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sexta-feira, 29 de março de 2013

Quadrilhas africanas no Brasil usam correio para 'exportar' drogas



Quadrilhas africanas que operam no Brasil estão enviando drogas de forma sistemática para a Espanha, a China e o Reino Unido por meio de serviços postais. A Polícia Federal faz cerca de 50 apreensões por mês dessas remessas. A maioria é de cocaína.
Para tentar enganar a polícia e a Receita Federal, os traficantes usam esconderijos inusitados para esconder a droga.
Entre as técnicas já identificadas estão rechear com pequenas quantidades de cocaína objetos como brinquedos, roupas, ferramentas e utensílios domésticos – e depois enviá-los ao exterior por meio do correio e de empresas de entregas internacionais.
Segundo o delegado Ivo Roberto Costa da Silva, da Polícia Federal, os grupos criminosos são formados majoritariamente por nigerianos. "Eles não chegam a formar uma facção ou uma máfia, mas às vezes se associam para traficar", afirmou o policial.
Os destinos preferidos para as remessas são Espanha e, em menor escala, China e Grã-Bretanha. Segundo Silva, as quadrilhas de africanos também têm ramificações nesses países. Seus membros se encarregam de receber os entorpecentes.
O crescimento do narcotráfico para a China, especificamente, tem chamando a atenção das autoridades. O país pulou do quinto lugar no ranking em 2009 para segundo em 2012. Uma hipótese investigada é que o crescimento econômico chinês tenha estimulado também o tráfico de drogas.
De acordo com o policial, alguns motivos explicam o porquê de quadrilhas africanas terem se instalado no Brasil. Um deles é a grande fronteira com países onde há produção de cocaína (Colômbia, Bolívia e Peru). Outro fator de estímulo seria o Brasil possuir grande número de voos de passageiros e de carga para a Europa.
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De Luis Kawajuti, agência BBC BRASIL

sexta-feira, 1 de março de 2013

Receita com transmissão de futebol dispara na América Latina


A receita dos direitos de transmissão do futebol na televisão nas principais ligas da América Latina aumentou 56 por cento em 2012, superando a casa do bilhão de dólares, segundo um relatório sobre o setor.
Um estudo da Dataxis apontou que os direitos de TV para os jogos da primeira divisão na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru renderam 1,07 bilhão de dólares em uma região tradicionalmente não considerada como particularmente lucrativa no ramo de esportes.
Os direitos sobre o Campeonato Brasileiro valeram 610 milhões de dólares em 2012, quase 57 por cento do total na região, afirmou a Dataxis em um comunicado.
Quatro países, Brasil, Argentina, Chile e México, foram responsáveis por mais de 90 por cento do valor de 2012, disse o analista sênior da Dataxis Juan Pablo Conti à Reuters.
Conti, autor do relatório de 40 páginas chamado "Direitos de transmissão de futebol e canais de esportes da América Latina em 2013", indicou aumentos maiores no futuro, especialmente no México.
"O México é um caso particular, porque a Televisa e a TV Azteca compartilham o mercado de TV inteiro entre elas, então os preços não são tão altos. Mas isso vai mudar", disse.
Conti afirmou que "de acordo com as nossas estimativas, o governo argentino pagou cerca de 915 milhões de pesos (212,5 milhões de dólares) durante 2012 pelos direitos de transmissão dos torneios da primeira e segunda divisões" no programa estatal Futbol Para Todos. "Este valor não inclui os custos de produção", acrescentou.
Ele disse que houve um aumento de mais de 11 por cento na receita de transmissão de partidas no Chile de 2011 a 2012.
"Diferentes federações locais e associações de futebol profissional estão atualmente experimentando diferentes modelos de negócios para comercializar os direitos de transmissão na América Latina", disse Conti, no relatório.
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De agência REUTERS   BRASIL

domingo, 20 de janeiro de 2013

Como a conta de luz mais barata extermina o patrocício ao esporte a cultura e a programas sociais


Luz mais barata "corrói" verbas sociais

A conta de luz ainda não está mais barata, mas a medida, que se transformou numa das principais promessas da presidente Dilma Rousseff, já tem efeitos colaterais.

Para compensar a perda de receita com a diminuição das tarifas, as estatais elétricas estão cortando investimentos em patrocínio social, esportivo e institucional.

Em troca da renovação das concessões, as empresas do setor aceitaram receber tarifas menores pela energia, que vai ficar 20,2% em média mais barata para o consumidor a partir do próximo mês.

A medida foi anunciada pela presidente no último 7 de Setembro. Desde então, a redução da conta de luz passou a ser tratada como prioridade pelo governo.

Com a previsão de menos dinheiro em caixa, as empresas estão cortando despesas que não estão diretamente relacionadas à produção e à transmissão de eletricidade.

CLUBES DE FUTEBOL

A Eletrosul anunciou em seu site que haverá "ações contingenciais" devido à redução das tarifas. "Cancelamos para o ano de 2013 os editais de Patrocínio Social e Institucional, além de outras parcerias", informou.

Os times catarinenses de futebol Avaí e Figueirense, assim como outras modalidades esportivas e instituições sociais financiadas pela Eletrosul, terão patrocínios suspensos. No ano de 2014, informa a empresa, não haverá "quaisquer patrocínios relacionados às leis Rouanet e de Incentivo ao Esporte".

Contabilizando um impacto negativo de 15% na receita total com a medida provisória que antecipou a renovação das concessões, a Eletronorte definiu metas para reduzir custos.
Entre elas, cortou 50% dos recursos previstos para patrocínios em seu planejamento anual e admite que ainda pode diminuir o apoio a projetos sociais neste ano.

SEM RENOVAÇÃO

A maior companhia de energia elétrica da América Latina, a Eletrobras, assegurou recursos apenas para os projetos que se localizam em regiões onde têm empreendimentos em construção, como hidrelétricas.

Extraoficialmente, contudo, a empresa tem informado aos parceiros que o valor dos repasses será reduzido ou que projetos já em curso dificilmente serão renovados.
Sem o patrocínio da Eletrobras, iniciativas como a de apoio a mais de 800 crianças vítimas de violência doméstica e sexual em São Gonçalo (RJ) estão demitindo profissionais e limitando o atendimento aos casos mais graves (leia texto ao abaixo).

A CGTEE, companhia de geração térmica com sede no Rio Grande do Sul, reduziu quase à metade as verbas de patrocínio que atendem, principalmente projetos culturais de teatro e música.

No site, a companhia (que faz parte do sistema Eletrobras) avisa que, "por questões administrativas internas", os editais de patrocínio para este ano ainda não estão disponíveis.

HOSPITAL REPASSADO

A Chesf, companhia do rio São Francisco, que produz, transmite e comercializa energia, é outra estatal do grupo Eletrobras que anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, de recebimento de propostas de patrocínio.

A empresa também negocia a transferência de instalações para o Executivo local. No início do mês, foi assinado documento para repassar um antigo clube à Prefeitura de Recife, que pretende montar um centro comunitário.

Em 2014, a Chesf também deve passar ao governo do Estado e à Universidade Federal do Vale do São Francisco, um hospital que mantinha em Paulo Afonso, na Bahia.
A manutenção do hospital é de R$ 29 milhões ao ano, segundo carta assinada por João Bosco de Almeida, presidente da Chesf, à qual a Folha teve acesso.


De Fernanda Odilla, Julia Borba, Dimmi Amora, de Brasília, Jornal FOLHA DE SÃO PAULO