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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Publicitário Marcos Valério fecha acordo de delação premiada com a Polícia Federal




A Polícia Federal (PF) confirmou hoje (19) que o publicitário Marcos Valério assinou um acordo de delação premiada. Para ter validade, o acordo ainda precisa ser homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os termos negociados estão sob sigilo, por envolver agentes políticos com foro privilegiado.

As negociações em torno de um acordo de delação premiada do publicitário vinham se arrastando desde o ano passado. Em junho de 2016, seus advogados apresentaram ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) uma proposta de colaboração para revelar informações relacionadas à Ação Penal 536, na qual é um dos réus. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte, que recebeu a proposta de delação premiada dos advogados de Marcos Valério, informou, no entanto, que não havia interesse no acordo por parte do MPMG.

Nesta ação, é investigado o esquema que ficou conhecido como mensalão mineiro, que envolve benefícios ilegais obtidos com a participação de Valério para a campanha de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998. Um dos fundadores do PSDB e ex-presidente da legenda, Azeredo já foi condenado em primeira instância à pena de 20 anos e 10 meses de prisão. Ele entrou com recurso no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e aguarda o julgamento em liberdade...

De Léo Rodrigues, Agência Brasil

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Lula foi à Polícia Federal para depor sobre o mensalão



A Polícia Federal ouviu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o mensalão. Lula foi intimado na condição de testemunha para falar no inquérito 00012/2014. O procedimento foi aberto em função das declarações de Marcos Valério Fernandes de Souza, que relacionou Lula ao caso. Na noite do último dia 3, Lula recebeu na pista do Aeroporto de Congonhas a carta precatória assinada pelo delegado federal Rodrigo Luis Sanfurgo de Carvalho, chefe da área de repressão a crimes financeiros e desvio de recursos públicos em São Paulo. O depoimento deveria ocorrer nesta segunda, 15, às 9h00. Já no momento da intimação, Lula avisou que iria à sede da PF em Brasília. Cumpriu a promessa no dia 9.

De Felipe Patury, ÉPOCA 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Procurador do caso Lula é escolhido por sorteio em Minas Gerais



O procurador da República que poderá propor ação contra o ex-presidente Lula e torná-lo réu num processo derivado do mensalão já serviu aos governos do PSDB e do PT antes de chegar ao Ministério Público Federal, em 2004.

Leonardo Augusto Santos Melo, 36, foi o escolhido por sorteio na Procuradoria da República em Minas para analisar o depoimento do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza acusando Lula de envolvimento com o mensalão.

Ele foi advogado da estatal Caixa Econômica Federal em 2001 e 2002 e em seguida ingressou por concurso na procuradoria da Advocacia-Geral da União, ainda no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso.

Melo ficou na AGU, lotado no INSS, até 2004, quando o país já era governado pelo petista Lula (2003-2010). No ano anterior, ele prestou concurso no Ministério Público Federal (MPF), foi aprovado e ingressou na Procuradoria da República em Minas.

Ele começou em Uberlândia e passou pela procuradoria em Varginha, antes de chegar a Belo Horizonte, onde agora coordena o núcleo do Patrimônio Público da Procuradoria da República em Minas Gerais.

Mineiro, formado em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Melo completará em 15 de março nove anos no MPF-MG.

Coube a ele averiguar a suposta ligação do ex-presidente da República com o mensalão. Terá de analisar ao menos 13 mil páginas de documentos para verificar se há conexão de Lula com o esquema, como afirmou Valério. Por causa do grande volume de trabalho, não há prazo para ele concluir as análises.

Em setembro passado, quando a ação principal do esquema de corrupção montado pelo PT estava sendo julgada pelo Supremo Tribunal Federal, Valério, condenado a 40 anos de prisão, procurou a Procuradoria Geral da República para acusar Lula.

Em depoimento, o empresário disse que o ex-presidente sabia da existência do esquema e que recursos do mensalão teriam custeado despesas pessoais do petista em 2003, quando já ocupava a Presidência.

O advogado Marcelo Leonardo, que defende Valério, não comenta o depoimento do seu cliente. Sobre Melo, diz se tratar de "um bom procurador".

O trabalho inicial de Melo será checar as seis ações em Minas Gerais decorrentes de desmembramentos do mensalão, das quais Valério já foi condenado em duas.

