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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Aécio afirma que Dilma só demitiu Graça quando ela 'falou a verdade' sobre rombo na estatal


BRASÍLIA - O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse nesta tarde de quarta-feira, ao GLOBO, que a renúncia de Graça Foster do comando da Petrobras já deveria ter ocorrido há muito tempo e acusou a presidente Dilma Rousseff de tomar a decisão somente agora quando a ex-diretora "falou a verdade", admitindo os prejuízos na estatal de cerca de R$ 88 bilhões. Aécio anunciou que a oposição quer fazer uma CPI Mista da Petrobras e que as assinaturas no Senado começam a ser recolhidas ainda nesta quarta-feira...

De Cristiane Jungblut, O GLOBO

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Saída de Graça Foster era 'inevitável', dizem analistas



A confirmação da saída de Maria das Graças Silva Foster da presidência da Petrobras desatou uma onda de especulações sobre quem poderia tomar as rédeas da estatal.
A renúncia de Graça Foster, divulgada pela imprensa na terça-feira, foi confirmada nesta quarta-feira em uma nota da empresa.

Ela ocorre em meio ao escândalo de corrupção na Petrobras desatado pela Operação Lava Jato e às dificuldades da estatal para publicar seus resultados auditados.

Outros cinco diretores também deixarão a cúpula da companhia e deve haver uma reunião do seu conselho de administração no fim da semana para a escolha dos substitutos...

De Ruth Costas e Jefferson Puff, BBC

Para Aécio, Dilma tratou Graça ‘pior que inimigo’



Brasília ­ A oposição aproveitou nesta terça­feira, 3, a onda de informações sobre a iminente saída de Graça Foster do comando da Petrobrás para criticar as decisões da presidente Dilma Rousseff desde que o escândalo de desvios na estatal veio a público, no último ano do primeiro mandato da petista. Nesta tarde, Dilma recebeu Graça no Palácio do Planalto em reunião de cerca de duas horas. 

“Certamente ser amigo da presidente da República hoje é muito pior do que ser seu adversário. O que ela fez com a presidente Graça Foster não se faz com um inimigo”, comparou o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB e candidato derrotado na corrida ao Planalto de 2014. Para o tucano, a presidente adiou a demissão da dirigente da Petrobrás, de quem a petista é amiga pessoal, como forma de se proteger das denúncias envolvendo a companhia. “(Dilma) permitiu que ela (Graça) assumisse um desgaste enorme nesse último período, como se isso pudesse defendê­la ou anistiá­la das suas responsabilidades. E no momento em que fica insustentável a presença da Graça Foster, ela anuncia ou, pelo menos, sinaliza com a sua saída.” Na avaliação de Aécio, Graça foi mantida até agora à frente da Petrobrás para “tentar limpar a cena do crime”. 

Na semana passada, a estatal divulgou com atraso o balanço do terceiro trimestre de 2014 sem auditoria externa e sem apontar os prejuízos provocados pela corrupção...

De Erich Decat, Daiene Cardoso, Isadora Peron, Débora Bergamasco, ESTADÃO

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Lucro da Petrobras cai 38% no 3º tri; balanço não traz perdas com desvios

 

A Petrobras divulgou na madrugada desta quarta-feira (28), após dois adiamentos, o balanço com os resultados da empresa no terceiro trimestre de 2014. A estatal viu seu lucro despencar 38% no período, em comparação com o trimestre anterior, de R$ 4,959 bilhões para R$ 3,087 bilhões.

O valor, contudo, não contabiliza o dinheiro perdido em desvios investigados na Operação Lava Jato e nem a perda de valor recuperável de alguns de seus ativos por efeito do escândalo de corrupção.

A estatal afirma em balanço que a metodologia que adotou para descontar o valor incorporado indevidamente como investimento, mas desviado em esquema de corrupção entre 2004 e 2012, mostrou-se "inadequada" e, por isso, recuou da promessa de subtrair o valor de seus ativos. A fórmula, diz a Petrobras, tinha "elementos que não teria relação direta com pagamentos indevidos".

