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domingo, 25 de junho de 2017

O beija-mãos da propina


Para seduzir o Ministério Público a aceitar sua delação, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral promete contar como foi o encontro entre ele, Lula e Eduardo Paes para comprar a Olimpíada do Rio


Não são poucos os segredos que o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral guarda em sua cela no Batalhão Especial Prisional de Benfica, na capital fluminense. Uma parte deles – mais precisamente 96 – foi exposta por Cabral em forma de anexos de uma proposta de delação premiada feita ao Ministério Público Federal no início deste ano.

Entregue pelos advogados de Cabral a uma equipe formada por procuradores de Brasília e do Rio de Janeiro, a proposta reúne as histórias que o ex-governador está disposto a contar para diminuir sua pena – na semana passada, Sérgio Moro o condenou, em primeira instância, a 14 anos e dois meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Há outras dez denúncias ainda por serem julgadas, e vários inquéritos em andamento.

O Ministério Público achou que Cabral falou pouco, e as negociações não foram adiante. Elas muito provavelmente continuarão hibernando nos escaninhos de Brasília, onde o time de Rodrigo Janot tem como prioridade os casos eletrizantes de Joesley Batista, Lúcio Funaro, Eduardo Cunha e companhia, todos mirando a cabeça do presidente Michel Temer.

Entre os episódios relatados por Cabral, porém, um em especial chamou a atenção dos procuradores. O ex-governador prometeu detalhar uma reunião, realizada em 2009, na qual ele, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-prefeito Eduardo Paes teriam autorizado o empresário Arthur César Soares de Menezes, conhecido como “Rei Arthur”, a pagar propina a membros do Comitê Olímpico Internacional para que o Rio de Janeiro fosse escolhida cidade-sede dos Jogos de 2016.

O resumo apresentado por Cabral não fornece os meandros da conversa e nem dá os meios pelos quais o dinheiro foi pago. Mas confirma e acrescenta ingredientes à história publicada em março pelo jornal francês Le Monde, segundo a qual o Ministério Público daquele país descobriu que Arthur Soares pagou 1,5 milhão de dólares ao presidente da Associação Internacional de Federações de Atletismo, Lamine Diack, três dias antes da votação que consagrou a vitória do Rio para sediar os Jogos de 2016, acontecida em 2 de outubro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca.

Mais 500 mil dólares teriam sido depositados em contas de Diack depois da escolha, como uma espécie de bonificação por resultados: o Rio derrotou Madri por 66 votos a 32. Diack, por sua vez, teria repassado 300 mil dólares ao ex-atleta da Namíbia Frankie Fredericks, também membro do COI, no dia da votação.

Pela ênfase dada pelos advogados de Cabral ao episódio nas negociações com os investigadores, presume-se que, caso a delação fosse adiante, os detalhes seriam saborosos. Nas conversas, esse anexo era tratado pelos defensores do ex-governador como a parte mais relevante do conjunto de histórias que ele promete contar em troca do arrefecimento da pena.

Para que seja aceita, no entanto, a delação de Cabral precisa trazer mais fatos comprometedores de altas instâncias, sobretudo do Judiciário. Embora caudalosa, a proposta de Cabral não expunha em detalhes sua relação com os togados, o que, para alguns procuradores, é fundamental. Sem isso, nada feito. E mesmo com isso, talvez haja problemas: parte do time do Ministério Público sempre é refratária a qualquer tipo de acordo com Sérgio Cabral, dada a extensão de seus crimes e do estrago feito por sua gestão nas finanças do Rio, em estado oficial de calamidade financeira ao menos até 2018.

A recusa em fazer acordo com o ex-governador tem uma dose razoável de cálculo. Os procuradores acreditam que podem descobrir, sozinhos, o que Cabral se propõe a contar. Nos últimos meses, a Operação Calicute, ramo fluminense da Lava Jato, já fechou acordos de delação com os doleiros de Cabral e com funcionários de empresas públicas e privadas que estão, aos poucos, expondo as engrenagens do esquema que dominou o governo do Rio nos últimos dez anos.

A força-tarefa conseguiu a prisão de Eike Batista que, além de ter pago propina ao ex-governador, também despejou 23 milhões de reais na campanha olímpica do Rio – memória de Batista pode ajudar a enfraquecer a moeda de troca de Cabral. A Calicute também deteve conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, acusados de receber propina em contratos do governo estadual; apreendeu documentos nos escritórios do presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, homem central no minhocário de propinas no Rio; e prendeu o ex-secretário de Saúde da época, Sérgio Côrtes, e seus fornecedores de serviços de saúde. Agora, prepara-se para avançar sobre ele, o Rei Arthur, o empresário mais poderoso do Rio de Janeiro na era Cabral.