Há mais documentos em procedimentos de investigação que não viraram ação e que poderão ser manuseados novamente, o que aumentaria muito mais o volume de páginas a analisar.

Se encontrar conexão, Melo poderá propor ação contra Lula.

O pedido de averiguação foi enviado à Procuradoria em Minas Gerais pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Por ser ex-presidente, Lula não tem direito a foro privilegiado.


De Paulo Peixoto, Jornal FOLHA DE SÃO PAULO

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Roberto Gurgel encaminha denúncias contra Lula à primeira instância


Brasília, 6 fev (EFE).- O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, anunciou nesta quarta-feira que decidiu encaminhar ao Ministério Público Federal em Minas Gerais o depoimento no qual o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia do mensalão.

Gurgel afirmou a jornalistas que "provavelmente hoje" enviará o caso à primeira instância, a quem competirá decidir se acusa Lula perante o tribunal ou arquiva o processo.

O procurador escolheu Minas Gerais e não São Paulo, onde vive o ex-presidente, porque nessa jurisdição há um processo aberto "relacionado" com o caso, que se refere ao esquema de corrupção tecido pelo PT durante o primeiro mandato de Lula.

O delator de Lula é o empresário Marcos Valério, apontado como operador do esquema e que foi condenado a 40 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal.

Após conhecer sua pena em dezembro do ano passado, Valério se ofereceu para incriminar Lula e tentar negociar uma redução de sua pena, algo que o Supremo se negou a aceitar.
Como Lula não ocupa nenhum cargo público, perdeu o fórum privilegiado que representa a máxima corte do país e agora pode ser julgado pela Justiça comum.


De Agência EFE



quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

PT diz que investigar Lula é 'absurdo' e prepara ato em defesa de ex-presidente


BRASÍLIA - O PT reagiu com veemência à decisão da Procuradoria-Geral da República de mandar investigar as acusações...

BRASÍLIA - O PT reagiu com veemência à decisão da Procuradoria-Geral da República de mandar investigar as acusações de Marcos Valério Fernandes de Souza contra Luiz Inácio Lula a Silva. Após ser condenado no julgamento do mensalão, o empresário mineiro passou a acusar o ex-presidente de ter sido beneficiado pelo esquema. O partido classifica a atitude como uma "manobra sórdida" e deve transformar a festa de seus 33 anos de fundação, agora em fevereiro, num ato político de desagravo ao seu principal líder.
O Estado revelou na quarta-feira, 9, que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, informou a colegas que irá encaminhar o depoimento de Valério, prestado em 24 de setembro, à primeira instância do Ministério Público Federal - após deixar a Presidência, Lula deixou de ter foro privilegiado e terá seu caso analisado por procuradores federais de Minas, São Paulo ou Distrito Federal.
Gurgel divulgou uma nota oficial na qual afirma ainda não ter tomado a decisão (mais informações abaixo). Fontes da Procuradoria-Geral, porém, confirmaram ao Estado que a decisão de dar prosseguimento ao caso já foi de fato tomada em dezembro.
O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse considerar "um absurdo" o Ministério Público apurar se houve envolvimento de Lula no mensalão. Na mesma linha, dirigentes do PT apontaram o dedo para Valério, acusando-o de tentar criar um fato político para minimizar o impacto de sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal - o empresário foi condenado a mais de 40 anos de prisão e tenta, por meio de novas informações, diminuir a pena ao receber o benefício da chamada delação premiada.
No depoimento prestado à Procuradoria-Geral em setembro, Valério disse que pagou despesas pessoais de Lula, no início de 2003, por meio de depósito na conta da empresa de segurança Caso, de propriedade do ex-assessor da Presidência Freud Godoy. (...)


De Polítca, Portal MSN ESTADÃO onlina

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Procurador decide pedir investigação de acusações de Valério contra Lula


BRASÍLIA - O Ministério Público Federal vai investigar o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva com base na acusação feita pelo operador do mensalão, Marcos Valério, de que o esquema também pagou despesas pessoais do petista. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, decidiu remeter o caso à primeira instância, já que o ex-presidente não tem mais foro privilegiado. Isso significa que a denúncia pode ser apurada pelo Ministério Público Federal em São Paulo, em Brasília ou em Minas Gerais.

