eu repudio todas as tentativas, e esta não é a primeira vez, de destituí-lo da imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem", afirmou, enumerando políticas de seu antecessor. "Respeito porque o presidente Lula desenvolveu o país e é responsável pela distribuição de renda mais expressiva dos últimos anos. Respeito pelo que ele fez internacionalmente, pela sua extrema amizade pela África, por seu olhar para a América Latina e pelo estabelecimento de relações iguais com os países desenvolvidos do mundo."

A presidente disse ainda que não pretendia responder sobre o assunto no exterior, mas se mostrou instigada a fazê-lo em resposta às denúncias. "Eu não poderia deixar de assinalar que eu considero lamentável essas tentativas de desgastar a imagem do presidente Lula", disse ela, reiterando: "Acho lamentável". Ao término de sua declaração, a chefe de Estado foi aplaudida pelos demais membros do governo brasileiro, entre os quais os ministros Antonio Patriota, Celso Amorim, Guido Mantega, Fernando Pimentel, Aloizio Mercadante e Marco Aurélio Garcia, que acompanhavam a entrevista. 
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De Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo

París: Publicitário M. Valério condenado no "mensalão" implica o ex-presidente Lula

Luiz Inácio Lula da Silva governou o Brasil de 2003 a 2010.
Um dos pivôs do sistema de corrupção política implantada pelo Partido dos Trabalhadores PT e do ex-presidente Lula. O julgamento do referido "mensalão" (mesada grande) está em curso no Brasil e teria implicado diretamente do ex-presidente (2003-2010) em um comunicado do Ministèrio Público e revelado pelo Jornal O Estado e São Paulo, nesta terça-feira 11 de dezembro.
Marcos Valério, uma publicidade condenado a 40 anos de prisão em conexão com o julgamento começou no início de agosto, antes do Supremo Tribunal Federal, disse ter transferido 50 mil dólares para "despesas pessoais" de Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, através da conta bancária de uma equipe de Lula.
- De acordo com o jornal, Marcos Valerio também disse ao procurador que Lula tinha"dado o OK" para obtenção do empréstimos bancários, que, de acordo com o Supremo Tribunal Federal, foram desviados para compra dos parlamentares.
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De Evaristo Sá, AFP, LE MONDE.FR
 

Dilma será recebida por Hollande em Paris para discutir crise financeira

Dilma revista tropas francesas com ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, em visita a Paris

A presidente Dilma Rousseff será recebida nesta terça-feira pelo mandatário francês, François Hollande, em Paris, no início de uma visita de dois dias ao país. Os dois discutirão, principalmente, as ações a serem tomadas em relação à crise financeira na Europa.


Em seguida, se reuniu com o presidente da Assembleia Nacional francesa, Claude Bartolone, e o presidente do Senado, Jean-Pierre Bel, e com o prefeito de Paris, Betrand Delanoë, no prédio do Parlamento.

Dilma também deve conceder uma entrevista coletiva na sede da Medef, a principal associação empresarial francesa.
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De Agências de Noticias, JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, SP