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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Brasil vê "instituições fascistas" em constituinte de Maduro




O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, afirmou que a Assembleia Constituinte defendida pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, incorpora instituições eleitorais fascistas.

"Nos preocupamos muito porque [o referendo] é um elemento de agravamento do conflito, na medida em que vai criar duas ordens institucionais: a ordem da Constituição bolivariana, que criou a Assembleia Nacional, e esta nova Constituinte com base numa legislação que incorpora instituições eleitorais fascistas", afirmou Nunes em entrevista à agência de notícias Lusa, publicada nesta quinta-feira (20/07).

O ministro disse temer um agravamento das tensões na Venezuela. "A América do Sul é um continente de paz, tem que ser um continente de paz. Nós não queremos que haja uma situação que possa levar a uma guerra civil, uma instabilidade no nosso continente e uma intervenção de gente de fora", destacou.

Sobre a consulta simbólica organizada pela oposição venezuelana no domingo passado, Nunes disse que a participação popular de mais de 7 milhões de pessoas, "que votaram em condições adversas", mostra que a população do país deseja democracia. "A mobilização do povo [venezuelano] pela democracia mostra a força dessa ideia", concluiu...

De AS, lusa, DW

domingo, 19 de fevereiro de 2017

A impopularidade de Temer


O governo de Michel Temer não pode ceder à tentação de se desviar do caminho da responsabilidade fiscal na vã tentativa de reverter o grande mau humor dos brasileiros em relação à sua administração, detectado em recente pesquisa de opinião.

Lançar-se ao populismo inconsequente neste momento, a fim de ganhar a simpatia do eleitorado, significaria uma desastrosa marcha atrás num processo que vem se revelando bem-sucedido em seu propósito de superar, com consistência, a monumental crise econômica legada pela imprudência lulopetista. Mais do que nunca, Temer precisa demonstrar firmeza de propósito e conduzir o País a porto seguro, sem cogitar – como já se ouve, aqui e ali, de auxiliares do presidente – de criar uma “agenda positiva”, que é o nome que se dá a iniciativas que resultam quase sempre em aumento dos gastos públicos...

De opinião, ESTADÃO

domingo, 24 de julho de 2016

O magnata Donald Trump declarou guerra ao mundo...


No discurso raivoso e carregado de sarcasmo, Trump anunciou que, se eleito, os Estados Unidos “serão o país da lei e da ordem”. Pintou um quadro sombrio do país, como se estivesse engolfado em violência e crimes, e ele atribuiu esse estado de coisas aos imigrantes ilegais, “que estão esta noite andando por aí livremente ameaçando cidadãos pacíficos”. Ao lembrar do caso de uma garota assassinada recentemente, Trump disse que se tratava de “outra criança sacrificada no altar das fronteiras abertas”.

Trump prometeu proibir a imigração de cidadãos oriundos de países “expostos ao terrorismo” e que não o combatem. “Só vou admitir a entrada em nosso país de pessoas comprometidas com nossos valores e que amem nosso povo”, avisou, reafirmando sua promessa de construir um muro para impedir a entrada de “gangues” e “traficantes”. Disse que a política de imigração proposta por seus adversários, que supostamente permitirá uma “imigração em massa”, vai superlotar hospitais e escolas, tirar empregos e atirar ainda mais pessoas na pobreza.

Sobre sua adversária, Hillary Clinton, que foi secretária de Estado, Trump resumiu assim o que chamou de “legado” da democrata: “Morte, destruição, terrorismo e fraqueza”. Antes dela, Trump disse, não havia Estado Islâmico, o Egito era “pacífico”, a violência no Iraque estava tendo uma “grande redução”, a Síria estava “sob controle” e a Líbia era “estável”. Graças aos “maus instintos” de Hillary, atacou Trump, a realidade hoje é outra...

De opinião, ESTADÃO

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Governo cria gabinete de crise para enfrentar caos na saúde no Rio


RIO DE JANEIRO - O ministro da Saúde, Marcelo Castro, anunciou a criação de um gabinete de crise interministerial para resolver a crise dos hospitais no Rio de Janeiro. Castro também anunciou que o governo vai distribuir repelentes para as grávidas como medida de combate ao zika vírus, que provoca a microcefalia.

A presidente Dilma Rousseff cancelou a viagem que faria hoje à capital fluminense para comandar a reunião sobre o caos na saúde fluminense com Marcelo Castro e os ministros da Fazenda, Nelson Barbosa, e da Casa Civil, Jaques Wagner.