A integrantes do MPF Gurgel tem repetido que as afirmações de Valério precisam ser aprofundadas. A decisão de encaminhar a denúncia foi tomada no fim de dezembro, após o encerramento do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). Condenado a mais de 40 anos de prisão, Valério, que até então poupava Lula, mudou a versão após o julgamento.
Ainda sob análise do procurador-geral da República, o depoimento de Valério em setembro do ano passado, revelado pelo Estado, e os documentos apresentados por ele serão o ponto chave da futura investigação que, neste caso, ficaria circunscrita ao ex-presidente.
O procurador da República que ficar responsável pelo caso poderá chamar o ex-presidente Lula para prestar depoimento. Marcos Valério também poderá ser chamado para dar mais detalhes da acusação feita ao Ministério Público em 24 de setembro, em meio ao julgamento do mensalão. Petistas envolvidos no esquema sempre preservaram o nome de Lula desde que o escândalo do mensalão foi descoberto, em 2005. (...)

De Felipe Recondo e Alana Rizzo, Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO

sábado, 29 de dezembro de 2012

E agora, lula?


Quem tem amigos como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não precisa ter mesmo inimigos, até mesmo para os homens de confiança, como o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, que o colocou em uma situação difícil de sair sem sequelas graves, que foi estruturada exatamente no dia 24 de setembro de 2003, quando o então presidente liberou um esquema de dinheiro para distribuir aos políticos leais ao governo do PT, que abriu as agências do Banco do Brasil para contemplar os aliados.
Cinco agências foram escolhidas para distribuir alguns milhões de reais, com a coordenação do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. Foi a partir daí que Lula ficou em uma situação muito difícil, e os partidos oposicionistas querem, de qualquer jeito, apurar o que aconteceu no passado, o que levará a uma investigação daquele homem que assumiu por dois mandatos o Palácio do Planalto, com os adversários querendo levá-lo até mesmo para o Congresso Nacional, onde terá que se defender.
Mas, com a blindagem da sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff, Lula, na terça-feira, se manifestava como inocente: “Eu não posso acreditar em mentira, eu não posso responder mentira!”. Ele estava saindo de um seminário na Fundação Jean-Jaurès, associada ao Partido Socialista francês, em Paris, e, ficando em torno de assessores e seguranças para evitar o assédio dos jornalistas brasileiros depois que o depoimento tomou forma, resolveu não marcar presença no jantar no Palácio do Eliseu, convidado pelo presidente da França, François Hollande.
Já na quarta-feira, Lula aproveitou para discorrer sobre a crise econômica mundial no Fórum pelo Progresso Social. Aproveitou também para fazer sua defesa sobre o depoimento de Marcos Valério à Procuradoria-Geral da República: “Quando político é denunciado, a cara dele sai nos jornais. Sabe por que o banqueiro não aparece? Porque é ele quem paga a publicidade dos jornais”.
Nesse mesmo dia, o ex-presidente mostrando seu bom humor aos seus admiradores no Partido Socialista, afirmou: “Uma lição que aprendi, é que é muito barato cuidar dos pobres, o que é duro é cuidar dos ricos”. Logo depois, com a plateia ainda rindo, acrescentou: “Confesso que tenho problema de tomar muita água. Porque, depois do câncer, fiquei com um edema na garganta que não está 100% curado. Tomo água exageradamente.”
Ele não esqueceu o dia de 2002, quando subiu a rampa do Palácio do Planalto como o homem mais importante do país: “Perdi tanta eleição, tanta eleição, que, num dia, o povo brasileiro, com dó de mim, me elegeu. Os meus adversários, sobretudo no campo da sociologia, até votaram em mim. Achavam que eu iria fracassar, e eles poderiam voltar ao poder. Mas a História os enganou. E eu, muito mais!”.
Lula, no entanto, está sob uma crise política, a partir da sua amizade com Rosemary Noronha, que vem a ser uma ex-servidora da Presidência da República em SP, que tornava público o desempenho que os dois mantinham.
Mas não foi só Lula que afirmou inocência depois das denúncias do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza à Procuradoria-Geral da República, em setembro. Para o Partido do Trabalhador, a atitude de Valério foi delação premiada, as denúncias refletiam o desespero do empresário para reduzir a sua pena. A nota do PT, assinada por Rui Falcão, foi dilacerada para quem pretende saber o que está acontecendo: “Trata-se de uma sucessão de mentiras envelhecidas, todas elas já claramente desmentidas. É lamentável que denúncias sem nenhuma base na realidade sejam tratadas com seriedade”. Foi mais adiante: “Prestes a completar 10 anos à frente do Governo Federal, período em que o Brasil viveu um processo de desenvolvimento histórico e em que as classes populares passaram pela primeira vez a ter protagonismo no nosso país, o PT é alvo constante de setores da sociedade que perderam privilégios”.
