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sábado, 4 de maio de 2013

Lula privatizou a si mesmo



O Ministério Público pediu à Polícia Federal abertura de inquérito contra Lula. A base do pedido é a denúncia de Marcos Valério de que o ex-presidente teria intermediado um repasse de R$ 7 milhões de uma telefônica para o PT. Valério teria ido a Portugal em 2005 para preparar essa operação.

O Ministério Público parece que bebe. Será possível que os procuradores ainda não entenderam? Lula não sabia. Tanto não sabia, que até outro dia afirmava, para quem quisesse ouvir, que o mensalão não existiu. A condenação dos seus companheiros mensaleiros, aliás, deve ter sido um choque para ele. Se é que ele já sabe o que aconteceu no Supremo Tribunal Federal.

É uma injustiça essa suspeita de armação petista para sugar milhões de uma empresa privada de telefonia. Todos sabem que o PT prefere extorquir empresas públicas. Até porque as estatais são coisa nossa (deles). Com tanto trabalho para chegar ao poder e passar a ordenhar os cofres do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, do BNDES, por que Lula e sua turma iam perder tempo achacando uma telefônica portuguesa?

Ao receber a notícia sobre o inquérito contra Lula por suspeita de envolvimento com o valerioduto, José Dirceu reagiu imediatamente. E disparou o argumento fulminante: o mensalão não existiu. Se existe alguém com autoridade para afirmar isso, esse alguém é José Dirceu. Condenado a 10 anos de prisão, ele sabe que essas coisas que não existem podem dar uma dor de cabeça danada. Assim, se Lula não sabia de algo que não existiu, nada melhor do que ser defendido pelo lendário Dirceu guerreiro do povo brasileiro – personagem que também não existe.

Enquanto o filho do Brasil espera esfriar a denúncia do pedágio colhido com a telefônica, recebe a solidariedade dos fiéis por seu trabalho com as empreiteiras. Sabe-se agora que o ex-presidente fez uma série de viagens internacionais bancadas por algumas grandes construtoras brasileiras. Lula explicou que isso foi um ato patriótico – ele foi ajudar empresas nacionais a fazer negócios no estrangeiro, para o bem do Brasil. Não restam mais dúvidas: a vida é bela. E é feita de gestos nobres como esse: um ex-presidente aproveita o seu tempo livre para fazer boas ações, ajudando empresários a ganhar dinheiro no exterior, porque país rico é país sem pobreza empresarial.

Aí surge um comovente coro de progressistas, éticos e crédulos para afiançar as turnês lulistas, gritando que o ex-presidente não fez nada de mais. De acordo com a nova moral da república companheira, não fez mesmo. Qual é o problema de o líder máximo do partido que governa o país desenvolver uma relação particular (ou patriótica) com grandes empreiteiras que têm o governo como cliente? Que mal haveria na ajuda de Lula a empresas que são decisivas no jogo político com suas doações às campanhas eleitorais? Qual é o problema de o ex-presidente ter viajado à Venezuela para arrancar de Hugo Chávez US$ 1 bilhão devido a uma dessas empreiteiras, que pagou a viagem de Lula? E se essa empresa for a que realizará o sonho do ex-presidente de construir o estádio do seu clube de coração para a Copa do Mundo, fazenda a alegria de milhões de torcedores-eleitores fiéis?

Não tem problema nenhum. Esse é o Brasil moderno, onde as coisas acontecem às claras, inclusive o tráfico de influência. A não ser quando o ministro do Desenvolvimento declara secretos os documentos de financiamentos do BNDES a Cuba e Angola, para obras dessas mesmas construtoras amigas de Lula. Deve ser para a imprensa burguesa não meter o bedelho – o que sempre é uma boa causa. Por acaso, o ministro do Desenvolvimento é Fernando Pimentel, o amigo de Dilma que prestou consultorias milionárias à indústria de Minas Gerais. Como se sabe, essas consultorias nunca foram demonstradas, o que indica que devem ter sido também apenas um ato patriótico (nova definição para o velho ditado “uma mão lava a outra”).

Pelo visto, a mão que nenhuma outra lavou no final das contas foi a do companheiro Valério – logo ele, que lavou tanto para tanta gente. Agora, o operador do mensalão que não existiu quer mostrar a mão grande do chefe. Será mais um susto. Ele não sabia.