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, e o prefeito da cidade, Eduardo Paes, participaram da reunião por teleconferência. Os presidentes do Banco do Brasil, Alexandre Abreu, e da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, também participaram da reunião. Em entrevista recente no Rio, Pezão declarou que precisa de R$ 300 milhões para reabrir emergências e de, no mínimo, R$ 1 bilhão para regularizar todos os serviços. Pezão também afirmou que aguarda dois repasses do Ministério da Saúde, cada um no valor de R$ 45 milhões...

De Andrea Jubé e Robson Sales, VALOR ECONÔMICO


domingo, 6 de dezembro de 2015

"O país não sai da crise com Dilma e Cunha", diz Jarbas Vasconcelos


Aos 73 anos, o deputado federal Jarbas Vasconcelos é, ao mesmo tempo, opositor ferrenho de Dilma Rousseff e de Eduardo Cunha. Enquanto a maioria dos políticos do Congresso Nacional escolheu um lado na guerra entre a petista e o peemedebista, o ex-governador pernambucano critica com contundência a permanência de Cunha no comando da Câmara e defende com veemência o impeachment de Dilma. “Ele é um psicopata sem limites, que consumou um processo explícito de chantagem e assédio. Ela, por sua vez, permitiu que se fizesse aquilo, oficializasse a chantagem. Não pode estar se fazendo de santinha.”

Jarbas recebeu o Correio na quarta-feira — horas antes de Cunha acatar o pedido de abertura do impeachment de Dilma — e na quinta-feira, quando o Congresso já discutia uma eventual convocação extraordinária para contar prazos do processo. Na entrevista, ele avaliou as crises política, econômica e moral sem precedentes do país, o papel dos Três Poderes, a falta de qualificação de políticos da Câmara, um eventual governo de Michel Temer e revelou arrependimentos, como o de ter votado em Cunha para o comando da Casa no início da legislatura. “Eu devia ter procurado saber, até pela minha experiência. Eu errei, via o Cunha como um simples lobista, mas que tinha um discurso contra a hegemonia do PT”, disse ele, que é uma espécie de dissidente no PMDB, partido do qual foi fundador, ainda quando a legenda era chamada de MDB.

Ao longo da vida pública, o pernambucano Jarbas Vasconcelos alternou mandatos de deputado estadual, federal, senador, governador e prefeito do Recife. Nas urnas, ganhou de lavada para Miguel Arraes, mas perdeu de forma contundente, em 2010, para Eduardo Campos, neto do mitológico político. “Eduardo era um animal político, nós fomos para um total isolamento em Pernambuco; se persistíssemos naquilo, seríamos aniquilados nas eleições municipais de 2012”, disse Jarbas, que revelou pela primeira vez os bastidores da reaproximação com Eduardo Campos...

De Ana Dubeux , Denise Rothenburg , Leonardo Cavalcanti, CORREIO BRAZILIENSE

domingo, 15 de novembro de 2015

"Crise é que nem diarreia, vai passar”, diz Lula


O ex-presidente Lula fez uma comparação inusitada ao fazer uma análise sobre a atual crise política e econômica do Brasil a uma diarreia. "A crise é que nem diarreia, vai passar", comparou o líder petista. A declaração foi feita na noite desta sexta-feira (13), em um evento promovido pelo deputado federal Vicentinho (PT-SP) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP).

Lula: “Não podia continuar nascendo criança sabendo quem seria pedreiro e quem seria engenheiro"

Entre amigos sindicalistas, o ex-presidente respondeu sobre críticas ao PT. “O que nós fizemos em 12 anos a elite brasileira não fez em 100”. Ele falou que quem faz política não tem de esperar agradecimento. “Ninguém nos deve nada, não fizemos favor”, disse Lula sobre a gestão petista no governo federal.

“Não podia continuar nascendo criança sabendo quem seria pedreiro e quem seria engenheiro. Nós resolvemos acabar com isso”, declarou o líder do PT, ressaltando que tem orgulho de ser o único presidente da República sem diploma universitário.

De política, ÚLTIMO SEGUNDO

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Ministro da Fazenda foi "massacrado" em jantar com peemedebistas


O clima do encontro do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com cerca de 30 senadores, na casa do líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE), na noite desta terça-feira (10) foi de velório.

Levy pontificou sobre economia, historiou crises em outros países e insistiu na aprovação da CPMF. Ouviu dos senadores que o imposto não passaria. O discurso repetido de Levy desanimou os senadores que organizaram o jantar para cobrar novos rumos para economia.

O ministro da Fazenda foi “massacrado”, segundo um dos presentes, e ninguém o defendeu, nem mesmo ele pedindo que “seu partido” (PT), o fizesse. “Para mim foi o fim de Levy, ele acabou”, resumiu o senador Walter Pinheiro, do PT.

Perguntado por Roberto Requião (PMDB-PR) se sabia que seria substituído por Henrique Meirelles, Levy desconversou. O constrangimento ocorre no mesmo momento que o ex-presidente Lula retoma a pressão para colocar Meirelles no cargo...