Na mesma terça-feira, Lula foi massageado no seu ego, ainda em Paris, quando a presidente Dilma Rousseff manifestou que as denúncias de Marcos Valério, eram mesmo lamentáveis, uma tentativa de destituí-lo da imensa carga de respeito que o povo brasileiro lhe tem. A presidente demonstrou, ainda, admiração, respeito e amizade pelo seu antecessor. E acrescentou, também, diante do presidente da França, François Hollande: “Respeito porque o presidente Lula desenvolveu o País e é responsável pela distribuição de renda mais expressiva dos últimos anos. Respeito pelo que ele fez internacionalmente, pela sua extrema amizade pela África, pelo seu olhar para a América Latina e pelo estabelecimento de relações iguais com os países desenvolvidos do mundo”.
O próprio chefe da França também se manifestou a favor de Lula: “Sobre o presidente Lula, quero dizer que ele tem na França uma imagem considerável. É um homem que defendeu constantemente os princípios de Justiça e de solidariedade, assegurando ao Brasil um desenvolvimento absolutamente excepcional”.
Ao contrário do que muitos apostam, é muito provável que o presidente do Supremo Tribunal Federal como também relator do mensalão, Joaquim Barbosa, considere que Lula deva mesmo ser investigado pelo Ministério Público. Ele argumentou que teve acesso às 13 páginas do depoimento prestado pelo próprio Marcos Valério, em setembro, à Procuradoria-Geral da República, em que afirma que pagou despesas pessoais de Lula em 2003 para a tomada de empréstimos bancários fraudulentos.
Diante dessa situação, Joaquim Barbosa manifestou claramente que tinha tomado conhecimento oficioso, mas não oficial, do novo depoimento prestado por Valério ao MP, optando em não fazer juízo de valor sobre a gravidade das denúncias relatadas por Valério. Ao ser questionado se o MP deveria abrir uma investigação dos fatos, a resposta do presidente do Supremo foi rápida e curta: “Creio que sim”. Mas o fato de Valério ter tido a iniciativa de transmitir suspeitas sobre o ex-presidente tem que ser apurado com cautela.
No mesmo dia, o procurador-geral da República informou que irá aguardar a conclusão do julgamento do mensalão no STF para anunciar o encaminhamento que dará ao novo depoimento de Marcos Valério. Já que Lula é um ex-presidente e não tem mais foro privilegiado, Gurgel também poderá abrir um procedimento interno para uma investigação, como também o procurador-geral da República poderá concluir que não há novos dados e arquivar o depoimento.
Demonstrando que Marcos Valério não o intimidou, ainda em Paris, na quarta-feira, Lula, manifestou a possibilidade de voltar ao Palácio do Planalto depois de Dilma Rousseff, lembrando inclusive que, para chegar ao poder em 2003, “aqueles que não votaram nele por medo”, hoje, no entanto, manifestam “orgulho de dizer que eles nunca ganharam tanto dinheiro na vida. Antecipando uma possível volta como presidente, Lula afirmou, diante dos franceses e alguns brasileiros: “Espero que, se um dia eu voltar a ser candidato, eu tenha o voto deles, que eu acho que não tive nas outras eleições.”
Aartilharia contra Marcos Valério, pelo jeito, vai ser pesada, a partir do ministro Gilberto Carvalho, que tem um gabinete estratégico no Palácio do Planalto, e tomou a iniciativa, na quarta-feira, de ter uma conversa com os jornalistas para afirmar que Lula não compactua com qualquer algo errado. Para ele, Marcos Valério está mesmo no desespero oportunista, porque o ex-presidente teve a sua vida privada invadida, examinada, atacada com lupa e, até hoje, não apareceu nada e não vai aparecer, porque não é essa a conduta do Lula, de compactuar com qualquer tipo de mal.
Logo depois, Gilberto Carvalho foi mais direto: “Nada do que o senhor Marcos Valério venha a assacar neste momento atinge o presidente Lula. Se atingisse, estávamos preocupados”. Depois foi mais veemente: “O que esse senhor tem revelado, particularmente naquilo que diz respeito ao presidente Lula, é de uma falácia, é de uma falsidade impressionante. E me impressiona a credibilidade que se dá a esse cidadão nessa hora, tanto nos detalhes quanto no conteúdo”.
Logo depois, Marcos Valério afirmou que entregou ao Ministério Público Federal caixas contendo documentos que levarão Lula a ter que explicar muitas situações, inclusive que o ex-presidente tinha recebido dele o registro de depósito de R$ 98,5 mil usados pelo então presidente da República, e que o cheque foi entregue a Freud Godoy, um homem de confiança do Palácio do Planalto.
Ainda vai levar muito tempo para se desdobrar tudo isso, basta esperar.

