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quinta-feira, 21 de março de 2013

China vende estoques estatais de soja para aliviar oferta mercado



PEQUIM - A China está vendendo entre 1 milhão e 1,5 milhão de toneladas de soja de reservas estatais para aliviar a apertada oferta disponível para as esmagadoras do país, em meio a um congestionamento nos portos brasileiros que está atrapalhando os embarques para o país asiático, maior importador mundial da oleaginosa, disseram traders nesta quinta-feira.
A soja oferecida pela estatal Sinograin é parte dos estoques de soja importada que teriam que ser recuperados mais tarde, com carregamentos da América do Sul ou dos Estados Unidos, disseram os traders.
O executivo de uma esmagadora disse que a companhia havia comprado um grande volume de soja a preços de mercado da Sinograin.
A soja importada era oferecido a 4.650 iuans (750 dólares) por tonelada nesta quinta-feira em um importante porto chinês, segundo os traders.
A China deverá importar menos de 4 milhões de toneladas de soja tanto em março quanto em abril devido aos atrasos nos portos brasileiros, enquanto as indústrias compram normalmente 5 milhões de toneladas por mês, disseram os traders.
Uma trader chinesa disse esta semana que cancelaria compras de 2 milhões de toneladas de soja brasileira devido aos atrasos no Brasil, elevando as preocupações sobre uma queda na demanda por parte do país que compra 60 por cento da soja comercializada no mundo.


De agència REUTERS BRASIL

terça-feira, 19 de março de 2013

EXCLUSIVO-Empresa chinesa cancelará quase 2 mi t de soja do Brasil


PEQUIM/CINGAPURA - O grupo chinês Sunrise cancelará a compra de quase 2 milhões de toneladas de soja do Brasil devido aos atrasos nos embarques provocados pelo congestionamento nos portos, disse um representante da empresa nesta terça-feira.

"Nós não receberemos estas cargas. Primeiramente, é um default por parte do fornecedor por não embarcar no prazo", disse à Reuters Shao Guori, gerente responsável pela divisão de soja do grupo.

Ele disse que a companhia planejava cancelar de 10 a 12 navios panamax, com carregamentos que deveriam ter sido enviados entre janeiro e fevereiro, já que apenas dois haviam chegado até o momento.

Também deverá haver cancelamento de 23 cargas agendadas para embarque entre abril e junho.

O grupo compra cerca de 7 milhões de toneladas da oleaginosa anualmente.

O movimento da companhia com sede em Pequim, que responde por cerca de 10 por cento das importações de soja realizadas pela China, foi visto pelo mercado como uma forma de a empresa tentar renegociar os carregamentos.

O valor da soja caiu desde que a Sunrise comprou o produto brasileiro, e a companhia estaria em posição de negociar melhores cotações para substituir os volumes comprados anteriormente.

Mesmo assim, os importadores da China, que compra 60 por cento da soja comercializada no mundo, ainda vão ter que obter grande parte da oleaginosa no Brasil, pelo menos momentaneamente, uma vez que os Estados Unidos estão na entressafra.


De Niu Shuping e Naveen Thukral, agência REUTERS BRASIL

segunda-feira, 18 de março de 2013

Anvisa suspende produção e comercialização de sucos AdeS



SÃO PAULO - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu nesta segunda-feira a produção e comercialização em todo o país de sucos de soja da marca AdeS, controlada pela Unilever.
A determinação foi publicada no Diário Oficial da União e envolve "todos os lotes dos produtos Alimento com Soja, marca AdeS" produzidos pela fábrica da Unilever em Pouso Alegre, Minas Gerais, "por suspeita de não atender às exigências legais e regulamentares".
Na semana passada, a Unilever anunciou recolhimento do lote "AGB 25" de sucos AdeS sabor maçã, distribuído em São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, depois de identificar que um problema no processo de higienização "resultou no envase de embalagens com solução de limpeza da máquina".
A empresa informou na ocasião que produtos com o problema poderiam causar queimaduras em caso de ingestão e que a falha já havia sido solucionada.
A Unilever não comentou de imediato a determinação desta segunda-feira da Anvisa, que além do sabor maçã envolve também sabores como abacaxi, manga, laranja e maracujá.