Amigo e vizinho do governador no condomínio onde mantinham suas casas de praia em Mangaratiba, Soares é dono de uma miríade de empresas que fornecem de quentinhas a documentos, de segurança a veículos para o governo estadual. Nos anos de Cabral no poder, o Rei Arthur faturou cerca de 3 bilhões de reais. No mesmo período, arrebanhou contratos também no governo de Minas Gerais e no Senado Federal. A Calicute já descobriu que ele pagou 1 milhão de reais ao escritório da ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, e mais 660 mil reais a um dos prepostos de Cabral, Carlos Miranda, por serviços até agora sem comprovação de que sequer tenham existido.

Discreto e desconfiado, Soares esteve no Ministério Público do Rio no início do ano e se dispôs a colaborar com as investigações, mas negou todas as acusações e não acrescentou uma vírgula ao que já se sabia. Nas próximas semanas, chegam às mãos dos procuradores no Rio de Janeiro os documentos obtidos pelo Ministério Público da França que comprovariam os pagamentos feitos por ele aos membros do COI. O cerco se fecha, ao mesmo tempo em que Cabral começa a perceber que suas chances com os juízes da Lava Jato se achatam quase ao nível do chão. A tendência é Cabral acumular condenações – a menos que consiga convencer os procuradores de que vale a pena fechar um acordo com ele. Para isso, porém, será preciso revisar sua memória. Porque a história secreta da Olimpíada está prestes a ser desvendada.

De Malu Gaspar, Revista Piauí

sábado, 20 de julho de 2013

Cabral importará 30 mil policiais cubanos

O Vaticano enviou uma pintura para enfeitar o teto da igreja da Candelária
ANGRA DOS REIS - Em entrevista coletiva concedida há pouco, o governador Sérgio Cabral culpou grupos internacionais pelo vandalismo no Leblon. "A CIA e a NSA me informaram que os illuminati, a maçonaria e os carbonários estão por trás dessas barbáries. Criei um gabinete emergencial de Inquisição para punir os desordeiros", anunciou.

Em seguida, o governador anunciou medidas para combater vândalos infiltrados dentro e fora de seu governo. "Inspirados na bem sucedida iniciativa do Ministério da Saúde, vamos importar 30 mil policiais cubanos, 3 mil soldados norte-coreanos e 5 mil agentes da CIA. Também abrimos uma licitação para empresas interessadas em gerenciar o nosso gabinete de crises", explicou, esbaforido, limpando o suor com um guardanapo nacional.

Descontrolados, manifestantes alegaram que Cabral se recusa a ouvir a voz que vem das ruas. "Queremos o fim do Nextel com viva voz, o fim da buzinadinha marota assim que o sinal de trânsito fica verde e a descriminalização do ketchup na pizza", exigiu Rafucko.

Em sintonia com as demandas brasileiras, o Vaticano anunciou que instalará confessionários na Alerj, no gabinete de Cabral e na IMX durante a Jornada Mundial da Juventude.

De The Herald, REVISTA PIAUI

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Cabral nega apoio a Dilma em 2014 se PT lançar candidato próprio no Rio


BRASÍLIA – O governador do Rio, Sérgio Cabral, o vice-governador do estado fluminense, Luiz Fernando Pezão, e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, se reuniram na noite desta terça-feira, na residencia oficial do vice-presidente da República, Michel Temer, para o encontro dos governadores do PMDB. Cabral, como previsto, deixou clara a posição de que o apoio à candidatura presidencial da presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014 depende de o PT não lançar candidato ao governo fluminense. O princípio defendido por Cabral é de que o PT tem a obrigação de apoiar o candidato do PMDB no estado caso queira contar com a retribuição.
O assunto principal da noite foi a eleição de 2014. A situação eleitoral do Rio é uma das mais complexas para a aliança nacional PT/PMDB. Mais cedo, havia expectativa de que Dilma comparecesse ao encontro, mas a ida foi cancelada no final da tarde.
No final de semana, o senador Lindbergh Farias (PT) pôs fim à trégua dada a Cabral e Pezão. Após evitar confrontos públicos com os peemedebistas, a pedido do ex-presidente Lula, o potencial candidato do PT ao governo do Rio voltou a atacar os adversários em evento no último sábado, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Os governadores começaram o encontro descrevendo para o comando nacional da legenda a situação do partido nos seus estados. Além de Cabral, outra a relatar problemas na relação federal e estadual foi a governadora Roseana Sarney, do Maranhão, que chegou ao encontro acompanhada do pai, senador José Sarney. Roseana fez questão de lembrar que o principal adversário de seu grupo político nas eleições, o ex-deputado Flávio Dino, foi nomeado por Dilma para presidência da Embratur, o que o teria fortalecido.
Também participaram da reunião os cinco ministros do partido: Edison Lobão (Minas e Energia); Moreira Franco (Aviação Civil); Antônio Andrade (Agricultura); Garibaldi Alves (Previdência) e Gastão Vieira (Turismo).


De Paulo Celso Pereira, jornal O GLOBO

domingo, 10 de março de 2013

Sérgio Cabral culpa Macarrão por derrubada do veto aos royalties

Dilma vetou novas derrubadas de vetos presidenciais
PRÉ-SAL- A aprovação da lei que obriga o Rio de Janeiro a repartir os royalties do petróleo com os demais Estados provocou reações na cúpula do governo fluminense. Inconformado, o governador Cabral colocou a culpa em Macarrão. "Ele é o mentor disso tudo. Eu não tenho responsabilidade nenhuma", eximiu-se o governador, com um guardanapo na mão e uma desculpa na cabeça.

