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domingo, 15 de novembro de 2015

Corinthians pagou pelo menos R$ 400 mil a Luís Cláudio, filho de Lula, desde 2010


Luís Cláudio Lula da Silva, filho caçula do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu pelo menos R$ 400 mil do Corinthians por serviços prestados em um período que começou na gestão de Andrés Sanchez, hoje deputado federal pelo PT e superintendente de futebol do time, quem bancou sua contratação e manutenção no clube, e terminou na de Mário Gobbi, delegado que se afastou do futebol depois que deixou a presidência no ano passado. O que impressiona é a quantidade de funções desempenhadas por ele: preparador físico, olheiro, profissional do marketing e... assistente de escritório.

A história de Luís Cláudio no Corinthians se divide em duas: uma com carteira assinada, como pessoa física, e outra como prestador de serviço por meio de uma de suas empresas, como pessoa jurídica.
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Por este período, cerca de seis meses com carteira assinada pelo Corinthians em 2010, o caçula de Lula – à época com 24 anos – recebeu aproximadamente R$ 120 mil. O salário-base era de cerca de R$ 15 mil mensais, mas o valor depositado foi maior em alguns meses – e ainda entra na soma o valor da rescisão contratual.
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Procurado por ÉPOCA, Sanchez afirmou que o filho de Lula era responsável por três funções no clube: (1) "levantar atletas", como um olheiro; (2) firmar parcerias com outros clubes; e (3) atuar como preparador físico. Questionado sobre resultados entregues por Luís Cláudio durante todo o período, o ex-presidente corintiano não quis entrar em detalhes. "Aqui é uma empresa privada, contratamos vários profissionais. Tudo aqui é aprovado pela diretoria e pelo Cori (Conselho de Orientação)", disse o atual superintendente de futebol.

Advogados de Luís Cláudio, do escritório Teixeira, Martins, não responderam nenhuma das perguntas feitas por ÉPOCA e informaram que ele, "profissional da área privada, já prestou às autoridades todos os esclarecimentos que lhe foram solicitados".

De Rodrigo Campelo, ÉPOCA

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Palavras acusatórias de José Dirceu não merecem qualquer crédito, diz Roberto Gurgel


PGR: denúncia de Dirceu sobre Fux não merece crédito

Para Gurgel, ex-ministro quer desqualificar julgamento


O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou, nesta quarta-feira, que "não merecem qualquer crédito" as denúncias de que o ministro Luiz Fux tinha prometido ao ex-chefe da Casa Civil José Dirceu que não votaria a favor de sua condenação na ação penal do mensalão do mensalão se fosse - como foi - escolhido para integrar o Supremo Tribunal Federal pela presidente Dilma Rousseff.

"São denúncias, que, em princípio, para mim não merecem qualquer crédito. A histórico do ministro Fux é uma história de honradez. E o mesmo não se pode dizer de quem o acusa", respondeu Gurgel a perguntas dos repórteres, pouco antes do início da sessão plenária do STF.


Para o chefe do Ministério Público, "mais uma vez, o que se procura é, de alguma forma, procurar prejudicar a honorabilidade do julgamento realizado pelo Supremo".
À pergunta de se seria uma "jogada" destinada à opinião pública, na semana em que se aguarda a divulgação do acórdão do julgamento da Ação Penal 470, ele respondeu: "Sim. Acho que que se vai continuar sempre tentando mostrar ou acusar o julgamento de ter sido tendencioso, quando na verdade tivemos um julgamento exemplar".


De Luiz Orlando Carneiro, jornal DO BRASIL

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Procurador do caso Lula é escolhido por sorteio em Minas Gerais



O procurador da República que poderá propor ação contra o ex-presidente Lula e torná-lo réu num processo derivado do mensalão já serviu aos governos do PSDB e do PT antes de chegar ao Ministério Público Federal, em 2004.

Leonardo Augusto Santos Melo, 36, foi o escolhido por sorteio na Procuradoria da República em Minas para analisar o depoimento do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza acusando Lula de envolvimento com o mensalão.

Ele foi advogado da estatal Caixa Econômica Federal em 2001 e 2002 e em seguida ingressou por concurso na procuradoria da Advocacia-Geral da União, ainda no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso.

Melo ficou na AGU, lotado no INSS, até 2004, quando o país já era governado pelo petista Lula (2003-2010). No ano anterior, ele prestou concurso no Ministério Público Federal (MPF), foi aprovado e ingressou na Procuradoria da República em Minas.

Ele começou em Uberlândia e passou pela procuradoria em Varginha, antes de chegar a Belo Horizonte, onde agora coordena o núcleo do Patrimônio Público da Procuradoria da República em Minas Gerais.

Mineiro, formado em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Melo completará em 15 de março nove anos no MPF-MG.

Coube a ele averiguar a suposta ligação do ex-presidente da República com o mensalão. Terá de analisar ao menos 13 mil páginas de documentos para verificar se há conexão de Lula com o esquema, como afirmou Valério. Por causa do grande volume de trabalho, não há prazo para ele concluir as análises.