De Jornal BRASÍLIA EM DIA

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O país que explode de orgulho com o fim da impunidade é governado, candidamente, pelo mesmo grupo político que pariu o esquema

Valério e o país dos surdos

Collor deve estar um pouco zangado. Passou à história como o presidente corrupto, derrubado após um processo de impeachment que uniu o país inteiro contra ele. A CPI do PC revelara o esquema de uso do poder para montagem de um caixa particular no topo da República. Hoje em dia, esse tipo de método não derruba mais presidente – muito pelo contrário, serve para vitaminar o partido dominante. Após sete anos de silêncio, Marcos Valério abriu o bico. Disse que Lula teve despesas pessoais pagas pelo esquema do mensalão. Diante dessa notícia, o Congresso não consegue sequer convocar Valério para depor. Está tudo dominado.

A queda de Collor se iniciou no momento em que foi descoberto um cheque do esquema PC usado para comprar um carro para o presidente. Um dos famosos fantasmas de Paulo César Farias, Manoel Bonfim, assinava o cheque usado para pagar o Fiat Elba que abalou a República, conforme revelou o jornalista Jorge Bastos Moreno. Desde que Pedro Collor entregou o irmão, numa entrevista em que denunciava o conluio com PC, o país tremeu e as instituições se jogaram de cabeça na investigação. Quando Valério diz que abasteceu Lula, a reação geral é bem diferente, sobressaindo-se a pergunta de sempre: onde estão as provas?

Vai ser difícil encontrar o Fiat Elba de Lula. A hegemonia petista inverteu esse princípio do Direito: não se investiga para encontrar provas, só se investiga se houver provas. E mesmo quando há, como no caso Rosemary, a investigação pode parar também. O enésimo esquema de tráfico de influência descoberto no governo popular se transformará, provavelmente, em mais uma façanha da faxineira – porque na hora de ligar os aloprados ao chefe, a linha cai.

Por que Rosemary não foi grampeada pela Polícia Federal? Uma mulher que falava em nome de Lula, que se dizia namorada de Lula – e ninguém a considerou louca por isso, ou seja, ela sabia o que dizia –, uma mulher, enfim, que andava com Lula para cima e para baixo e conseguia milagres no terreno das nomeações de parasitas, não foi sequer objeto de escuta telefônica. Ou foi, e esse áudio virou um arquivo milionário para quem o guardou.

Pobre Collor. Imaginem se ele tivesse uma Rosemary. Talvez fosse criada uma CPI só para ela. Mas a Rosemary de Lula não vai nem ao Congresso prestar esclarecimentos, porque a convocação dela é derrubada no próprio Congresso.

Como o Brasil aceita um escárnio desses? Como pode uma quadrilheira protegida de Lula, nomeada pela ministra Dilma e mantida pela presidente Dilma, após um flagrante esfregado na cara dos contribuintes lesados por mais essa ação entre companheiros, permanecer a salvo de uma investigação clara e urgente?