De Guilherme Fuiza, blog, revista ÉPOCA

quarta-feira, 24 de abril de 2013

PF pede quebra de sigilo do ‘faz-tudo’ de Lula e ouve operador do mensalão


BRASÍLIA - A Polícia Federal vai pedir a quebra do sigilo bancário de Freud Godoy, segurança e assessor pessoal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida faz parte do inquérito instaurado para desvendar o caminho percorrido pelos recursos distribuídos no esquema do mensalão e é também um desdobramento do depoimento prestado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza à Procuradoria-Geral da República em setembro do ano passado. Valério afirmou que o mensalão bancou despesas pessoais de Lula. O ex-presidente afirma que é mentira.

Ontem, Valério prestou novo depoimento à PF em Brasília. O operador do mensalão deixou a sede da polícia por volta das 16 horas. O inquérito aberto vai rastrear supostos repasses do mensalão para o ex-presidente. A PF também deve ouvir o auxiliar de Lula nos próximos 10 dias, em São Paulo.

O pedido de quebra de sigilo de Godoy será encaminhado ainda nesta semana à Justiça Federal de Minas Gerais. No ano passado, Valério disse aos procuradores ter passado dinheiro para Lula arcar com "gastos pessoais" no início de 2003, quando o petista já havia assumido o Planalto. Os recursos foram depositados, segundo Valério, na conta da empresa de segurança Caso, de propriedade de Godoy, ex-assessor da Presidência e uma espécie de "faz-tudo" de Lula. O ex-presidente nega ter recebido dinheiro do esquema.

Em 22 de fevereiro, o procurador da República Leonardo Augusto Santos Melo solicitou à PF que detalhasse o destino dos recursos do mensalão. No ofício encaminhado à Superintendência da PF em Minas, o procurador transcreveu trechos do depoimento de Marcos Valério e que foi revelado pelo Estado. Uma das grandes dificuldades da investigação será driblar a possível ausência de arquivos bancários anteriores a 2008. Normas do Banco Central indicam a obrigação de armazenamento pelo período de cinco anos, no mínimo.

Além de Freud, a PF quer ter acesso aos dados bancários de outras 25 pessoas físicas e jurídicas que também receberam dinheiro das empresas de Valério, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 40 anos de prisão por envolvimento no mensalão.

Ao todo, cerca de 200 pessoas e empresas foram beneficiárias dos negócios do operador do esquema. Parte dos dados já estão sendo periciados por uma equipe da Polícia Federal em Minas.
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De jornal O ESTADO DE SÃO PAULO

domingo, 24 de março de 2013

STF autoriza investigação contra líder do governo no Senado



SÃO PAULO - O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito para investigar denúncia de que o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), cometeu fraude na desapropriação de um terreno em 2003, quando era governador do Amazonas.
Em decisão na noite de sexta-feira, segundo informações da Agência Brasil, o ministro Gilmar Mendes, do STF, acatou pedido da Procuradoria Geral da República para investigar se Braga cometeu os crimes de peculato, formação de quadrilha e fraude em licitação.
Segundo a denúncia da PGR, um terreno comprado pela empresa Columbia Engenharia por 400 mil reais foi desapropriado pelo governo do Estado três meses depois por 13,1 milhões de reais para a construção de moradias populares.
Além de Braga, outras seis pessoas estariam envolvidas no suposto esquema, segundo a PGR.
Ao abrir o inquérito para analisar o caso, Mendes autorizou várias medidas, como quebra de sigilo bancário, perícia da Polícia Federal e coleta do depoimento dos envolvidos.
Como Braga é senador, dispõe de prerrogativa de foro e qualquer abertura de investigação contra ele precisa ser autorizada pelo Supremo.


De agência REUTERS BRASIL


quarta-feira, 13 de março de 2013

Venezuela vai investigar acusações de que Chávez teria sido assassinado

Funcionários do governo venezuelano disseram à BBC Mundo que será aberto um inquérito para investigar suspeitas de que o presidente Hugo Chávez teria sido assassinado.
O ministro do Petróleo venezuelano, Rafael Ramirez, disse que os Estados Unidos e Israel poderiam estar por trás do atentado.
Após descobrir que estava com câncer, em 2011, o próprio Chávez havia sugerido que "forças imperialistas" poderiam estar tentando matá-lo.
Chávez morreu no dia 5, vítima de um câncer na região pélvica.

De agência BBC BRASIL