De Alberto Alerigi Jr., agência EUTERS BRASIL

quinta-feira, 14 de março de 2013

A ver navios


Este ano o Brasil exportará a maior safra agrícola de sua história: apenas de soja e milho, cerca de 60 milhões de toneladas. Excelente notícia, para quem precisa melhorar o saldo da balança, e para o mundo, que precisa de mais oferta de grãos depois da seca que atingiu os Estados Unidos no ano passado. Para nós, a dificuldade é que esses grãos terão que atravessar os gargalos brasileiros conhecidos.
A maior parte disso será transportada por caminhões movidos a diesel, do interior do país até os portos no litoral, engarrafando estradas, provocando acidentes e encarecendo custos de produção. A MP dos Portos veio para desatar nós, mas, enquanto não se tem certeza das regras, paralisa os investimentos. Ontem e hoje, os empresários serão ouvidos em audiência pública: os que operam e os que usam os serviços portuários. Na semana passada, a Comissão Mista do Congresso ouviu trabalhadores.
O senador Eduardo Braga levará ao plenário até o dia 10 de abril um relatório que consolida as 645 emendas e demandas conflitantes nos diversos pontos complexos em que toca a MP. Na conversa com os trabalhadores, ele concluiu que não há unanimidade entre eles:
— Há os que querem a manutenção da obrigatoriedade de que todos os trabalhadores sejam contratados através do Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo). Mas já há os que não querem a proibição da contratação de trabalhador avulso e querem que o empresário tenha liberdade de escolher, contratar celetista, avulsos, usando ou não o Ogmo.
Os empresários que operam portos privados temem ser prejudicados por facilidades que possam ser concedidas aos novos entrantes.
— Quem participou das licitações antigas e entrou no setor no regime anterior tem obrigações, tanto trabalhistas, tributárias, legais, que oneram o custo das operações. Se a lei permitir que entrem outras empresas sem essas obrigações, haverá competição desleal — pensa Paulo Fernando Fleury, do Instituto Ilos.
São inúmeras e intrincadas as discussões. Uma é essa diferenciação que pode ser formada entre os portos que foram licitados antes de 1993 e em 1993. Quem entrou para operar, terminar ou arrendar portos públicos, participou de uma licitação que ganhava quem pagava mais ao governo e se comprometia com maior volume de investimentos.
— Era o regime de outorga onerosa. Agora, será pela menor tarifa e pelo maior volume de carga transportada e também investimento — diz o senador.
As operadoras pagaram caro pela outorga, tiveram que fazer investimentos que ficaram incorporados aos portos e são obrigados a contratar trabalhadores pelo Ogmo. Os portos privados, com mais liberdade, podiam apenas operar carga própria.
Os novos que entrarem na nova lei terão liberdade de contratar via CLT e poderão operar cargas de terceiros. A MP poderá alterar isso e dar condições de igualdade a todo o setor privado? O senador, num programa recente que fiz na Globonews sobre o assunto, disse que sim, mas seu relatório ainda não foi divulgado.
O que usuários desses serviços querem é que tudo funcione melhor e seja mais barato e rápido. Argumentam que o Brasil não pode ir contra as melhores práticas internacionais. Segundo Richard Klien, conselheiro da Abratec, associação dos terminais de contêineres, em vários dos principais portos do mundo, que oferecem preços competitivos, há poucos operadores. Eles precisam de ganhos de escala para reduzir os preços. Em Xangai, o porto com maior movimentação de contêineres do mundo, há um único operador, assim como Cingapura, que ocupa o segundo lugar. Há outros exemplos. É um modelo consagrado: grupos se unem para, sob regulação, operar grandes terminais e assim obter maior escala e menor preço.
Um estudo da consultoria Verax, ligada à Usp, mostra que os maiores custos dos exportadores não estão nos terminais portuários, que representariam entre 4% e 10% do total, mas sim na burocracia e nos fretes terrestres e marítimos.
O porto é parte de um sistema logístico que não tem funcionado e em que uma boa notícia acaba virando problema. Este ano o Brasil teve uma safra muito maior de milho e vai exportar 40% a mais. A soja também está com demanda forte. Isso acaba virando caminhões em filas em portos entupidos. O melhor cenário é a nova lei desatar alguns nós e pacificar empresários em conflito ou trabalhadores com propostas diferentes. Mas nada disso vai melhorar a situação este ano.

De Miriam Leitão, jornal O GLOBO