É muito simples, e os culpados estão na cara: são os brasileiros. Quem protege o triângulo Lula-Rosemary-Dilma são os brasileiros. Na época de Collor, não haveria a menor possibilidade de os parlamentares barrarem a convocação de uma Rosemary, pelo simples fato de que estariam fritos. Mas o Brasil de hoje não faz questão de nada. Se sente altamente consciente e cidadão apoiando a lei da ficha limpa, enquanto a ficha suja se esbalda à sua frente, protegendo Rosemary, Valério, Cachoeira, Delta e seus sócios palacianos, numa boa. Se aparecer o Fiat Elba de Lula, é capaz de ser doado com pompa ao Brasil Sem Miséria, ou ao Brasil Carinhoso, com aplausos pela solidariedade companheira.

O julgamento do mensalão ficará como uma página quase cômica da história brasileira. O país que explode de orgulho com o fim da impunidade é governado, candidamente, pelo mesmo grupo político que pariu o esquema. O governo Dilma se esvai em pus, com sete ministros derrubados na ciranda das negociatas fisiológicas – a mesma tecnologia mensaleira de sustentação política – e o povo lhe dá aprovação recorde. O poder impressionante de uma Erenice, de um Valério, de uma Rosemary continua sendo, nesse país de todos, mera coincidência.
 
Marcos Valério falou ao Ministério Público de Paulo Okamotto, o conhecido personal-patrocinador de Lula, como uma pessoa que o teria ameaçado. De novo, se estivéssemos na era Collor, isso seria uma bomba.

O erro de Collor, pelo visto, foi não ser filiado ao PT. Mas até o ex-presidente defenestrado já se reciclou, abrigando-se no império dos oprimidos – onde a impunidade emana do povo.

De Guilherme Fiuza, Revista ÉPOCA

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

“Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”

O Inimputável

 

Vale a pena ler o segundo editorial do Estadão desta quinta:
*
Eis a palavra de ordem: Luiz Inácio Lula da Silva paira acima da Justiça, e o seu detrator, o publicitário Marcos Valério, é um desqualificado. Desde que, na semana passada, este jornal revelou que o operador do mensalão, em depoimento à Procuradoria-Geral da República, em setembro último, acusou o ex-presidente de ter aprovado o esquema de compra de votos de deputados e de tirar uma casquinha da dinheirama que correu solta à época do escândalo, o apparat petista e os políticos governistas apressaram-se a fazer expressão corporal de santa ira: “Onde já se viu?!”.
Apanhado em Paris pela notícia da denúncia, Lula limitou-se a dizer que era tudo mentira, alegou indisposição para não comparecer a um jantar de gala oferecido pelo presidente François Hollande à colega brasileira Dilma Rousseff e, no dia seguinte, fugiu da imprensa, entrando e saindo dos recintos pela porta dos fundos – algo não propriamente honroso para um ex-chefe de Estado que se tem em altíssima conta. Em seguida, usando como porta-voz o secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho, declarou-se “indignado”. Outros ministros também se manifestaram. Como nem por isso as acusações de Valério se desmancharam no ar, nem o PT ocupou as praças para fulminá-las, os políticos tomaram para si a defesa do acusado.
Na terça-feira, um dia depois do término do julgamento do mensalão, oito governadores se abalaram a São Paulo em romaria de “solidariedade” a Lula, na sede do instituto que leva o seu nome. De seu lado, a bancada petista na Câmara dos Deputados promoveu na sala do café da Casa um ato pró-Lula. Foi um fracasso de bilheteria: poucos parlamentares da base aliada (e nenhum senador) atenderam ao chamado do líder do PT, Jilmar Tatto, para ouvir do líder do governo Dilma, Arlindo Chinaglia, que Lula “é (sic) o maior presidente do Brasil”, além de “patrimônio do País”, na emenda do peemedebista Henrique Eduardo Alves, que deve assumir o comando da Câmara em fevereiro. Não faltaram, naturalmente, os gritos de “Lula, guerreiro do povo brasileiro”.
Já a reverência dos governadores – aparentemente, uma iniciativa do cearense Cid Gomes – transcorreu a portas fechadas. Havia três petistas, dois pessebistas (mas não Eduardo Campos, que se prepara para ser “o cara” em 2014 ou 2018), dois peemedebistas e um tucano, Teotônio Vilela Filho, de Alagoas, autodeclarado amigo de Lula. Seja lá o que tenham dito e ouvido no encontro, os seus comentários públicos seguiram estritamente a cartilha da intocabilidade de Lula, com as devidas variações pessoais. Agnelo Queiroz, do PT do Distrito Federal, beirou a apoplexia ao proclamar que Valério fez um “ataque vil, covarde, irresponsável e criminoso” a Lula. “Só quem confia em vigarista dessa ordem quer dar voz a isso.”
Não se trata, obviamente, de confiar em vigaristas, mas de respeitar os fatos. Valério procurou o Ministério Público – não vem ao caso por que – para fazer acusações graves a um ex-presidente e ainda figura central da política brasileira. Não divulgá-las seria compactuar com uma das partes, em detrimento do direito da sociedade à informação. Tudo mais é com a instituição que tomou o depoimento do gestor do mensalão, condenado a 40 anos. Ainda ontem, por sinal, o procurador-geral Roberto Gurgel, embora tenha mencionado o contraste entre as frequentes declarações “bombásticas” de Valério e os fatos apurados, prometeu examinar “em profundidade” e “rapidamente” as alegações envolvendo Lula.
Não poderia ser de outra forma. “Preservar” o ex-presidente, como prega o alagoano Teotônio Vilela Filho, porque ele tem “um grande serviço prestado ao Brasil”, é incompatível com o Estado Democrático de Direito. O que Lula fez pelo País pode ser aplaudido, criticado ou as duas coisas, nas proporções que se queiram. O que não pode é torná-lo literalmente inimputável. Dizer, por outro lado, como fez o cearense Cid Gomes, que Valério não foi “respeitoso com a figura do ex-presidente e com a memória do Brasil” põe a nu a renitente mentalidade que evoca a máxima atribuída ao ditador Getúlio Vargas: “Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”.
 