De Eduardo miranda, JORNAL DO BRASIL

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Caso Molina: Bolívia revista avião da FAB à procura de asilado

Na primeira semana de julho o presidente da Bolívia, Evo Morales, foi protagonista de um episódio que provocou uma crise diplomática envolvendo vários países. Morales retornava da Rússia quando teve o seu avião proibido de sobrevoar o espaço aéreo da Itália, França, Espanha e Portugal, sendo obrigado a pousar na Áustria, onde foi revistado pela Polícia Nacional. O motivo? A implacável caçada do governo americano ao ex-consultor da Cia, Edward Snowden, que denunciou o esquema de espionagem a cidadãos por  agências da Inteligência. A suspeita era de que Snowden estivesse no avião de Morales. O presidente boliviano havia passado pela mesma situação há nove meses, mas no papel de “caçador”. A “caça” foi o avião da Força Aérea Brasileira (FAB), que levava a bordo o ministro da Defesa, Celso Amorim, retornando de Santa Cruz de La Sierra, onde cumpria a agenda oficial. Policiais bolivianos entraram na aeronave com cães farejadores e fizeram uma revista cuidadosa. Motivo? O governo Morales desconfiava que no avião estivesse o senador boliviano Roger Pinto Molina, asilado na embaixada do Brasil em La Paz, há mais de um ano.
A informação, mantida em segredo pelos dois países, partiu de fontes do governo brasileiro, que também comentaram sobre uma carta emita pelo Itamaraty à Morales, repudiando a atitude radical do governo boliviano. A resposta veio com um simples pedido de desculpa. O motivo da visita de Amorim ao país foi para acertar as negociações de doação de helicópteros da FAB para o combate ao narcotráfico nas fronteiras dos países. E foi justamente questões relacionadas ao narcotráfico que levou o senador oposicionista Roger Pinto Molina a pedir asilo político ao Brasil. Ele procurou a embaixada brasileira no dia 28 de maio de 2012, afirmando sofrer perseguições do governo de Evo Morales. O senador da oposição é acusado em 20 processos judiciais movidos pelo poder público, após denunciar que funcionários do alto escalão do governo boliviano estavam envolvidos com o narcotráfico. A presidente Dilma Rousseff concedeu o pedido de asilo ao político, mas Morales recusa até hoje o salvo-conduto para que Molina deixe a embaixada em liberdade. Com isso, o senador permanece confinado.
Em março desse ano, os dois países tentaram resolver o caso através de uma comissão bilateral, mas a embaixada foi afastada das negociações, que seguem sob a responsabilidade de diplomatas em Brasília. Contrapartida, Morales reagiu criticando a atuação do embaixador brasileiro Marcel Fortuna Biato. A ministra da Comunicação boliviana, Amanda Dávila, chamou Biato de “porta-voz da oposição”, em resposta ao pedido do diplomata que solicitou ao poder público uma solução rápida para o caso. Já a presidente do Senado, Gabriela Montaño, comentou que Biato estava transformando a embaixada do Brasil em “refúgio de delinquentes”.
Os comentários geraram uma crise diplomática e o governo brasileiro transferiu o embaixador de La Paz para a Suécia. A medida foi tomada, por coincidência, após a visita do chanceler brasileiro, Antonio Patriota ao ministro da Presidência boliviano, Juan Ramón Quintana, para debater pautas sobre assuntos comerciais, migratórios e de combate ao narcotráfico. Rumores nos meios diplomáticos dão conta de que o governo boliviano solicitou mudanças na representação da embaixada brasileira. A embaixada da Suécia no Brasil confirma a autorização formal para a transferência de Biato, que deve ocupar o cargo em Estocolmo.


De Cláudia Freitas, JORNAL DO BRASIL

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Eike Batista renúncia à presidência do conselho da MPX Energia

Brasília - O empresário Eike Batista renunciou nesta quinta-feira à presidência do conselho de administração da MPX Energia, o que foi interpretado como o início de uma anunciada reestruturação de seu grupo de empresas, que enfrenta uma crise financeira.

A MPX, braço de energia do Grupo EBX, informou por meio de um comunicado sobre a renúncia do empresário e um aumento de capital de R$ 800 milhões...

De empresas, EFE

sábado, 11 de maio de 2013

Dívida externa brasileira cresce 60% desde a crise financeira de 2008



Desde a crise financeira de 2008, que provocou uma parada súbita nas linhas de crédito internacionais, a dívida externa brasileira aumentou 60%, impulsionada pelo endividamento das empresas.