Em setembro passado, quando a ação principal do esquema de corrupção montado pelo PT estava sendo julgada pelo Supremo Tribunal Federal, Valério, condenado a 40 anos de prisão, procurou a Procuradoria Geral da República para acusar Lula.

Em depoimento, o empresário disse que o ex-presidente sabia da existência do esquema e que recursos do mensalão teriam custeado despesas pessoais do petista em 2003, quando já ocupava a Presidência.

O advogado Marcelo Leonardo, que defende Valério, não comenta o depoimento do seu cliente. Sobre Melo, diz se tratar de "um bom procurador".

O trabalho inicial de Melo será checar as seis ações em Minas Gerais decorrentes de desmembramentos do mensalão, das quais Valério já foi condenado em duas.

Há mais documentos em procedimentos de investigação que não viraram ação e que poderão ser manuseados novamente, o que aumentaria muito mais o volume de páginas a analisar.

Se encontrar conexão, Melo poderá propor ação contra Lula.

O pedido de averiguação foi enviado à Procuradoria em Minas Gerais pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Por ser ex-presidente, Lula não tem direito a foro privilegiado.


De Paulo Peixoto, Jornal FOLHA DE SÃO PAULO

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Esquema do mensalão é muito mais amplo, diz procurador-geral


Protagonista no maior julgamento da história do Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, 58, afirmou à Folha que o esquema do mensalão é "muito maior, muito mais amplo, do que aquilo que acabou sendo objeto da denúncia".

"O que constou da denúncia foi o que foi possível provar, com elementos razoáveis para dar a base [a ela]", afirma Gurgel em uma de suas raras entrevistas exclusivas desde que assumiu, em 2009.

Ele diz que o depoimento prestado em setembro pelo operador do esquema, Marcos Valério, pretendia "melar o julgamento".

O DESAFIO
 
Gurgel afirma que o grande desafio do processo foi provar a responsabilidade do núcleo político do esquema, entre eles o do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT).

"O grande desafio desse processo era provar a responsabilidade do chamado núcleo político. Porque essa prova é diferenciada. (...) Pessoas do topo da quadrilha têm sempre uma participação cuidadosa e provas diretas são praticamente impossíveis."

DIRCEU
 
O procurador-geral afirma ter ficado provada a participação do ex-ministro da Casa Civil de Lula em episódios relacionados ao mensalão. "Fazia-se um determinado acerto com algum partido e dizia-se: quem tem que bater o martelo é o José Dirceu. Aí, ou ele dava uma entrada rápida na sala ou alguém dava um telefonema e ele dizia: 'Está ok, pode fechar o acordo'", diz Gurgel.

Ele diz haver "uma série de de elementos de prova" que apontam para a participação efetiva de Dirceu. "Não é prova direta. Em nenhum momento nós apresentamos ele passando recibo sobre uma determinada quantia ou uma ordem escrita dele para que tal pagamento fosse feito ao partido 'X' com a finalidade de angariar apoio do governo. Nós apresentamos uma prova que evidenciava que ele estava, sim, no topo dessa organização criminosa", diz o procurador.

Ele cita a teoria do domínio do fato, segundo a qual o autor não é só quem executa o crime, mas quem tem o poder de decidir sua realização.

"A teoria do domínio do fato vem para dizer que essas provas indicam que ele se encontrava numa posição de liderança nesse sistema criminoso. Então, é possível, sim, responsabilizá-lo a despeito da inexistência da prova direta. Prova havia bastante do envolvimento dele."

MENSALÃO
 
"Estávamos diante de algo muito grande e muito maior do que aquilo que acabou sendo objeto da denúncia", diz ele, para quem o autor da denúncia, o antecessor Antonio Fernando Souza, fez uma opção "corretíssima".

"Quando nos defrontamos em qualquer investigação com um esquema criminoso muito amplo, você tem que optar, em determinado momento, por limitar essa investigação. Quando é ampla demais, a investigação não tem fim. Ao final, ninguém vai ser responsabilizado", diz.

Gurgel segue: "Haveria muito mais, esse esquema seria ainda muito mais amplo do que aquilo que constou da denúncia. Mas o que constou da denúncia foi o que foi possível provar, com elementos razoáveis. (...) Eu diria que aquilo que foi julgado representa apenas uma parte de algo que era muito maior".

LULA
 
O procurador diz não ter visto o mínimo de elementos que apontassem participação do ex-presidente Lula e afirmou que seu caso será provavelmente remetido para análise na primeira instância.
"O que se quis foi oferecer uma denúncia fundamentada em provas", declara Gurgel, acrescentando que era "uma das primeiras vezes que se responsabilizava todo um grupo que dominava o partido do governo". "Em relação ao presidente, precisaria ter a prova mais que robusta porque seria uma irresponsabilidade denunciar um presidente. É muito mais difícil."