Por Reinaldo Azevedo, Revista VEJA

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Lula pronuncia-se diante das acusações do operador do Mensalão, Marcos Valério


Lula faz desafio a adversários e diz que correrá o país em 2013



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta quarta-feira (19) seu pronunciamento mais duro desde a divulgação de depoimento em que o empresário Marcos Valério o acusou de ter se beneficiado do mensalão.

Ele participou da posse do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques da Silva. A entidade foi presidida pelo petista no final dos anos 70.

Sem dizer o nome de Marcos Valério nem mencionar o depoimento em que o operador do mensalão afirmou que dinheiro do esquema teria sido usado para pagar despesas pessoais do ex-presidente, Lula afirmou que os adversários terão que trabalhar "mais do que ele" para derrotá-lo e prometeu correr o país no próximo ano.

Dirigindo-se a uma plateia de sindicalistas e aliados como o presidente estadual do PT, Edinho Silva, o presidente nacional do PC do B, Renato Rabelo, e o ex-ministro Orlando Silva, Lula disse que está sendo atacado por causa das vitórias de seus aliados nas últimas eleições.
"Não se preocupem muito com os ataques, porque há uma razão para isso. Em 2010, quando eu indiquei a Dilma [como sua sucessora], disseram que ela era um poste. Então vencemos.

Neste ano, quando indiquei o Haddad [eleito prefeito de São Paulo], disseram que era um poste. E de poste em poste a gente está iluminando o Brasil", declarou.

Lula fez metáfora com os tempos de sindicalista para sugerir que é alvo de denúncias por ter se fortalecido politicamente. (...)

De Diógenes Campanha, Jornal FOLHA DE SÃO PAULO


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Apesar do fiasco na economia, presidente Dilma prepara discurso "otimista'


Dilma prepara discurso otimista e PT 'acalma' revoltados para preservar Lula

Planalto comanda defesa do ex-presidente, após avaliação de que oposição quer desconstruir sua imagem para enfraquecer campanha à reeleição; ao mesmo tempo, partido tenta conter insatisfeitos que podem trazer a público novas denúncias



BRASÍLIA - Na tentativa de conter o desgaste na seara política, a presidente Dilma Rousseff usará o pronunciamento de fim de ano para fazer um balanço otimista da primeira metade de seu mandato, apesar do fiasco na economia, e destacar que o País criou alicerces para o crescimento. Dilma avalia que a oposição só está empenhada em desconstruir a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para enfraquecê-la na disputa pela reeleição, em 2014, e quer mostrar que o Brasil vive hoje uma “nova fase”.

