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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Promotor que acusou Cristina Kirchner de acobertar investigação contra Irã é achado morto
BUENOS AIRES - O promotor argentino que acusou a presidente Cristina Kirchner de orquestrar o acobertamento de uma investigação contra o Irã sobre o ataque a bomba de 1994 contra um centro judaico na Argentina foi encontrado morto em seu apartamento, informaram autoridades nesta segunda-feira.
Alberto Nisman, que investigava a explosão que matou 85 pessoas no centro judaico Amia, em Buenos Aires, disse na semana passada que Cristina havia aberto um canal de comunicação secreto com o grupo de iranianos suspeito de ter plantado a bomba...
De Sarah Marsh e Maximiliano Rizzi, REUTERS
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sábado, 6 de dezembro de 2014
Obama discute Irã e avanço do Estado Islâmico com rei da Jordânia
WASHINGTON - O presidente norte-americano, Barack Obama, conversou nesta sexta-feira com o rei da Jordânia sobre as negociações nucleares com o Irã e disse que os Estados Unidos e seus aliados estavam fazendo um progresso lento, porém firme, contra o Estado Islâmico no Oriente Médio.
Obama, falando depois de uma visita do rei Abdullah à Casa Branca, disse que ainda não estava claro se Teerã irá aproveitar a oportunidade para um acordo nas negociações nucleares com potências ocidentais.
O presidente dos EUA também afirmou a Abdullah que irá aumentar a ajuda à Jordânia e oferecer mais garantias de empréstimos ao país.
De Steve Holland, REUTERS
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
Irã pretende acelerar atividade nuclear, diz ONU
VIENA - O Irã está tentando acelerar o programa de enriquecimento de urânio do país, mostrou um relatório da ONU, mas especialistas disseram que não está claro quando as novas máquinas iranianas poderiam começar a operar de forma eficiente e como funcionarão.
O progresso da República Islâmica na introdução de centrífugas de próxima geração é acompanhado de perto por potências ocidentais e Israel, pois permitiria que Teerã acelerasse o acúmulo de material que poderia ser usado para construir bombas atômicas. O Irã nega ter esse objetivo.
O Irã tem tentado por anos para desenvolver centrífugas mais avançadas do que as problemáticas máquinas IR-1, dos anos 1970, mas a implantação de novos modelos tem sido marcada por dificuldades técnicas e dificuldade na obtenção de peças no exterior.
O país agora está avançando na instalação de uma versão mais eficiente conhecida como o IR-2m em sua principal usina de enriquecimento, perto da cidade central de Natanz, segundo o relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
O Irã também colocou em prática outro tipo de centrífuga, a IR-5, pela primeira vez em um centro de pesquisa e desenvolvimento em Natanz, juntando-se a outros cinco que estão sendo testados lá, acrescentou o relatório emitido aos Estados membros na noite de quarta-feira.
Críticos dizem que o Irã está tentando alcançar a capacidade de fabricar armas atômicas. O Irã nega, dizendo que precisa de energia nuclear para geração de energia e fins médicos.
De Fredrik Dahl, agência REUTERS BRASIL
domingo, 13 de janeiro de 2013
Por um Irã sem gays
Com a bênção dos aiatolás, governo do Irã incentiva e subsidia cirurgias de mudança de sexo em nome de manter o país 'livre do homossexualismo'
Quando criança, Sara preferia jogar futebol com os meninos a brincar de boneca. Mocinha, ela passou a sofrer todo dia por ter que usar véu e roupas femininas.
Hoje com 17 anos, Sara diz ter certeza de que nasceu com o sexo errado. Se conseguir convencer as autoridades, ela ganhará permissão e subsídio para ser operada e adotar uma nova identidade, com nome masculino.
A República Islâmica do Irã abençoa e incentiva operações de troca de sexo, em nome de uma política que considera todo cidadão não heterossexual como espírito nascido no corpo errado.
Com ao menos 50 cirurgias por ano, o país é recordista mundial em mudança de sexo, após a Tailândia.
Oficialmente, gays não existem no país. Ficou famosa a frase do presidente Mahmoud Ahmadinejad dita a uma plateia de estudantes nos EUA em 2007, de que "não há homossexuais no Irã". A homossexualidade nem consta da lei. Mas sodomia é passível de execução.
Já transexuais, aos olhos dessa mesma lei, são heterossexuais vítimas de uma doença curável mediante cirurgia.
Essa visão partiu do próprio fundador da república islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini, que emitiu em 1984 um decreto tornando o procedimento lícito.
Khomeini comoveu-se com o caso de Feyreddun Molkara, um devoto xiita que o convencera de que era mulher presa em corpo de homem.
A bênção aos transexuais continuou após a morte de Khomeini, em 1989, apesar da objeção de alguns clérigos.
Prevaleceu a corrente que defende a mudança de sexo como prova de que o islã xiita, dominante no Irã, capta melhor a mensagem divina.
