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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Com baixa liquidez, dólar fecha praticamente estável ante o real por comércio exterior

SÃO PAULO - Em dia de pouca negociação e vaivém na cotação, o dólar fechou praticamente estável ante o real nesta segunda-feira, respondendo a movimentos pontuais de comércio exterior antes do feriado da Revolução Constitucionalista, em São Paulo. A moeda norte-americana fechou em leve queda de 0,01 por cento, cotada a 2,2593 reais na venda. Na máxima do dia, chegou a 2,2653 reais e, na mínima, 2,2466 reais logo após a abertura.  

Segundo dados da BM&F, o volume de negociação ficou em torno de 900 milhões de dólares, muito abaixo da média diária. Na terça-feira, o mercado de câmbio permanece aberto, mas as negociações devem ficar ainda mais reduzidas por conta do feriado paulista. "Hoje foi um dia atípico, com movimentação de operações de importador e exportador", disse o operador da B&T Corretora de Câmbio Marcos Trabbold. O dólar abriu o dia em queda, levando o real a ter um comportamento similar ao de outras divisas de países emergentes, como os dólares australiano e neozelandês, além do peso mexicano. 

Mas esse movimento foi minguando até o real passar a ter desempenho próprio e ficar oscilando entre pequenas altas e pequenas baixas. O mercado também responde à expectativa de o Federal Reserve, banco central norte-americano, reduzir seu programa de estímulo monetário, o que deve enxugar a liquidez mundial e podendo resultar numa saída de recursos de países como o Brasil.  

A decisão do Fed está baseada em sinais de recuperação da economia dos Estados Unidos. Na avaliação de uma importante fonte da equipe econômica brasileira, esse cenário levará a uma correção de preços em diversos ativos, como nas taxas de juros e no câmbio, que deve ver o dólar se estabilizar no patamar de 2,20 reais.  

Antes da abertura do mercado brasileiro, a divisa dos EUA chegou a atingir o maior patamar em três anos em relação a uma cesta de moedas, mas investidores aproveitaram o nível para embolsarem lucros. 
O indicador tinha queda de 0,29 por cento no início desta tarde. Na sexta-feira, o dólar fechou praticamente estável com o movimento de alta atenuado pela atuação do Banco Central, que realizou leilão de swap cambial logo na abertura das negociações. A autoridade monetária tem entrado no mercado de câmbio para evitar oscilações bruscas e que a moeda norte-americana suba muito, num ambiente interno de inflação ainda elevada.


De Tiago Pariz, REUTERS BRASIL

sábado, 4 de maio de 2013

Fabricante de Continental e Dako faz pedido de recuperação judicial



SÃO PAULO - A fabricante de eletrodomésticos Mabe Brasil, pertencente ao grupo mexicano de mesmo nome, informa que entrou com pedido de recuperação judicial hoje, em Hortolândia (SP). A empresa tem fábricas em Campinas, Hortolândia e Itu, esta última fechada como parte deste processo.
A operação da Mabe no Brasil, que fabrica produtos de linha branca das marcas GE, Dako e Continental, “está com problemas relacionados à sua liquidez e condições próprias do mercado brasileiro, que afetam a viabilidade econômica da companhia”, informou a companhia por meio de nota.
No comunicado, a empresa diz que o processo de recuperação judicial tem a finalidade de sanear, estabilizar e dar continuidade à operação, para torná-la viável. “Vamos reestruturar a operação e cumprir com os compromissos adquiridos com consumidores, clientes, fornecedores, empregados e autoridades”, informou a empresa.
Demissões
O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região afirma que a empresa demitiu 1.292 trabalhadores em suas fábricas de Itu e Campinas.
Segundo Claudio Rabelo Oliveira, sindicalista e funcionário da Mabe, foram demitidos 1,2 mil trabalhadores da fábrica de Itu. Além desses, foram demitidos outros 92 funcionários administrativos da fábrica de Campinas, onde os trabalhadores estão acampados em protesto pela decisão.
As fábricas de Campinas e Hortolândia têm juntas 2,6 mil trabalhadores que entraram em férias coletivas no dia 20 de abril e deveriam ter voltado ao trabalho ontem, dia 2. “Mas as fábricas não retomaram as atividades alegando falta de matéria-prima”, disse Oliveira.
Mercado e investimentos
No Brasil, a Mabe  detém cerca de 20% do mercado de linha branca, que é liderado pela multinacional americana Whirlpool, com 40%. Em segundo lugar está a sueca Electrolux, que detém 30%. 
Em entrevista ao Valor, em março, a empresa anunciou investimento de R$ 5 milhões no lançamento de uma nova linha de eletrodomésticos premium — a Continental One.
O Brasil representa 25% do faturamento mundial da fabricante, de US$ 4 bilhões em 2012, e é o maior mercado, à frente do México.
Procurada para comentar a decisão, a empresa disse que não vai se manifestar até que seja definida a estratégia de recuperação.


De Andréa Licht, jornal VALOR ECONÔMICO