O pronunciamento de Dilma,em rede nacional de rádio e TV, ocorrerá perto do Natal, como de praxe, e será gravado nesta semana. No momento em que a economia tem desempenho pífio, o PT é alvejado pelo julgamento do mensalão e Lula fica na berlinda, denunciado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o marqueteiro João Santana alertou o governo sobre a necessidade de jogar os holofotes sobre as conquistas da gestão Dilma.

Ao mesmo tempo, emissários do PT tentam acalmar petistas revoltados, como Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência, em São Paulo, Freud Godoy, ex-assessor de Lula, e Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA). Todos foram flagrados em escândalos, perderam os seus cargos e fazem ameaças veladas de envolver integrantes do governo nas operações irregulares.
...

De Vera Rosa, Política, Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO,SP

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Valério diz que entregou provas à Procuradoria os documentos que comprovam a participação de Lula no "mensalão"





Operador do mensalão e condenado a mais de 40 anos pelo caso, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza disse à Folha que entregou ao Ministério Público Federal documentos comprovando acusações feitas em seu novo depoimento, que envolvem o ex-presidente Lula no escândalo.

Em resposta aos que desqualificam suas acusações, Valério afirmou que os documentos foram entregues em setembro, quando falou à Procuradoria. Numa breve declaração, queixou-se: "Os procuradores não tocaram nos papéis que deixei lá".

A Folha apurou que, entre os documentos, está o registro de depósito dos R$ 98,5 mil que, diz Valério, foram usados para pagamento de despesas pessoais do ex-presidente Lula na posse e no primeiro mês de seu primeiro governo.

O cheque foi destinado à empresa de segurança Caso, de Freud Godoy, ex-assessor pessoal de Lula.

Esse depósito já havia sido identificado pela CPI dos Correios, aberta para apurar o caso em 2005, mas na época Valério nada disse.

Segundo a Folha apurou, não há registro do que foi comprado com o dinheiro repassado. Em depoimento, Freud alegou que o recurso foi empregado em gastos com segurança da posse.

Procurada, a defesa do empresário não detalhou que outros papéis foram entregues.
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De Catia Seabra, Andreza Matais, de Brasília, Reynaldo Tourollo Jr., de Belo Horizonte, Poder, Jornal FOLHA DE SÃO PAULO, SP

Após orientação de Dilma, governistas saem em defesa de Lula

Lula abraça a presidente Dilma durante evento ontem em Paris



Seguindo uma orientação da própria Dilma Rousseff de uma defesa "veemente" do ex-presidente Lula, ministros e governadores reagiram nesta quarta-feira às acusações de Marcos Valério dadas à Procuradoria-Geral da República. O mineiro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a pouco mais de 40 anos de prisão.

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), amigo e ex-chefe de gabinete do petista, afirmou que o ex-presidente não teme os desdobramentos das acusações, mas está "profundamente indignado".

"Ele [Lula] está sem nenhum medo, apenas profundamente indignado com a atitude desse senhor e impressionado da credibilidade que, de repente, esse que era uma espécie de fábrica de males passa a ser agora tido agora como legitimo e digno acusador. Nós sabemos que não é, infelizmente não é", disse Carvalho. Ministro e ex-presidente se falaram por telefone na manhã de terça-feira (11).
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De Fernnda Odilla, Felipe Coutinho e Natuza Nery, de Brasília, Jornal FOLHA DE SÃO PAULO, SP

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Banco do Brasil arrecadava 'pedágio' para o PT, afirma Marcos Valério




Empresário relatou que 2% do valor destinado a agências de publicidade seria direcionado para contas do partido


BRASÍLIA - O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza afirmou no depoimento prestado em 24 de setembro à Procuradoria-Geral da República que dirigentes do Banco do Brasil estipularam, a partir de 2003, uma espécie de “pedágio” às agências de publicidade que prestavam serviços para a instituição financeira pública: 2% de todos os contratos eram enviados para o caixa do PT, acusou o homem apontado como o operador do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal.


Em dois anos, os repasses do Banco do Brasil às cinco agências de publicidade com quem mantinha contrato superaram R$ 400 milhões - uma delas era a DNA Propaganda, de Valério. Ou seja, segundo o empresário disse à Procuradoria-Geral da República em setembro, os desvios que abasteceram o mensalão podem ter sido bem maiores do que os que levaram o Supremo Tribunal Federal a condenar Valério e o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato.
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De Política, Jornal ESTADO DE SÃO PAULO, SP