Brasília - Em um cenário de inflação em alta e crescimento ainda lento da economia, o Banco Central (BC) decidiu acelerar o processo de alta dos juros. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou o aumento da taxa Selic de 7,50% para 8% ao ano, alta de 0,50 ponto percentual. a segunda elevação seguida da taxa Selic no ano, que em abril subiu 0,25 ponto percentual. "O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano", disse o Copom.
Nas últimas semanas, a autoridade monetária havia dado vários sinais de que poderia promover uma alta maior de juros para segurar a inflação. Com isso, até terça-feira, o mercado financeiro ainda estava dividido em suas projeções para a reunião. A divulgação do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, que veio abaixo do esperado, no entanto, levou muitos analistas a avaliarem que o BC poderia elevar a taxa novamente em 0,25 ponto...
De Agência Estado, jornal DIÁRIO DO COMÉRCIO
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quinta-feira, 30 de maio de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Juros sobem influenciados por dados do varejo e dúvidas sobre inflação
A divulgação de dados que mostraram desempenho do varejo brasileiro acima do esperado levaram as taxas de juros projetadas nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) as máximas desde o dia 17 de abril, data do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom).
No fim da sessão regular, antes dos ajustes finais, os contratos devolveram parte dos ganhos, mas ainda assim fecharam majoritariamente em alta, também puxados pelo aumento do rendimento dos títulos do governo americano (Tresuries) e pela valorização do dólar.
Antes dos ajustes finais na BM&F, a taxa do DI de vencimento em julho de 2013 (DI julho/2013 subia a 7,485%, de 7,465% ontem. O DI janeiro/2014 apontava estabilidade, a 7,98%. Na mesma comparação, o DI janeiro/2015 avançava a 8,44%, de 8,42%, enquanto o DI janeiro/2017 atingia 9,14%, de 9,15% na véspera, após máxima de 9,23% no dia.
Segundo números divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas no varejo restrito caiu 0,1% em março na comparação com fevereiro, resultado superior à média, de -0,5%, estimada pelo Valor Data junto a 13 economistas, e melhor que o intervalo das projeções, que ficou entre -0,3% e -1,5%.
“Com o Banco Central operando no modo ‘data dependence’, qualquer indicador que mostre atividade mais forte na ponta do consumo aumenta a incerteza sobre a eficácia de um ciclo de monetário suave para segurar a inflação”, disse o diretor de tesouraria de um banco, referindo-se à opção tomada pelo Copom desde março de atuar conforme a apuração dos indicadores de preços e de atividade para calibrar os juros.
A mesma Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada hoje pelo IBGE revelou que o deflator implícito — medida utilizada para verificar a diferença entre a receita nominal e a receita real no setor — foi de 8,3% nos 12 meses encerrados em março, o maior desde abril de 2005, quando havia batido 8,7%, ressaltou o economista da Quest Investimentos, André Muller. “O deflator funciona como uma medida do aumento de preços, e desde 2005 não era tão alto. Isso confirma que a inflação já está batendo no comércio e enfraquecendo as vendas, principalmente no setor de supermercados, que já registra dois meses de queda”.
A influência do indicador doméstico de varejo hoje foi mais influente para os investidores do mercado de juros do que o comportamento dos títulos do governo americano. Mas esse vetor externo também trabalhou a favor de juros mais elevados na BM&F.
O rendimento desses papéis, principal referência do mercado global de renda fixa, passou a subir durante a tarde, influenciado pelas incertezas sobre a retomada econômica nos países industrializados do hemisfério norte. O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro recuou 0,2% no primeiro trimestre, enquanto nos Estados Unidos, a produção industrial caiu 0,5% em abril ante expectativa menos pessimista, que estimava 0,2% de queda.
A aposta que ganha corpo no mercado, embora ainda não seja majoritária, é a de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) decida antecipar a normalização da política monetária, reduzindo a injeção de recursos no sistema financeiro por meio da compra de bônus. No curto prazo, esse cenário já pressiona a taxa de câmbio, favorecendo o dólar.
Assim, a moeda americana ganha terreno em relação às principais moedas no mundo, inclusive ao real. E a depreciação da divisa brasileira pressiona a inflação e, portanto, justifica a alta dos DIs.
O contraponto para esse movimento, segundo operadores, é a onda de alívio monetário se espalhando pelo mundo. A decisão do BCE de cortar os juros no início do mês estimulou ações de outros BCs ao redor do mundo, como o da Índia, Austrália, Polônia, Coreia do Sul, Israel, Vietnã e Siri Lanka. Muitas dessas decisões surpreenderam o mercado e foram adotadas como instrumento para fazer frente à atividade doméstica fraca e às perspectivas moderadas para o crescimento global.