A dívida das instituições financeiras no exterior praticamente dobrou entre dezembro de 2008 e este ano. No mesmo período, as empresas não financeiras aumentaram sua exposição em moeda estrangeira em 72%.

Com isso, o endividamento externo do país subiu do equivalente a 12% do PIB (Produto Interno Bruto) para 13,9% neste ano, após quatro anos de relativa estabilidade.

O levantamento foi feito pela equipe do banco Credit Suisse, que atribui parte desse aumento à fixação de barreiras à entrada de capital externo, iniciada em 2010.

Para tentar refrear o fluxo de recursos estrangeiros que entrava no país e valorizava o real em relação ao dólar, o governo impôs IOF de 6% na compra de títulos públicos por estrangeiros.

"Quando o governo decide impor IOF para operações com seus papéis, esses recursos deixam de entrar, mas as empresas percebem que há demanda por títulos brasileiros e vão para o mercado externo captar com taxas mais baixas", afirma o economista-chefe do Credit Suisse, Nilson Teixeira.

Diante de um cenário de abundância de recursos e juros mais baixos no exterior, as empresas aumentaram sua dívida lá fora.

A questão é que, simultaneamente, elas passaram a assumir riscos de prejuízo em caso de uma repentina desvalorização cambial.

Em 2008, a alta do dólar em decorrência da crise bancária nos EUA, levou Aracruz e Sadia a dificuldades. Ambas tinham operações com derivativos atrelados ao dólar e acabaram vendidas.


Para Teixeira, não há risco no médio prazo: "De fato a dívida aumentou, mas, quando comparada com a de outros países, é baixíssima".

Além disso, observa o economista, o prazo é longo (em média, 6,5 anos) e o montante é pouco superior ao que o Brasil arrecada com exportações --a dívida externa equivale a 1,3 vezes o auferido com as exportações, segundo cálculos de Teixeira.

Para Daniela Prates, professora da Unicamp, contudo, o enfraquecimento recente das exportações são um fator de vulnerabilidade.

"A capacidade de gerar divisas [para honrar as dívidas] se dá por meio das exportações. E o cenário pós-crise ficou mais grave nesse ponto, porque a concorrência ficou mais acirrada", afirma.

"A composição da nossa pauta de exportações faz com que sejamos mais vulneráveis ao preço das commodities e à demanda da China. Isso traz preocupação quanto à solvência da dívida", diz ela.


De Mariana Carneiro, jornal FOLHA DE SÃO PAULO


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Discurso quase perfeito



Enquanto a crise institucional entre Judiciário e Legislativo não se dilui, a ordem na bancada do PMDB da Câmara é manter a estratégia dos últimos dias: jogar a batata quente no colo do PT.
O discurso vai se manter na linha de que as PECs 33 e 37 (proposta que restringe poderes de investigação do Ministério Público) não passam de retaliação ao Judiciário, articulada por aliados dos mensaleiros condenados pelo STF.
Com isso, os peemedebistas querem descolar do trio Michel Temer, Henrique Eduardo Alves e Renan Calheiros a trapalhada que deflagrou a guerra com Gilmar Mendes e companhia.
O discurso está quase redondo. A PEC 33, que submete ao Congresso decisões do Judiciário, é assinada pelo petista Nazareno Fonteles. A outra proposta é de autoria de Lourival Mendes (PCdoB-MA). Beleza, mas há um conhecido detalhe que não fecha, como admite um integrante da bancada do PMDB:
- A estratégia seria perfeita se a PEC 33 não tivesse sido relatada e amplamente defendida por um tucano (deputado goiano João campos).


De Lauro Jardim, revista VEJA

sexta-feira, 22 de março de 2013

Novas restrições intensificam crise cambial na Argentina



As novas medidas do governo da presidente Cristina Kirchner para o setor de câmbio, que desta vez significam o aumento das taxas para os gastos com cartão de crédito no exterior e outros itens do setor de turismo, como pacotes de viagens, sacudiram o mercado cambial argentino esta semana.
A medida foi divulgada na segunda-feira, e desde então a cotação do dólar voltou a registrar volatilidade no mercado paralelo. A moeda americana superou a barreira dos oito pesos na quarta-feira, e nesta quinta-feira, apesar da leve queda, fechou cotada a 8,45 pesos – diferença acima de 60% para a cotação oficial, de 5,1 pesos.
Analistas econômicos atribuíram ainda à nova onda de nervosismo fatos como a reunião de emergência convocada pela presidente com seus assessores econômicos, na quarta-feira, na residência presidencial de Olivos.
A iniciativa foi considerada pouco comum na agenda presidencial e gerou uma série de boatos na imprensa sobre mudanças na política cambial e substituição da presidente do Banco Central, Mercedes Marcó del Pont.
"Um dia de alarmes, boatos e disputas internas", escreveu o repórter de economia do Clarín Gustavo Bazzan. "Em meio a rumores, dólar 'blue' (no mercado negro) chegou a 8,75 pesos", publicou o La Nación em sua manchete.
Nesta quinta-feira, um cambista de uma loja na Avenida Santa Fé, que trabalha em uma 'cova' (cueva, em espanhol), como os argentinos chamam os esconderijos para a venda do dólar paralelo, disse à BBC Brasil, sob a condição do anonimato: "Terça e quarta foram uma loucura. Chegamos a vender dólar a nove pesos. Hoje (quinta) está mais calmo".
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De Marcia Carmo, agência BBC BRASIL