Em comunicado divulgado com o balanço, a presidente da companhia, Graça Foster, reconhece a necessidade de ajustes, mas diz que é "impraticável a exata quantificação destes valores indevidamente reconhecidos, dado que os pagamentos foram efetuados por fornecedores externos e não podem ser rastreados nos registros contábeis da Companhia."

No documento, Foster disse que a fórmula criada, e posteriormente desprezada, para calcular a extensão dos desvios apontaria a necessidade de ajuste de R$ 61,4 bilhões em seus ativos...

De Samantha Lima, FOLHA DE S. PAULO

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

“Ao manter diretoria, Dilma assume 100% dos atos praticado na Petrobras”



O líder da Minoria no Congresso Nacional, Ronaldo Caiado (Democratas-GO), afirmou há pouco que a presidente Dilma Rousseff, a partir de agora assume toda a responsabilidade dos maus feitos na Petrobras ao insistir em manter Graça Foster e toda a diretoria em seus cargos. A presidente da República declarou, ontem, que não existem indícios contra a cúpula da estatal, por isso, pretende mantê-los em seus postos. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Dilma fez uma defesa “contundente” de Graça Foster durante café da manhã com jornalistas. 

“Essa insistência em manter a diretoria caracteriza um vínculo acima do esperado. Diante desse fato, a presidente da República passa a assumir 100% de tudo o que for praticado na Petrobras pela Graça Foster. Dilma Rousseff passa a responder por tudo o que feito por essa quadrilha instalada na Petrobras”, opinou o deputado. 

“Os brasileiros querem saber a quem interessa a permanência de Graça Foster no comando da empresa que vem afundando nos últimos dois anos. Nós é que queremos saber quais interesses seguram a atual presidente no cargo. Graça e a diretoria estão apagando a digital dos crimes cometidos”, acrescentou Caiado. 

O senador eleito ainda apontou contradições nas declarações da chefe do Executivo quando ela afirmou que consultará o Ministério Público para nomear ministros de Estado. “Se ela vai consultar o Ministério Público já deveria então demitir a diretoria da Petrobras, conforme recomendou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Existe uma grave distorção entre o que ela fala a realidade. Para substituir a diretoria não serve a posição do Ministério Público, mas para nomear ministro serve”, concluiu.

De redação, DIÁRIO DA MANHÃ

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Reinaldo Azevedo: Se Dilma tiver ao menos 5% de sua grande cabeça ocupada pelo juízo, Graça Foster sai agora...


É detestável que a Petrobras me obrigue a interromper aquele que é, a rigor, meu primeiro dia de férias. E por quê? Porque entregaram a empresa a uma quadrilha, e essa quadrilha, por sua vez, era a operadora de um projeto de poder que tem como protagonista um partido político. Já chego lá.

Estava viajando quando o Fantástico foi ao ar. Na noite deste domingo. Assisti à entrevista de Venina Velosa da Fonseca, a executiva da estatal que botou a boca no trombone, na reapresentação do programa, na GoboNews. Se Dilma tiver ao menos 5% de sua avantajada cabeça tomada pelo juízo, Graça Foster amanhece ex-presidente da Petrobras nesta terça. Aliás, a própria Graça poderia fazer um favor à sua amiga e cair fora.

Não resta dúvida: Venina advertiu, sim, Graça para uma série de desmandos na Petrobras. Também José Carlos Cosenza, atual diretor de Abastecimento e sucessor de Paulo Roberto Costa, tomou conhecimento das denúncias. Sérgio Gabrielli, ex-presidente da empresa, idem. Os e-mails são evidentes. Se Venina só veio ou não a público em razão de algum ressentimento, isso é irrelevante.

Ela reafirmou todas as suas denúncias na entrevista ao Fantástico, deixou claro que a diretoria sabia de tudo e disse ter fornecido documentos ao Ministério Público Federal. Dilma confia em Graça? Pior para o país. Venina está determinada e parece disposta, se preciso, a enfrentar a presidente da Petrobras cara a cara. Aliás, o comando da emprsa insiste em desqualificar aquela que, até outro dia, era considerada tão competente que até mereceu um alto cargo em Cingapura.