Ponderar essas forças é, portanto, o grande desafio para os investidores e, principalmente, para o próprio Banco Central brasileiro. Ainda mais considerando que, ao contrário do que se vê nesses outros países, o Brasil convive com inflação alta.
O foco dos investidores se volta agora para os dois últimos dias da semana. Entre a quinta-feira e a sexta-feira, o mercado terá uma agenda que comporta exposições do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, do diretor de política econômica, Carlos Hamilton Araújo, além da divulgação do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) da autarquia referente a março.
Amanhã, às 8h30, sai o IBC-Br. Na sequência, no Rio de Janeiro, Tombini abre o XV Seminário de Metas para a Inflação. E, na sexta-feira, acontece o encerramento do mesmo evento, por Carlos Hamilton. Para gestores de recursos, tesoureiros e investidores, oportunidades para que sejam apuradas pistas do rumo dos juros no país.
De João José Oliveira, portal VALOR
domingo, 17 de março de 2013
Miriam Leitão: "A economia está vivendo uma série de encrencas, das quais não se sabe como sairá"
Os números e os fatos
A economia brasileira está numa certa encrenca. O Banco Central admite que a inflação está alta e se acomodando num patamar mais elevado, mas demonstra ter limitações para fazer seu trabalho. Os juros foram politizados e a presidente está em campanha para a reeleição. O BNDES tem errado, persistido no erro e mesmo assim está convencido de que está certo.
A ata do Copom tem um parágrafo surrealista. O BC admite que a inflação está espalhada e resistente. Que a dinâmica é desfavorável, que o fenômeno pode não ser temporário e que a inflação pode se acomodar em patamar mais alto. Dito isso, a conclusão só pode ser elevação de juros, a ferramenta que se tem para lutar contra o problema. Mas ele conclui que a política monetária deve ser usada com cautela.
Em outro momento da ata o BC diz que trabalha com a hipótese de R$ 155,9 bilhões de superávit primário este ano e de 3,1% do PIB no ano que vem. Nesse ponto mostra um espantoso alheamento da realidade. Como todos viram, a Fazenda mudou tanto a fórmula das contas públicas que os indicadores perderam parte da consistência e, além disso, está dando sucessivos sinais de que o superávit primário será reduzido.
O próprio BC fez uma mudança de termômetro desconcertante. Quem for, daqui a alguns anos, ler as atas para alguma tese acadêmica ou à procura de uma série estatística, ficará confuso. Na ata de janeiro, está escrito que a inadimplência total tinha recuado de 5,9% para 5,8% e o calote das pessoas físicas tinha aumentado de 7,8% para 7,9%. Na ata seguinte, de março, milagrosamente a taxa geral ficou estável em 3,7% e a de pessoa física ficou estável em 5,5%.
Como assim a inadimplência caiu tanto de uma reunião para outra? Simples. O termômetro foi alterado. E por uma mera nota publicada pelo BC mudaram-se os critérios. O BC passou a misturar crédito livre, que envolve as operações comuns de mercado, com crédito direcionado, subsidiado pela Caixa, principalmente para financiamento imobiliário e crédito rural. Fez a inadimplência da pessoa física cair de 7,9% para 5,5%. Assim fica fácil.
Os economistas têm dificuldade de explicar de onde virá o crescimento. Há expectativa de que a indústria e os investimentos voltem a crescer. Mas, quando se olha setor a setor, o quadro não é bom. O segmento de petróleo e gás ficou cinco anos sem rodadas de licitação. A torcida é para que a atual dê certo. A Petrobras enfrenta queda da produção e viu seu caixa sangrar com o subsídio da gasolina. As ações da OGX caíram para o patamar mais baixo da história. A indústria do álcool está com mais esperança, mas enfrenta competição desleal do combustível fóssil. A construção civil cresceu demais e enfrenta desafios da mão de obra. O momento é de entrega de projetos, redução de dívidas, e não de novos lançamentos.
O custo do frete para exportação da soja aumentou 50%, segundo a AEB. No início de 2012, o transporte da tonelada do grão, do interior do Mato Grosso ao porto de Santos, custava US$ 100. Este ano bateu em US$ 150 porque o diesel ficou mais caro, houve mudança na legislação trabalhista dos motoristas e os gargalos na infraestrutura provocam filas de caminhões. O real desvalorizou. Tudo isso gera custo.
A bolsa é termômetro de confiança porque investidores tentam antecipar períodos de crescimento que aumentem os lucros. O Ibovespa está em queda de 6%. Outras bolsas estão melhores. O Dow Jones, da bolsa americana, sobe 11% no ano e atingiu o pico.