quinta-feira, 14 de março de 2013

Análise: Deputado Feliciano é apenas o sintoma, não a causa, da crise


Marco Feliciano é apenas o sintoma, não a causa, do sistema de governança legislativa que permitiu sua eleição à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara.

Ainda que Feliciano venha a renunciar ou ser destituído, só o sintoma estará sendo tratado: as deformações do modelo continuarão intactas.

Um eventual sucessor de Feliciano, mesmo que seja um liberal, também terá pouca ou nenhuma margem de manobra para avançar com propostas de leis mais flexíveis sobre aborto ou casamento gay. Essa conjuntura se forma por duas razões, uma estrutural e outra política.

No campo da política, a presidente Dilma Rousseff está em fase de recompor sua aliança eleitoral. O Planalto não deseja se indispor com os partidos que deram apoio ao PT em 2010 --como o PSC.

O governo jamais estimulará a destituição de Marco Feliciano, pois a reeleição de Dilma é considerada mais relevante. E mesmo que o deputado e pastor caia sozinho, seu sucessor não terá o apoio do Planalto para propor leis mais liberais sobre costumes.
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De Fernando Rodrigues, jornal FOLHA DE SÃO PAULO

domingo, 3 de março de 2013

"Marolinha" reduziu em 41% crescimento do Brasil


Completado um quadriênio sob efeitos de crises no mundo desenvolvido, o crescimento econômico do Brasil sofreu uma perda de 41% na comparação com os quatro anos anteriores.

Com a recém-divulgada expansão de apenas 0,9% em 2012, o Produto Interno Bruto contabiliza um avanço médio de 2,7% anuais desde 2009, modesto para os padrões e necessidades das economias emergentes.

Já entre 2005 e 2008, vivia-se o período de maior bonança nacional em tempos de inflação sob controle, com crescimento médio de 4,6% ao ano --vigoroso o bastante para que o governo considerasse o país imune às turbulências externas.

No final daquele período, quando a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers precipitava o início de uma recessão mundial, a administração petista minimizava o impacto doméstico do novo cenário global.

Na metáfora do então presidente Lula, o tsunami enfrentado pelos Estados Unidos chegaria ao Brasil como uma "marolinha". Para a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, seria uma "pequenininha gripe".

Mas, se de fato não passou por uma retração econômica dramática, o Brasil esteve longe de ser, como divulgava a propaganda oficial, o último país a entrar e o primeiro a sair da crise.
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De Gustavo Patu, jornal FOLHA DE SÃO PAULO

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

PSB nega racha e tenta isolar críticas de Ciro a Campos


Para estancar a crise causada pelas críticas que o ex-ministro Ciro Gomes fez ao governador de Pernambuco e possível candidato do partido à Presidência, Eduardo Campos, o PSB adotou o discurso de que suas declarações foram um fato isolado e não representam um racha na legenda.

No fim de semana, Ciro disse a uma rádio cearense que Campos, presidente do PSB, "não tem estrada" e não tem "nenhuma proposta, nenhuma visão" para o país.

Ontem, após uma palestra no Recife, o governador pernambucano disse não querer polemizar, mas reduziu a importância das declarações de Ciro. "Discordo da opinião dele. Essa não é a opinião do partido. Só isso", declarou...


De poder, jornal FOLHA DE SÃO PAULO

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A festa acabou. A economia empacou. O investidor fugiu. E agora?

 

Três anos atrás, enquanto o mundo ainda estava nas trevas da crise de 2008, o Brasil brilhava como um Sol ao meio-dia. O país crescia em ritmo acelerado, ajudado pelas medidas de estímulo do governo, e acabara de ser escolhido como palco da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016. O brilho iluminava nossas vantagens competitivas – um ambiente institucional mais sólido que noutros países emergentes, um mercado interno gigantesco, uma agroindústria pujante e imensas riquezas minerais e energéticas. As publicações internacionais davam de ombros para os gargalos históricos da economia brasileira e reverenciavam o então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. A austera revista britânica The Economistchegou a publicar uma reportagem de capa exaltando a força e o dinamismo do país. Sob o título “O Brasil decola”, a reportagem era ilustrada pela figura do Cristo Redentor disparando como um foguete em direção ao espaço sideral. O eterno país do futuro, outrora marcado por calotes nos credores externos, uma inflação estratosférica e um crescimento pífio, parecia ter se tornado enfim o país do presente, pronto para realizar seu potencial.