VALÉRIO
 
Gurgel diz que Valério queria obter benefícios, como a redução de penas, com o depoimento prestado em setembro em que acusa Lula de ter sido beneficiado pessoalmente com recursos do esquema.

"Percebi claramente que se fôssemos admitir qualquer tipo de elemento de prova adicional, teríamos que anular o início do julgamento e reabrir a instrução criminal. Aquilo significava em português claríssimo melar o julgamento. Eles queriam melar o julgamento. Eu vi essa tentativa não como dele, mas como uma tentativa que favoreceria todo mundo", diz.

"A primeira coisa que disse a ele: nada nesse novo depoimento seria utilizado e nenhum benefício ele teria na ação 470. Na verdade, acho que ele pensava mais em embolar o julgamento."

O procurador afirma ainda que Valério pediu sigilo, pois "não teria 24 horas de vida", caso o depoimento viesse a público. "Ele prestou um depoimento de duas horas e a primeira impressão foi a de que o depoimento trazia elementos novos, mas nada de bombástico. É um depoimento que robustece algumas teses do Ministério Público em relação a todo o esquema criminoso e da participação do núcleo politico", diz Gurgel.

Ele lembra uma outra história de Valério: "É uma pessoa extremamente hábil. Houve um momento que ele apareceu aqui, quando Antonio Fernando era o procurador, para também prestar um depoimento que derrubaria a República. Não tinha absolutamente nada".

LEGADO
 
"É um marco, talvez um divisor de águas na história de responsabilizar pessoas envolvidas em esquema de corrupção no país", diz Gurgel.

Para o chefe do Ministério Público Federal, utilizar nos crimes de colarinho branco os mesmos parâmetros de crimes como furto e roubo "é assegurar a impunidade".

"O Supremo assentou que é preciso prova, e robusta, para qualquer condenação, mas o tipo de prova não é o mesmo de crimes mais simples."



De Felipe Seliman e Matheus Leitão, FOLHA online

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Procurador decide pedir investigação de acusações de Valério contra Lula


BRASÍLIA - O Ministério Público Federal vai investigar o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva com base na acusação feita pelo operador do mensalão, Marcos Valério, de que o esquema também pagou despesas pessoais do petista. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, decidiu remeter o caso à primeira instância, já que o ex-presidente não tem mais foro privilegiado. Isso significa que a denúncia pode ser apurada pelo Ministério Público Federal em São Paulo, em Brasília ou em Minas Gerais.

A integrantes do MPF Gurgel tem repetido que as afirmações de Valério precisam ser aprofundadas. A decisão de encaminhar a denúncia foi tomada no fim de dezembro, após o encerramento do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). Condenado a mais de 40 anos de prisão, Valério, que até então poupava Lula, mudou a versão após o julgamento.
Ainda sob análise do procurador-geral da República, o depoimento de Valério em setembro do ano passado, revelado pelo Estado, e os documentos apresentados por ele serão o ponto chave da futura investigação que, neste caso, ficaria circunscrita ao ex-presidente.
O procurador da República que ficar responsável pelo caso poderá chamar o ex-presidente Lula para prestar depoimento. Marcos Valério também poderá ser chamado para dar mais detalhes da acusação feita ao Ministério Público em 24 de setembro, em meio ao julgamento do mensalão. Petistas envolvidos no esquema sempre preservaram o nome de Lula desde que o escândalo do mensalão foi descoberto, em 2005. (...)

De Felipe Recondo e Alana Rizzo, Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

ENEM: Procurador da República moverá ação para permitir que candidatos contestem a nota da redação


O procurador da República no Estado do Ceará, Oscar Costa Filho, afirmou nesta quarta-feira, 2, que vai mover uma ação civil pública para garantir aos candidatos inscritos no Enem 2012 a possibilidade de constestarem a nota da redação.
O resultado das provas objetivas e da redação do Enem foram publicados na última sexta-feira, 28. Após isso, milhares de estudantes insatisfeitos com o resultado da redação iniciaram uma mobilização no Facebook e organizaram um abaixo-assinado afim de reunir assinaturas e exigir que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, Inep, abra a possibilidade de contestação das notas.
Segundo o procurador, a partir da repercussão das manifestações, será aberto um procedimento jurídico e uma nova ação pública será formalizada para que coletivamente os candidatos insatisfeitos com a pontuação possam contestar sua nota. As inscrições para as 129 mil vagas oferecidas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) começam na segunda-feira, 7.
Ainda de acordo com Oscar, mesmo se o Inep descartar a possibilidade de revisão da nota, o candidato insatisfeito ainda poderá ingressar com ações individuais na Justiça pedindo a reconsideração da correção.
Costa Filho possui um envolvimento com casos relacionados ao Enem há alguns anos. Ele tentou anular o exame em 2011, após o vazamento de questões do pré-teste em Fortaleza.

De Redação, O POVO ONLINE