O BNDES colhe sucessivas controvérsias e insucessos na política de campeões nacionais, o BNDESpar aumentou a concentração de suas participações. Continua emprestando muito a poucos. Seus números gordos de liberação desafinam diante da queda de 4% na taxa de investimento. Com todo esse quadro, tudo o que se pode dizer é que a economia está vivendo uma série de encrencas, das quais não se sabe como sairá.
terça-feira, 5 de março de 2013
Além das palavras
A reunião do Copom esta semana enfrentará o dilema definido pelo economista José Roberto Mendonça de Barros como “estagflação”. Esse é talvez o momento mais difícil para a autoridade monetária: a inflação em alta recomendaria subir juros; a estagnação, reduzir juros. As taxas devem ser mantidas, mas o Banco Central alertará que está atento à pressão inflacionária.
As previsões do Focus ontem mostraram o calculo médio dos analistas de mercado que são ouvidos pelo Banco Central: um pouquinho menos de crescimento do que estava previsto para esta ano, 3,09%, e um pouco mais de inflação, 5,70%.
Sobre crescimento, é possível encontrar todo o tipo de estimativa hoje no mercado. Tem gente prevendo 2%, tem gente prevendo 4%. E a maioria está em torno de 3%, mas o número tem diminuído um pouquinho a cada semana. A inflação faz o caminho inverso.
O dilema é sempre aquele: se deixar o combate à inflação de lado, o que se colhe é menos crescimento. A inflação reduz a renda, que diminui a capacidade de consumo, que tem sido o grande motor do pouco crescimento.
O BC deve elevar os juros em algum momento no ano, mas não agora. Vai esperar que a inflação ceda um pouco neste futuro próximo para ver quando será necessário elevar os juros. Por enquanto, está testando a capacidade de influir as expectativas através das declarações em que se compromete com o combate à inflação. Pode não ser suficiente.
No crescimento do PIB o governo precisa criar um ambiente favorável aos negócios. Por enquanto, só tem acontecido o uso de palavras. Em Londres, representantes do governo como a ministra Gleisi Hoffmann disseram que os investidores devem vir para o Brasil e investir porque aqui não perderão dinheiro. Bom que façam os convites. Isso é parte do trabalho, mas o passo seguinte é criar oportunidades e um ambiente favorável ao investimento, além de mitigar o risco de mudanças aleatórias do cenário. Risco, todo capitalista tem que correr; o que não faz sentido é aquele derivado de alteração das regras contratuais.
Ontem, foi divulgado que a carga tributária aumentou de novo em 2012. Isso, apesar das desonerações para alguns setores. Comprova-se assim uma tendência de quase duas décadas na economia brasileira. Nos governos Fernando Henrique, Lula da Silva e Dilma Rousseff, a carga tributária tem crescido constantemente. As pequenas reduções só servem para no ano seguinte ela voltar a subir.
Esse é um dos problemas que afetam a capacidade de crescimento de longo prazo. O governo sempre acha um jeito de arrecadar mais. Ele muda a alíquota, cria um novo imposto, muda a base de cálculo, altera o quadro regulatório, tudo para arrecadar mais. Com isso aumenta o peso sobre a economia e a incerteza.
O governo brasileiro tem usado apenas palavras para enfrentar o que precisa ser enfrentado para reverter o quadro de estagflação. É claro que o Brasil já não é tão afetado quanto no passado por crises internacionais, porque o país fez uma parte do dever de casa que tornou a economia mais robusta. Mas também é evidente que o crescimento minguou e o país está com uma resistente inflação em torno de 6%, o que é muito alto principalmente diante das circunstâncias. Isso precisa ser enfrentado não com arroubos declaratórios, mas com um trabalho detalhado para remover os obstáculos do caminho.
Durante o ano passado o governo divulgou uma série de pacotes. Em todos eles, as autoridades afirmaram que o resultado seria elevar para 22% e depois 24% a Formação Bruta de Capital Fixo em relação ao PIB (taxa de investimento), mas ela caiu de 19% para 18%. É preciso mais que palavras para reduzir a inflação e elevar o crescimento.
De Miriam Leitão, jornal O GLOBO
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Aumento da taxa de Juros
Segundo analistas e consultores das instituições bancárias do país, há um consenso quanto ao aumento da taxa SELIC, a ser decidido hoje pelo Banco Central, em reunião do Copom, sendo a alta de 0,25 pontos percentuais, devendo, a taxa ficar estabilizada em 12,50 ao ano.
De Júlio Cunha
De Júlio Cunha
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