Cabral aproveitou a ocasião para fazer revelações bombáticas: "Macarrão é o culpado pelo atraso nas obras do Maracanã, pelos alagamentos na cidade e tem uma mão dele nesse empate do Fluminense", exclamou.

Atenta ao depoimento do ex-goleiro Bruno e aos passos de Cabral, a TV Globo culpou Macarrão pelo fracasso de Salve Jorge. Há rumores de que Bento 16 tenha encontrado a enigmática palavra "Macarrão" dezenove vezes nos documentos do Vatileaks. 

De The Herald, revista PIAUÍ

Politização do pré-sal


A perda dos estados produtores dos royalties do petróleo decretada por revolução congressual provocada por uma ganância desmedida, que não vai resolver problema nenhum dos estados não produtores, mas provocará graves prejuízos a Rio de Janeiro, Espírito Santo e, em menor medida, a São Paulo, foi causada pela politização da descoberta do pré-sal levada a cabo pelo ex-presidente Lula.

O especialista Adriano Pires, da consultoria Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) diz que o ex-presidente, ao anunciar a descoberta do pré-sal, politizou todas as decisões que foram tomadas no setor de petróleo dali para frente, e com isso, surgiram várias vitimas dessa atitude populista. As principais foram a Petrobras, os produtores de etanol e o Rio de Janeiro.

Do anúncio do pré-sal para cá, ele lembra, congelaram o preço da gasolina, enterraram o projeto Arábia Saudita Verde que levaria o país a ser o maior produtor de biocombustíveis do mundo e criaram uma guerra federativa com a discussão da distribuição dos royalties. Ou seja, o pré-sal que segundo Lula só produziria vencedores, até agora só criou vitimas.

O governador Sérgio Cabral me enviou uma mensagem, a propósito da coluna de ontem onde o critiquei por ter acreditado demais em Lula e não ter notado que na mudança do marco regulatório estava a semente para a alteração da distribuição dos royalties que agora se consumou, lembrando que sempre foi contra a essa mudança.

Ele tem razão, embora sua luta contra a adoção do modelo de partilha em substituição ao sistema de concessão não tenha sido vitoriosa. Melhor seria dizer que não teve força política para evitar o novo modelo, que ele mesmo chamou de “patriotata”, criticando-o duramente. Eu mesmo aqui na coluna relatei uma reunião no Palácio Alvorada em que o governador Sérgio Cabral foi acalmado várias vezes por Lula, e teve uma discussão com então o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, que defendia a mudança para o sistema de partilha dando como exemplo de sucesso do modelo a Líbia então chefiada por Kadafi, arrancando uma risada de Cabral.

Cabral defendeu em várias oportunidades o modelo de concessão, que permitiu o Brasil sair da produção de 500 mil barris no final da década de 90 para cerca de 2 milhões, além de estimular o desenvolvimento da tecnologia para exploração em águas profundas para tornar o País referência mundial hoje.

O governador do Rio ficou em uma situação constrangedora durante essa disputa, pois era um aliado fiel ao governo Lula e, ao mesmo tempo, não tinha força para fazê-lo mudar de ideia num projeto político petista que Cabral classificou de “um erro pelo o qual o Brasil vai pagar caro”.

Ele criticou o governador paulista. Geraldo Alckmin, que não se engajou na luta com a necessária firmeza, e também ficou sem alternativas, pois os governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, e o de Minas, Aécio Neves, seus amigos da mesma geração política, tinham interesse na mudança das regras. Os dois ainda fizeram um gesto de conciliação, propondo que os contratos já firmados fossem preservados, mas não houve força política para aplacar a ganância despertada pelo anúncio do pré-sal.

Cabral chamou a atenção para o fato de que "não se sabe quanto tempo o petróleo vai dominar o mundo", lembrando que a Califórnia tinha forte subsídio sobre carro elétrico e que o salto das tecnologias alternativas ao petróleo poderia inviabilizá-lo no futuro. Cabral também criticou a concentração de investimentos na Petrobrás, que acabou atrasando a exploração do pré-sal.

Diante da reação do governador do Rio, suspendendo os pagamentos dos fornecedores do estado, Adriano Pires torce para que “o governo do Rio não crie outra vítima, dessa vez as empresas. Será um erro grave, caso o governo do Rio transfira as perdas dos royalties para as petrolíferas. É bom não esquecer que os investimentos dessas empresas geram renda e emprego para a população fluminense. Foi o que restou de bônus para o Estado”.

Resultado: Cabral confiou muito em Lula, pois não tinha força política para enfrentá-lo nessa disputa, e nem aliados de peso com que pudesse se contrapor ao PT. Agora, está nas mãos do Supremo.


De Merval Pereira, joral O GLOBO