E que se note: o caso de Venina é muito diferente do de seu ex-chefe Paulo Roberto. Ela não é investigada em nada. Contar o que sabe não lhe traz vantagem nenhuma – a rigor, só lhe causa prejuízo. Mesmo assim, sem contar com nenhum benefício futuro, como Paulo Roberto ou Alberto Youssef, decidiu dizer o que sabe.

Venina reafirmou que, ao confrontar Paulo Roberto sobre superfaturamento, este teria apontado para o retrato de Lula, então presidente da República, e para a sala de Gabrielli, indagando: “Você quer derrubar todo mundo?” .É evidente que, ao dizê-lo, o então diretor de Abastecimento sugeria que Lula sabia de tudo.

Não, ouvintes, eu não vou abandonar a minha tese! A Petrobras não é exceção, mas regra. O que se viu na estatal se repete em toda parte. É um método. E quem o comprova é Rui Falcão, presidente do PT.

Neste domingo, no Estadão, Falcão confessa que o partido está mapeando os cargos do governo federal nos Estados para fazer o que ele chama de “recall”. Nas suas palavras: “Estamos fazendo um mapa dos cargos federais nos Estados para saber quem é quem, quem indicou, qual a avaliação que a gente tem disso, e fazer uma proposta (de nomes à presidente”.

É claro que ele deveria ter vergonha de dizer essas coisas, mas ele não tem. É que o PT pode perder alguns cargos na Esplanada dos Ministérios, e os companheiros já estão pensando uma forma de compensação.

Um desastre como o que está em curso na Petrobras é parte de um modo de entender a coisa pública.

Será que o Projeto Reinaldo Ensolarado começa nesta segunda? No país em que a política é caso de polícia, nunca se sabe.

Por Reinaldo Azevedo, VEJA

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

"Há interesses políticos em desvalorizar a Petrobrás", diz consultor

"Existe um interesse político, de quem já quis privatizar a Petrobras, de diminuir os investimentos na empresa  e assim, enfraquecê-la, mas há também uma vontade de quem quer comprar ações mais baratas. Sempre vão ter aqueles que vão acreditar nesse discurso, de que a Petrobras tá indo mal, e vender seus papéis".
A análise, na contramão de tudo o que vem sendo falado com relação à estatal brasileira do petróleo, é do engenheiro Ivo Pugnaloni, investidor na empresa e consultor da Enercons para o setor de energia.
A empresa fechou o ano de 2012 com lucro de R$ 21,18 bilhões, o menor dos últimos oito anos. Com isto, os investidores, que viram os dividendos serem reduzidos em 3%. Se não bastasse, a própria presidente, Graça Foster, em entrevista admitiu que o ano de 2013 ainda será de dificuldades. Tudo junto fez com que as ações da estatal atingissem, na terça-feira (5) o seu menor patamar desde 2005, fechando o pregão em queda de mais de 8,29%. Nesta quarta-feira (6) a queda continuou: 2,65%.
Processo de desvalorizar a empresa 
Nada disto, porém, assusta Pugnaloni. Para ele, o corte de dividendos servirá para melhorar a capitalização da Petrobrás.
"A empresa tem uma demanda de investimento muito grande para os próximos anos, tanto para o fornecimento de gás, por exemplo, que em momentos de insegurança energética como o que aconteceu agora pode ser fundamental, mas também para o desenvolvimento de energias renováveis, de exploração do pré-sal. A importância da Petrobras para o Brasil é inegável", lembra o especialista.
Para ele, o desespero dos acionistas é exagerado e desnecessário, pois o processo atual, de corte no lucro dos acionistas para aumentar a capitalização, é natural e importante para a Petrobras. Pugnaloni detecta um movimento para tentar diminuir o valor e a imagem da estatal e assim, lucrar na compra das ações a preços mais baixos.
Importância indiscutível
A importância da Petrobras na economia brasileira, segundo o engenheiro, é fundamental. "A Petrobras é tudo, por isso que, para quem não pensa no Brasil, ela precisa 'ser destruída'. Não só na questão energética, que a sua presença é indiscutível, mas também na produção de tecnologia, projetos, energia e pesquisa, não tem como discutir", destaca. 
O especialista aproveitou ainda para criticar a Aneel, por atrasar a liberação de obras de infra-estrutura energética, como a construção de novas hidrelétricas. "Se a gente depender deles, não construiremos nada. Mais um motivo para apoiarmos a capitalização da Petrobras", conclui.

