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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Brasil desiste de vinda de 6.000 médicos cubanos

O Brasil paralisou as negociações com Cuba para a vinda de 6.000 médicos cubanos ao país e deve lançar nesta semana programa para atrair profissionais estrangeiros tratando Espanha e Portugal como países "prioritários".

Nem o Ministério da Saúde nem o Itamaraty, que havia anunciado a tratativa em maio e agora diz que ela está congelada, explicam as razões da mudança de planos.

Também não dizem o porquê do tratamento "não prioritário" a Cuba, já que a ilha preenche os principais requisitos do programa: médicos por habitante bem acima do recomendado pela OMS e língua próxima do português.

"Trata-se de uma cooperação que tem grande potencial e à qual atribuímos valor estratégico", disse o chanceler Antonio Patriota, em maio, ao mencionar a negociação.

Já o Ministério da Saúde informa que escolheu atrair médicos como "pessoa física", e não considerar a oferta do contingente feita pelo governo cubano, nos moldes que a ilha faz na Venezuela.

Desta maneira, o ministério evita abrir mais um flanco de críticas na implementação de um programa que já provoca outras resistências.

Nos bastidores, repete-se que a negociação com Cuba foi aventada por Patriota, e não pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Há motivos para o recuo. Além da sensibilidade que envolve o regime comunista de Cuba -aliado do governo e do PT e alvo dos conservadores-, o motivo principal é que as missões cubanas são aclamadas pelo trabalho humanitário, como no Haiti, mas não escapam de críticas de ativistas de direitos humanos e trabalhistas na versão remunerada.

VENEZUELA

No modelo usado na Venezuela, Cuba funciona como uma empresa terceirizada que fornece profissionais. O governo contratante paga a Havana pelos serviços e os médicos recebem só uma parte.

Apesar disso, o programa é considerado atrativo para os profissionais, que ganham cerca de US$ 40 na ilha e, com ele, têm acesso a benefícios.

O formato também é criticado por ex-participantes, que acusam o governo comunista de submetê-los a um duro regulamento disciplinar e impor regras de pagamento como poupança compulsória para evitar "deserção".

A regra disciplinar na Venezuela, vigente em 2010, incluía pedir autorização para pernoitar fora do alojamento, proibição de dirigir e a obrigação de informar sobre namoros. Falar com a imprensa também estava vetado.

"Não vislumbro essa solução feita na Venezuela no Brasil. Ele não é compatível com as leis trabalhistas brasileiras e a Constituição brasileira", diz o procurador-geral do Ministério Público do Trabalho, José de Lima Ramos Pereira.

REVÉS PARA HAVANA

A desistência do Brasil é um revés para Havana, que tem dito que o envio dos médicos ao exterior é sua maior fonte de divisas e deseja ampliá-lo.

O que vai aos caixas estatais por serviços médicos -cerca de US$ 6 bilhões anuais segundo estimativas- é maior do que o arrecadado com turismo ou exportação de níquel.

O Ministério da Saúde diz que não há restrições se médicos cubanos quiserem se inscrever individualmente no programa. Brasileiros com formação no exterior entrarão na categoria "estrangeiros". Ou seja, brasileiros formados em Cuba, em tese, podem participar.

A pasta, no entanto, não prevê fazer campanha para divulgar o programa na ilha, ao contrário do que estuda fazer em Espanha e Portugal.


De Flávia Marreiro, cotidiano, FOLHA

quarta-feira, 5 de junho de 2013

BC intervém no câmbio para segurar a alta do dólar

SÃO PAULO - O dólar comercial começou o dia em queda, após o governo zerar a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para aplicações de estrangeiros em renda fixa, mas a euforia durou pouco. Por volta de 12h03m, a moeda americana estava em alta frente ao real e era negociada a R$ 2,135 na compra e R$ 2,137 na venda, uma valorização de 0,37%. Na máxima do dia, a divisa voltou a atingir os R$ 2,15. Logo na abertura, a desvalorização foi de 1,40%, com a divisa atingindo a cotação mínima de R$ 2,08. Para deter a valorização do dólar, o Banco Central interveio no mercado de câmbio através de uma oferta de contratos de swap cambial, que equivalem a uma venda de dólares no mercado futuro. Foram ofertados até 40 mil contratos, o que corresponde a uma oferta total de cerca de US$ 2 bilhões, com vencimento em 1 de julho de 2013. Foram vendidos US 1,3 bilhão em contratos. É a segunda intervenção do BC em menos de uma semana...


De João Sorima Neto, com agências internacionais, jornal O GLOBO

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Brasil registra rombo recorde nas contas externas em janeiro


BRASÍLIA - O mau desempenho da balança comercial afetou drasticamente as contas externas em janeiro, com o país registrando déficit em transações correntes recorde de 11,371 bilhões de dólares, rombo influenciado também pela maior remessa de lucros e dividendos ao exterior, informou o Banco Central nesta sexta-feira.
O resultado do mês passado pior do que o esperado por economistas consultados pela Reuters, que previam saldo negativo de 9,6 bilhões de dólares não foi compensado pelos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), que somaram apenas 3,703 bilhões de dólares, o menor valor mensal desde maio do ano passado. Neste caso, as projeções eram de ingresso líquido de 4,5 bilhões de dólares.
"Tivemos um déficit significativo em janeiro, o mais alto da série e acima até do que havíamos estimados e esse resultado se deveu fundamentalmente ao déficit expressivo na balança comercial", comentou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel.
O elevado déficit nas contas externas deve se repetir em fevereiro, com previsão do Banco Central de saldo negativo de 5,7 bilhões de dólares em transações correntes, influenciado, ainda, pela performance ruim da balança comercial.
Também neste mês o ingresso de investimentos estrangeiros diretos não deverá ser expressivo. Até o último dia 20, esse fluxo estava em 2,2 bilhões de dólares e a autoridade monetária projeta um total de 3,5 bilhões de dólares, indicando ingressos mais fracos no início do ano.
Uma melhora nas contas externas ocorrerá, segundo o BC, a partir de março, com o início do embarque da safra agrícola e vendas mais expressivas de minério de ferro ao exterior com preços maiores que os do ano passado...

De Agência REUTERS BRASIL