A lua de mel durou pouco. No fim do ano passado, a percepção do Brasil no exterior, que se deteriorava gradualmente desde o final do governo Lula, piorou muito. Nos últimos meses, as críticas se multiplicaram e se tornaram ainda mais fortes. Como num eclipse que oculta os raios do Sol, o brilho do Brasil perdeu intensidade na arena global. “A ideia do Brasil decolando passou”, disse a ÉPOCA o megainvestidor Mark Mobius, presidente da Templeton Emerging Markets, empresa que administra um patrimônio de US$ 54 bilhões em mercados emergentes, US$ 4,3 bilhões no Brasil. “A percepção do Brasil pelos investidores estrangeiros está no pior momento desde 2002”, afirma o cientista político Christopher Garman, diretor da área de estratégia para mercados emergentes do Eurasia Group, uma consultoria americana especializada na análise de riscos políticos. “Exceto em circunstâncias excepcionais, o mundo não se deixa enganar por muito tempo”, diz Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e ex-secretário-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad). A mesma Economist, que louvara o Brasil três anos antes, defendeu recentemente em editorial a saída do ministro da Fazenda, Guido Mantega, considerado inepto para garantir o crescimento de que o país carece. “Aquela capa do Cristo Redentor falava que o Brasil estava decolando e não que tinha chegado à Lua”, afirma a correspondente daEconomist no Brasil, Helen Joyce. “Aquele momento especial chegou ao fim.”

A mudança radical na imagem do Brasil lá fora tem a ver, em boa medida, com o desempenho sofrível da economia brasileira. Depois de crescer 7,5% em 2010, no último ano do governo Lula, o país desacelerou. Para desconforto da presidente Dilma Rousseff e de sua equipe econômica, confirmaram-se as previsões mais pessimistas dos economistas. Em 2011, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) não passou de 2,5%, um resultado apenas razoável para um país emergente do porte do Brasil. Em 2012, de acordo com as projeções oficiais, ele desacelerou ainda mais, para 1,35%. É um patamar bem inferior à média mundial no período, de 3,3%, e das estimativas hiperotimistas, de até 5%, feitas por Mantega no início do ano passado. “Lula manteve sem necessidade os estímulos econômicos criados no combate à crise para gerar um clima de euforia e eleger Dilma presidente”, afirma Ricupero. “Mas ele sabia que o dia do juízo chegaria depois.” ...



De Jose Fucs, Revista ÉPOCA 
 

domingo, 27 de janeiro de 2013

É hora de se abrir ao comércio, diz UE ao Brasil e a Argentina


SANTIAGO, 26 Jan (Reuters) - A Argentina e o Brasil precisam se abrir para produtos europeus e avançar nas conversações de livre comércio do Mercosul, congeladas há muito tempo, disse neste sábado o comissário de comércio da União Europeia, Karel De Gucht, antes da UE e os líderes latino-americanos se reunirem para tentar romper o impasse.
Um acordo de livre comércio com o bloco sul-americano, formado por Argentina, Brasil, Venezuela, Uruguai e Paraguai, seria um grande trunfo para a Europa, que tenta emergir de três anos de crise econômica.
Mas as negociações, iniciadas há 18 anos e relançadas em 2010, ainda não chegaram a um progresso de fato. Nesse período, a UE assinou tratados de livre comércio do México ao Chile, revelando uma divisão na América Latina.
Reunidos em Santiago para uma cúpula de dois dias, os líderes europeus, incluindo a chanceler alemã, Angela Merkel, esperam discutir o assunto com a presidente Dilma Rousseff e a presidente da Argentina, Cristina Kirchner. O comissário De Gucht afirma que agora é a hora de agir.
"Precisamos levar as negociações com os países do Mercosul a uma conclusão", iria dizer De Gucht em um discurso na cúpula, de acordo com um cópia distribuída à imprensa antes do pronunciamento. "Não é segredo que a Europa gostaria de ter feito mais progressos nestas negociações."
De Gucht reconheceu que o bloco de 27 países da UE pode fazer mais para reduzir as barreiras ao comércio.