De Economia, Jornal DO BRASIL

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Água na Petrobrás


A presidente da Petrobrás, Graça Foster, reconheceu ontem que 2012 "foi difícil" e que "no primeiro semestre de 2013 será ainda mais difícil". Os termos mais adequados seriam: 2012 foi desastroso e o primeiro semestre de 2013 será ainda mais.

A observação imediata provém de uma comparação. No início do ano passado, Graça reconhecia que os resultados da Petrobrás já eram ruins e debitou tudo à conta da administração anterior. Mas garantiu que, em 2012, a saúde da empresa seria restabelecida. Se agora avisa que 2013 "será ainda mais difícil", imagine-se então o que será o resultado da Petrobrás neste ano.

Análise do Instituto Teotônio Vilela, do PSDB, preferiu dizer que os resultados da Petrobrás "são horrorosos". E o mercado financeiro pareceu concordar. As cotações das ações ordinárias da empresa caíram 8,3% - veja o Confira.

Não é novidade que o governo Dilma tem feito política de controle da inflação à custa do caixa da Petrobrás. Somente na área de Abastecimento, o rombo foi de R$ 22,9 bilhões, maior do que o lucro anual. E isso aconteceu porque a empresa foi obrigada a importar derivados para garantir o aumento do consumo interno que ela não conseguiu suprir. Pagou preços mais altos no mercado internacional e teve de revender esses combustíveis internamente a preços mais baixos. A distorção já é conhecida: os reajustes de preços concedidos ao longo do ano foram de longe insuficientes para cobrir a diferença.

Agora, a própria empresa revela que não é só o governo que saca do seu caixa. A diretoria decidiu fazer caixa com redução de dividendos (em cerca de R$ 3 bilhões) concedidos às suas ações ordinárias. Não é apenas o acionista estrangeiro que está sendo punido. Está sendo punido, também, o próprio Tesouro (o acionista majoritário), que receberá menos.

Parte do lucro do último trimestre, de R$ 7,7 bilhões, foi providenciada com operações extraordinárias, caso da liquidação de estoques da Refinaria de Pasadena (Estados Unidos). Logo, não se repetirão.

O dado mais inquietante é a forte deterioração da capacidade de endividamento da Petrobrás (alavancagem). Sua situação financeira pode ser vista como ainda mais aguada do que a de antes de 2010, quando houve o maior aumento de capital de todos os tempos (R$ 120 bilhões). Em 2012, a dívida líquida cresceu 43%, para R$ 148 bilhões. 

Tecnicamente, a Petrobrás precisaria de nova injeção de capital para enfrentar os rombos e a enorme necessidade de investimentos. Mas, ontem, Graça negou veementemente projetos nessa direção. Significa que a Petrobrás terá progressiva dificuldade para se financiar e para cumprir seu programa de investimentos, de R$ 98 bilhões, só em 2013. O diretor de Finanças, Almir Barbassa, disse esperar a reversão do problema. Não disse como.

Outro problema é a queda de produção, de 2,4% em 2012. Não se deve só ao esgotamento de poços no pós-sal (Bacia de Campos) e a atrasos no desenvolvimento de outros, mas também à perda de eficiência operacional da empresa - reconhecida pela própria direção. Embora seis sistemas devam começar a operar em 2013, Graça avisa que não se pode contar com aumento de produção, devido à paralisação para reparos técnicos.


De Celso Ming, jornal O ESTADO DE SÃO PAULO