"Sunitas dizem que é mexer com a criação divina. [...] Mas ninguém está mudando o atributo na natureza criada por Deus. O humano continua humano", escreveu o clérigo Mohammad Mehdi Kariminia, simpatizante dos transexuais. "Trata-se apenas de sintonizar corpo e mente."
SUBSÍDIO
No início dos anos 2000, o Estado passou a subsidiar um terço do valor total das operações, que variam entre US$ 8 mil e US$ 10 mil.
A adolescente Sara quer candidatar-se a esse benefício. Ela deu o primeiro passo rumo ao sonho de virar homem numa manhã recente, ao apresentar-se de tênis e calça baggy numa clínica de Teerã credenciada para atender transexuais.
Nervosa e agitada na sala de espera, ela não quis falar com a Folha. A avó, que a criou desde a separação dos pais, a acompanhava.
"Ela nunca rezou, mas fez promessa de cumprir com as orações para o resto da vida, caso consiga ser operada", disse a avó, após Sara entrar na sala do cirurgião Bahram Mir-Jalili, pioneiro no Irã.
Formado na França, Mir-Jalili afirma que candidatos à operação passam por reiteradas sessões com médico, psicólogo e psiquiatra antes da elaboração de um parecer.
"O processo leva meses até descartar casos como esquizofrenia e selecionar apenas pessoas com transtorno profundo de identidade de gênero", diz o médico. Ele avalia em 40 mil o número de transexuais iranianos, diagnosticados ou não.
À comprovação clínica sucede o trâmite jurídico. Se declarada transexual, Sara deverá apresentar-se a um juiz, que validará ou não o parecer, após nova avaliação por médicos legistas.
Confirmado o laudo, ela poderá acionar a Organização do Bem-Estar Social, que administra os subsídios.
"O regime tem muitos problemas, mas é inegável que a assistência social funciona bem", afirma Mir-Jalili, que diz ter feito 320 mudanças de sexo nos últimos dez anos.
Um dos casos mais recentes operados pelo médico é o de uma professora de primário de 34 anos que de agora em diante se chama Daniel.
Ainda em observação após a retirada dos seios e colocação de prótese peniana, Daniel espera com ansiedade a emissão da nova identidade.
Mas teme voltar para a cidade de interior onde vive. "Meu pai e irmãos não sabem da cirurgia, só contei para a minha mãe e uma irmã."
Daniel afirma que continuará usando véu na escola em que trabalha enquanto espera ser removido para outra cidade, onde pretende começar do zero a vida como homem, ao lado da namorada.
PRECONCEITO
O preconceito é queixa unânime dos transexuais no Irã. Roya, 34, não conseguiu emprego desde que tornou-se mulher, há quatro anos.
"Só poderei trabalhar num lugar em que ninguém desconfie do meu passado", diz a transexual, que voltou a ter voz masculina após interromper o tratamento com hormônios devido às graves perturbações de humor.
Outra transexual chamada Roya, loira artificial de 27 anos carregada de batom rosa choque, diz não precisar trabalhar, pois o marido ganha bem. Mas diz sofrer assédio dos policiais toda vez que é levada para a delegacia.
"Quando percebem que sou transexual, me oferecem dinheiro por sexo. Uma vez o delegado quis transar comigo mesmo sabendo que meu marido me esperava lá fora."
Todos os transexuais iranianos ouvidos pela Folha, incluindo os que se disseram muçulmanos devotos, relataram problemas com a família. "Rezo todo dia para minha mãe me aceitar e para conseguir o dinheiro da operação", emociona-se Mahsa, 25, que vive no limbo dos transexuais clinicamente reconhecidos, mas sem condições de arcar com a cirurgia.
Mahsa namora Ahura, 18, na mesma situação. Ele já se considera mulher e anda na parte feminina dos transportes públicos. Ahura não usa véu e tem pelo no rosto de tanto injetar testosterona.
"Há sempre alguém insultando Mahsa quando andamos na rua. Queria partir para cima, mas não tenho força de homem", diz Ahura, cuja mãe acaba de recuar da decisão de pagar sua cirurgia.
Após várias tentativas de suicídio, Mahsa e Ahura vivem de favor na casa de amigos. Juram não ter vida sexual. "De que jeito? Não reconhecemos nossos órgãos sexuais. Só ficaremos à vontade depois de operados", diz Mahsa. Ela deseja ter uma vagina criada a partir de um pedaço de intestino, conforme técnica do doutor Mir-Jalili.
Já Ahura quer um formato de pênis que privilegie a sensibilidade em detrimento da forma. Mas o casal foi alertado por amigos sobre a má qualidade das operações iranianas. "Passei por três cirurgias para corrigir a primeira", diz Roya, a solteira.
Uma transexual operada confidenciou um sentimento amplamente compartilhado em silêncio: "Não teria mutilado meu corpo se a sociedade tivesse me aceitado do jeito que eu nasci".
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