De Robin Emmott, portal REUTERS BRASIL

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Brasil tem maior déficit nas contas externas da historia



Em um ano marcado pelos efeitos da crise financeira internacional, as transações correntes (conta que inclui a balança comercial, de serviços e rendas – ou seja, a conta das transações do Brasil com os demais países), um dos principais indicadores das contas externas brasileiras, tiveram um déficit recorde de US$ 54 bilhões, segundo números divulgados nesta quarta-feira (23) pelo Banco Central. A série histórica do BC tem início em 1947.

A piora no perfil das contas externas brasileiras aconteceu, principalmente, por conta do saldo comercial (valor das exportações menos importações), que atingiu, em 2012, o pior resultado em dez anos. No último ano, o superávit da balança comercial brasileira somou US$ 19,4 bilhões, com queda de mais de US$ 10 bilhões frente ao resultado de 2011 – quando o saldo ficou positivo em US$ 29,7 bilhões. Mas também está relacionada com os gastos de brasileiros no exterior, que bateram recorde no ano passado.
"Déficits em conta corrente são naturais em países em desenvolvimento, que precisam absorver poupança externa. O déficit cresce naturalmente porque o país está em desenvolvimento, em crescimento. Mas estamos financiado com investimentos estrangeiros diretos, o que é benigno", declarou Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central. (...)
De Alexandro Martelo, Economia, G1 GLOBO

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

ANÁLISE-"Quintal" de Dilma, energia pode causar-lhe dor de cabeça


BRASÍLIA, Se TVs e chuveiros realmente tiverem que ser desligados em 2013 para racionar energia, o ano não poderia ser mais emblemático para a presidente Dilma Rousseff. E no pior sentido.
Dilma fez fama ao reformular o setor elétrico e procurar dar garantia à segurança do fornecimento de energia após a grave crise de 2001. Ela se vê agora diante de ameaças que poderão minar seus esforços de dar fôlego à indústria e reaquecer a economia, após dois anos de crescimento frustrante.
"Se começar a faltar eletricidade, e voltar o chamado apagão, isso teria um impacto negativo muito forte, com certeza... Por isso, ela e o governo estão irredutíveis que há zero chance de faltar eletricidade, apesar de especialistas dizerem que o risco é maior", disse à Reuters o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília.
O "timing" para incertezas não poderia ser pior. Depois de um 2012 de economia ruim, cujo crescimento deve ser de cerca de 1 por cento, Dilma espera que as diversas medidas de estímulo tenham seus efeitos plenos neste ano, finalmente abrindo caminho para uma expansão de 4 por cento para 2013.
Um eventual racionamento de energia afetaria diretamente a indústria, setor que recebeu atenção especial da presidente em 2012 com diversas ações de incentivo ao investimento e competitividade, de olho numa recuperação que é bastante aguardada para este ano.
Menos energia, menos produção. E, possivelmente, menos emprego.
"Se houver outro pibinho como em 2012, você teria um impacto muito grande na população e na popularidade da Dilma, especialmente se começar a atingir emprego e inflação", disse Fleischer.
Dilma tem mantido níveis elevados de avaliação, com aprovação pessoal em 78 por cento, segundo pesquisa Ibope de dezembro, escorada principalmente na taxa de desemprego, cujo nível baixo é recorde.  (...)

De Hugo Bachega, Aência REUTERS BRASIL

domingo, 13 de janeiro de 2013

2013 e o Estado-vampiro


Antes do fim do ano fiz uma palestra para alunos de jornalismo. Falei-lhes deste "quarto poder" tão importante em um país onde a crise paira como uma espada sobre nossas cabeças, onde não se consegue aprofundar reformas contra a muralha de interesses fisiologistas que nos dominam. Temos uma presidente com claros desejos de modernização, mas impedida pelo Legislativo com mais de 300 picaretas de plantão como denunciou uma vez o ex-Lula, que também impede que ela saia dos "porões da ineficiência", induzindo-a a manter a linha de intervenção estatal em tudo, a bater cabeça para os medíocres "peronistas de direita" que infestam o governo. Agora, a barra vai pesar mais ainda com a subida do lado podre do PMDB à presidência das casas do Congresso e 2013 será um ano de lutas entre Atraso e modernização, com a nação impedida de adotar as óbvias medidas de progresso que todos os grandes economistas do mundo recomendam. Com uma oposição desagregada e covarde que traiu até suas próprias vitórias, nossa Imprensa ainda livre (apesar dos bolchevistas que tramam nossa "argentinização") é a única voz para defender a sociedade. 



Perguntei aos estudantes: o que nos move? Claro que as empresas querem lucro, profissionais querem viver, comer, aparecer, sim, mas afinal que grão de esperança ou romantismo treme em nossos textos? Amor à pátria, busca de harmonia, combate ao crime e à mentira? O quê? 

