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domingo, 7 de julho de 2013

Golpe ou nova revolução?

Um desavisado que ligasse a televisão no último 30 de junho e visse a simbólica Praça Tahrir, no Cairo, apinhada de manifestantes acreditaria ter voltado a 2011, na alvorada da Primavera Árabe. Naquele ano, em 25 de janeiro, data que ficou conhecida no país como “dia da revolta”, milhões saíram às ruas para tirar do poder o ditador egípcio Hosni Mubarak, que governara por 29 anos. Desta vez, mais de 14 milhões de pessoas, empunhando bandeiras do Egito, gritavam “Erhal!” (“Saia!”, na tradução do árabe) para Mohamed Morsi, primeiro presidente eleito democraticamente na história do Egito. O dia escolhido para gigantescas manifestações foi simbólico: um ano depois da eleição de Morsi. Quem reuniu as multidões foi o movimento Tamarod (rebelde, na tradução do árabe), formado em abril por quatro jovens ativistas que arrebanharam 22 milhões de assinaturas para um abaixo-assinado on-line pedindo a antecipação das eleições e a saída de Morsi. Para eles, a primeira experiência democrática do Egito não dera certo. A revolução que derrubou Mubarak, diziam eles, deveria recomeçar do zero.

Morsi representava o movimento islâmico Irmandade Muçulmana, até então o mais beneficiado pelo fim da ditadura Mubarak. Na semana passada, milhões atribuíam à irmandade a responsabilidade por tudo de errado que ocorrera no Egito no último ano. A multidão que tomou as principais cidades egípcias era heterogênea. Religiosos rezavam, laicos cantavam, pessoas caminhavam com sandálias de plástico e outras exibiam roupas de grife. Camponeses e executivos protestavam lado a lado. A grande maioria eram cidadãos de classe média, a principal fatia social do Egito e a que mais teme a islamização do país. As Forças Armadas perceberam o perigo de divisão interna e provaram, para quem ainda duvidava, que a democracia egípcia era tutelada. O Exército deu 48 horas para Morsi entrar em acordo com a oposição. O Tamarod só cogitou negociar caso Morsi deixasse o cargo. Ele chegou a propor um governo de coalizão, mas tarde demais. Na quarta-feira, dia 3, tanques e blindados tomaram as ruas, enquanto helicópteros e caças sobrevoavam o Cairo. “O governo falhou em cumprir as demandas do povo do Egito”, afirmou em pronunciamento ao país o general Abdel Fatah al-Sisi, chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito. Al-Sisi encerrou um ano e três dias da inédita experiência democrática egípcia com o receituário clássico de um golpe militar: depôs o presidente, colocou-o em prisão domiciliar, suspendeu a recém-criada Constituição, dissolveu o Parlamento e prendeu líderes da Irmandade Muçulmana. Adli Mansour, presidente do Tribunal Constitucional, assumiu interinamente a Presidência. (...)



De Rodrigo Turrer, Júlia Korte, ÉPOCA

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Exército do Egito nega "golpe", diz que quer pressionar políticos

CAIRO - As Forças Armadas do Egito divulgaram comunicado nesta segunda-feira em que negam que uma declaração feita mais cedo pelo seu comandante aponte para um golpe militar e disse que o objetivo era pressionar os políticos para chegarem a um consenso.


Negando ter ambições políticas, os militares disseram que estavam respondendo ao "pulso das ruas egípcias" ao emitir um ultimato para que os líderes políticos se unam após gigantescas manifestações no domingo contra o presidente Mohamed Mursi.


De Yasmine Saleh, internacional, REUTERS BRASIL

sábado, 4 de maio de 2013

Assessor de deputado do PT tentou aplicar golpe na Petrobras e na Caixa

O deputado André Vargas (PT-PR) e seu cupincha André Guimarães: atividades “rentáveis”

Criador da Rede PT13 e ligado ao vice-presidente da Câmara, André Guimarães falsificou cartazes com anúncios das empresas no Carnaval de Londrina, base eleitoral do parlamentar André Vargas


Assessor e amigo do deputado André Vargas, ex-secretário de comunicação do PT e vice-presidente da Câmara dos Deputados, o petista André Guimarães é um especialista em difamar adversários do partido na internet. Ele é o criador da Rede PT13, uma organização virtual formada por blogs apócrifos e perfis falsos que se dedica a atacar - com informações mentirosas e montagens fotográficas - aqueles que ousam defender teses contrárias às do petismo. A blogueira Yoani Sánchez, por exemplo, foi alvo desse ciberguerrilheiro quando visitou o Brasil, no início do ano, para discorrer sobre as agruras da população cubana sob a ditadura dos irmãos Castro. Esse trabalho sujo, tão admirado pelos radicais, abriu os cofres oficiais a André Guimarães. Como VEJA revelou em março, ele negociava seu know-how difamatório com prefeitos petistas, em contratos de até 30 000 reais. Os valores são apenas uma parte das rentáveis atividades realizadas pelo assessor. O cupincha do deputado André Vargas também aposta alto e, no último Carnaval, tentou aplicar um golpe de 180 000 reais na Caixa e na Petrobras, estatais comandadas pelo PT.


Cartaz oficial do carnaval de Londrina (esq.) e cartaz com falso patrocínio da Caixa: golpe de 180 000 reais



De Hugo Marques, revista VEJA