A imprensa democrática cumpre um papel imenso nesse vazio reflexivo em que nos meteram há quatro séculos. Temos uma população mergulhada na ignorância, fácil de enganar; vejam as multidões de vítimas de evangélicos corruptos e os milhões de votos do neo-cabresto moderno: os "bolsistas da família". 

Nunca me esqueci da formulação de Brecht, o "efeito de estranhamento" ou seja, "ver por trás do familiar o que existe de estranho, desumano". Que fatos sinistros há embaixo dos fatos que nos parecem normais? Que doença se disfarça de saúde? Disse a eles, portanto, que a imprensa deve ser "crítica" em primeiro lugar. E "crítica" não quer dizer "ataque" ou "denúncia" apenas, mas avaliação, busca de entendimento, que pode ir da mais amarela bile de ódio até propostas de positividade. Disse também a eles: tentemos a difícil tarefa de pensar sem ideologia. Isso. Entender os fatos sem um preconceito. O pensamento ideológico distorce a realidade para fazê-la caber numa certeza anterior ao fato. Dificílimo isso, pois somos todos seres "ideológicos". Acho que a única ideologia de hoje (para além de esquerda ou direita, essa velha dualidade) é defender o que seja civilizatório, o que possa aumentar a qualidade da vida pessoal e do interesse público. Como dizia Marco Aurélio (não o Garcia nem o Mello, claro, mas o imperador): "O que é bom para a abelha tem de ser bom para a colmeia". Disse a eles que a denúncia pura no Brasil é muito fácil, porque há um excesso de absurdos no dia a dia. Vivemos em um momento em que tudo parece desabar, o que pode nos levar a um "delírio de ruína". Disse-lhes do meu medo de que a denúncia mecânica e o trágico espetacular possam ser até mais lucrativos para quem denuncia do que para quem sofre. 

Acho que o catastrofismo beneficia o atraso e aqueles que vivem do erro nacional, dos buracos das instituições, da fraqueza de nossa formação. Falei que somos todos parte do "grande erro" e que devemos nos incluir no que criticamos. Não concordo com articulistas que se salvam do abismo, que falam como se não fizessem parte do País. 

Os fatos estão cada vez mais além das interpretações, os crimes ocorrem numa velocidade de jatos e as formas de combatê-los se arrastam. Pode ser que agora, com o exemplo de grandeza dado pelo STF, diminua o descaro com que os criminosos agem, sabendo-se impunes. Mas a resistência do atraso é imensa, comandada pelo nefasto Sarney, o "aliado" que vai estimular a guerra entre Legislativo e Judiciário, como já anunciam oportunistas e ladrões. 

Falei que ficar na dualidade antiga de esquerda x direita não esgota a análise dos fatos. A agenda progressista do Brasil é outra - o que nos paralisa não é a malignidade de grupos ou "imperialismos", mas velhos vícios ibéricos que nos impedem de progredir.

Lembrei-lhes que nossas doenças são a corrupção endêmica, o burocratismo paralisante, o clientelismo cordial, o personalismo ridículo, o arcaísmo das leis, a ausência de noção de "república". O jornalismo tem de ser uma "psicanálise" de nossos vícios e não a mera procura de culpados. 

Disse-lhes que no seio do romantismo revolucionário dos anos 60, havia uma "finalidade" a se atingir, uma utopia que substituía o presente e o "possível" pelo imaginário. Esse pensamento mágico destrói a administração da vida real em nome de um futuro que não chega nunca. Hoje, temos de aceitar que nunca teremos um País perfeito, resolvido; nunca chegaremos "lá". E isso é bom.

O fracasso da esquerda em 64 e depois o suicídio da guerra urbana mostraram o absurdo heroico e frágil do voluntarismo. Houve um real espasmo de democracia nos anos seguintes a 85, mesmo com as tragédias que começaram com a morte de Tancredo até a hiperinflação dos anos 80 até 1994. 

Agora, estamos em uma fase em que o perigo é o eterno pêndulo entre liberalismo e Estado centralizador. Temos uma atávica fixação no "Estado salvador". 

A complexidade lenta da democracia traz saudades do simplismo velho de guerra. Na primeira fase da era-Lula, o petismo "corrupto-bolchevista" tentou tomar o Estado mas, espantosamente, fomos salvos pelo Jefferson, com sua legitimidade de mensaleiro confesso.

O perigo atual é o regresso à burrice. Aos poucos, o rabo do lagarto do atraso pode se recompor. Com um leve sabor de sacrilégio, disse-lhes que no Brasil só um choque de empreendedorismo privado pode destruir o "bunker" de ação do estamento patrimonialista que nos anestesia. Não adianta anunciar catástrofes; é preciso ensinar a população a se defender do Estado vampírico. O resto - disse-lhes - é papo morto.


De Arnaldo Jabor, ESTADÃO online